Verdade ou Desafio

1 one-shot de Halloween


Notas iniciais
Trick or treat???

Era 31 de outubro e todas as casas estavam enfeitadas com decorações roxas, alaranjadas e pretas, iluminadas com lanternas que produziam enormes sombras bruxuleantes de um lado ao outro da rua.

Enquanto as crianças corriam de porta em porta, cinco garotas caminhavam, todas fantasiadas, se dirigindo a uma casa no final da rua.

— Quero só ver o que esses meninos prepararam – Mariana, a mais velha delas, tocou a campainha da casa com a mão desocupada que não segurava a bandeja com bolinhos que ela mesma tinha preparado.

O grupo de amigos decidiu que os rapazes cuidariam de organizar a festa e as garotas levariam os quitutes costumeiros de Halloween.

Kouyou abriu a porta da casa, sorrindo.

— Sugizo-senpai! – Ana deu risada e o rapaz rodou em seu próprio eixo, mostrando sua fantasia.

— Tudo bem, minha gueixa? – ele pegou a mão da garota e se curvou para deixar ali um beijo, sedutoramente imitando o senpai.

— Kou-chan caprichou! – Mariana riu e ele repetiu o ato de beijar a mão agora com a mais velha.

— Você também, minha rainha!

— Sempre galanteador! – Carolina gargalhou, atravessando a porta e ele riu também.

— Eu ou o senpai?

— O senpai, é claro! – ela lhe escapou por pouco das mãos, quando ele ameaçou enforcá-la.

— Você também é sempre charmoso, Príncipe! – Monique elogiou, afagando a face do mais velho.

— Arigato, Haruka-chan! – ele lhe deu passagem e seus olhos caíram sobre Sereny. – Mulher Gato? – o rapaz boquiabriu-se e a garota ergueu os óculos que usava, com uma risada.

— Sugizo-senpai – ela respondeu, cordialmente, fazendo-o rir novamente, posando com as mãos na cintura.

— Sem nenhum Vigilante Noturno? – ele fingiu procurar alguém, olhando para fora, ao redor da casa e ela gargalhou.

— Estou sozinha hoje...

— Isso é bom, muito bom! Certo garotas, nós vamos lá para fora, para o quintal.

— A festa vai ser lá fora, Kou-chan? – Tsuki perguntou, empolgada.

— Mais ou menos, Tsuki-chan...

Eles se encaminharam para as portas de vidro que levavam ao quintal da casa, onde os outros quatro rapazes do grupo de amigos já esperavam, todos também fantasiados.

— Eu sabia que um dia seria minha perdição, Haruka! Uma sereia? – Yuu brincou, olhando para a morena, num misto de surpresa e diversão.

— Vou afundar o seu navio, pirata! – a garota entrou na brincadeira e ele a puxou pela mão, girando-a diante de si, para poder olhar melhor sua fantasia.

— Que bom que vocês chegaram! Eu já estava morrendo de fome! – Takanori resmungou, ajeitando impaciente a máscara branca que cobria metade de seu rosto.

— E lá se foi a minha infância! – Chibi exclamou, fazendo-o olhá-la, intrigado. – Eu achava que o Fantasma da Ópera não tinha fraquezas humanas, à não ser por Christine Daee...

— Gosto de odaliscas também – ele brincou, olhando malicioso para a fantasia dela e a garota fingiu fazer a dança dos véus, balançando a saia cheia de moedinhas penduradas que faziam barulho quando se movia.

— Kouyou, acho que tem um samurai bem ali, acabando com os seus refrescos – Ana brincou e Akira soltou a garrafa que bebia, voltando-se para ela, com a espada na mão, segurando-a contra o pescoço da ruiva, que revirou os olhos.

— Eu estou com sede! – ele se justificou. – Não imagina como foi difícil arrumar as coisas lá em cima! – o loiro guardou de volta a espada, afagando o rosto de Ana.

— Lá em cima? – a garota repetiu, confusa.

— Kouyou não contou para vocês? – Yutaka olhou questionador para o amigo, que negou com a cabeça, rindo. – Nossa festa vai ser bem ali.

O moreno apontou para uma grande casa na árvore que ficava entre a casa da família de Akira e da de Kouyou.

— Kouyou e eu construímos quando éramos crianças – Akira explicou. – Continua firme e forte!

— Mas vai aguentar todos nós ali? – Mariana perguntou preocupada.

— Aguenta! – Kouyou garantiu.

— Não precisa se preocupar, minha rainha! – Yutaka passou o braço pela cintura da garota. – Eu protejo você para que nada te aconteça.

