Vermelho Escuro

23 23. Liberdade PARTE I


Capítulo 23

POV Bella

O Instagram de Tânia Denali já era o mais comentado nas mídias sociais, vários sites apontavam o ex “affair” de Edward Cullen como a grande bomba da semana.

Enfiada no sofá de couro macio de Edward, em plena terça-feira, depois das duas semanas incríveis que eles tiveram na Ilha de Esme, era um pouco complicado voltar a realidade. Principalmente quando o ciúme lhe mordia a bunda. Isabella lia os comentários na foto que a mulher postou, mas antes, ela analisou a foto:

Edward e ela deitados numa cama de motel. Edward dormia escorado no ombro da loira, que sorria para a fotografia. Enrolados num lençol branco, ele estava com uma expressão suave no rosto, expressão essa que Bella admirou quase em todas as noites que dormiu ao lado dele. Seu coração espremeu um pouco. Ela soube previamente no que aconteceria, o que Tânia postaria. Ela viu a foto antes mesmo de ir ao ar, Edward deixou ela ciente de cada letra que sairia em favor dele no texto que a mulher postaria. Mas, mesmo assim, ela não podia deixar de pensar que durante alguns meses aquela mulher dividiu a cama de um hotel com seu namorado.

E os comentários...

Bella bloqueou o celular quando leu uma mulher dizendo que sua cabeça já deveria estar começando a pesar com os chifres que ele colocaria.

Olhando sob o sofá lateral, encarou a menina deitada ao chão, encarando a vista da varanda de Edward. Ela sabia que sua filha estava ansiosa para ir ver os carros e a vista da baía de Elliot, mas a menina estava obedecendo as ordens de não se aproximar da varanda. Apesar da poeira já ter baixado, sabia que depois das declarações de Tânia, tudo voltaria com força total.

— Marie, você está com fome? — Ela perguntou para sua filha, se colocando de pé.

Foi decisão de Edward que eles estivessem juntos durante esse período, já que Alice havia se mudado para o apartamento de Jasper enquanto ela esteve fora com Edward e pareceu que isso se tornaria permanente agora. Não queria ficar sozinha no apartamento e já estava tão habituada aos dias ao lado dele. O café da manhã juntos era um ritual que ela aprendeu a amar, como o almoço, o jantar e a hora de colocarem Marie para dormir. Os passeios noturnos e a cumplicidade de Edward e Marie enquanto corriam animados pela praia, tudo aquilo havia se tornado a coisa mais preciosa. As lembranças que ela guardaria para sempre. Seu coração já pedia por mais paz como a que a ilha trouxera para eles.

— Não, mamãe. — Respondeu a menina calmamente.

Bella observou Marie colocar a ponta de seu lápis de cor na boca, como quem parecia pensar. Estava deitada de bruços em um tapete felpudo cor de rosa. Suas pernas balançavam de um lado para o outro e estava colorindo uma revista das princesas que Edward lhe trouxera quando viera do trabalho no dia anterior.

— Quando o papai virá? — As palavras já saiam livremente por seus lábios, mas a garotinha sempre olhava de soslaio esperando algum tipo de repreensão de sua mãe.

— Eu espero que logo, bebê. — Com um longo suspiro Bella respondeu.

Ainda era uma novidade enorme para ela. Mas para Edward e Marie era como se isso sempre tivesse acontecido. Sua vida havia mudado tão radicalmente em tão pouco tempo e ela era a única que estava surtando.

Ignorando os pedidos de Edward, Bella andou em direção a varanda só para verificar quantos sanguessugas estavam esperando por uma aparição sua. Por quanto tempo aquilo seria tão importuno?

Quando ela colocou os olhos, viu um brilho vir do prédio a frente do dele e ela supôs que para terem uma visão perfeita eles provavelmente estariam subornado vizinhos. Ela franziu o cenho quando saiu da varanda, fechando as portas e puxando as cortinas, imaginando quantas fotos eles podiam ter tirado do apartamento com suas malditas ultra lentes.

— Eu estava olhando, mamãe! — Reclamou Marie.

— Você poderá olhar em outro momento, agora não.

A menina fizera um muxoxo, mas Bella ignorou. Estava sentindo-se tão aflita e segurava seu celular com força no peito, esperando o momento que Edward ligaria para saber como elas estavam indo.

Voltando ao celular, ela digitou sua senha e a tela desbloqueou abrindo direto na lista dos comentários da foto de Tânia. Bella rolou para cima, finalmente encarando o texto, pela quinta vez somente nesta manhã.

