Notas iniciais
Métrica: Livre / Rimas: Livres / Temática: Um indivíduo esperando alguém na estação de trem

Os relógios tocam seus sinos diminutos:

Tic Tac Tic Tac.

Os pedestres mestres na arte

De sumir e voltar em massa cinzenta.

.

Sento-me quieto no banco de madeira.

Olhos voando perseguindo uma abelha.

Sentado olhando.

Sentado voando.

.

Os trens ambíguos passam e voltam.

Os mares de gente, a ideia vazia,

São pretos, são brancos, são cinzas, são tantos.

E meu trem dos sonhos continua a voar

Por mares de ferro de terras gerais.

O trem vermelho, o cometa da terra,

Meu desejo contido em um único pensamento

Quem me dera que não fosse um, fossem cem

Os caminhos que me levam a esse trem.

.

Sentindo aflito as horas passarem

Esse não-trem que me comove as emoções

Ah, maldito destino ideal

Por que me fizeste apenas um animal?

.

E continuo a voar e a sentar na estação

A fumaça e a lembrança a me embriagar

E me fazer tossir.

O calor que, outrora, me fora negado.

Tantos relógios que continuam a girar

E o meu quebrado.

.

E meu trem chega

Não é vermelho como minhas ideias.

É cinza e preto e branco e tanto me parece aos outros que me entristeço.

De dentro me saem tantas gentes,

Mas meus olhos sozinhos o enxergam espelhado.

Sento de volta ao banco a voar.

A sentar e a voar.

Quem me dera que fossem uma não cem

As pessoas nesse trem.

Notas finais
Uma um pouco mais leve, para tirar a poeira da coletânea