Verdade ou desafio.

6 Uma boa cavalgada precisa de platéia


Satori abrira seus olhos devagar, estava um bocado preguiçoso e não fazia ideia de quanto tempo estava ali. Esfregou o rosto num intuito genuíno de despertar-se, seu corpo doía e lhe deixava ainda mais indisposto de sair das cobertas quentes. Procurou com batidinhas no colchão por Ushijima, entretanto, o que encontrara fora apenas o vazio.

A ideia de se erguer diminuía conforme sentava na beirada da cama, soltou baixas lamurias de arrependimento por não ter ido com calma durante a transa, avistou as roupas espalhadas pelo quarto e esforçou-se para apanhá-las. Não tinha a menor noção de horas eram ou do que tinha acontecido depois que ambos haviam agarrado num sono, mas preferia torcer para que nada demais tivesse ocorrido.

Olhou ao redor e viu cerca de três bolas de vôlei, as preferidas de Wakatoshi, conseguia enxergar através delas a montanha da nostalgia ainda intacta.

Seus fios de cabelo rubros desgrenhados prendiam sobre a testa fincada como quem se esforçava para pensar, andou e tomou um banho rápido e ainda de toalha enrolada na cintura ouvia o celular vibrar irritantemente sobre o criado-mudo.

Decidiu apanhá-lo, havia várias mensagens de Oikawa avisando que era sua vez de perguntar a alguém. Tendou encheu seus pulmões de vigor, e antes que prosseguisse com a brincadeira, pôs um coração lilás no seu status, para indicar que estava gostando de alguém.

Abriu o chat de Ushijima que estava online, contudo, decidiu apenas se vestir e não falar nada, talvez ele ainda estivesse um pouco embaraçado com o que havia ocorrido, Tendou o conhecia bem. E o melhor a se fazer naquele momento era vestir suas roupas, pegar suas coisas e voltar para casa discretamente.

@Tendou: Oikawa, verdade ou desafio?

@Suga: Minha nossa, isso não vai prestar.

@Hajime: Orem por minha alma '-'

@Tooru: Desafio.

@Daichi: Minha nossa.

@Bokuto: Eita cuzão.

@Noya: Fodeu rude, fodeu feio.

@Tendou: Te desafio a simular uma cavalgada com o Iwaizumi, gravar e mandar pra gente.

Assim que chegara em casa, Satori abrira seu celular para ficar vasculhando em suas redes sociais, ignorou os chamados de sua mãe para comer e largou-se em sua cama, queria ficar sozinho, por a cabeça para pensar.

Tinha agido de maneira inconveniente, até chegara a ser uma atitude precipitada que botara em risco sua amizade com Ushijima, e infelizmente, o ruivo não fazia ideia do que poderia acontecer dali pra frente e isso o deixava angustiado. Não aquela angustia de estar perdendo para Karasuno ou quando a data de entrega das notas se aproximava, parecia ser mais intenso.

Mais uma vez, decidiu olhar o perfil de Ushijima e seu coração desenfreou.

Wakatoshi estava com um coração igualmente lilás em seu status.

@Tooru: Pra mandar no grupo? '-'

@Lev: O que seria de uma boa cavalgada sem platéia?

@Hinata: :v

@Noya: Esperando pela mensagem do Tobio, porque ele e o Hinata só aparecem juntos.

@Tobio: Vou falar mais não.

@Noya: :v

@Tooru: Mando já o vídeo, indo pro quarto do Iwa-chan.

@Hajime: Oremos '-'

@Akaashi: Amém.

@Yaku: Hoje tem.

@Bokuto: Se diz hetero, mas não nega uma cavalgada.

@Suga: Já viu mendigo rejeitar comida azeda?

@Tooru: To vendo essas ofensas ai, viu Substituto.

Oikawa subira as escadas vagarosamente.

Do quarto, Iwaizumi sentia o cheiro de seu perfume e de seu shampoo se espalhar por toda a casa gradativamente. Existiam dois momentos em que Hajime odiava sair de perto de Tooru; Quando ele acabava de tomar seu banho, pois seu perfume o deixava completamente inebriado de uma forma indescritível.

E a segunda situação é quando tomavam sorvete juntos, Oikawa nunca conseguia terminar tudo e por isso, embora ralhasse um bocado, Hajime comia por ele.

E mesmo que estivesse temeroso com o desafio, não arredaria o pé.

Tooru parou alguns passos da porta.

O que separava ele de Iwaizumi eram apenas treze passos.

Não sabia o motivo de tamanho nervoso, sentia-se como se existissem diversas borboletas em seu estomago. O mais estranho de tudo é que ele estava um pouco mais animado do que deveria, poderia ser sua curiosidade que sempre costumava alarmar e transbordar facilmente, no fundo, ele torcia para que fosse apenas isso.

Já pensou? Oikawa apaixonado por Iwaizumi?

Em seu ver, era a coisa mais impossível e complicada de se acontecer e delicada demais para ser discutida. Sabia que seu comparsa tinha a leve síndrome de ser violento quando fosse necessário – e desnecessário também – fora que se tachava como hetero, o que deixava tudo ainda mais complicado.

Não, definitivamente Oikawa não estava apaixonado!

Ele não fazia seu tipo, era mandão demais e estava sempre na zona de politicamente correto, costumava apontar seus erros e não aliviava quando ia lhe dar boas broncas, parecia que estava sempre – e realmente estava – querendo por sua cabeça no lugar, chegava a ser de um tudo irritante, entrementes, sabia que aquela era a forma de falar; Eu me importo com você.

