POV ANÚBIS

Sadie parecia ter encarnado um tomate. Eu não sabia se isso
era bom ou ruim, mas ela estava linda, o que me deixava feliz. Sorri. Então balancei a cabeça e pensei “o que está acontecendo comigo?! Estou pensando como um humano!” resolvi me despedir logo.

– Então... até outro dia Lady Kane.

– Até... – ela começou, mas eu já tinha sumido. Apareci de novo no Salão do Julgamento e dei de cara com Osíris/Julius, que me olhava com
uma cara engraçada, como se soubesse algo sobre mim que nem eu mesmo sabia.

– Não vou dizer que aprovo isso, mas se você realmente... se
importa com ela, vai fazer o que é certo.

Senti meu rosto ficar muito quente e deduzi que ele estava tão vermelho quanto o de Sadie, a poucos minutos atrás. Resolvi mentir.

– Eu... não sei do que você está falando! – é, eu minto muito mal. E para completar a cena sai correndo para o meu quarto. Fiquei lá olhando para o teto e pensando na Sadie.


POV ZIA

Depois de quase matar aqueles dois, os convenci a me ajudar
a procurar Sadie. Depois de algum tempo, Walt se separou de nós e Carter e eu fomos procura-la na mansão. Quando chegamos Carter me perguntou:

– Por que diabos você deu essa ideia para a Sadie?

– Por que diabos você estava espionando a gente?

Carter ia responder quando Walt entrou na mansão, com cara
de que ia fulminar o primeiro ser vivo que cruzasse seu caminho. Ele marchou até o seu quarto e se trancou lá. Logo depois Sadie chegou, com uma expressão sonhadora e também se trancou no próprio quarto.
– Eu estou cansada Carter, depois nós conversamos. – e fui para meu quarto, deixando Carter no meio da sala, completamente confuso.
Eu estava dormindo feliz, até que meu Ba foi levado até o Salão de Julgamentos. Vi então Anúbis, que andava de uma lado para o outro. Ele me viu.

– Zia! Eu preciso falar com você. – ele andou na minha direção
e sussurrou no meu ouvido.

– Preciso da sua ajuda.

Estranhei, afinal, por que o deus dos funerais precisaria da minha ajuda?

– Ajuda? Com que? – perguntei, temerosa.

– Ahn com a... Sadie.

Ele abaixou a cabeça, com as bochechas vermelhas, meu queixo
caiu.

– Sadie?

Eu ainda estava processando a informação. Sadie? O que ele
queria com ela? E porque precisava da minha ajuda?

– Por que eu te ajudaria? E por que eu?

Ele engasgou. Parecia travar uma batalha interna.

– Bom você é... a melhor a-amiga dela e... e-eu – ele respirou
fundo – e-eu estou apaixonado por ela.

Não sei porque, mas comecei a rir. Anúbis estava vermelho até a raiz dos cabelos. Me senti meio culpada. Eu só ri porque ele me lembrou daqueles casaizinhos de novela. Eu estava viciada em novelas. Então tomei uma decisão meio estúpida. Resolvia ajudar Anúbis.

– Desculpe. Está bem eu vou te ajudar.

A cara de surpresa dele era tão engraçada quanto a anterior,
de vergonha.

– Anúbis.

– Eu.

– A quanto tempo você gosta dela? – ele sorriu e estalou os
dedos e subitamente eu acordei, no meu quarto.

“O que eu fiz? Agora vou ter que dar uma de cúpido para um deus chacal e uma adolescente.” E pensando nisso, voltei a dormir.