— Cadê o seu lençol? Um fantasma sem lençol? – ela brincou, também passando o braço pela cintura dele, olhando admirada para a alvura das roupas que ele usava e o rosto branco por causa da maquiagem que lhe dava um aspecto doentio.

— Fantasmas de lençol são para crianças – o moreno justificou, afundando o rosto na curva do pescoço dela, beijando-lhe a pele sedosa. – Eu assombro o seu castelo, milady, noite após noite... – ela revirou os olhos.

— Bom, vamos subindo! – Kouyou anunciou. – Vocês podem colocar as coisas ali, meninas, que a gente puxa tudo de uma só vez...

Elas colocaram os quitutes em uma grande bandeja, como uma mesa sem pés, sustentada por cordas, ligadas à casa. Akira puxou a escada para subirem.

— Quer dizer que era aqui que vocês brincavam quando eram crianças? – Sereny perguntou, sendo ajudada por Kouyou para subir as escadas.

— Era nosso clube secreto! – ele riu, divertido.

— Em que não entravam garotas? – ela brincou.

— São as primeiras garotas a subirem até aqui – ele assentiu.

O interior da casa da árvore era amplo, tinha o tamanho de um quarto pequeno. Eles improvisaram alguns pufes para se sentarem. Tudo estava decorado com morcegos, aranhas e lanternas de mini-abóbora. Puxaram os quitutes, deixando a mesa encaixada do lado de fora para não ocupar espaço.

— Um belo trabalho de engenharia – Ana elogiou.

— Fomos fazendo melhorias com o passar do tempo – Akira explicou. – Eu sabia que ainda nos seria útil outra vez!

— Bom, fiquem à vontade! – Kouyou disse. Ligou o rádio e todos se serviram de refrescos e doces.

— Não trouxe seu violão hoje? – Sereny perguntou ao rapaz e ele negou com a cabeça.

— Talvez eu busque depois – ele pegou um pedaço de bolo de chocolate com calda que ela fizera. – Tem gosto de infância! – ele elogiou.

— O que vocês prepararam pra animar essa festa? – Monique perguntou, se sentando em um dos pufes, desfazendo a embalagem de uma das trufas.

— Nós podíamos jogar... – Yutaka sugeriu.

— Jogo de tabuleiro? – Carolina perguntou.

— De cartas? – Takanori arriscou.

— Batata-quente? – Monique brincou.

— Vocês só conseguem ter ideias infantis? – Yuu resmungou. – Vamos jogar “faça-me rir ou morra”!

— Jogar isso nunca dá certo – Akira sentenciou. – Podemos jogar “verdade ou desafio”...

— Verdade ou desafio? – Ana repetiu, preocupada.

— Está com medo? – ele brincou. – Por acaso, tem segredos que não quer nos contar? – sua voz saiu mais intrigada do que brincalhona.

— Não seja bobo, Akira...

— Então está decidido – ele disse resolvido, pegando uma garrafa vazia e colocando no chão.

— E de onde você tirou que você decide o que nós faremos, Akira? – Yuu protestou.

— Não ouvi nenhuma ideia melhor!

— Meninos, não briguem! – Sereny se colocou entre os dois rapazes enquanto Monique puxava Yuu, que tinha avançado furiosamente na direção do amigo.

Todos reuniram os pufes improvisados em volta da garrafa no chão e Akira ameaçou colocá-la para girar.

— Nós não devíamos combinar algumas regras, primeiro? – Mariana chamou a atenção de todos.

— Fique tranquila, Tsuki-chan – ele deu risada. – Nada do que for dito aqui, será revelado lá fora.

A garrafa girou e parou apontando pra mais velha das garotas. O loiro mais velho gargalhou.

— Verdade ou desafio, Tsuki?

— Verdade – ela respondeu, revirando os olhos.

— É verdade que você deu o fora no Yutaka e não quis ficar com ele?

— Claro que não é verdade – ele olhou perplexa pro moreno, de olhos arregalados, quase verde, olhando pra Akira,que gargalhava. –Yutaka nunca me pediu pra ficar com ele...

— Ah, então ficaria, se ele pedisse? – o outro perguntou, rindo.

— Você só tem direito a uma pergunta, Aki – Tsuki disse, pegando a garrafa e girando, mas um leve rubor afogueava suas faces. – Yuu! Verdade ou desafio?

— Verdade – ele respondeu, presunçoso.

— Verdade que você já entrou no mar bêbado?

— Pior que é verdade – ele respondeu sem jeito e tornou a girar a garrafa que parou apontando para Ana.

— Verdade ou desafio, Aninha?

