Eu coloquei o cigarro de volta ao maço, assim que o peguei, eu realmente precisava parar de fumar, perder aquele hábito, mas, a ansiedade era maior que a vontade de parar de fumar.

A loja que estava á minha frente tinha a aparência pequena, era feita de tijolos marrons e tinha uma placa que pendia acima da chamativa porta de mogno envernizada, onde estava escrito Cullen’s.

Eu entrei, sem hesitar mais do que havia hesitado.

O ambiente era calmo, e havia apenas eu e dois seres perfeitos atrás do balcão vermelho da loja.

Um dos seres era uma loura, magnificamente bonita, que tinha os cabelos platinados, em ondas gigantescas que lhe caíam nas costas, os olhos eram esverdeados, diferente de tudo que eu já tinha visto a pele extremamente branca, como se ela nunca houvesse se exposto ao sol antes. Assim que eu passei pela porta, ela permaneceu imóvel, como se fosse feita da mais dura pedra do mundo. Era uma estátua, a mais perfeita delas.

O rapaz era tão branco quanto ela, tinha o cabelo desgrenhado, ruivo acobreado. Os olhos eram um pouco mais claros que o da garota perfeita ao lado. Tinha as feições calmas e observadoras, e era profundamente bonito.

Eu respirei fundo, depois inspirei, tentando me livrar do rubor nas bochechas e desviar de seus olhos penetrantes.

Dei um passo, e entrei no corredor á direita.

A loja era um espaço miúdo, com as paredes pintadas de um branco semelhante á gelo, um grosso carpete marrom no chão, e prateleiras de metal que ladeavam o balcão com a caixa registradora. Lustres azuis, que pareciam ser de cristal, que pendiam no teto, iluminando o ambiente de forma escassa.

Eu ouvi o som rápido de uma porta abrindo e fechando, e ergui minha cabeça para bisbilhotar. A loura tinha sumido e restava apenas o rapaz, que provavelmente tinha minha idade, e eu percebi que havia uma porta atrás do balcão, que era muito bem camuflada.

O rapaz me olhava com uma preocupação estampada nos olhos.

Percorri, com os olhos, os produtos que estavam na prateleira, alguns pacotes de biscoito recheado e salgadinhos sabor queijo e algumas batatas sabor cebola e salsa.

Peguei um pacote de biscoito e um de batata.

Continuei caminhando, procurando por algo que pudesse comprar para beber e o sache de ração para Doreen, minha gatinha siamesa.

Atravessei a loja e fui ao outro lado, peguei uma Coca-cola, e continuei caminhando, até encontrar o sache de ração, que estava em uma prateleira baixa, próxima aos produtos de limpeza.

Já tinha comprado tudo que precisava, então resolvi ir ao caixa pagar o que havia pegado, mas, estava com vergonha de encarar o "Senhor Perfeição". Que estava atrás do balcão.

Depois de muito hesitar, resolvi de uma vez por todas pagar e sair logo daquela loja.

Minha surpresa foi tamanha, quando constatei que ele não estava mais lá, havia outra garota. Uma menina baixinha, com os cabelos pretos e curtos, que contrastavam com sua pele incolor. Tinha as feições pequenas e simpáticas, os olhos eram quase castanho-mel, apenas um décimo de tom mais escuros.

Ela sorriu quando me viu, e se ajeitou no banco, pagando o leitor de código de barras.

Entreguei á ela os produtos e ela foi passando pelo código de barras, cada item, com bastante agilidade.

"São sete e vinte", disse, em sua voz femininamente infantil, como um sussurro.

Abri minha carteira, que estava em minha bolsa, e coloquei uma nota de dez no balcão.

"É nova na cidade?", perguntou, enquanto contava meu troco e terminava de embalar meus pertences.

"Sim", respondi eu, talvez baixo demais.

A pequenina fez que sim com a cabeça, me entregou o troco e as sacolas, depois me estendeu a mão, que eu apertei.

