Verde é a cor mais quente

9 Capitulo nove: Elizabeth


Eram oito horas da manhã de sábado quando acordei com meu celular tocando. Era um número desconhecido que estava me ligando e eu quase não atendi, pois, os números desconhecidos que me ligavam quase sempre eram de uma empresa de cobrança atrás de uma pessoa que deu o número de telefone errado para eles.

— Alo – atendi o telefone com voz de sono, pois eu ainda não tinha acordado direito.

— Oi Elizabeth, aqui é o Tom, tudo bem? – disse Tom do outro lado da linha.

— Eu estaria melhor se eu ainda estivesse dormindo – respondi.

Ele riu da minha resposta e disse que precisava conversar pessoalmente comigo e me chamou para ir ao parque com ele. Eu aceitei ir por que fiquei curiosa para saber o que ele tanto queria conversar comigo e que não poderia ser falado pelo telefone.

Quando cheguei ao parque vi Tom encostado em uma arvore perto da entrada do parque. Ele estava distraído mexendo no celular e mordia levemente o lábio inferior enquanto digitava e isso o deixava extremamente bonito. Tom estava usando uma calça jeans preta e uma camiseta branca que estava um pouco justa e que dava para perceber que, apesar dele ser magro, ele tinha o corpo bem definido.

— Oi Tom – Eu disse. Ele guardou o celular e me cumprimentou com um abraço.

— Como você está? – Ele me perguntou.

— Estou curiosa para saber o que você quer me contar – respondi.

— É que a coordenadora disse que não gosta de alunos ajudando os professores com projetos, principalmente se for uma aluna ajudando um professor – ele disse chateado.

— Mas nós não estávamos fazendo nada de errado! – Exclamei.

— Eu sei, tanto que eu quis que ficássemos conversando dentro da coordenação justamente para que ninguém fosse falar nada distorcido para a coordenadora, mas ela disse que não gosta disso por que gera muita fofoca e ela não gosta que os professores estejam envolvidos nas fofocas dos alunos, principalmente eu que sou um professor novo na faculdade – ele disse.

— Mas ela deveria pelo menos supor que, se estamos conversando dentro da coordenação nós não estamos fazendo nada de errado – falei inconformada com o que Tom havia me contado.

— Eu sei disso, mas é melhor ficarmos um pouco afastados, pelo menos dentro da faculdade, para evitar atritos com a coordenação e eu espero que entenda isso – ele disse.

— Tudo bem, não quero fazer nada que possa te prejudicar, mas nós ainda poderemos ser amigos não é? Afinal a coordenadora não pode controlar com quem você fala – falei.

— Poderemos ser amigos sim, afinal minha chefe não pode me proibir de fazer novos amigos – ele respondeu e sorriu para mim.

Nós caminhamos pelo parque durante cerca de uma hora e eu reparei que toda hora a mão dele esbarrava na minha mão, como se ele quisesse pega-la, mas tinha medo de fazer isso. Talvez a coordenadora não tivesse falado que alunos não poderiam ajudar os professores, mas que era para ele ter cuidado com isso para evitar fofocas e Tom achou melhor que eu não o ajudasse por algum motivo. Será que ele está a fim de mim e eu não percebi? Provavelmente eu estou me iludindo pensando que ele pode estar a fim de mim, afinal, um homem bonito e inteligente que nem ele não iria se interessar por uma estudante, que é bem mais nova do que ele e que tem traumas do passado que podem interferir em uma possível relação. Bom, mas talvez ele goste de mulheres mais novas e ele também tem traumas no passado, só que o trauma dele é diferente do meu e não tem o menor sentido ele se interessar justo por mim. Mas, e aquele beijo? Aquele beijo não deve ter significado nada para ele e não tem por que significar algo para mim, certo? E outra, eu disse que não quero prejudica-lo e um professor se envolver em um relacionamento romântico com uma aluna pode ser bem prejudicial, principalmente se ele não estiver mentindo sobre a conversa com a coordenadora, afinal ela realmente o chamou para conversar. Eu olhei para o relógio no meu pulso e levei um susto, por que eu já deveria estar na biblioteca ajudando a Valquíria e o Cris a terminarem os trabalhos, não que faltasse muito para acabar, mas o Cris é capaz de dar um chilique se eu não der as caras lá, principalmente depois que a Valquíria pegou no pé dele por que ele não poderia ficar na biblioteca durante a semana. Confesso que a Valquíria pegou pesado com ele e que ela deveria entender que tem muita gente que trabalha, mas também não tiro toda a razão dela de cobrar o Cris, já que ele não nos enviou quase nada sobre os trabalhos e o que ele enviou era pura cópia de artigos da internet e tivemos que mudar várias coisas para não sermos acusadas de plágio logo no primeiro semestre da faculdade.

