Verbotene Liebe
13 Opostos Perfeitos

Uma noite calma e pacífica tomava conta dos céus daquela cidade, afastando as nuvens e trazendo algumas estrelas brilhantes. As ruas recebiam iluminações de grandes postes nas estradas com dezenas de lojas e restaurantes resplandecentes e sumptuosos espalhados.
Naquele momento, Doflamingo havia pego seu carro preto e o dirigia em direção à casa de Kaidou que, assim como ele, também trabalhava coordenando a escola de Sweet Piece. Lovato era alguém alto, mais velho, com cabelos negros vistosos e longos, além de uma personalidade bem tímida e reservada de quem não costumava sair muito. Mesmo assim, ele aguardava o loiro, que a seu contrário, era extrovertido e sarcástico.
E mesmo com características opostas, Donquixote estava com uma camisa social salmão e calça jeans, parando com seu carro na porta da residência de Kaidou, que possuía tantos gatos que a maioria chegava a ficar ou no muro da casa, ou até mesmo na rua, próximo dali.
Tirando os felinos, o homem de cabelos compridos estava já pronto, com uma camisa branca e calça bege, além de um relógio no pulso. Assim que viu o loiro estacionando, entrou em seu carro, na parte da frente e ao lado do banco do motorista.
– Doffy! – Kaidou exclamou, colocando seu cinto de segurança. – Boa noite.
– Yo. – E o loiro responde, tornando a voltar a dirigir. – E aí, como você tá?
– Ahn, meus gatos estão bem então eu também tô bem, pude ficar com eles o dia todo no feriado. E você?
– Ótimo, pude aproveitar o feriado pra dar um jeito na nota dos alunos, então eu tô de bom humor. Mas e então, aonde você quer ir?
– Aonde você quiser, eu não tenho um local específico.
– Não tem nenhum tipo de comida que você prefira?
– Não, acho que não.
– Então vamos dar uma volta na rua dos restaurantes e a gente para no que ambos concordarem.
– Beleza!
Fizeram o que o loiro sugeriu. Com seu carro, Doflamingo foi até uma rua bem popular onde haviam vários restaurantes e bares diferentes, e portanto, também era o local preferido de muitos jovens que costumavam sair àquela hora. Um lugar bem movimentado e famoso. Os dois foram olhando para a janela enquanto seguiam viagem, decidindo onde parariam.
– Que tal aquele ali? – Até que Doflamingo tira uma das mãos do volante e aponta para um restaurante italiano com música e várias pessoas.
– Ahn, eu não gosto muito de ambientes com música alta. – Porém Kaidou hesita. – Não dá pra conversar direito e eu não consigo me concentrar na comida…
– Então vamos ver outro.
– E aquele ali? – O moreno sugere um aberto, com as mesas na calçada e culinária típica.
– Nem pensar, se for pra comer no meio da rua eu prefiro pedir Delivery e ir pra casa. – Mas o loiro discorda e logo vê outro, sem música alta e com mesas na parte de dentro, com culinária mexicana. – Oh, aquele ali tem uns tacos muito bons.
– Comida mexicana..? Eu não gosto de coisas apimentadas, meu estômago é sensível.
– Tsc, então vamos pro próximo. – Doflamingo logo avista outro, com comida italiana. – Que tal pizza? Todo mundo gosta de pizza.
– Pizza no jantar?
– É, ué.
– Ain…
– Argh…
– Ah! Aquele ali! – Kaidou aponta pra um restaurante que parecia ser uma lanchonete. – Parece ser bem amigável e caseiro.
– Blérgh, tem adolescentes demais, como se já não bastasse a escola.
– Tá, e aquele ali? – Aponta pra um restaurante onde a comida era servida em um cone.
– Nah, geométrico demais. E aquele?
– Tem gente demais, até transborda, me dá medo… eu gosto de ambientes calmos.
– Argh, e aquele?
– Ah, aquele parece bom.
– Então vam… ah, não, deixa pra lá.
– Qual o problema?
– O chão daquele lugar era quadrado e tem listras na parede. Me dá arrepio.
– Sério?
– Sério.
– Hm… ah! E aquele ali?