— Verdade, Yuu-chan – ela respondeu, constrangida.

— É verdade que você não gostava de mim no começo? – a garota escondeu o rosto nas mãos.

— Gomen, Yuu-chan... – ele deu risada.

— Gosta agora?

— Gosto! Gosto muito! – o moreno sorriu.

— É o que me importa! – ela sorriu de volta, ainda se sentindo culpada e girou a garrafa que parou apontando para Takanori.

— Verdade ou desafio, Taka-chan?

— Verdade.

— É verdade que você já compôs uma música pra Chibiko? – o rapaz olhou de relance para a mais nova, que se empertigou, surpresa e curiosa.

— Não – ele respondeu serenamente, mas depois sorriu e completou, enfaticamente – uma não...

Carolina sorriu acanhada, vendo o mais novo dos rapazes girando a garrafa que parou apontando para Haruka.

— Verdade ou desafio, Haruka-chan?

— Desafio – ela deu risada.

— Quero ver se você rebola igual ao Yuu – ele gargalhou, fazendo a garota olhá-lo com ódio.

— Isso lá é coisa que se peça?

— Você que escolheu desafio... – ele justificou.

— E se eu me recusar?

— Você paga um castigo – Akira respondeu, rindo.

— Como vocês são cruéis – ela sibilou, se ergueu e rebolou, tentando fingir que não tinha ninguém ali.

Ela girou a garrafa no chão que parou apontando para Yutaka.

— Verdade ou desafio, Yuk?

— Verdade... – ele disse, hesitante.

Monique sorriu maliciosa.

— É verdade que você dorme sem roupa?

— Haruka! – Yuu e Tsuki protestaram ao mesmo tempo, enquanto Yutaka escondia o rosto constrangido e o resto do grupo gargalhava.

— Eu quero saber! – a garota se justificou.

— Quando está calor – ele disse baixinho, sem olhar para ninguém e girando a garrafa no chão que parou, apontando para Mariana. Os dois se olharam e a garota lhe sorriu, encorajando-o. – Verdade ou desafio?

— Verdade – ela respondeu, brincalhona e ele sorriu bem menos constrangido do que estivera.

— Verdade que ficaria comigo se eu pedisse? – a garota deu uma risada sapeca.

— Depende de como pediria... – ele assentiu e a garota rodou a garrafa, que parou apontando para Kouyou.

— Verdade ou desafio, Sugizo-senpai? – ela brincou e o rapaz deu risada.

— Verdade, Tsuki.

— É verdade que já pediu a Ny-chan em casamento?

— Verdade – ele riu. – Foi quando ela disse “acho que não teve nada na minha infância mais emocionante do que quando o Yugi reúne todas as peças do Exodia” – todos gargalharam.

— Mas é verdade – a garota disse, rindo.

Kouyou girou a garrafa, que parou apontando para Carolina.

— Verdade ou desafio, Chibi?

— Verdade.

— É verdade que você já foi apaixonada pelo Yutaka? – a garota riu, enquanto Takanori fechava a cara.

— E quem não foi? – ela gargalhou, rodando a garrafa, que parou apontando pro Yuu. – Verdade ou desafio, Yuu-chan?

— Verdade!

— Verdade que você já ficou com dez garotas em uma noite? – ele fez uma cara arrependida.

Uma vez só – ele enfatizou. – E eu tive meus motivos... – ele girou a garrafa que parou apontando para Chibi. – Verdade ou desafio, gatinha?

— Verdade – ela riu.

— Verdade que você nunca ficou com ninguém?

— Verdade... – ela respondeu com simplicidade e girou a garrafa que parou apontando para Kouyou. – Verdade ou desafio, Kou-chan?

— Verdade...

— Mas que droga! – Akira protestou, assustando a todos. – Isso virou um jogo besta da verdade! As próximas duas rodadas serão obrigatoriamente de desafio!

— Quem te colocou como “dono da brincadeira”, Akira? – Takanori zombou.

— Sem desafio, é brincadeira de criança! Achei que íamos fazer um Halloween de verdade!

— Bom, Kou-chan – Carolina interrompeu, revirando os olhos. – Verdade que você invadiu o camarim do senpai?

— Eu?! Claro que não! – todos riram. O rapaz rodou a garrafa que parou aprontando para Sereny. Ela olhou horrorizada para Akira.

— Akira! – ela protestou e o mais velho se encolheu.

— Gomen, Ny-chan! Mas se tivesse parado em mim, eu também teria de fazer um desafio, né?

— Só que não parou em você! – ela resmungou, emburrada, se voltando para Kouyou.

