Vermelho Sangue

1 Vermelho Sangue


Notas iniciais
Uma poesia sem rimas.

A luz era fraca, a luz da lua.

Antes eu era uma menina sonhadora, tudo que eu queria era ter uma vida de felicidade.

Eu tentei tê-la, mas havia sempre um demônio ao meu lado, despedaçando todas as minhas tentativas.

Eu só me sentia segura dentro de meu quarto, que cheirava a sangue.

Estava todo revirado, roupas no chão, papeis espalhados, desenhos em preto e branco.

Xingavam-me por eu não arrumá-lo, mas se eu o arrumava, era como se meus demônios não estivessem mais comigo.

Não consigo viver sem eles.

As vozes sussurravam em meus ouvidos, palavras rasgadas.

A lua sorria para mim.

Sim, ela sorria.

Eu segurava a navalha em minha mão, ela brilhava em contato com a luz prateada da lua.

Círculos abstratos encantavam-me nos céus.

Era a voz dele dizendo, repetindo, repetindo, repetindo....Sempre repetindo

“Eu não te amo” “Eu não te amo” “Eu não te amo”

O sorriso no rosto da outra, direcionado ironicamente para mim

“Ele é meu” ela me dizia

Eu dei meu coração, e ele pisou em cima

Fiquei de joelhos no chão

Tentando juntar os pedaços

Mas era tudo tão em vão

Tudo tão morto

Meus dedos cheiravam a sangue

Aquele sorriso me perseguia

Mas não o faria mais

Devagar, calmamente, passei a navalha em meu pescoço

A primeira gota de sangue escorria

Afundei o corte

As vozes sussurravam palavras rasgadas em meus ouvidos

O cheiro de sangue invadiu meu quarto novamente

Mas quem disse que alguém se importava com isso?

Ninguém nunca se importou

Meu anjo, eu via-o

Ele que tantas vezes sussurrou a salvação para mim

Agora eu seria dele

Para Sempre

Notas finais
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