Verdade Ou Pesadelo
39 Ressurect the Sun
Notas iniciais
Scout’s POV
Acordei sozinha deitada no chão de algum lugar desconhecido. Me sentei e olhei em volta, porém tudo o que eu via eram as paredes e o chão pretos.
– Andy? – chamei, me levantando, e recebi o silêncio como resposta. – Andy! – nada. – Alguém! Onde eu estou?! – gritei, e meu retorno foi o eco de minha própria voz.
Comecei a andar sem rumo por aquele lugar estranho. Parecia alguma outra dimensão, não importava pra onde eu olhasse, eu sempre via a mesma paisagem: paredes e chão preto. E não importava pra onde eu seguisse, os caminhos eram todos iguais.
Eu estava naquela caminhada sem destino há pelo menos 20 minutos, e foi quando vi algo ao longe. Um brilho. Fui em direção a ele e conforme me aproximava o brilho aumentava tanto de tamanho como de intensidade. Tinha algo naquela luz que me atraía, ela parecia me hipnotizar, era como se me convidasse a atravessa-la.
Quando estava prestes a alcançar a tal luz, algo me chamou a atenção. Uma pessoa. Um garoto, na verdade. Ele estava de costas pra mim, parado. Eu o reconheceria até mesmo num lugar daqueles.
– Andy? – toquei seu ombro.
Ele apenas olhou para trás, deu o sorriso mais doce que eu já vira e saiu andando na direção oposta à da luz.
– Ei, me espera! – chamei, mas ele continuou andando, e eu o seguindo até o que parecia ser uma passagem. – Onde isso vai dar? – perguntei.
– Prefiro que veja por si mesma – disse ele.
Ele me guiou até a passagem e eu a atravessei.
– Te vejo lá – pude ouvi-lo dizer enquanto tudo ao meu redor se tornava branco, mas tão branco que fui obrigada a fechar os olhos por conta da claridade intensa.
Quando abri os olhos novamente, lá estava eu, usando o vestido tomara que caia preto com estampa de bolinhas, a gargantilha de strass prateada e meu all star detonado, encostada numa árvore no cemitério Morgantown.
Eu havia morrido?
Era estranho estar morta. Não precisar mais respirar, não sentir mais o sangue circulando nas veias, não sentir mais o calor que deveria estar aqui, acho que levaria algum tempo pra me acostumar com a “vida após a morte”.
Olhei em volta e não vi nada além das lápides e árvores secas e sem folhas.
Me levantei e fui até o outro lado da árvore. Vi o altar ainda armado e... Eu. Meu corpo sem vida jogado no gramado, parcialmente coberto pela capa preta, e... Crendeuspai, eu estava com uma aparência horrível!
Em compensação, não havia sinal de Andy e nem de qualquer outra alma viva ou morta.
– Olá? – chamei. De repente, duas mãos tapam minha visão.
– Adivinha quem é – nunca fiquei tão feliz em ouvir aquela voz rouca e familiar ao pé de minha orelha.
– Hmm, será que agora é o Jared Padalecki? – brinquei.
– Mas que fixação com esse infeliz, em?! – disse Andy.
– Tá com ciúmes, é? – perguntei, tirando suas mãos de meus olhos e me virando para encará-lo.
– Eu com ciúmes? Da onde você tirou isso? – quantas vezes já comentei que o Andy é o um péssimo ator?
– Do mesmo lugar que você tirou que o Jared é um infeliz – respondi.
– Ah, perdoe-me por insultar vossa majestade Jared Padalecki – Andy falou, fazendo uma reverencia.
– Pelo bem de todos, desista do ramo de atuações, você definitivamente não nasceu pra atuar – implorei.
– Me deixa ser feliz, vai – disse ele, passando o braço por trás de meu pescoço.
– Tá bom, estraga prazeres – falei, abraçando-o pela cintura, porém assim que apertei-a Andy deu um pulo para o lado e soltou uma risadinha. Não, eu não acredito!
– Você sente cócegas, Andy?! – quis confirmar, mas nem era preciso.
– Nem pense nisso! – avisou ele, já prevendo meus planos malignos.
– Fatality de cosquinha! – berrei e me joguei em cima dele, atacando-o com cócegas até irmos parar no chão, onde ficamos deitados rindo feito os dois mongolóides que éramos.
Ainda não me havia caído a ficha de que finalmente tudo estava acabado. Não havia mais Mary, nem Xólotl, nem Lilith, nada, só eu e Andy.
Só pra ter certeza de que não era um sonho, deitei a cabeça em seu peito, e quando ele passou o braço em volta de mim e me puxou para mais perto de si eu tive certeza de que era real, e agora nada nos impediria de ficarmos juntos.