“Quem tem boca vaia à Roma. E vai aonde quer. Desde que o mundo é mundo estamos ouvindo boatos de cadelas por aí e acreditando em tudo. Mas aqui vai uma história para quem adora ouvir “boatos”: Conheci Edward Cullen no meado desse ano, um homem sério, com óculos de sol no rosto e um terno caro. Ele era a imagem da perfeição, tomando um café com pressa, andando apressado. Ele não sabe que eu o conheci nesse dia, mas foi isso que aconteceu. Mais tarde, naquela mesma semana, eu descobri tudo sobre ele. Principalmente os lugares que ele gostava de frequentar: acredite, homens como Edward Cullen tem uma rotina meticulosa, eles gostam de frequentar os mesmos lugares e quando eu digo homens como Edward Cullen, quero dizer: homens viciados em trabalho. Quando ele está em seu escritório, sua secretária lhe traz seu almoço. Quando ele está no tribunal, ele gosta de almoçar em um pequeno Restaurant caseiro na rua de trás do Fórum, foi lá que nós oficialmente nos conhecemos. Nosso primeiro e último encontro casual em público. Edward sempre foi discreto com sua vida particular, quem nunca foi discreto eram as MULHERES que ele compartilhava uma cama, noites agradáveis, presentes caros e somente isso. Foi isso que aconteceu entre nós. Trocamos alguns olhares no restaurante de comida típica e caseira, e eu enviei meu telefone a ele através do garçom. E quando aceitei estar com Edward Cullen, sabia como seria. Todas sabem, mas às tolas imaginam que serão importantes e as inteligentes aproveitam ao máximo a companhia de um homem interessante. E eu aproveitei, noites inteiras em claro fazendo as melhores coisas que vocês se quer podem imaginar. Sendo tratada tão bem quanto nunca fui, com jantares caros e os melhores champanhes do mundo, além de toda atenção especial que uma mulher merece. E uma vez que não estávamos mais na mesma sintonia, ele sentou-se ao meu lado e gentilmente – o melhor que ele pôde – disse que não dava mais. Ele me presenteou e agradeceu pelos momentos incríveis que compartilhamos. E eu sabia que não era a primeira, tão pouco a última com quem Edward manteria um “relacionamento” nesses termos. E uma vez que eu nunca se quer ouvi o nome de sua mãe e nunca se quer disse o nome da minha, eu sabia perfeitamente quais eram os termos de nossa “relação” e estava feliz com isso. Uma vez... ouvi Edward falar ao telefone sobre sua ex-noiva. Ele cochichava, pensando que eu estivesse dormindo, mas eu ouvi claramente quando ele disse: ela me traiu. Ele frisou isso muitas vezes, principalmente em respeito ao filho que naquela época ele pensou que fosse seu, mas seu nervosismo sussurrado dizia que não era. Para ser justa, naquele instante eu compreendi seus motivos para viver sob o anonimato. E agora que ele finalmente está seguindo em frente com uma mulher, às outras que não tiveram a chance de serem as escolhidas estão querendo seus quinze minutos de fama e atenção. Só sinto pena. Todo meu respeito e carinho, para Edward e sua namorada.”

A leitura ainda era dolorosa. “Rosalie escreverá o texto”… Edward havia dito a ela, mas até que parte tudo aquilo havia sido conveniente entre eles? Até que ponto aquilo acontecera ou não? Ela não deveria estar se sentindo tão insegura, afinal, ele a escolheu. Entre todas essas, ela foi a escolhida. Mas por que seu coração batia tão inquieto desde que ele lhe dera um beijo pela manhã, garantindo que a amava, enquanto prometia que ligaria assim que fosse possível?

Um apito e barulho de chaves soaram distraíndo Bella, seu coração acelerou quando ela se direcionou para o hall de entrada e sorriu docemente ao observar quem adentrava.

— Ô de casa? — O riso foi espontâneo nos lábios da mulher que ela encarava.

— Quem é? — Marie perguntou ao ouvir a voz feminina. — Vovó Esme!

Animada, Marie correu para os braços de Esme, que a estendeu e girou. Bella sentiu seu coração mais calmo com aquela cena. Desde que Edward virou papai, Esme logo se tornou vovó, Carlisle vovó e Rosalie tia. Sua menina havia ganhado uma família que ela nunca pôde dar, seu peito inflava de amor e satisfação.

— O papai está trabalhando! — Informou Marie.

— Ah, eu sei, Pequetita. Eu vim aqui ver você e sua mãe.

Enchendo sua netinha de beijos, Esme apertou o nariz de Marie antes de colocá-la ao chão.

— Como você está, minha flor? — Perguntou Esme após trocar beijos e abraços com Bella.

Deixando-se ser consolada, Isabella permitiu que Esme segurasse sua mão. As duas se sentaram no sofá, observando Marie voltar para sua pintura.

— Um pouco preocupada com tudo isso. Você viu? — Respondeu Bella.