— Desafio, então, Ny-chan – o rapaz disse, divertido e ela bufou. – Eu desafio você a me beijar!

— O quê? Isso não é um desafio, Kouyou! – a garota se descabelou. – Pode fazer um desafio de verdade!

— Mas é claro que é de verdade! É um desafio válido! – ele retrucou, buscando o apoio dos outros, mas todos gargalhavam. – Desafio a me beijar, Sereny!

— Eu me recuso.

— Então, vai ter de pagar um castigo!

— Qual castigo?

— Tirar sua blusa! – ela arregalou os olhos, ainda mais horrorizada.

Encarando-o furiosamente, Sereny puxou Kouyou pela gola e uniu os lábios dos dois. O rapaz segurou-a para que não se afastasse depressa demais.

— Achei que ela fosse te morder – Yuu gargalhou, quando o casal de amigos se separou.

— Pensei nisso – ela bufou.

— Do que está reclamando? Vai me dizer que não gostou? – a garota revirou os olhos e girou a garrafa no chão, que parou apontando para Yuu. O moreno arregalou os olhos.

— Kouyou, se ela se vingar em mim, juro que eu te mato! – o outro gargalhou.

— Que imagem você tem de mim, Yuu! – ela disse, docemente. – Vou me vingar de Kouyou quando ele não estiver mais esperando!

— E que imagem dá pra ter sua sem ser essa de megera? – Kouyou brincou.

— Desafio, Yuu-chan – Sereny ignorou o outro e se colocou a pensar. – Eu desafio você a ficar duas rodadas sem camisa – ela sorriu maliciosa.

O mais velho riu sem jeito, constrangido e incomodado, mordendo o lábio inferior avantajado.

— Menos mal, né? – o moreno abaixou os olhos, inspirando profundamente e abriu os botões de sua camisa branca da fantasia de pirata que usava, deixando-a sobre o joelho. – Satisfeita? – ele perguntou, olhando pra Sereny, que fez um gesto mínimo com os olhos, indicando Haruka.

— Satisfeitíssima!

Ele girou a garrafa, que parou, apontando para Haruka.

— Verdade ou desafio, Haruka-chan?

— Só se eu fosse louca, eu pediria “desafio”... E já que o Akira disse que eram só duas rodadas obrigatórias...

— Certo... É verdade que... Você já sonhou comigo? – ele disse, presunçosamente.

— Ah, é verdade sim... – ela cruzou os braços. – Foi mais de uma vez... E a última foi recentemente... Sonhei que estava afogando você! – todos gargalharam e Yuu fez uma cara de espanto. – Por que acha que eu vim de sereia, moreno?

— Credo, Haruka.

— Quem pergunta o que quer... – ela girou a garrafa, que parou apontando para Akira. – Desafio então, cacatua? – todos riram.

— Manda – o rapaz fez pode se corajoso.

— Eu te desafio a mostrar sua foto mais vergonhosa – Akira hesitou, fazendo a garota sorrir triunfalmente. – E eu tenho certeza de que Kouyou não o deixará mentir...

— Eu até sei qual foto é – o outro gargalhou gostosamente, sendo fuzilado com os olhos pelo amigo.

— Eu já volto – Akira se levantou e saiu da casa da árvore para ir até sua casa.

Todos esperaram sua volta ansiosamente. Ele retornou carrancudo e derrotado.

— Quero que todos se lembrem de que eu tenho uma aneki e ela era bem cruel quando éramos crianças...

Haruka pegou a foto da mão dele e mostrou a todos um Akira, de no máximo seis anos, vestindo um corpete cor de rosa, sapato de salto, maria-chiquinha no cabelo que ainda era muito preto e tinha batom nos lábios.

Uma explosão de gargalhadas fez os outros quatro rapazes rolarem no chão, segurando as barrigas. Ana se aproximou do amigo que via incomodado a cena, de braços cruzados, e deitou a cabeça em seu ombro, afagando-lhe o braço.

— Já chega, né? – ele puxou a foto e guardou, girando a garrafa, que parou apontando para Sereny.

Verdade— ela respondeu, enfática, fazendo-o rir.

— É verdade que você pensou em aceitar o pedido de casamento do Kou? – o outro rapaz se ajeitou sentado, interessado.

— Eu nunca penso direito quando me pegam de surpresa – ela riu. – E acredite que eu nunca fui tão pega de surpresa na vida!

A garota girou a garrafa que parou apontando para Kouyou.

— Quer que eu peça desafio pra me beijar de novo? – ele perguntou, malicioso.

Sereny apenas encarou-o com um sorriso maldoso.