"Sou Alice", disse ela, gentilmente.

"Sou Isabella. Ou Bella".

"Bonito nome", disse ela, devaneando uma pouco. "Seja como for, Isabella... ou Bella, bem vinda á cidade, e espero que nos encontremos em breve", animou-se ela.

Eu ri.

"Obrigada".

Ela estendeu uma barra de chocolate e um pedaço de papel com algo rabiscado por cima do balcão,

"Cortesia da casa", disse ela.

"Obrigada... de novo".

Virei-me e saí da loja caminhando normalmente.

Meu Toyota Corolla cinza, com os pneus em perfeito estado, mesmo depois de percorrer uma boa distância, estava parado no mesmo lugar em que eu havia estacionado, e eu me questionei por que estava esperando que ele não estivesse.

Abri a porta traseira e puxei a gaiola na qual havia prendido Doreen. Peguei o sache na sacola, abri e coloquei na tigela, que estava na gaiola. Doreen comia demoradamente, aproveitando cada parte.

Enquanto eu esperava que ela terminasse de comer para colocá-la de volta á gaiola, pensei na burrada que havia feito, em como meus pais deviam estar, e em quantos países eles tinha me colocado como desaparecida.

Eu precisava desse tempo para pensar, e eles tinham que entender.

Eu entendia que nada justificava minha atitude, de simplesmente arrumar minhas coisas e sumir, sem dizer para onde fui, ou o que me incomoda, simplesmente desligar o celular e levar Doreen comigo.

Tudo estava acontecendo muito rápido, desde a morte de Mandy, minha melhor amiga, as coisas pareciam desconexas. Tudo estava virado á 360 graus em minha vida.

Eu não conseguia entender como Mandy podia estar tão mal a ponto de tomar todos aqueles comprimidos, e ainda havia Jake...

Haviam tantas coisas das quais eu queria fugir, e nunca mais voltar.

Doreen comeu toda a ração da tigela, e eu a coloquei na gaiola, para que eu pudesse voltar a dirigir, talvez até o fim do mundo, ou encontrar um hotel onde eu pudesse passar a noite.

Liguei o motor do meu carro e Doreen miou alto, talvez estivesse assustada.

"Eu também estou, Doreen", sussurrei eu, segurando o colar que ganhei de Mandy, uma pequena bailarina folhada de prata, com os olhos moldados por pedrinhas verdes, ela me deu uma semana antes de cometer o suicídio.

Mandy era a melhor bailarina de nossa cidade, Fenly em Montana, e disse que queria que sempre lembrasse dela quando olhasse aquela bailarina.

Uma lágrima tentou rolar pelos meus olhos, mas eu respirei fundo e engatei a marcha.

Tinha que procurar um lugar para ficar.

A cidade era pequena e charmosa, a típica cidade de classe média.

Algumas casinhas charmosas, e algumas mais simples, com a pintura descascada.

As ruas, em geral, eram estreitas, algumas mais largas, o asfalto era liso, sem lombadas ou buracos.

Eu seguia em linha reta, em uma rua cujo nome eu desconhecia, mas, mantinha a esperança em chegar á Avenida Principal e achar um lugar para me hospedar.

A rua, por ora, estava vazia, com exceção de algumas mulheres com seus bebês em carrinhos ou seus cães nas coleiras, e idosas que caminhavam, provavelmente sem destino ou á mercearia mais próxima.

Eu só percebi que estava perdida, quando passei quatro vezes pela praça, uma praça de tamanho médio, com árvores grandes e cobertas de musgo.

Estava tão cansada, e Doreen provavelmente também estava. Eu queria encontrar um hotel logo, para descansar.

Continuei em linha reta, e entrei na primeira rua que vi, era uma rua estreita e vazia, não se viam casas, nem lojas, nem mercearias.

Via-se apenas uma casa, gigantesca, que se erguia no fim da rua, o resto dela, era apenas uma campina verde, aberta, até ser interrompida por um prédio de seis andares.

