Verona de Amor
1 Capítulo 1
Notas iniciais
(POV Helena)
O dia chegou, e junto com as malas só levo comigo a coragem e um pouco de bom espírito para começar novamente. Verona. Italia. Eu nunca imaginei que precisaria deixar a Espanha, mas eu respeito a decisão de meu tio; as dívidas estavam crescendo e passar alguns verões morando com a parte mais afortunada dos Capuleto foi uma decisão sensata, pelo bem de minhas caçulas.
(Narrador)
A viagem durou aproximadamente 7 dias. Longa e desagradável, apesar das belas paisagens. Helena De la Rosa Capuleto, admirava a paisagem da cidadezinha recém chegada, da janela da carruagem que a trazia para sua nova vida.
Ao fazer a curva em uma das avenidas principais da cidade, cocheiro desatento afunda algumas rodas da carruagem em uma poça de lama. Que ótima recepção.
— Eu não acredito. — murmurou Helena para si mesma frustrada.
— Me desculpe senhorita, mas terás que descer aqui! A roda ficou presa!
— "Ah é mesmo? Não havia notado!"— resmunga — Já vou descer!— responde.
Sorte a dela que por suas lembranças, não estava muito longe da mansão dos Capuleto.
De qualquer forma, desengonçada ela consegue apoiar o pé no primeiro degrau para descer da carruagem. Ao ver a quantidade de lama a sua volta, praticamente ilhada, com duas grandes malas nas mãos, quase escapando pelos dedos. Começava a se arrepender do peso e dos meses que passaria em Verona.
— A senhorita precisa de ajuda? — uma voz masculina disse descontraída e se aproximando.
Ao olhar vê 2 rapazes, um moreno e um quase loiro, o que se dirigiu a ela estava com a mão estendida, oferecendo ajuda. E aparentemente o cocheiro sumiu.
— Certamente que sim.— dá um sorriso aliviado. Não tinha a menor ideia de como sairia dali sem se sujar completamente.
Ela com o máximo de cuidado, joga sua bagagem para o loiro, que logo em seguida indica para que ela jogue a outra mala para o moreno, e assim ela o faz. E o mesmo faz careta por causa do peso.
— E agora vem a senhorita...— Agora foi a vez de um meio sorriso aparecer nos lábios dele, do loiro.
Insegura, ela deu um pequeno salto, insuficiente para alcançar a calçada limpa. Sujou as botas velhas e a barra do vestido, e quase derrubou o rapaz que a segurou e reestabeleceu seu equilíbrio.
— Opa — Ele sorri de canto olhando em seus olhos.
Helena se afasta; estava perto demais de um corpo desconhecido para o seu gosto.
Ela se recompõe e:
— Muito obrigada. Eu realmente não queria que minha chegada na cidade fosse ruim logo de primeira.
— Não há de que, senhorita.— diz o moreno sorridente e atrapalhado. — E bem-vinda a Verona.
— Não precisa agradecer. Prazer, Benvólio...— ofereceu a mão novamente, mas agora ao tocar a de Helena beijou-a.
Corou levemente, Helena, talvez não fosse ser tão ruim assim viver nesta cidade.
— Helena.
— Helena...— o loiro que atende por Benvólio repete. — É um belo nome.— Sorri ainda com os lábios a milímetros do colo de sua mão, antes de afastar o rosto.
— É muito gentil, Benvólio. E o nome do outro solidário cavalheiro é...?— disse ela ao moreno.
— Romeu, senhorita Helena, Romeu Montecchio. — sorriu e acenou com a cabeça.
MONTECCHIO?!
— Um Montecchio?! — o sorriso em seu rosto sumiu na velocidade do bater das asas de um beija-flor.
— Um não, dois! — o loiro se escora no ombro do primo sorrindo, buscando participação na conversa.
— Não vejo o porque da mudança repentina de humor? Algo no meu nome a incomoda?— Romeu perguntou confuso.
— Não, problema nenhum, apenas já ouvi alguns rumores pela cidade e...nada que valha a pena se importar.
— Hm, entendo, Verona é uma cidade construída em cima de rumores.— Benvólio responde seriamente.
— Bom rapazes, agradeço imensamente pela ajuda, mas vejo que é hora de ir. — sorri falsamente e começa a se afastar.
— Não quer ajuda com as malas?— Romeu pergunta.
— Não, obrigada. — pega as malas e se afasta rapidamente do sangue inimigo, em direção a casa dos Capuleto.
POV Benvólio:
— Bela e estranha a moça...— Romeu riu.
— Acho que a nossa reputação de ódio e violência contra os Capuletos, está manchando nosso nome para com as damas...— Benvólio reclama.
— Apenas a sua reputação primo, pois você enfrenta ódio, e eu enfrento amor! — Romeu exclama para o primo.
— E eu posso saber quem é que você ama?
— Amo uma mulher...
— Oh, temos aí uma novidade.— ironiza Benvólio. — Posso saber o nome dessa mulher?— questiona.
— Rosalina.
— Não Romeu, não! A sobrinha do Sr. Capuleto?!
— Você não entende!
— Não mesmo, você é que deve entender! Sua paixonite por Rosalina nada mais é que um encanto, como todas as outras! O que me tranquiliza é que eu, o conhecendo como conheço, sei que vai passar.
— Está enganado...— Romeu responde.
— Tudo bem, tudo bem, vamos mudar de assunto.— Alí vem Mercutio...