— Verdade – ele disse, acovardando-se.

— É verdade que arranjou encrenca com uma gangue?

— Não – ele respondeu, sério. – Já me convidaram para fazer parte de uma, mas eu nunca quis me envolver com esse tipo de coisa... – ela pareceu satisfeita com a resposta.

Kouyou girou a garrafa que parou apontando para Mariana.

— Verdade ou desafio, Tsuki-chan?

— Verdade...

— É verdade que já trabalhou como bargirl? – ela gargalhou.

— Não, mas já fui convidada...

— Ah... Isso seria realmente sexy, não seria Yuk? – o rapaz provocou o amigo, que ficou vermelho.

Mariana girou a garrafa, que parou apontando para Takanori.

— Verdade ou desafio, Taka-chan?

— Vamos parar de testar a paciência do Akira... Desafio...

— Eu te desafio a imitar a Katy Perry cantando “Firework”!

— Isso é verdadeiramente baixo, Mari...

— Você é livre para se recusar e rebolar igual a Haruka fez diante de todos nós, Taka-chan – ele repensou e cantou sem protestar.

Ele girou a garrafa que parou apontando para Carolina.

— Verdade ou desafio, Chibi?

— Verdade...

— É verdade que você tem tara por caras de óculos?

— Eu prefiro os bombadões aos nerdinhos – ela respondeu, irônica. – Não diria que seja uma tara... Eu só acho bonitinho...

A garota girou a garrafa que parou apontando para Akira.

— Desafio, Aki-chan? – ele hesitou por um momento.

— Desafio... – ela gargalhou.

— Eu te desafio a contar a história sobre aquela foto...

O rapaz arregalou os olhos para a expressão de triunfo da mais nova do grupo.

— Eu tinha seis anos e minha aneki ficou cuidando de mim enquanto nossa okaa-san trabalhava... – ele começou a contar, contrariado. – Não sei se ela já tinha enjoado das bonecas... Mas achou engraçado abusar do seu poder e da sua força e me fotografar nesse estado ridículo! Mas ela ficou de castigo por três meses quando a okaa ficou sabendo – por trás do sorriso do samurai, era possível ver o menininho de seis anos vingado.

— Não é nem de longe tão engraçado como eu pensei – Chibi disse ao término da narrativa.

Akira deu de ombros e girou a garrafa, que parou apontando para Haruka.

— Verdade – ela respondeu depressa, fazendo-o rir.

— É verdade que você já namorou um guitarrista famoso? – a garota arregalou os olhos e Yuu bufou, enfurecido.

— Como foi que ficou sabendo disso? – ela perguntou assombrada.

— É verdade?! – todos gritaram em coro, espantados e Yuu ficou encarando o teto, desgostoso.

— Mais ou menos – ela explicou, sem jeito. – A gente não chegou a namorar...

— Quem era? – todos queriam saber, exceto Yuu, que parecia mais interessado no fio que desprendia da barra de sua blusa.

Monique segurou os lábios com o indicador, rindo e girou a garrafa que parou apontando para Takanori.

— Verdade...

— É verdade que seu pai quase te expulsou de casa quando te pegou fumando?

— Foi bem quase mesmo – ele gargalhou e girou a garrafa que parou apontando para Sereny.

— Verdade...

— É verdade que a Ny-chan já escreveu hentai? – a garota ficou vermelha como uma cereja.

— Bom... – ela mordeu o lábio inferior, sem graça.

— Isso é verdade?! – Kouyou se atropelou nas palavras, saltando do seu lugar pra frente dela.

— Já escrevi sim... – sem conseguir ficar menos constrangida, ela emburrou o rapaz que estava parado na sua frente, sem encará-lo ou a algum dos amigos, que a olhavam perplexos.

— Como?! – Kouyou parecia aflito. – Com quem?!

— Kou, não é a sua vez – ela o empurrou novamente, girando a garrafa que parou apontando para Yutaka.

— Desafio... – ele respondeu, meio hesitante.

— Eu não consigo ser má com você, Yuk-chan... Mas... Tem uma coisa que eu sempre quis saber... Tem uma história... Sobre um dia... No parque de diversões...

O moreno ficou vermelho.

— Como você ficou sabendo...? – seus olhos logo caíram sobre Takanori, que tentava disfarçar. O moreno bufou. – Ok... – ele bufou, respirando pausadamente. – Nós fomos a um parque de diversões nas férias... Daqueles que são montados nas cidades e depois vão embora... Porque alguém— ele enfatizou, olhando para o mais novo dos rapazes, que se encolheu. – Queria um daqueles ursinhos de barraca de jogos... Provavelmente para dormir bem agarrado – Yutaka brincou, maldoso.