A casa era branca, toda branca, sem nenhuma mancha. Tinha algumas partes onde só se viam vidros, que não pemitiam-me ver o interior da casa, pois haviam grossas cortinas brancas. A casa se erguia em três andares, algumas janelas, pintadas de vermelho com alguns detalhes florais. Tinha um design moderno, e uma porta branca com vidros espelhados aos lados.

Se eu soubesse quem era o prefeito da cidade, diria que ele morava naquela casa.

Ela tinha uma sincronia perfeita, um vasto jardim com flores de todas as cores se estendia á sua frente, e ao lado, se via a entrada para uma garagem subterrânea.

Eu assumo que babei um pouco, mas, retomei o fôlego e dei ré, para sair da rua e recomeçar minha busca pela Avenida Principal.

Voltei á rua e fui para o lado oposto. Novamente, entrei na primeira rua paralela que vi.

Era uma rua agradável e parecia ser bem grande, pois se via o número 897A logo na esquina.

Continuei em linha reta e em menos de dois minutos avistei uma placa muito grande que dizia Harmony Hotel e ao lado uma placa mais discreta, onde estava inscrito Vacancy.

Parei com meu carro em frente e fui recebida por uma dócil senhora com cabelos brancos e caminhar apressado, que me cumprimentou com um aceno de cabeça. Peguei Doreen em sua gaiola e algumas coisas valiosas para mim, como minha bolsa, que continha minha carteira e meu notebook.

Entrei no hotel rapidamente, um pouco atrapalhada com todos os pertences que eu tinha na mão.

As paredes da recepção eram forradas com um papel de parede amarelo, com o rodapé rosa claro. A recepção era tão pequena que não acreditei que uma mesa tão grande como aquela podia caber lá, muito menos imaginei que a recepcionista conseguisse respirar ou como o oxigênio conseguia entrar lá dentro. A recepcionista era gorda e tinha os cabelos escassos e finos, tinha o semblante triste e a expressão dócil. Usava uma calça de lycrabranca e um moletom marrom, um óculo pequeno empoleirado na ponta do nariz e um anel de ouro na mão esquerda. Estava sentada atrás do balcão, o rosto iluminado apenas pela luminária branca que estava em cima da mesa.

Além disso, só um quadro de avisos e duas cadeiras de alumínio na sala, e uma porta que devia dar para o resto do hotel.

Eu realmente esperava que o quarto fosse maior que aquilo.

"Posso ajudar?", disse ela, numa voz dócil e carinhosa.

"Eu quero alugar um quarto"

Ela abriu o caderno de capa preta que estava sobre a mesa.

Ela pensou por um tempo, depois me encarou.

"Alugar?", questionou, ajeitando o óculos no nariz.

"Sim", respondi eu.

Ela deu um sorriso luminoso, expondo a dentição perfeita.

Deu um salto da cadeira e estendeu a mão para que eu pudesse cumprimentá-la.

"Sou Margareth Olympic, a dona do hotel. É um prazer conhecê-la!"

"Sou Isabella, ou Bella Swan".

"Oh! Bonito nome, Bella", disse ela, depois se sentou novamente, roçando as mãos. "Você vai alugar o quarto por quanto tempo, Bella?"

Eu não sabia quanto tempo queria ficar naquela cidade, talvez uma semana, talvez duas...

"Duas semanas", hesitei eu.

"Certo", disse Margareth, passando os olhos nas coisas que eu tinha na mão, ela encarou Doreen por um tempo, ajeitou o óculos novamente. "Vejo que você tem bastante coisas, Bella. Então vai preferir um quarto maior, não é? Eu tenho um que será perfeito para você! Pretende ficar na cidade? Arrumar um emprego?", sugeriu ela, falando sem parar.

Eu queria responder que não, mas, aquela cidade me parecia familiar e receptiva, talvez eu devesse ficar lá, arrumar um emprego, fugir de algumas coisas.