– Pequeno demais, não deve nem dar pra se mexer. E aquele lá?
– Grande demais, eu me perderia…
– Tsc.
– Que tal aquele?
– Nah, não fui com a cara dele.
– Por quê?
– Sei lá, agora ele já passou. Oh, e aquele ali?
– É restaurante vegetariano. Você gosta?
– Cruzes, não, é coisa de fresco.
– Não fala assim…
– Enfim, vamos seguir. E aquele?
– Barulhento demais. E aquele outro?
– Vazio demais, deve ser péssimo. E aquele lá?
– Parece ser caro…
– Parece ser bom.
– Eu me sinto mal comendo em lugares caros quando há muita guerra de classe no mundo, a grande maioria da população não tem acesso a–
– Blá, blá, blá, agora também já passou.
– Aaah, aquele ali! Eu já comi ali, é bem aconchegante.
– Cruzes, esse todo pobre?
– Não fala assim, caramba!
– Ah não, eu te convidei pra jantar em um lugar de classe e a gente vai achar um nem que leve a noite inteira!
E de fato, o fizeram. Doflamingo ficou roda do com seu carro durante um bom tempo e não conseguiam se decidir onde comeriam; os restaurantes até mesmo já estavam acabando. Até que o loiro finalmente estacionou seu carro.
E ele havia parado na frente de uma espécie de bar gourmet, onde as pessoas poderiam comer, beber e até mesmo fumar, além de não ter uma música alta, somente um som ambiente e um bom ar condicionado.
– Ah não, bar não, eu não bebo. – Contudo, Kaidou reclamava mesmo assim.
– Foda-se. – Mas o loiro já estava de saco cheio.
– Mas Doffy, o que eu vou fazer em um bar?!
– Tem comida aqui também.
– Tá, mas–
– Foooda-se.
– M-Mas a gente rodou–
– Foooooda-see!
– D-Deixa eu falar! A gente rodou por vários lugares e eu sempre respeitei quando parávamos em um restaurante que você não queria estar, então o mais justo agora é você também aceitar que eu não gosto de bares!
– Kaidou.
– Oi.
– Foda-se, vamos entrar logo.
– M-M-Mas... i-isso é injusto!
– A vida é injusta.
– Não significa que precisamos ser também.
– Deixa isso pra lá, vai, vamos comer logo que eu tô morrendo de fome.
Entraram no bar, mesmo contra a vontade do moreno, e se sentaram no balcão onde pedia-se bebidas. Doflamingo pegou uma dose de rum para si, enquanto Kaidou apenas pediu um refrigerante. Além disso, o loiro também pediu uma porção de batatas fritas com queijo derretido e bacon.
– Não é bem a ideia de jantar que eu tinha em mente... – Lovato resmunga.
– Tá tão ruim assim?
– Não é que esteja ruim, é que é meio chato ficar rodeado de pessoas bebendo álcool e bebendo refrigerante.
– Pede alguma coisa com álcool pra você, ué.
– Ah não, eu não gosto de álcool.
– Então para de se preocupar com os outros e bebe o que você quiser, Kaidou. Não tem nada de errado pedir refrigerante.
– Você acha..?
– Acho. – Eis que o garçom traz para eles a porção de batatas fritas. – Olha, o nosso jantar chegou, então vamos parar de nos preocupar.
– Até que tá boa. – Ele diz, pegando uma.
– Viu? Não é tão ruim assim.
– Tem razão, até que aqui é confortável.
– Mas e aí, você fez alguma coisa durante o dia além de ficar com os seus gatos?
– Sim! Quando você me ligou eu estava corrigindo as provas dos alunos.
– Oh, eu também, tava até bastante divertido.
– Verdade? Eles foram bem na prova que você corrigiu, então?
– Não, foram todos péssimos. Tava bem divertido dar vários zeros.
– Z-Z-Zero?! – Ele fica chocado. – Tadinho dos alunos, Doffy...
– Ah, para. Não me diga que você ficou com pena deles e começou a dar vários dez?
– O quê? N-Não, eu... n-nunca faria isso.
– Kaidou...
– É sério, eu dou sempre notas muito justas pra todos.