— Olha a difamação! – o outro protestou.

— Eu não me importei... Só que não sabia que esse mesmo alguém tinha armado um encontro pra mim nesse dia... – o moreno contou, constrangido. – Quando a menina apareceu... Eu já tinha perdido a conta de quantos cachorros-quentes eu tinha comido...

— Sem contar a pipoca, algodão-doce, o refrigerante, os manjuus...

— É – Yutaka cortou o amigo. – Foi uma péssima ideia comer tanto... Mas eu não esperava um encontro, já que eu já estava... – ele se refreou, quando seus olhos encontraram os de Mariana. – Bom... Ela queria andar de montanha-russa e eu... Fiquei bastante enjoado...

Todos soltaram uma alta expressão de entendimento.

— Pois é... Bom... É isso, Ny-chan... É uma história meio decepcionante...

— Coitadinho! – Sereny estendeu seu braço e afagou a mão dele.

O moreno girou a garrafa, que parou apontando para Ana.

— Verdade – ela disse.

— É verdade que você já beijou o Akira, Aninha?

— Quem foi que disse uma coisa dessas? – ela encarou o loiro com certa ferocidade.

— Não olha pra mim, não – ele se defendeu. – Eu posso ser culpado de muitas coisas, mas essa veio da cabeça do Yutaka!

— Não é verdade, não, Yuk-chan... – a garota respondeu com as faces muito coradas e girou a garrafa que parou apontada para o moreno de covinhas. – Verdade ou desafio, Yuk?

— Verdade...

— É verdade que você já tatuou o nome de uma namorada?

— Sério... Onde vocês conseguem essas informações? – ele disse, surpreso.

— Você tem o nome de uma garota tatuado?! – Mariana perguntou, descontrolada.

— Era bem pequena... Eu tirei já... Todinha – ele se defendeu, levantando a blusa que usava pra mostrar pra garota. – E faz muito tempo... Antes mesmo de nos conhecermos – a garota cruzou os braços e sua atitude fez com o moreno sorrisse levemente, antes de girar a garrafa, que parou apontando para Sereny.

— Verdade...

— É verdade que você já fez cosplay da Yuki Cross? – a garota deu risada.

— É verdade sim! Foi um dia ótimo! – a garota trocou um olhar significativo com a irmã, que gargalhou.

— Primeiro o hentai, agora cosplay... Sereny, que vida dupla é essa que você tem e eu não conheço? – Kouyou disse, nervoso.

— Muito engraçado, Kouyou – ela girou a garrafa, que parou apontando para Akira.

— Verdade...

— O quê? Eu achei que era um jogo de crianças sem desafio – ela ironizou.

— Mas também não é justo que eu só faço desafios, não acha Ny-chan?

— Não vamos discutir o que é justo, Akira... Fui eu que fui forçada a beijar o Kouyou...

— Hey!

— É verdade... Eu sinto muito... – Akira concordou.

— Hey! – Kouyou tornou a protestar.

— Certo Akira! É verdade que você já tentou beijar a Ana?

— Foi o Yutaka que te contou isso também?

— Hey! – foi a vez de o moreno protestar.

— Não é verdade não, Ny-chan! Mas que fique claro que vontade não falta – Ana ficou vermelha com o comentário do rapaz, que sorriu malicioso e girou a garrafa. Ela parou apontando para a garota. – Verdade ou desafio, Ana?

— Verdade – ela respondeu, incerta.

— É verdade... Que você disse que namoraria o J do Luna Sea? – ela deu uma risada nervosa para a expressão apreensiva que ele fez.

— Eu nunca disse isso...

— Mas então diga se sim ou não, agora – Ana girou a garrafa, rindo.

— Achei que já tivesse respondido sua pergunta... – a garrafa parou apontando para Kouyou. – Então, Kou-chan? O que vai ser? Verdade ou desafio?

— Pode ser desafio, se a hime-chan não pegar pesado... – o mais velho brincou.

— Hoje ela é uma gueixa, Kouyou! – Akira bufou.

— Bom... Eu desafio o nosso Sugizo-senpai... A cantar uma música para nossa Ny-chan!

— Ana! – Sereny protestou, vermelha.

Cantar? Não pode ser só tocar? – o rapaz tentou argumentar.

— Todo mundo sabe que você é um grande músico, Kou-chan! Isso seria fácil demais! – a garota justificou e ele assentiu, derrotado.

— Eu vou buscar meu violão... Talvez, tocando junto não fique tão feio...