"Talvez", respondi meio incerta.

"Perfeito! Já que você pretende ficar, podemos negociar um aluguel mensal para você, eu posso pedir para o meu filho, Robert, imprimir um daqueles contratos", animou-se ela.

Eu sorri.

"Talvez", repeti eu.

Margareth começou a rabiscar algo no caderno e pegou uma calculadora dentro da gaveta da mesa, digitou alguns números e começou a preencher um recibo.

"Certo Bella, podemos fazer o aluguel, de um quarto com banheiro e cozinha, mensalmente, por cento e trinta dólares?"

Eu pensei um pouco, o preço era bom, considerando que eu pagara isso (ou mais) por quatro dias em um hotel de luxo em um centro comercial, e eu ainda tinha dinheiro para garantir três meses de aluguel.

"Está ótimo", disse eu.

"Perfeito! Bella, nós servimos café-da-manhã e almoço aqui no hotel, em nosso refeitório, e o jantar é na lanchonete da Louise, onde eu te levarei".

"Acho que não vou precisar", me desfiz eu. "Eu mesma cozinho minha comida, não há problemas."

Margareth pareceu desapontada, mas, depois sorriu de forma carinhosa.

"Faça como quiser Bella".

Eu deixei com ela o depósito e ela me levou pela porta, que dava para um corredor pintado com uma cor de tom pastel e um piso de linóleo branco, muito polido e encerrado. Cerca de dez portas, á intervalos regulares, de cada lado do corredor. Paramos na porta onde havia o número 06 pendurado.

Margareth me estendeu uma chave prateada.

"Essa é sua chave, tenha o cuidado de não perdê-la. A faxineira vem duas vezes por semana e ela não pode mexer em seus pertences. A cômoda tem tranca e um cadeado com a senha 0006, que é fácil de lembrar, por causa do número do seu quarto. Há uma televisão. A cozinha vem com fogão, geladeira, lava-louças, uma pia, triturador de lixo, microondas, um armário de tamanho médio e uma mesa com três lugares. Evite deixar sua gatinha passeando pelo hotel. Não é permitido som alto depois das nove horas da noite, e o café é servido das sete ás dez, o almoço das uma ás duas e meia da tarde.", instruiu Margareth, depois se afastou depressa pelo corredor.

Eu entrei no quarto. Era maior do que eu imaginara, as paredes eram brancas, com rodapés de madeira e um carpete marrom escuro no chão. Uma grande cama de casal, que, provavelmente, era de madeira maciça, estava bem no meio dele, a cama exibia desenhos em sua cabeceira, desenhos que eu lutava par decifrar, um colchão que parecia confortável e lençóis brancos nitidamente limpos e quatro grandes travesseiros. Haviam duas mesinhas de cabeceira, cor de mogno, uma de cada lado da grande cama, e luminárias em miniatura, ambas beges. O quarto todo eraneutro, com exceção da cômoda, que era de uma madeira cor de oliva, tinha cerca de oito gavetas. Uma janela branca e grande estava entre a cômoda e a parede, a janela continha certo ar de familiaridade e iluminava o quarto todo. Um suporte na parede abrigava uma televisão nem antiga nem moderna, uma daquelas que ficava no meio termo, que, possivelmente, tinha 29 polegadas. A parede com o suporte para a televisão era grande, e ficava em frente á cama, de um lado, ficava uma porta branca de orvalho que devia dar para o banheiro e, depois, uma abertura com uma bancada que dava para a cozinha.

A cozinha tinha o chão em linóleo preto e as paredes pintadas no mesmo tom amarelado da recepção, era de tamanho médio, tinha uma mesa de alumínio prateada e redonda, com uma toalha roxa, também nitidamente limpa, com apenas três cadeiras. Dois armários de algo semelhante á metal pendiam ladeando o alarme de incêndio, que pairava em cima do fogão preto e embutido entre a pia e o armário branco que estava em baixo dela. A geladeira estava no canto oposto, perto da mesa, e era uma geladeira acinzentada, pequena, com apenas uma porta, e o puxador. Pero do fogão, algumas bancadas de madeira exibiam um processador e um microondas. Tudo era muito simples e prático.