– Qual é a sua definição de “justiça”?
– Bom, eu não acho justo avaliar a pessoa só pelas palavras que ela coloca na prova, então eu analiso as condições familiares, o tempo que ela teve pra estudar, a classe financeira, se sofre algum tipo de violência, essas coisas.
– Resumindo, você quis criar uma sociedade utópica e deu dez pra todo mundo?
– N-Não é bem assim, teve um que tirou nove e meio, tá?
– Sério..?
– … tá, eu confesso, eu mudei a nota dele pra dez depois de um tempo, m-mas isso não conta!
– Tsc, você é uma catástrofe.
– Poxa... e qual é a sua definição de “justiça”, Doffy?
– Dar uma avaliação igual pra todos, e foda-se essas coisas de “condições familiares”.
– Mas como você pretende avaliar um adolescente que precisa passar o dia todo trabalhando pra ajudar os pais e não tem tempo de estudar, igual a um que pode ficar em casa o dia inteiro sem fazer nada?
– E quem garante que o que tem tempo de estudar, estuda? Esses fedelhos precisam aprender desde cedo que a vida não vai passar a mão na cabeça deles só por algumas dificuldades que todo mundo tem. Você mima demais os seus alunos, Kaidou.
– E você é muito cruel com os seus!
– Eu sou realista.
– Você é sádico, isso sim. Você não gosta dos alunos?
– Se eu gostasse de aluno não teria virado professor, muito menos diretor.
– Mas isso não faz o menor... argh, deixa pra lá.
Deixaram a pequena discussão de lado e iniciaram sua refeição; Doflamingo pedindo mais bebidas e o outro aproveitando alegremente seu refrigerante. E mesmo com opiniões contraditórias acerca da maioria dos assuntos, conseguiam se divertir tanto que até mesmo o tempo voava.
– Daí ele chegou na escola completamente destruído e achava que ninguém iria notar. – O loiro contava, nem se dando conta de que estava já na décima dose de sua bebida.
– Caramba. – E Kaidou ouvia atento. Ambos estavam em cadeiras uma ao lado da outra no balcão, virados de frente e até bem próximos, chegando a inclinar suas costas para poderem se olhar mais de perto e um ouvir melhor o que o outro dizia. – E aí, o que rolou?
– Tinha ficado bem óbvio que aquele garoto tinha ido à uma festa na noite anterior, mesmo sendo quarta-feira. – Doflamingo dizia com um grande sorriso costumeiro, olhando diretamente para os olhos castanhos de Kaidou por debaixo de seus óculos pesados. – Aquele garoto pode até ser inteligente, mas é muito indisciplinado.
– É normal gostar de festas na adolescência, mas tem certas coisas que são bem perigosas também.
– O Law não costumava falar com muitas pessoas no colégio, ele sempre foi do tipo que preferia ficar isolado em algum canto lendo um livro qualquer, mas tinha algumas vezes, como essa, que ele chegava na escola cansado, com olheiras pesadas e praticamente morto.
– Você gostava bastante dele, né?
– Não é que eu gostasse, eu só me preocupava um pouco demais, e olha que isso não é do meu feitio.
– Não é mesmo...
– Como assim?
Doflamingo fala de um jeito calmo e distraído, como se estivesse pensando em outros assuntos, também graças à bebida. Ele também se inclina um pouco mais, aproximando seu rosto do de Kaidou para vê-lo e ouvi-lo com mais atenção, o que faz o moreno hesitar também.
– Como assim o quê? – Perguntou, e mesmo com o som ambiente que tocava ao fundo no bar, ele somente ouvia o que Doflamingo dizia. Todas as pessoas envolta também pareciam nem estar ali.
– É que você disse que eu não sou de me preocupar muito com os outros.
– Mas você acabou de admitir isso, eu só... concordei, eu acho.
– E você não acha que eu me preocupo?
– Ah... eu não sei, você nunca pareceu se preocupar muito com as coisas ou com os outros.
– Você acha? – O loiro pega uma das mãos do outro e fica analisando seu braço sem um motivo aparente; talvez por Kaidou ter algumas marcas em sua pele. – Acho que depende muito do meu humor...