Não demorou para que o rapaz retornasse com o instrumento e, bastante constrangido, começasse a tocar os primeiros acordes de “I For You”, do Luna Sea. Quando terminou, os amigos aplaudiram e Sereny o encarava com um sorriso no rosto corado. Ele girou a garrafa no chão que parou apontando para Haruka.

— Verdade – a garota respondeu, sem hesitar.

— É verdade que o guitarrista famoso que você namorou foi o Sakito do Nightmare?

— O quê?! – Yuu se exaltou. – Você chagou a namorar com ele?!

— Não! Não cheguei a namorar não – ela explicou depressa, mais para o moreno do que para Kouyou. – Foi... Só um beijo... Nada mais! – ela girou a garrafa, que parou apontando para Yuu e os dois se encararam, preocupados.

— Verdade... – ele pediu, desviando os olhos.

— Quais foram seus motivos pra ficar com dez garotas? – ela perguntou, entristecida.

— Ai! Eu devia ter pedido desafio... – ele se lamentou.

— Deixa! Não precisa responder não – ela respondeu.

— Não! – Akira protestou. – Sem essa! Tem de responder sim ou os dois vão pagar uma punição juntos!

— É sério, Akira, quem te deixou como “chefe da brincadeira”? – o mais velho perguntou, irritado, mas o outro deu de ombros. – Ta certo! Meu motivo naquela noite foi... Eu não me orgulho disso... Mas foi porque eu vi... O amor da minha vida... Beijando outra pessoa... – ele terminou entristecido e ninguém disse nada.

A garrafa parou, apontando para Mariana.

— Desafio – ela respondeu com uma careta engraçada, tentando quebrar o clima pesado que tinha ficado no ambiente.

— Desafio você a seduzir— o moreno destacou a palavra malicioso, olhando fixamente para Yutaka – o Akira!

— O quê?! – Mariana e Yutaka disseram juntos, enquanto o loiro vestido de samurai gargalhava.

— Isso mesmo! Quero ver a arte de sedução da nossa rainha! – o mais velho provocou, vendo o rosto do amigo ficar vermelho.

— Mas... Isso é errado! O Akira é da Ana! – foi a vez da morena ficar vermelha.

— Não se preocupe com isso, Mari-chan – o loiro sorriu, tranquilizando-a. – Pode vir com tudo.

A garota inspirou profundamente e se levantou.

— Espera... Seduzir como? – ela perguntou preocupada e Yuu deu de ombros, rindo.

Mariana se aproximou de Akira e o fez se levantar, olhando para Ana como se pedisse desculpas, passou os braços pelo pescoço do rapaz e uniu o corpo ao dele, acariciou sua nuca lentamente com as unhas ligeiramente compridas e beijou-lhe o pescoço com a mesma lentidão, deixando-o um pouco ofegante.

Ela sorriu maliciosa e voltou para o seu lugar. Akira parecia um pouco atordoado e Yutaka tinha o rosto vermelho e incomodado. A garrafa parou apontando para o moreninho.

— Verdade – ele disse, entre dentes.

— É verdade que está com ciúmes? – ela não parecia descrente em sua pergunta, parecia esperançosa.

— Morrendo... – ele confessou, baixinho e ela sorriu satisfeita. A garrafa parou apontando para Carolina.

— Verdade...

— É verdade que você fez cosplay da Rima?

— Quando minha irmã fez da Yuuki – a menina respondeu contente. – Com direito a guarda-chuva de gatinho e tudo!

A garrafa parou apontando pra Takanori.

— Verdade...

— Verdade que já foi baterista de uma banda?

— Verdade – ele sorriu, orgulhoso. – Foi antes de conhecer Kouyou e Akira... Faz realmente muito tempo...

Ele virou a garrafa que parou apontando para Ana.

— Verdade...

— É verdade que perdeu uma aposta pra Ny-chan? – a garota olhou emburrada para a amiga, que gargalhou.

— Foi uma aposta injusta!

— Eu tentei avisar – Akira disse, solenemente.

— Pois é... Caí nas artimanhas dessa baixinha!

— Não foi injusto... Não te forcei a aceitar – Sereny se defendeu.

Ana deu de ombros e girou a garrafa que parou apontando para Akira. Ele olhou-a, desconfiado.

— Verdade...

— Verdade que você estava namorando quando nos conhecemos? – os outros fizeram um coro.

— Eu... Não me lembro... – o rapaz desviou o rosto e ela o encarou com descrença. – É verdade... Mas não durou muito tempo – ele se justificou depressa, fazendo-a rir.

A garrafa parou, apontando para Carolina.