– Como era lá? – ele me perguntou.
– Lá onde? – perguntei de volta.
– O outro lado, o lugar pra onde você foi depois que você “morreu”.
– Pra ser sincera, era assustador – respondi. – Nunca pensei que estar num lugar desconhecido sem ninguém por perto poderia ser tão amedrontador.
– Como você conseguiu sair de lá?
– Como assim como eu consegui sair de lá? Você me guiou até a saída, lembra?
– Então quer dizer que você me viu lá e que fui eu quem te tirou de lá?
– Isso foi agora há pouco, você não lembra?
– Quando chega a hora de decidir se atravessamos para o outro lado ou se continuamos aqui, vemos duas coisas: a passagem para o lado de lá, e nosso... "ponto de paz", digamos assim. Aquilo o que mais nos faz sentir bem no mundo. Cabe a nós decidirmos qual deles seguimos. E se fui eu quem você viu lá isso significa que...
– Que você é meu ponto de paz? Grande novidade – deixei escapar.
Minha brecha fez Andy dar um sorriso tão lindo quanto o que eu vira em seus lábios naquele lugar estranho há pouco tempo, e que me fez derreter.
– Já pode parar de ficar com vergonha, tá? – disse ele, fazendo o rubor nas minhas bochechas se intensificar pelo menos duas vezes mais.
– Q-Q-Q-Q-Quem disse que eu tô com vergonha?! – ninguém, Scout. Só a sua dicção mais que perfeita.
– Ninguém, ninguém – disse ele. – Ah, sim, quase esqueci. Vem comigo, quero te mostrar uma coisa – ele se levantou.
– Ir com você pra onde? – perguntei, levantando-me também.
– Você vai ver – ele me estendeu a mão e eu a segurei, acompanhando-o até o lado de fora do cemitério e deixando que ele me guiasse pela floresta.
Depois de alguns minutos que já estávamos andando, perguntei:
– Ainda falta muito?
– Não, é logo ali na frente – respondeu Andy.
Seguimos reto até sairmos do meio das árvores e chegarmos às margens de um grande rio, de onde era possível ver o horizonte todo e o pôr-do-sol, que coloria o céu em tons de amarelo e vermelho. Num certo ponto da margem, havia uma daquelas pontes onde os pescadores geralmente repousam enquanto esperam pacientemente a chegada dos peixes.
Eu estava maravilhada com tamanha beleza, nunca tinha visto um pôr-do-sol ao vivo, e nunca imaginei que pudesse ser tão bonito.
– É lindo demais, Andy – disse, maravilhada, olhando fixamente o sol descendo vagarosamente e desaparecendo aos poucos.
– É, não é? Achei que aqui seria um bom lugar pra vocês conversarem – disse ele.
– Vocês quem? – perguntei sem entender.
Com um movimento de cabeça, ele indicou as pessoas que assistiam o pôr-do-sol ao nosso lado. As lágrimas foram inevitáveis, elas simplesmente saíam incontrolavelmente de meus olhos sem que eu pudesse fazer nada para conte-las.
– Mãe... Pai... – ambos me olharam sorrindo com ternura. – Mãe! Pai! – eu os abracei, foi inexplicável o sentimento que senti ao abraça-los depois de tudo, eu não me lembrava qual fora a última vez que eu sentira tamanho conforto e tranquilidade.
– Estamos muito orgulhosos de você, filha – disse Melinda.
– Me desculpem por tudo o que fiz vocês passarem – falei, abraçando-os mais forte ainda, se é que era possível.
– Não precisa dizer nada, nós já ouvimos tudo o que você tinha pra dizer – dessa vez, quem falou foi Richard, afagando meus cabelos.
Nos separamos e nos encaramos, rindo da cara de choro uns dos outros.
– Qual o seu nome rapaz? – perguntou Melinda à Andy.
– É Andy – respondeu ele.
– Muito obrigada por tomar conta da Scout por todo esse tempo – ela agradeceu, e Andy assentiu com a cabeça de onde estava.
– Se vocês estão aqui, então vocês não atravessaram para o outro lado? – perguntei.
– Na verdade, já atravessamos, querida – respondeu Richard.
– Mas então como...
– Devido às circunstâncias, nos foi permitido vir até aqui para nos despedirmos – explicou Melinda.
– Então... Vocês tem que voltar?
– Infelizmente sim – disse a mãe.
– Entendo... – compreendi, triste.
– Coloque um sorrisinho nesses lábios, minha flor – disse Richard, apertando a lateral da minha cintura, acertando meu ponto fraco de cócegas e me fazendo rir. – Vamos olhar por vocês de onde estivermos, sempre.