As cores eram funcionais e aconchegantes.

Tirei Doreen da gaiola e ela se aninhou ma cama. Despejei as coisas que estava segurando no chão, exceto meu notebook, e me sentei na cama, tirando-o do case e ligando ele rapidamente. Arrumei meu modem, e lembrei que havia esquecido de perguntar se tinha wi-fi no hotel, e me lembrei que a resposta de Margareth seria: "O que é wi-fi?".

Conectei a internet e abri meu e-mail.

Havia a quantidade esmagadora de 32 mensagens, todas em nome de Renée Swan, minha mãe, e a única, além de mim e de minha irmã Jéssica, que sabia usar o computador, meu pai, Charlie, dizia que não tinha nenhum interesse em aprender a mexer no"troço", modo com ele chamava qualquer coisa que não fosse à televisão, o microondas e a lava-louças.

Eu suspirei, ia ter que ler todas elas, ou melhor, algumas delas.

Cliquei na primeira:

Bella,

Por favor, me diga onde você está! Seu pai e eu estamos realmente preocupados, filha!

Não nos deixe mais neuróticos do que já estamos Bella! Se você estiver, pelo menos, viva, nos dê um sinal. Qualquer sinal, mesmo o menor que seja filha!

Já fazem mais de quarenta e oito horas, e Bella, Charlie já te declarou como desaparecida, e se você realmente não der um sinal, sua foto vai estar na caixa de leite, em todos os lares dos Estados Unidos, e isso não é uma ameaça. Charlie está pensando em chamar até o FBI, Bella, caso você não dê um sinal.

As coisas estão ficando sérias para você, filha! Por favor, nos dê um sinal!

Com amor,

Mamãe.

Eu soltei mais um suspiro.

Renée sabia que eu detestava chamar a atenção, e ter a foto colocada na caixa de leite não era lá muito discreto.

Meu pai, Charlie, era o delegado da cidade de Fenly, logo, qualquer coisa que ele pudesse fazer para nos proteger, ele fazia, e eu sabia que ele era capaz de colocar o FBI nessa investigação, por isso, eu não ligaria para eles, senão, com toda a certeza, Charlie tentaria triangular o sinal do meu celular e se eu ligasse de um telefone público, em menos de um dia, eu escutaria Charlie batendo á minha porta. Mandar um e-mail também seria bem convencional para que Charlie pudesse me encontrar.

Meus pais não se contentaram com o meu bilhete?

Eu escrevi, claramente, que precisava de um tempo para pensar. E achei que fosse o suficiente.

O e-mail seguinte dizia:

Bella,

Eu juro por tudo que é mais sagrado, que, caso, você não responda meus

e-mails, Charlie e eu vamos colocar sua foto em todos os sites e caixas de leite do mundo todo.

Você está nos enlouquecendo, Bella, eu e seu pai não dormimos á três dias e sua irmã se recusa a comer ou ir á escola, e manda te dizer que compra outro CD do Muse para você. Filha, nós entendemos que você queira um tempo para pensar, mas, nos diga onde você está!

A cidade toda está mobilizada e muitos preocupados com você, e Jake vem á nossa casa todos os dias, ele tem nos ajudado muito, Bella, você devia pelo menos agradecer á ele, por e-mail, ou por mensagem de texto, qualquer coisa que nos faça acreditar que você está viva!

Se você estiver precisando de alguma coisa, nos diga, por favor, Bella!

Eu depositei quinhentos dólares na sua conta, caso você precise.

Já escolhi a foto dos cartazes e da caixa de leite, e caso você não me responder este e-mail dentro de quatro horas, vai me ver dando entrevistas na televisão e a sua foto nos jornais!