POV Helena:
Eu não acredito que mal cheguei à cidade e já fui recebida de primeira por 2 Montecchios! Cortei logo as informalidades, imagine?! Se eu abaixo a guarda e descobrem meu sobrenome, nem sei o que seria de mim. Eu até acreditei nas palavras de ajuda do mais jovem Romeu, mas o outro?! Um belo, e ausente de caráter, sorriso. Benvólio... conheço sorrisos como aquele.
Bom, mas já passou, acho que nem direi nada à senhora Capuleto para não causar nenhum problema.
A mansão Capuleto estava quase exatamente como eu lembrava, das vezes que vim aqui para visitar, com meu tio. Grande, com belos tons solares e muitas flores.
— Querida! Que bom que chegou! Como foi de viajem?— A Ama de minha prima Julieta me recebeu com um abraço e me ajudou com as minhas malas.
— Foi desagradável Ama, não vou mentir.— rio um pouco.
— Imagino! Foram quantos dias? 3?
— 7!
— Minha nossa senhora! Deve estar morta! Venha, vamos para os seus aposentos, Julieta foi a igreja, e o senhor e a senhora Capuleto estão no castelo a conversar com o príncipe se não me engano.
Subimos então um lance de escadas para chegar onde eu ficaria dormindo, o quarto era mais confortável do que o meu quarto em Galiza, entro e lanço um olhar travesso para a Ama antes de me jogar naquela cama confortável, na qual não me deitava a anos.
— Cuidado minha senhorita pelo amor de Deus, o que houve com essas botas e esse vestido!?!— A Ama me alertou, para que eu não chegasse o corpo mais para cima da cama, para não sujar os lençóis brancos.
— Oh, isso, foi o cocheiro que afundou a carruagem em uma enorme poça de lama. Quase não consigo sair da carruagem.
— E como saiu??— Ama curiosa como sempre.
Penso rápido, não devo contar a Ama que não vejo a tanto tempo, não por falta de confiança, mas, ainda não.
— O cocheiro me ajudou, Graças a Deus, ou eu estaria uma verdadeira porca.
Ama riu.
Por mais algum tempo conversamos e então Ama me deixou descansar um pouco, para estar mais desperta quando Julieta e os senhores da casa chegassem. E levou meu vestido sujo para ser lavado, alegando que sujar um belo vestido como aquele seria quase um pecado.
Dormi, pelo que me pareceu, por pouco mais de uma hora. Então acordei troquei as roupas de baixo por um vestido simples e fiz uma trança em meus cabelos.
Já era final de tarde e da janela de meu novo quarto, ouço a voz de Julieta alegremente adentrando a propriedade.
Com uma alegria infantil ouço-a perguntar a Ama sobre minha chegada. Em seguida rápidos passos subindo as escadas de madeira, 3, risadas ,2,1...
— HELENA! — Julieta corre e me dá um abraço apertado.
— Julinha!— Usei seu apelido.
Rimos de alegria e saudades. Julieta sempre foi como uma irmã caçula para mim, ela era aos olhos do mundo e aos meus uma rosa, delicada e preciosa a ser protegida de todo o mal. Julinha sempre foi um pouco solitária, principalmente por ser a única filha e herdeira das posses de seu pai. Sempre fizemos companhia uma a outra, mesmo que quase sempre por cartas.
Conversamos bastante, ela, sem muitas novidades além dos diversos conflitos que ela mesma não compreendia muito bem, entre os nossos e os Montecchios. Me contou todos praticamente, desde os mais simples e até cômicos, até as tristes lembranças dos que foram tirados de nós pelos mesmos.
— Julinha!! Helena! Hora do jantar! Chega de fofoca! — A Ama grita diante da porta fechada.
— Vamos, estou mesmo morrendo de fome!— exclamo e rimos.
Havia algum tempo que não comia em uma mesa tão farta, em tempos difíceis, Graças a Deus nunca faltou comida, mas meu tio não era capaz de fazer um banquete com o dinheiro que conseguia.
Sentamos todos, eu, Julieta, Sr. E Sra. Capuleto, Teobaldo e Rosalina.
— A comida está um deleite mulher— Sr Capuleto diz pegando a coxa do frango assado no centro da mesa.
— Mandei fazer justamente para celebrarmos de certa forma a chegada de Helena á nossa casa!
— Muito obrigada senhora...
— Por Deus, não me chame de senhora Helena, apenas me chame de Bertha.— disse parecendo mais preocupada com o soar da mais idade do que com qualquer outra coisa.
— Assim seja.— respondo.
— Fez boa viagem Helena?— Teobaldo pergunta soando superior como de costume.
— Bem cansativa, mas boa.
— Mas você me disse que foi péssima, até na chega...— Julieta que como uma criança é incapaz de manter a boca fechada.
— Aconteceu algo em sua chegada?— Sr Capuleto questiona.
— Nada demais senhor, a carruagem afundou grande parte em lama, e eu me sujei por pouco.
— Deve ter sido horrível mesmo! — Sra Capuleto se horroriza com a sujeira.
Continuamos a comer em paz.
— Me assustou querida Helena, já estava aqui pensando em alguma afronta dos Montecchio á sua chegada. Odiaria ter que causar tumulto mais uma vez nas ruas dessa cidade.— Diz não mostrando nem um pouco de verdade no que dizia odiar.
— Não, não, foi apenas lama mesmo.— Digo já me levantando da mesa.— Estou muito cansada ainda dos 7 longos dias de viagem, permissão para deixar a mesa?
— Concedida.— Sr Capuleto diz.
Subo para o quarto de volta e deito na cama após estar pronta para dormir, sinto algo diferente nesta cidade, sinto que essa estada em Verona trará novos ventos para esta vida... só não sei o que ainda.
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