Eu não consigo me lembrar bem de como isso tudo começou. Por um simples detalhe, a minha vida foi toda traçada. Talvez hoje em dia, eu fosse alguém completamente diferente ou talvez o destino irracional siga seu caminho não importa o que nós façamos, mas isso não me importa.

O que eu me lembro são flashes. Algo tão escondido na minha memória que eu nem sei ao certo porque continuam aqui. E uma cor sempre se mostra mais. Vermelho. Se era fogo ou sangue, eu não sei, só sei que ficou gravado no meu olhar. E olha que coisa ridícula! É a cor que todos veem quando olham para meus olhos também. Não consigo nem mesmo lembrar dos meus pais, se meu pai era forte e alegre ou se minha mãe tinha um sorriso bonito e um cheiro bom. Não consigo me lembrar se ela cantava para mim ou se ele me fazia rir com brincadeiras bobas. Nada. Não lembro nada deles ou de qualquer pessoa desse passado. Apenas isso, vermelho. Mas não pense que eu fico triste com isso ou algo assim, não é como se eu pudesse sentir falta de algo que eu não tive. Eu só sinto como se esse pedaço de mim estivesse oco. Não há nada para sentir saudades ou lamentar quando não se há nada a recordar.

Tudo o que me lembro da minha infância, são eles: a organização. Bem cedo descobri que deveria tomar o que era meu à força, ou seria eu que teria as coisas retiradas. Eu não era qualquer um, não eu era um Magi, um sacerdote importante demais para me preocupar com coisas idiotas como pessoas inferiores. Eu deveria me preocupar com coisas mais importantes como o futuro do país que eu desde pequeno fora obrigado a proteger. Usando roupas ridículas e quentes, eu ficava o dia inteiro aprendendo como deveria ser a arma perfeita deles. Não me leve a mal, eu gostava disso. Gostava da sensação de poder na minha mão, de ter o poder de destruir uma cidade sem sequer suar. De início, a consciência ainda pesava e durante as noites eu ouvia as vozes daqueles que eu aniquilara gritando em minha cabeça. Ainda mais quando eu via crianças como eu. Porém, quanto mais o tempo passava e eu percebia que ninguém conseguia me parar, eu comecei a aceitar que eu era realmente alguém superior, alguém que vali muito mais do que os vermes que eu fazia sumir com meia dúzia de palavras, afinal, se assim não fosse, por que eu seria capaz de fazer isso?

A única coisa que não me fazia perder completamente o respeito por todos e acabar com tudo e qualquer um que se metesse no meu caminho era um garoto, um lindo garoto de cabelos azulados. Às vezes eu gostava de simplesmente o ver treinar com os irmãos, ele tinha uma risada tão sincera que chegava até os seus olhos que eu simplesmente não podia desviar o olhar. Sempre era arrastado de volta por algum dos membros da organização para os treinamentos, porque se dependesse de mim, eu apenas olharia para aquele menino, fingindo na minha cabeça que nós éramos amigos e que poderíamos rir juntos.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.