Vermes, Cemitérios e Poesia
5 Sobre o Amor
Notas iniciais
Meu amigo romântico ouça com atenção
Pois sua bela e formosa dama
Não é tão bela e formosa
Quando está em um caixão
.
Se me canta seus amores perdidos
Me faça o favor e me saia da frente
Pois estou ocupado, com os horrores de minha mente
.
Não se desfaleça por sentimento
Pois esta dama é vela ao vento
Não vale minha alma cantar
Por algo tão baixo quanto amar
.
Se me diz que não amo
Digo que está enganado
Amo profundamente
Amo com ardor
Amo com amor
Oh meu Deus, como sinto profundo esse sentimento
Oh não, são apenas larvas em meu peito
.
Rio-me de minha ironia
Mas mais ainda, rio de sua histeria
Me diga, meu amigo
Quando o miasma cobrir seu perfume francês
Me pergunto se será tão cortês
Pois quando me fala da dama que me anima o ânimo
Vejo apenas as larvas que limparão seu crânio
.
Não me entenda mal, caro amigo
Na minha morte a espera é um tédio
Que mal tem em um pouco de divertimento?
Não é como se tivesse perdido meu coração
Apenas assisti de perto os horrores da decomposição
.
Se é o coração dela que deseja,
Me pague bem, e eu o trago numa bandeja
Basta pedir
Sou amigo dedicado
Totalmente devotado, aos espetáculos da carnificina
.
Se os seus cantos de amor ela rejeita
Mate-a e devore-a
Que mal faz?
Apenas não me aborreça com seu destino fulgaz
.
Fala-me tanta em sua beleza
Pois então te desafio
Coma-lhe a carne podre e me conte o sabor!
Veja em terra molhada
(de sangue)
Vermes se contorcerem em seu lindo semblante!
Oh, mas que cena emocionante
.
Se meus conselhos não te atingem
Amigo
Então me deixe em paz
Pois antes ouço grito solitário de uma Banshee
Aos sussurros melosos de uma amante.
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