Vermelho e Branco
1 Prólogo-O início
Notas iniciais
Zé Guilherme acordou assustado com o som metálico do cassetete batendo na grade da cela. Olhou para o lado e viu Carlos e Rita dormindo enquanto Rafael já estava acordado fazendo flexões, seus músculos estavam delineados por sua camiseta suada. Era seu segundo dia na prisão e não conhecia nada nem ninguém, só sabia o nome de seus companheiros de cela. Levantou de sua beliche e desceu, estava acabado após uma noite dormindo naquele colchão, mais duro que o cimento que compunha o chão, e ouvindo os gritos dos prisioneiros, que em assombravam os corredores daquela prisão, o impedindo de dormir direito. Lavava o rosto com a água turva que saía da torneira enquanto os outros dois prisioneiros acordavam. Olhava para seu reflexo no líquido, pensava no que tinha feito para estar naquela situação infernal.
O odor de café invadia o quarto de Zé, ouvia sua mãe, Ota, cantando na cozinha enquanto, Eliseu, seu pai roncava, dormindo na poltrona da sala após uma noite boêmia. Para ver o horário, Zé se apoia em seu bíceps dolorido após a academia do dia anterior, ter um corpo tão divino era trabalhoso, mas trazia resultado. Recentemente, havia se encontrado com Carlão, um professor de educação física muito educado e esbelto, que prometia um relacionamento duradouro. Naquele dia, o casal teria seu primeiro encontro desde o início do namoro. Precisava tomar um banho, o forte odor de seu órgão sexual impregnava o ambiente. Após se levantar, se despiu, revelando sua xota, muito utilizada nos últimos dias. Um banho relaxante, seguido por uma borrifada do presente de Carlão, uma colônia barata comprada na Renner. O novo namorado chegou naquele momento, a sincronia entre eles era perfeita. Carlão o olhava com seu sorriso cativante, estava preparado para o encontro, que se passaria no cinema, na praça de alimentação e no motel.
Depois de uma tarde cheia de emoções, Zé volta para casa, em frente à qual vê três carros desconhecidos. Sem entender o que está acontecendo, Gui adentrou a residência com receio, aliviando-se ao perceber que os carros eram apenas dos amigos de seu pai, que vieram beber. Foi para o seu quarto ignorando tudo e todos, não queria ouví-los criticando suas opções sexuais e de gênero, só queria um tempo para lembrar de sua deliciosa tarde com Carlos. No andar de baixo a conversa havia se tornado uma discussão, porém, Zé achou normal pois isso era comum para um bando de osasquenses. Repentinamente, contrariando o pensamento de Gui, a discussão aumentou exponencialmente, resolveu checar. Desceu as escadas correndo só para encontrar o cadáver de seu pai no chão repleto de facadas. Apenas observava, chocado. Os osasquenses notaram sua presença e o atacaram. Não sabia como reagir, a visão de seu pai morto estava impressa em sua cornea.
Fale com o autor