Notas iniciais
Estrutura: Quartetos // Métrica: Livre // Rimas: Embaralhadas // Tema: Mais informações no fim

Em uma noite de lua minguante

Posso sentir sua pele contra minha

Sinto em seu beijo um veneno intoxicante

Que corrói meus sentidos num sabor estonteante

.

Em seu corpo traço uma linha

Com meus lábios frios te causo um arrepio

Que percorre seu corpo em desejo sombrio

E você suspira e delira como um verme vil

.

O frio de minha pele, o calor de seu seio

É perfeito como um tedioso devaneio

De uma noite de inverno, fria e fantasma

Que me penetra o corpo e me destrói a alma

.

Por isso, querida, viva o momento

Nossas vidas são como chama que se expõe ao vento

Pois, na noite escura, amamos

E, no dia nascente, voamos

.

Esteja faminta, pois da dor irá comer

Por ela é preciso passar para sentir o prazer

É preciso ver o sangue escorrer como lágrimas

Pois esta noite não temos tempo para lástimas

.

Com a noite gritando a volta

Nos perdemos e sorrimos num prazer sem fim

Venha querida, venha até mim

Pois seu suspiro me aquece a alma como uma musa morta

.

Amamos e dançamos até a luz assassina

Do dia, que nos mata a alma e a ilumina

Um pena que assim acabe senhora

Mas terei de te matar com o nascer da aurora

Notas finais
Bem, esse é um poema atípico, pois não costumo escrever nada com este teor, e assim ele surgiu, uma espécie de desafio pessoal para ver até onde eu iria e como eu narraria uma noite romântica entre um assassino e sua vítima. Porém, ao fim do poema, eu acabei fazendo, pessoalmente, um paralelo com minha criatividade (que seria a vítima) e meus estados de espírito, sendo a noite o meu tédio e pessimismo, e o dia os momentos em que eu estou motivado a fazer algo. A morte da criatividade ao nascer do dia se deve ao fato de eu não conseguir criar quanto estou de bom humor (apesar de ser o melhor momento para desenvolver aqueles textos meio que de "passagem" para os eventos importantes de uma história