— Tom eu tenho que ir. Eu marquei com a Valquíria de irmos até a biblioteca da faculdade para terminar os trabalhos e ela já deve estar me esperando e deve estar furiosa por que estou atrasada – Falei para ele.

— Bom estamos praticamente em frente a faculdade, então você não vai demorar muito para chegar. – Ele disse e começamos a caminhar para a saída do parque.

Antes de chegarmos na saída, Tom pegou na minha mão e me levou até uma parte do parque que era um pouco afastada da trilha de caminhada e me beijou. No começo eu não soube o que fazer, por que se alguém que trabalha na faculdade nos visse ali, nos beijando, as coisas poderiam ficar bem complicadas para o Tom e talvez até para mim, mas resolvi deixar esses pensamentos para lá e aproveitar o momento. Eu retribui o beijo, que foi aumentando e aumentando de intensidade, até que, quando eu me dei conta, eu estava encostada em uma arvore, com as pernas entrelaçadas na cintura dele e Tom já estava sem camisa. Percebi que eu estava só de calça e sutiã, mas dessa vez eu não iria deixar que o meu passado atrapalhasse esse momento, por que percebi que Tom estava me olhando e me estudando para ver se eu não estava prestes a entrar em pânico.

— Você está bem? – Ele perguntou.

— Melhor impossível – respondi.

Ele voltou a me beijar e tirou meu sutiã, antes de começar a acariciar meu seio esquerdo. Essa caricia fez um arrepio percorrer meu corpo, mas não era um arrepio ruim. Era um arrepio de prazer e meu corpo queria mais arrepios. Tom parou de beijar minha boca e passou a dar beijos delicados nos meus seios. Pude perceber que minha menina estava toda molhada e prontinha para que ele me fodesse. Também pude perceber que o pau dele estava duro e que era bem maior do que havia notado quando nos beijamos no quarto dele. Perceber isso me fez desejar esse pau dentro de mim.

Tom se dedicou bastante em beijar meus seios e vi que ele estava com um pouco de medo da minha reação, mas eu quero mais. Eu o quero dentro de mim. Todas as vezes em que eu pedia para ele continuar falando que estava bem e que eu queria mais, ele continuava com mais vontade, me fazendo sentir cada vez mais prazer, tanto que não percebi quando ele me deitou no chão do parque e tirou minha calça e a minha calcinha. Na verdade, eu não me lembro bem se ele tirou minha calça antes ou depois de me deitar no chão, mas isso não importa.

Quando eu vi que ele estava em cima de mim e que iriamos mesmo transar eu comecei a ter medo, por que a minha única experiência com sexo não foi bem uma experiência, aliás nem sexo foi, por que só serviu para me tirar a virgindade e a minha sanidade mental. Tom percebeu que eu estava com medo sem eu precisar falar nada e ele inverteu as posições, ficando por baixo.

— Elizabeth, você sabe que isso só vai acontecer se você quiser, não é? – Ele perguntou sussurrando.

— Eu sei e eu quero que aconteça, mas estou com medo – Falei para ele, sendo honesta.

— Não precisa ter medo por que você está no controle. Você vai controlar tudo daqui pra frente – ele sussurrou.

— Eu não sei como fazer isso – falei um pouco envergonhada.

— É uma ótima hora para descobrir – ele me disse, pegando na minha cintura e me colocando perto do pênis dele, mas sem me penetrar.