– E como o seu humor anda agora?
– Não sei direito... – Fica passeando seus dedos pelo braço dele, notando a textura e sentindo algumas cicatrizes que tinham. Kaidou fica sem entender muito bem o que o outro estava fazendo, mas sente um aperto em seu peito. – Isso dói?
– Ahn? – Estava meio distraído, mas logo volta a olhar Doflamingo.
– Esses cortes...
– Ah... – E quando volta a si, faz o outro soltar seu braço, o escondendo um pouco e virando o rosto. – Isso não é... nada.
– Tem certeza? – Ele nota que o moreno virou para o lado e leva as mãos até o queixo do outro, fazendo Kaidou olhar para si, ainda meio tímido. – Não parece ser nada.
– Mas, é que... – Não consegue pensar no que dizer e acaba hesitando.
– Ei. – Doflamingo se aproxima ainda mais e o outro fica intacto, apenas vendo o que ele iria fazer. Com seu rosto, o loiro acaba deitando no ombro de Kaidou, virado para seu pescoço, e também segurando suas mãos. – Só... não faz mais isso, tá bom?
E diz com uma voz tão baixa e próxima a seus ouvidos, que Lovato fica levemente arrepiado e se sentindo culpado.
– Doffy...
– Desculpa. – Fica sentindo o cheiro do outro e até mesmo dá alguns beijos de leve em seu pescoço de forma lenta e suave, que somente arrepia mais o moreno. – Acho que eu bebi um pouco demais.
– Quer ir pra casa?
– Pode ser.
Ambos se levantaram de onde estavam. Doflamingo se encontrava um pouco tonto graças às doses de bebida e por isso segurava na cintura de Kaidou, que abraçava seu ombro, para não cair. Andaram cambaleantes até o lado de fora do bar onde o carro estava estacionado.
– Acho melhor eu dirigir. – Lovato afirma, vendo o estado do outro.
– Aaarh, não, não, eu tô bem, deixa que eu dirijo. – Mas Donquixote teimava.
– Não mesmo, eu é que não vou deixar você dirigir assim.
– Mas o carro é meu.
– E a vida é minha! Eu vou entrar nesse carro e se você dirigir nós dois vamos sofrer um acidente e morrer juntos.
– Que romântico...
– Não é, não.
– Tsc, que seja, já que você se sente tão superior a mim pode dirigir, eu deixo.
– Argh...
Entraram na parte da frente do automóvel, com Kaidou no volante. Não demorou muito para que o loiro debruçasse e adormecesse no ombro de Lovato, que tinha certas dificuldades para dirigir com outra pessoa dormindo em seu braço, mas acabou dando um jeito.
– Doffy... Doffy, acorda...
E assim que chegaram na porta da casa de Doflamingo, Kaidou o acordou.
– Uhn?
– Já chegamos na sua casa.
– Ah, foi rápido.
– Não, não, é que você dormiu mesmo.
– Que seja, urgh. – Ele se espreguiça, com o maior sono existente e coçando as costas. – Que cansaço...
– Já tá bem tarde já, amanhã nós temos trabalho e tudo mais, é bom descansar mesmo.
– Mas pera... se você me trouxe aqui em casa no meu carro, como você pretende voltar pra sua?
– Ah, eu pensei em pegar um táxi.
– Que nada, deixa de besteira, dorme aqui hoje.
– H-Han? M-Mas, m-mas... e-eu...
– Que diferença faz? Nós trabalhamos no mesmo lugar, eu posso te levar pra Sweet Piece amanhã comigo.
– M-M-Mas, mas... m-mesmo assim...
– O quê?
– É que... dormir na casa dos outros, sei lá...
– Tsc, para com isso e vem logo.
Sem um mínimo de paciência, ele pega o braço de Kaidou e o obriga a sair do carro, o arrastando também para dentro de sua residência. O moreno parecia bem recluso e desconfortável, mas tentava disfarçar o máximo possível. Assim que entraram, Doflamingo tira seus sapatos.
– Fica à vontade, pode sentar no sofá se quiser. – Diz, indo pra cozinha pegar um pouco de água.
