Notas iniciais
Estrutura: Livre // Rimas: Livres // Métrica: Livre// Tema: Um já defunto poeta que canta aos vermes que agora devoram seu corpo morto

I – Meu Leito

.

Aos vermes de meu corpo entôo este canto:

Chuva que me gela os ossos

Grama que me aquece a carne

Sirvam de ninho aos simpáticos vermes em minha carne

.

Terra sagrada corrompida

Dor lacerante continua

Sinto rastejar os vermes

Vermes, teus doces lábios minha carne mastigam

.

Cheiro podre, sincero perfume

De morte a ressoar ao vento

Terra, lama, noite profana

Minh’alma viva sente no corpo morto

O rastejar eterno, vermes dos quais vivo

.

Vermes, vermes em meu corpo!

Ouçam o que digo!

Devorem minha carne em pedaços! Rápido!

Sejam rápidos!

Vermes rubros de sangue

Devorem meu corpo e libertem minha alma.

.

II – Meu Corpo

.

Vermes! Vermes em meu corpo!

Chamai-me! Chamai-me Deus!

Chamai-me alma!

Chamai-me louco!

Chamai-me rei das podridões do espírito,

Deus da loucura d’alma

.

Vermes, minha companhia

Devorai-me a carne,

Sugai-me o suco da vida,

Lambuzem-se em meu sangue frio e rubro

Espalhem-se e prosperem em minha ruína

Mas não me deixem sozinho nunca mais

.

Se morri?

Não, não morri

Minha carne apodrece

Meus ossos quebram

Meu sangue seca

E meus vermes crescem

Mas em mim memória vive

.

Do alvor dos anjos, vermes que guincham

Vermes que se banham da Lua

Vermes que se alimentam do meu ser

Vermes, devoradores de corpos

Sentem em sua boca o gosto amargo de minha carne?

O calor de meu ódio?

A doçura da minha loucura?

O frio de meu peito?

Ah, sentem isso?

Sentem esse mundo negro em minhas entranhas?

.

E permanecem?

E vocês, gentis vermes, permanecem?

São então as mais gentis criaturas

.

III – Meu Amor

.

Vermes em meu peito

Cuidado com o veneno

Este amargo sabor dos deuses

Este doce elixir do inferno

Cuidado com este calor que levo no peito

.

Meus vermes amam-me

Amam-me por meu corpo

Amam-me as entranhas

Amam-me o interior profundo e escuro

Amam-me de forma sincera

Vermes, meus verdadeiros amigos

.

Amo-os

Amo-os com mais zelo e sinceridade

Do que tudo que amei em vida

Conheço-os cada um

Sinto-os como amantes

Que devoram minha carne e perturbam meu espírito

Notas finais
Esse poema não tem um significado muito profundo, é apenas algo que quis escrever durante meus momentos de tédio 'u' Aqui fica bem clara minha influência Romântica, embora eu não me identifique totalmente com a escola. Espero que tenham gostado xD