– Tá certo – sorri. – Eu amo vocês! – nos abraçamos novamente.
– Também te amamos, filha – falou Melinda, um segundo depois desfazendo o abraço, me lançando um sorriso e colocando uma mecha de cabelo atrás de minha orelha. – Bom, hora de irmos embora.
– Tem razão – concordou Richard, pegando na mão da esposa e depositando um beijo em minha testa. – Juízo, em?
– Pode deixar, pai – eu e Andy sorrimos e meus pais retribuíram o sorriso.
Uma leve brisa soprou ao mesmo tempo em que eles se reduziram à uma poeira cintilante que foi levada com o vento.
– Vou sentir saudades...
– De verdade, eu quase chorei com esse reencontro familiar – disse Andy.
– Como você sabia que eles estariam aqui? – perguntei.
– Palpite – respondeu ele.
– Ok, agora conta a versão verdadeira.
– Eu só presumi que depois que tudo se resolvesse seus pais poderiam vir te ver para que vocês se despedissem, afinal você também é um espírito agora, assim como eles. Eles poderiam ir onde quer que você estivesse, então eu te trouxe aqui. Eu não tinha 100% de certeza de que eles apareceriam, mas só no caso de que eles realmente viessem te visitar, achei que esse lugar faria jus ao momento.
Mal deixei que ele concluísse sua fala e o abracei.
– Obrigada é pouco pra dizer – falei.
– Foi o jeito que eu encontrei pra compensar tudo o que você passou – disse ele, correspondendo meu abraço. – Mas então, mudando de assunto, quer dizer que você também sente cócegas? Sabe o que significa, né? Chegou a hora da vingança! – ele nem me deu chance de reagir, me atacou a sangue frio com todas aquelas cócegas, me fazendo rir até minha barriga doer.
Ficamos conversando sobre coisas umas mais idiotas que as outras até a noite cair, olhando as estrelas e deitados na grama da margem do rio.
– Aquilo foi golpe baixo! – protestei.
– Eu só tava descontando daquela hora no cemitério, oras! – defendeu-se ele. – Ei, quer dar um mergulho?
– Só se você quiser ter uma crise de hipotermia – disse eu. – A água deve estar estupidamente gelada a essas horas!
– Vamos recapitular: estamos mortos, somos imunes a sensações térmicas.
– Me dá um desconto, ainda tô me acostumando com esse lance de ser alma penada.
– Uma hora você se acostuma. Mas e aí, o que me diz de um mergulho noturno?
– Até que não é uma má idéia – falei.
– Pelados – sabia que aí tinha coisa. Ele me olhou sorrindo pervertido. – Então? O que me diz?
– O que te digo? – me sentei. – Quem pular por último é a mulher do padre! – maturidade é uma virtude para poucos.
– ISSO é golpe baixo, Scout Carter! – ouvi Andy dizer, se levantando e correndo atrás de mim enquanto tirava a camiseta, quase me alcançando.
– Lide com isso, meu amor! – gritei de volta, correndo até a ponte e pulando quase ao mesmo tempo que Andy.
Subimos para a superfície e travamos uma mini batalha de água enquanto ríamos um da cara do outro.
Quando o fogo – ou a água – cessou, nadamos até a parte rasa perto da margem, onde a água batia um pouco abaixo de nossos joelhos e ele colou nossos corpos.
– Você não entendeu a proposta, a ideia era nadarmos pelados, mas você ainda não tirou nenhuma peça de roupa. Quer ajuda com o vestido? – perguntou ele, já segurando o zíper lateral do vestido.
– Depende, quer ajuda com a calça? – provoquei-o, pela primeira vez sorrindo com malícia para Andy.
– Adoraria – ele retribuiu o sorriso, tão malicioso quanto eu.
Nossos rostos foram chegando cada vez mais perto e quando nos demos conta estávamos no meio de um beijo repleto de desejo, ele abrindo o zíper de meu vestido e eu descendo o de sua calça, abrindo o botão e abaixando-a até o meio das coxas de Andy, de onde ele tratou de terminar de retira-la enquanto eu fazia o mesmo com o vestido.
Ele vestindo apenas a boxer branca, eu vestindo apenas a calcinha vinho rendada.
Corremos os olhos pelos corpos molhados um do outro.
– Controle seu joelho dessa vez – disse ele.
– Cala a boca – o puxei para outro beijo, acariciando seus cabelos molhados e descendo as mãos para seu peitoral, abdômen e cintura, subindo-as novamente e repetindo o mesmo percurso, enquanto ele apalpava meu quadril e minha coxa entrelaçada em sua cintura e alisava o contorno de minhas curvas.