— Com o Akira, qualquer coisa que eu peça, eu estou ferrada! – a mais nova se lamentou.

— Você ainda não foi desafiada nenhuma vez, Chibiko... – ela fez uma careta.

— Certo... Desafio então... Se isso te faz feliz...

— Eu desafio você a... Terminar o jogo sentada no colo de Takanori! – a garota arregalou os olhos.

— Você chega a ser cruel, sabia? – o outro disse, assombrado.

— Isso não vale, Akira! O desafio de ninguém durou mais do que duas rodadas!

— O jogo não vai durar muito mais – ele se justificou. – Não dou dez rodadas pra ele... E você preferia rebolar como a Monique ou beijar alguém como a sua irmã?

— Mas... – Carolina protestou, ainda desesperada.

— Olhe pelo meu ponto de vista, Chibiko... Se você e Takanori estiverem... Ocupando o mesmo espaço... Quando a garrafa apontar para você, a pergunta poderá ser de qualquer um dos dois...

Ela hesitou, se ergueu de seu lugar ainda bufando e se dirigiu para o lugar de Takanori.

— Com licença, Taka – ela pediu, enrubescida, sentando-se no colo dele.

— Fique à vontade – o loiro escondeu seu sorriso satisfeito atrás da máscara, enquanto a garota girava a garrafa que parou apontando para Yutaka.

— Verdade – o moreninho pediu.

— É verdade que você chorou lendo “One Piece”?

— Sério... Quem é o informante de vocês? – ele perguntou, espantado. – Pois é... Mas tem partes que são realmente muito tristes... – o rapaz justificou e girou a garrafa que parou apontando para Monique.

— Verdade – a garota pediu.

— Verdade que você quer ser cosplayer profissional?

— Seria um sonho e tanto, né, Yuk-chan? – ela riu, girando a garrafa que parou apontando para Kouyou.

— Verdade...

— É verdade que essa não é a primeira vez que você se veste de Sugizo-senpai? – o rapaz gargalhou.

— É verdade sim. Já fui numa convenção assim e eu fiz muito sucesso entre as... – ele parou abruptamente de falar ao encontrar o olhar de Sereny.

— Entre as o quê, Kouyou? – ela cruzou os braços e os outros riram.

— As pessoas, Ny! As pessoas que também foram à convenção e conheciam Luna Sea! – ele desviou logo o olhar e girou a garrafa que parou apontando para Ana.

— Verdade...

— Nem pensar! – Akira se intrometeu. – A senhorita foi a única que ainda não foi desafiada e isso não é justo!

— Akira, como você é... – a garota tentou conter sua fúria.

— Não liga não, princesa – Kouyou disse, rindo. – Ele só quer que você tente seduzi-lo, sente no colo dele ou o beije também... É só por isso!

— É claro que não! – o outro se defendeu. – É porque não é justo que todo mundo tenha tido um desafio...

— Tudo bem, Akira – a garota riu. – Então, me desafie, Kou-chan...

— Desafio você a terminar o jogo com uma faixinha no nariz! – a garota deu risada e aceitou. Com a faixa já amarrada bem firme em sua cabeça, girou a garrafa que parou apontando para Yuu.

— Verdade.

— É verdade que você é fã do Nuno Bittencourt? – os olhos dos dois brilharam com a mesma intensidade.

— Você é fã do Nuno-senpai? – ele perguntou, eufórico e ela fez que sim. – Ele é genial! – todos gargalharam da empolgação do mais velho do grupo. Ele girou a garrafa que parou apontando para Sereny.

— Verdade – a garota pediu.

— É verdade que você é apaixonada por dragões?

— Loucamente apaixonada – ela deu risada e girou a garrafa que apontou para o casal dividindo o mesmo espaço. – Taka!

— Verdade, Ny-chan – o rapaz ajeitou Carolina sentada sobre seus joelhos.

— É verdade que você quase se casou aos vinte anos?

— É verdade sim... E teria sido um grande erro se meus pais não tivessem conseguido me impedir – ele girou a garrafa, que parou apontando para Mariana.

— Verdade.

— É verdade que você toca baixo? – ela deu risada.

— É verdade sim!

— Imagina? Um combo seu e do Yutaka? – a garota sorriu levemente corada e girou a garrafa que parou apontando pra Akira. – E o jogo chega exatamente onde começou! Pra encerrar com classe, Akira, o que vai ser?

— Verdade – ele deu de ombros.

— É verdade que esse é se primeiro “verdade ou desafio”?

— Foi o primeiro que deu certo!

Notas finais
mereço reviews???
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!