Percebi que o que ele queria me dizer era que eu ficando por cima eu poderia realmente controlar tudo, desde a hora de começar e de parar até onde que o pau dele iria dentro de mim e isso me deu uma confiança que eu não sabia que eu tinha dentro de mim. Foi graças a essa confiança que eu consegui seguir em frente e descobrir que sexo era muito melhor do que as pessoas falavam por aí.

Saímos do meio das arvores depois de duas horas e eu fui direto para a biblioteca, onde encontrei uma Valquíria de muito mal humor, não por causa do meu atraso, mas por causa do Cris, e um Cris disposto a irritar todo mundo. Eles já estavam revisando os trabalhos quando cheguei, o que indicava que já estavam ali havia algum tempo e que eu realmente perdi a noção das horas naquele parque, mas eu não podia reclamar disso e também não podia contar o que aconteceu para nenhum dos dois. Seria melhor se o que aconteceu no parque ficasse no parque. Bom, tenho certeza de que eu poderia contar o que aconteceu para a Vic, por que ela sabia sobre o que aconteceu comigo no passado e era minha melhor amiga, além de sempre me dizer que eu não podia crucificar todos os homens do mundo pelo que meu padrasto fez, por que nem todos os homens eram estupradores sem caráter que nem ele. Lembrar do meu padrasto me deixava mal, por que me trazia lembranças que eu queria esquecer, mas que insistiam em voltar e isso me deixou chateada, por que eu tive um dia tão bom até agora, só para essas lembranças voltarem e estragarem tudo.

A minha chateação não passou despercebida nem por Cris nem pela Valquíria. Cris tentou descobrir o que estava me deixando distraída e chateada, mas ouviu uma má resposta da Valquíria e voltou a fazer a parte dele nos trabalhos. Eu sabia que mais tarde Valquíria iria me perguntar sobre o que aconteceu para me deixar chateada e resolvi colocar a culpa no fato de que eu não poderia mais ajudar Tom com os grupos de estudos, por que eu sei que contar a verdade daria muito trabalho e poderia gerar olhares de pena e de acusação e eu quero evitar esses dois olhares.

Como eu esperava Valquíria esperou ficar sozinha comigo para perguntar o que aconteceu no parque e eu contei a mentira que eu tinha pensado. Não é que eu não confie nela nem nada assim, mas é que não me sinto à vontade para ficar contando para todo mundo sobre o que me aconteceu e nem sobre a minha vida amorosa que está começando a se desenvolver agora. Na verdade, tudo o que eu quero é conseguir enterrar de vez tudo o que me aconteceu. Depois que contei o que supostamente aconteceu no parque, Valquíria disse que eu poderia ajudar Tom fora da faculdade, o que não era má ideia, pois eu poderia ajuda-lo sem que a coordenadora soubesse disso, já que essa ajuda aconteceria fora da faculdade e eu poderia passar mais tempo com ele e isso seria bom para mim, já que eu poderia aprender mais sobre ele e sobre a matéria que ele leciona. Eu resolvi chamar a Valquíria para ajudar também para não levantar suspeitas, já que se eu passasse muito tempo sozinha com ele poderia fazer com que ela começasse a imaginar coisas que ainda não aconteceram entre eu e Tom e que eu nem sei se irão acontecer.

Depois que falei com Vic nós duas fomos até a casa dela para conversar com Tom e eu poderia apresentar Valquíria para Vic. Claro que com a Valquíria lá eu não conseguiria contar o que aconteceu no parque, mas tenho certeza de que não faltariam oportunidades, já que eu passaria mais tempo na casa dela. Vic adorou a ideia de ajudar o Tom fora da faculdade e disse que ele tinha ficado bem chateado depois da conversa com a coordenadora. Ela disse que ele ficou isolado e disse que teve um dia longo no trabalho, sem comentar sobre o que tinha acontecido lá, coisa que ele geralmente fazia, além de sempre a esperar para jantar, coisa que ele também não fez naquela sexta-feira e isso fez com que ela percebesse que algo estava errado e que agora ela entendia o que estava errado. Ele queria minha ajuda, mas a coordenadora havia proibido isso com medo de que houvesse fofocas sobre os dois ou que houvesse algum tipo de relacionamento entre eles. Valquíria contou para Vic sobre os boatos que ela escutou pelos corredores, mas Vic disse que não dava para acreditar totalmente no que os alunos falavam e que talvez a coordenadora quisesse evitar que eu e Tom fossemos alvo desse tipo de comentário e ser alvo desse tipo de comentário era tudo o que eu não queria.