— Vi, eu vi... Foi por isso que vim, sei que Edward precisa estar no trabalho nesse momento e ele deve estar desesperado por não poder segurar sua mão. Mas eu estou aqui, vou segurar sua mão até ele chegar.

Ela era um amor, Bella pensou. Não podia mensurar o tamanho de sua sorte ao encontrar um homem disposto a fazer qualquer coisa para fazê-la feliz, havia ganhado também uma família inteira que estava se empenhando para proteger não só a ela, mas também como sua filha.

— Muito obrigada. Não sei como agradecer tudo que vocês estão fazendo por nós. — Com lágrimas nos olhos, ela disse.

— Que tal vocês três serem muito felizes? — Propôs Esme.

— Nós seremos. Eu prometo.

— Muito bem. Edward já ligou hoje? — Ela questionou.

— Ainda não. Ele tinha reuniões importantes com os associados pela manhã. Jasper está o atualizando sobre o caso que ele irá assumir, a audiência é na sexta.

— Trabalhar é a única coisa que faz ele ter a sensação que está no controle, querida. Você vai ver como ele vai se sair muito bem quando vencer na sexta. — Esme disse.

— Eu sei. Ele é tão dedicado ao trabalho dele. Eu fico muito orgulhosa. — Bella sabia que seus olhos estavam brilhando quando Esme lhe sorriu.

— Eu falei com a Rosalie ontem a noite sobre a sua entrevista... Está tudo confirmado, enquanto Edward estive brilhando no tribunal, você vai estar brilhando na tv.

— SEXTA AGORA? — A voz alarmada de Bella fez Esme rir.

— Sim, sexta agora. Fique calma. Rosalie estará com você. Viu tudo que ela fez em alguns dias? Ela tem outras cartas na manga. Você não vai ficar sozinha, querida.

Esme continuou segurando a mão de Bella, enquanto ela morria de medo de ter que encarar câmeras em um programa de tv, que ela sabia que a deixaria completamente desconfortável e a levaria para o seu limite. Além de aparecer em rede nacional. De repente, lembrou-se que até seus pais poderiam vê-la... Isso se já não tivessem sabendo de toda essa confusão... O medo em seu peito aumentou.

Bella e Esme passaram boa parte da tarde olhando todas as notícias sobre a repercussão da publicação de Tânia em suas redes sociais. Almoçaram juntas, e encaminharam-se para levar Marie a escola também juntas. Os seguranças estavam atentos e Bella suspirou aliviada quando percebeu que não havia muitos fotógrafos atrás deles.

Sua maior surpresa foi que ao estacionarem em frente a escola de Marie, Bella reconheceu a BMW parada do outro lado da rua.

Emmett e Seth desceram primeiro, no carro de trás estava Quil, que rapidamente alcançou a porta do corona, onde sabia que Marie estaria.

Simultaneamente, Bella abriu a porta do carona, saindo e encarando Edward que abria a porta ao mesmo tempo. Seu coração batia tão forte. O sorriso amplo no rosto dele trouxe uma paz que ela não conseguiria traduzir.

— Papai! — Mas foi Marie que gritou, atraindo toda atenção para eles.

De longe, ela sabia que os papparazzi estavam fazendo a festa, aproveitando a exposição.

Ela não se importou, porém. Atravessou a rua orgulhosa observando Edward abraçar Marie e beijar seu rosto. Quando ela conseguiu chegar até eles, o braço dele já estava aberto, incluindo-a no abraço dos dois. Se beijaram rapidamente e Edward beijou a testa das suas em seguida.

— Me desculpe por não ter te ligado mais cedo. Foi um caos hoje, eu vim correndo para tentar chegar a tempo de ver vocês. Eu precisava dar um beijo nas minhas garotas.

O rosto dele dizia que ele estava tendo um dia difícil.

— Ainda bem que você está aqui. Eu precisava tanto ver você, sua mãe me trouxe novidades. — Ela disse.

Ambos ficaram quietos quando os olhos curiosos de Marie estava atentos a conversa.

— Está na hora da mocinha ir estudar! — Edward disse. — Tenha um bom dia, gatinha. Você sabe que qualquer coisa estaremos aqui. Não é?

— Eu sei! — Ela gritou animada passando os braços pelo pescoço de Edward, meio que empurrando Bella que riu.

De longe, ela observou Edward levar Marie até a porta da escola. Ele cumprimentos algumas mães curiosas no caminho, que ficaram fuxicando sobre ele na cara de pau. Ela estreitou os olhos, sabendo que hoje estava sendo extremamente ciumenta com tudo que acontecia que envolvesse Edward.

Ela acenou para Marie em despedida e viu a menina beijar o rosto de Edward e entrar.

— Vamos, AMOR. — Seu grito de longe ficou explícito para as fofoqueiras, arrancando risadas de Edward.