Vermes, Cemitérios e Poesia
15 Brumas Escuras
Notas iniciais
Minha mente fantasmagórica
Delira e suspira, enternecida
Pela forma mutante alada
Desta aparição demoníaca
.
Nas inconstantes marés da alma,
Meu corpo navega em delírio febril.
Sufocando e agonizando como vil
Verme que se arrasta na lama.
.
Perdido estou como monstro carniçal.
No mundo de nuvens etéreas,
Com veneno nas veias
A correr-me a alma em destino mau.
.
Envolto estou em sombras.
Aqui, a vagar sozinho,
Caminhar nas nuvens enquanto me banho
Nos sonhos vagos de noites longas.
.
Vagando leve para as terras além do crepúsculo,
Consciência a se perder no infinito.
Emoções abstratas a me abandonar o espírito.
Meus sentidos podres como as flores em meu túmulo.
.
Convulsões macabras de sombria ilusão,
Pesadelos escuros e aterrorizantes,
Montanhas de loucura jamais vistas antes,
Monstruosos seres que me escapam a razão.
.
O dia já me é escuro como noite,
Pois com ele me trás os horrores
Da vida e da existência cheia de dores.
Torturante demônio-sol e seu açoite.
.
Cego e surdo diante de minha tortura,
Grito de horror diante da vida
E choro de piedade por minha alma perdida.
Vejo nas nuvens a foice boa e clara.
.
Guio-me nos espectros esquecidos.
Máscaras de porcelana ao toque frias,
Almas perdidas no inconsciente, fugidas
Como o corvo, o éter e seus rugidos.
.
Um corpo doente que a alma chora.
Um espírito vagante e seu sonho delirante.
Trânsito além desta realidade mutante
Como as brumas negras que vêm com a aurora.
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