Quando contamos ao Tom sobre a ideia de Valquíria ele adorou e disse que realmente precisava de toda a ajuda possível com os grupos de estudos, pois ele não tinha a menor ideia do que ele poderia falar nesses grupos.

— Você pode separar os tópicos que geraram mais dúvidas nas aulas para abordar nos grupos de estudos – sugeri.

— Mas tiveram poucas dúvidas nas aulas e só teve duas semanas de aula. Acho que teve pouco conteúdo para os alunos terem dúvidas – disse Tom.

— Bom, você pode começar pelos assuntos que já tiveram dúvidas, mesmo que tenham sido poucas e também pode separar os temas que você considere que sejam mais complexos para falar nos grupos de estudos – Valquíria sugeriu.

— E pode também sugerir leituras que ajudem na compreensão desses temas, isso pode ajudar a tirar as dúvidas que os alunos já tem e pode render assunto para os próximos encontros do grupo – Sugeriu Vic.

Ficamos conversando mais um pouco sobre os grupos de estudos, mas depois de um tempo o assunto mudou completamente e acabamos conversando sobre várias coisas diferentes antes do meu pai ligar falando que já estava ficando tarde e que era melhor eu ir para casa para não incomodar Vic, já que ela teria que trabalhar no dia seguinte. Bom quando meu pai cisma que tenho que ir para casa é melhor eu ir, por que se ele me fala para ir para casa e eu falo que resolvi passar a noite na casa da Vic ele não me impede de ficar na casa dela, mas passa uma semana resmungando sobre o fato da única filha dele ignorar completamente tudo o que ele fala e que ele só pensa no meu bem. Eu sei que ele só quer o melhor para mim e eu não ignoro o que ele me fala, mas tem horas que eu gostaria que ele me desse mais liberdade de sair para os lugares sem ter hora para voltar para casa, de poder ficar o tempo que eu quiser na casa da minha amiga, já que eu só consigo ver essa amiga uma vez por semana, que é quando ela tem folga, entre outras coisas. Meu pai diz que o mundo é um lugar perigoso e que coisas ruins podem acontecer comigo, mas eu sei que o mundo não é tão ruim assim como ele pensa. Depois que falei com meu pai eu e Valquíria nos despedimos da Vic e do Tom e fomos para casa.

— Como você pretende ir para casa da Vic em um horário que seu pai sabe que ela não está lá? – Valquíria perguntou.

— Vou falar para ele que estou na biblioteca da faculdade estudando – respondi.

— E ele não vai até lá para garantir que você não está mentindo? – ela perguntou.

— Não por que ele estará trabalhando e eu pretendo chegar em casa antes dele – respondi, sabendo que era errado mentir, mas sem conseguir pensar em outra solução.

— Fala pra ele que você vai ajudar o Tom com os grupos de estudos – ela disse.

— Ah é, vou falar que minha melhor amiga está dividindo o apartamento dela com um homem que, por acaso é meu professor de civil e que eu vou passar horas sozinha com ele no apartamento dela. Ele vai surtar antes que eu termine de contar isso – falei para ela.

— Você não precisa falar onde vai ajudá-lo. Só fala que você vai ficar depois da aula para ajudar o professor que seu pai vai pensar que você está na faculdade e você não vai precisar contar uma mentira pra ele – disse Valquíria.

— E isso não é mentir? – Perguntei.

— Não. Isso é omitir. É diferente – Ela respondeu.

— Pra mim dá no mesmo, mas se eu falar isso pra ele vai ficar melhor por que ele vai pensar que estou me destacando na turma e vai achar isso bom – falei para ela.