Ainda que fosse um jeito estranho de demonstrar sentimentos, Tooru achava fofo. Estava quase desistindo, queria sair correndo dali, talvez se jogar da escada ou qualquer coisa que pudesse tirar aquele turbilhão de pensamentos que atravessavam sua mente num amontoado de ideias e teorias, em grande parte sem sentido ou importância.

Ele sabia que não era de amarelar e se questionava o porquê de não acabar de vez com aquela maldita distancia, talvez fosse medo de ser rejeitado, coisa que ocorria com frequência. Deu um passo tremulo, empurrou a porta vagarosamente e viu Hajime encolher-se contra a cabeceira. Seu sorriso estava meio torto, como quem aparentava estar nervoso.

— Voce só pode estar tirando com minha cara — estava descrente. Sabia o quão Oikawa tinha parafusos soltos, mas jamais imaginaria que ele toparia algo do gênero, chegava a ser absurdo.

— Somos amigos desde pequenos, não tem nada que a gente não tenha visto um do outro, certo? — tentava de certa forma contornar toda a situação — E é só um desafio, somos heteros.

— Claro bem heteros. — balançou a cabeça freneticamente. Tooru retirou a blusa e o calção folgado que usava. A peça intima lhe apertava as coxas torneadas assim como as nádegas avantajadas. Hajime remexeu-se impaciente e incômodo. O celular fora posto na câmera e com o auxilio do abajur, Tooru focou no corpo de Iwaizumi deixando o rosto de fora.

Apertou o play. Especulou sua situação por alguns instantes antes de apoiar-se no colo de Hajime, não fazia a menor ideia do que deveria fazer ao certo.

Não haviam pedido um lap, então não deveria apenas rebolar.

Suas bochechas esfoguearam diante do cenário. Umedeceu os lábios apoiando suas palmas inquietas e frias, empurrou as nádegas contra o colo alheio movendo-as vagarosamente, seus olhos focaram em qualquer ponto que não fosse o rapaz ofegante abaixo de seu corpo que não fazia diferente, fitava o teto pensando no que havia se metido e o que tinha feito para merecer estar ali.

No fundo, Hajime não achou o pior desafio de todos, na verdade, começara a ficar mais animado do que poderia. Meramente afoito, segurou-lhe a cintura delgada limitando seus movimentos o máximo que conseguiu. Tudo estava perigoso demais para seu corpo entupido de hormônios e piorou quando o quadril parou de rebolar e passou a subir e descer lentamente contra seu falo quase ereto.

Por algum motivo petulante Oikawa sentia-se mais que satisfeito com o efeito que tinha sobre o corpo de seu amigo. Arranhou seus ombros firmes num intuito de provocar e jogar mais lenha na fogueira. Baixou seu tronco até que seus lábios travessos alcançaram uma das audições de Hajime deixando ali uma mordida travessa antes de parar com seus movimentos e pegar o celular. Enviou o vídeo para que pudesse voltar sua atenção ao amigo.

Iwaizumi frustrou-se por ter acabado. Seus ombros afrouxaram.

— Iwa-chan, eu não deveria estar sentindo isso, sabia? — referiu-se a ereção.

— Cala a boca, Oikawa — o derrubou de seu colo, ajeitou as vestes a fim de se enfiar no banheiro e refletir sobre o que tinha acontecido. Poderia ter feito isso, caso a persistência de Tooru não viesse a tona no momento em que lhe puxou o punho com firmeza.

Deitado, não exibiu cara de bons amigos para aquele que sorria de lado a lado.

— Assuma que gostou! — sua voz estava embalada num entusiasmo quase irritante. Iwaizumi ergueu uma de suas sobrancelhas e o mirou. Impacientado com a espera da resposta segurou-lhe forte os braços e montou sobre seu corpo — Vamos.

— Não força a barra — pediu coçando o pescoço, quase que uma mania sua diante de situações embaraçosas.

— Vou fazer cocegas.

Iwaizumi soltou uma respiração pesada, virou com força de modo que Oikawa ficasse por baixo. Atacou as costelas expostas do corpo que se contorcia e gargalhava. As palmas agitadas tentavam de alguma forma impedi-lo de fazer cocegas, o tiro de Tooru havia saído pela culatra.

— Para com isso! — juntara todas as suas forças para que pudesse dizer. Iwaizumi riu, parou e encarou o rosto avermelhado do rapaz que tinha dificuldade em regularizar sua respiração.

— Você é uma péssima pessoa Iwa-chan, uma péssima pessoa!

Iwaizumi limpou a testa úmida.

— Sou é?

Nada foi dito.

O silencio se instaurou e parecia não se dissipar. Os olhos se mesclaram e pareciam tentar entender de alguma forma que sentimento era aquele, que entrava como quem nada queria e de repente trazia uma felicidade inefável em seus corações que bombeavam com uma força descomunal, chegava a doer, a arder era como se não existisse sinônimo para aquilo

Era desesperador não saber a resposta, não saber enquadrá-lo a nada existente num dicionário ou numa relação amistosa de longa data. Ambos os adolescentes pareciam querer fugir por conta de tamanho conflito e ao mesmo tempo, aparentavam querer ficar para saber a resposta que não aparecia.

Aquela sensação estranha que ocorria quando ficavam juntos aparecia aos poucos novamente. A distancia tornou-se ínfima, quase nula e rúptil, até que os lábios se tocaram afáveis.



@Bokuto: Que essa graça de Lap dance e cavalgadas caia sobre mim.

@Lev: Amém.