Por favor, responda!

Com amor,

Mamãe.

Eu estremeci ao pensar que a cidade TODA estava envolvida nisso, corei e tive vontade de gritar.

Eu tive que baixar a guarda, e minha mãe tinha apelado quando havia mencionado Jake. Renée era muito esperta, e sabia que ao mencioná-lo, com certeza, eu responderia aos seus e-mails.

Droga, Renée!, pensei eu.

Li mais cinco de seus e-mails, que continham ameaças dela e de Charlie, menções á Jake, e um que eu sabia que for Jéssica que escrevera, dizendo que eu tinha que voltar e que ela estava esperando por mim, e promessas de ser uma irmã mais nova melhor e obediente.

Selecionei todos os e-mails e quando ia excluí-los, um deles, perdido no meio daquele mar de súplicas de Renée, fora enviado por Jake Black.

Eu hesitei, mas depois cliquei, me sentindo estranha, ao ler aquele e-mail.

Bells,

Eu sei que você precisa pensar, e que as coisas têm sido um pouco complicadas, mas, não deixe sua mãe sem resposta.

Eu não sei ao certo se foi por causa de mim que você fugiu, mas, seus pais têm se dedicado á te procurar.

Charlie não sai da delegacia á dois dias seguidos e Renée chora com mais freqüência do que de costume; até Jéssica te escreveu uma mensagem, Bella, a cidade toda está preocupada com você.

Perder Mandy me fez ficar mal também, e o que aconteceu entre nós, pode não ter significado nada, mas, foi verdadeiro; não foi porque estávamos frágeis, ou sentimentais, Bella, eu realmente não consigo parar de pensar em você, e já faz um bom tempo, antes mesmo de Mandy se matar.

Eu nunca fui infiel á Mandy, mas, você não saía do meu pensamento, mesmo com eu sabendo que você namorava o Mike, por isso eu dei um tempo com ela.

Eu realmente gostava e me importava com ela, mas, eu realmente gosto de você, Bella, é mais profundo que isso, eu estou apaixonado por você, e não posso negar que tudo o que aconteceu, mexeu muito comigo, e o fato de você ter fugido, revela que também mexeu com você.

Se for preciso que saia da cidade para que você volte, eu sairei, só para me assegurar que você está bem, por favor, Bella.

Responda ao

e-mail de Renée, para que ela possa sorrir novamente.

Te amo,

Jackie.

Uma lágrima rolou por meus olhos.

Jake não devia ter feito aquilo. Me fazer sentir assim, só Jake conseguia.

Jackie, era assim que eu o chamava quando ele namorava Mandy, era uma coisa de amigos, eu não imaginava que ele estava apaixonado por mim, ninguém imaginava. Nem Mike, nem eu, nem Mandy.

O modo como ele me chamava de Bells...

Jake era especial, era o namorado da minha melhor amiga, eu gostava dele, como amigo. Nós sempre fomos amigos um do outro, e eu acreditava que será sempre assim.

As lágrimas rolavam com mais intensidade, sem que eu pudesse controlá-las.

Doreen miou e se espreguiçou toda, dando um pulo e aninhando-se no meu colo, fazendo com que eu afastasse meu notebook. Eu a afastei gentilmente, e criei coragem para excluir os e-mails da minha caixa de mensagem.

Limpei as lágrimas e comecei a escrever um e-mail,para Renée:

Mãe,

Estou bem, realmente bem.

Só preciso de um tempo para pensar e, espero estar de volta logo.

Nunca mais cogite a hipótese de colocar uma foto minha como desaparecida na caixa de leite, ou em

sites para crianças desaparecidas, ou dar entrevistas á redes de televisão, jornais ou fazer cartazes.

Diga á Jéssica que ela pode deixar meu novo CD do Muse na minha cama e diga á Charlie e á cidade toda que eu estou BEM!