Passei a outra perna por sua cintura e, me segurando em seu colo, Andy caminhou para fora da água e deitou-me gentilmente na grama, ficando por cima de mim e interrompendo o beijo para começar a descer um rastro de outros beijos por meu pescoço, apertando de leve meus seios e fazendo com que eu gemesse abafado e arrepiasse com o toque de seus lábios em cada centímetro de minha pele.
Ele continuou com os beijos até minha barriga e início da cintura, descendo mais ainda e beijando por cima da calcinha, começando a massageá-la e excitando-me mais ainda.
Andy segurou as laterais da calcinha e puxou-as devagar, e por reflexo eu segurei suas mãos.
Fechei os olhos e me preparei pra ser xingada, mas em vez disso fui surpreendida.
– Scout – disse a voz gentil de Andy. Eu abri os olhos e vi seus azuis olhando nos com a maior doçura do mundo. – Você confia em mim, não confia? Eu não vou fazer nada que não queira – qual foi a última vez que simples palavras me passaram tanta confiança?
Eu apenas consegui sorrir e soltei suas mãos, permitindo que ele retirasse a peça de renda completamente.
Rapidamente se livrou de sua cueca, abriu minhas pernas e se deitou sobre mim novamente, colocando-se entre elas. Nossos rostos a poucos centímetros de distância. Minha frequência cardíaca quase ultrapassando 200 batimentos por minuto.
Andy’s POV
Me posicionei e, devagar, comecei a adentra-la, porém não consegui colocar mais que 4 centímetros. Ela estava tensa.
– Relaxe – sussurrei em seu ouvido, beijando-a de leve no pescoço numa tentativa de tranquiliza-la.
Aos poucos a tensão foi desaparecendo e dando passagem para que eu continuasse, e foi o que fiz. Quando entrei nela por completo, senti suas mãos apertarem minhas costas e fiquei parado por alguns segundos para que ela se acostumasse, então comecei a me mexer, primeiro devagar e depois aumentando o ritmo cada vez mais.
Ela inverteu as posições e me colocou deitado por baixo dela, sentando em mim. Agora era ela quem controlava o ritmo das estocadas, com uma pequena ajuda minha, que a segurava pela cintura e empurrava-a para baixo.
– Andy... Eu acho que vou... – disse ela, entre gemidos.
– Juntos – falei, e aceleramos mais ainda.
Ela gemeu alto e a senti se contrair e arquear o corpo, logo em seguida deitando sobre meu peitoral sem sair de mim, e assim ficamos por alguns segundos, até que ela caiu para o lado ofegante.
Depois de nos recuperarmos um pouco do êxtase momentâneo, ela deitou a cabeça em meu peito e eu a abracei e depositei um beijo no alto de sua cabeça.
– Andy, eu te amo – disse ela.
– Eu te amo – e poderia te dizer isso quantas vezes você quisesse ouvir. – Agora que estamos aqui, será que você pode fazer o favor de me explicar por que você quis tanto adiar esse momento? Quer dizer, sempre que chegávamos quase lá, POW!, joelhada no saco.
– É um motivo bobo, você vai rir se eu contar – ela falou.
– Agora eu quero saber.
– Vai ficar querendo.
– Vai fazer isso com o seu môzinho?
– Eu falo se você prometer que nunca mais vai usar termos tipo “môzinho”.
– Feito.
– Eu meio que... Tava com...
– Medo?
– Sim. Não. Quer dizer, sim e não. Quer dizer, não era bem medo. É que, você sabe, você tá por aqui há quase um século, com certeza teve tempo o bastante pra “praticar” esse tipo de coisa, ao contrário de mim. O meu medo era de não corresponder às suas expectativas.
– Ah é? Pois fique você sabendo que essa foi a melhor transa que e já tive, e espero que não seja a única que terei com você.
– Concordamos em alguma coisa, afinal – respondeu ela antes de cair no sono.
Observei sua expressão tranquila e serena, ela parecia feliz. Scout ficava mais linda ainda quando dormia.
– Boa noite, anjinha ruiva – sorri e peguei no sono também, abraçando a garota que eu amo.
Eu era o cara mais feliz do mundo! Eu queria ficar assim pra sempre. Queria chama-la eternamente de “minha” e queria que ela me chamasse eternamente de “seu”. Felizmente, pra nós isso era perfeitamente possível.
Definitivamente, nada ia nos separar, ficaríamos um ao lado do outro para sempre, silenciaríamos as vozes dos demônios, porque nem eles foram capazes de nos atrapalhar, e também nunca seriam.
Ficaríamos juntos enquanto existisse o PARA SEMPRE.
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