Caso Jake volte á querer saber de mim, diga que está tudo bem, e que eu estou com saudades do meu amigo, meu melhor amigo, e que ele pode ficar onde ele está.

Diga á Charlie que, se ele triangular ou tentar rastrear meu IP, eu não volto mais.

Amo vocês,

Isabella Swan.

P.S= Nunca mais seja exagerada dessa forma, e peça ao Charlie que não envolva o FBI.

Logo depois de clicar em enviar, eu fechei a página e desliguei meu notebook.

Dei uma longa piscada, o que sugeria que eu estava com sono, ou só estava cansada mesmo.

Arrumei um canto para Doreen, colocando sua gaiola bem ao lado da minha cama e deixei a portinhola aberta. Ajeitei a tigelinha de comida ao lado da gaiola e passei a mão em seu pelos macios.

"Já voltou, Doreen, vou buscar nossas coisas", disse eu.

Peguei a chave da porta e sai, trancando-a, para evitar que Doreen saísse.

Passei pela recepção e antes que pudesse chegar á porta, Margareth pediu que eu esperasse um pouco.

Ela falava ao telefone celular, e parecia estar muito satisfeita com o que ouvia. Depois de cerca de um minuto, ela encerrou a ligação e esticou a mão, onde estava me oferecendo um papel e uma barra de chocolate.

"Você deixou cair", ela disse sem se levantar da cadeira.

Eu caminhei até ela e peguei o papel e o chocolate.

"Obrigado", murmurei, caminhando depressa até a porta.

Encontrei meu carro estacionado no mesmo lugar onde o havia deixado. Fiquei um pouco preocupada em deixá-lo na rua, mas, devia ser seguro ali. Haviam outros carros e não era proibido deixá-lo ali. Tirei minhas coisas do porta-malas e voltei ao hotel, passando apressada por Margareth.

Percorri a pequena distância até o meu quarto e entrei.

Levei vinte minutos para arrumar minhas roupas na gaveta e cinco para tirar os pelos de Doreen do lençol.

Tirei a roupa e fui tomar um banho, para relaxar meu corpo antes de dormir.

O banheiro era largo e tinha uma banheira acinzentada na última parede. Uma janelinha marrom iluminava o banheiro e estava colocada na parede, dentro do box da banheira e eu pude ver uma prateleira de alumínio, para xampu e condicionador, sabonete, etc. O chão era de um piso verde-água escuro e as paredes de azulejo branco.

A pia, situada exatamente na metade do banheiro, era de mármore branco com um pequeno armário em baixo dela, tinha um espelho oval acima, que refletia todo o banheiro, observando-se de certo ângulo. E o vaso sanitário, cor de creme, estava separado da pia por alguns centímetros.

Alguns apoios dourados estavam presos á parede, menos distante da porta do que deveria estar. Eu pendurei a toalha de algodão que Renée comprou e entrei no box.

A água do chuveiro estava quente e com bastante pressão, o que me assustou um pouco, pois, depois de tantos hotéis vagabundos de beira de estrada que mal tinham água, um hotel com uma água tão quente e boa era uma surpresa.

Fiquei imóvel durante vinte minutos, depois passei sabonete líquido no corpo e saí do chuveiro.

Vesti uma camisola de renda e minha pantufa com a o formato da Minnie, a namorada o Mickey.

Joguei-me na cama, e, quando estiquei a mão para pegar meu maço de cigarros que estava na mesa de cabeceira, lembrei que estava tentando parar de fumar.

Fui tomada por um mau-humor repentino, depois a crise de ansiedade foi passando, enquanto eu queria fumar um cigarro, lembrei que tinha uma barra de chocolate esperando por mim, puxei-a e li o bilhete, que estava escrito na letra mais diferente que eu já vi:

Bem Vinda á Forks!

Comi o chocolate, deixando cair algumas migalhas, virei-me para lado oposto e em menos de dois minutos, dormi.