– T-Tá bom. – Kaidou o obedece, se sentando no sofá e aproveitando para olhar a casa enquanto seu amigo não voltava.
– Você quer uma água também?
– Ahn? Ah, não precisa, eu já bebi demais.
– Tá bom. – Logo, ele retorna para a sala de estar e vai se sentar ao lado de Lovato, deixando o copo de sua água em cima de uma mesinha. – E aí, gostou do lugar afinal?
– Até que sim! A comida era boa e tinha um bom ar condicionado, foi melhor do que eu imaginei que seria.
– Que bom que você gostou então.
– Mas não tem problema mesmo eu dormir aqui?
– Por que teria?
– Ah, é que você parece ser do tipo que gosta de ficar sozinho em casa, se tiver algum problema pode falar, eu não me incomodo de ir pra casa, não.
– Deixa disso, a sua presença não me incomoda.
– Tem certeza? Não que eu fique achando que a minha presença incomoda todo mundo toda hora, é que sei lá, às vezes as pessoas gostam mais de ficar em casa sozinhas, principalmente depois de uma noite fora em que elas voltam cansadas, então se você se importar você pode me falar.
– Tá bom, eu falo se eu me sentir incomodado...
– Mas fala mesmo, tá? É ruim ficar escondendo e guardando as coisas pra si, o rancor é algo que corrói o ser humano por dentro. Pode desabafar comigo sobre qualquer coisa, até mesmo se não envolver isso, eu não vou me chatear, é sério.
– Tá bom...
– É que as pessoas têm essa mania toda hora de guardar tudo pra si, até eu faço isso, mas no meu caso é porque eu não quero irritar ninguém, mas eu sei que eu acabo sempre irritando sem querer de uma maneira ou de outra, é tipo inevitável.
– Kaidou...
– Pode também ser culpa do meu mapa astral, sabe? A astrologia nunca foi muito boa comigo, os astros sempre fazem o possível pra me deixar em um dia triste, nada nunca costuma dar certo na minha vida. Eu não sei se é o meu câncer ou se é o meu urano em libr–
Já cansado de ouvir repetidamente o que Lovato dizia, Doflamingo se aproximou mais um pouco do sofá e virou o queixo do outro, calando seus lábios imediatamente com um beijo bem lento e profundo, do tipo que chegou a tirar o fôlego por alguns segundos. Após, se separaram, mas ainda continuavam bem próximos e de olhos fechados, somente sentindo suas presenças.
– Isso... – Kaidou fala, mas sem conseguir pensar direito.
– Só para um pouco de se preocupar e faz o que você sentir vontade.
Sem mais, o loiro voltou a tomar uma atitude e ambos se encontraram em mais um beijo, bem mais demorado dessa vez. Kaidou pareceu sentir-se mais confortável por alguns segundos e agiu naturalmente, juntando a língua do outro com a sua, sentindo cada pedaço da boca do outro.
Aumentaram até mesmo a velocidade e a intensidade do ato depois de um tempo, e nem palavras ou pensamentos importavam naquela situação. O loiro foi se inclinando e obrigando o corpo de Lovato a deitar no sofá, apoiando suas mãos primeiramente no peito, para depois descer levemente até a cintura.
Kaidou também moveu seus braços para abraçar Donquixote, elevando uma de suas mãos até os fios dourados de cabelo e os puxando um pouco; também segurando o braço do outro que estava apoiado em sua cintura. Não deixavam seus lábios se desencontrarem nem por um segundo.
– Han, pe... pera... – Até que Kaidou resolveu afastar o outro e virou seu rosto, mas tudo que Doflamingo fez foi continuar beijando seu pescoço. – D-Doffy...
– Hm? – Que nem se importava e só queria continuar.
– Do... Doffy... – Ele começa a empurrar os braços do outro, voltando a se sentar no sofá. O loiro parecia um pouco confuso.
– Ahn? – E ficou olhando nos olhos castanhos do moreno, sem entender muito.
– N-Nã, é-é que tipo... e-eu... – Kaidou estava vermelho e não conseguia falar direito. – E-Eu... e-eu, eu acho melhor... eu ir agora.
– Como assim? Do que você tá falando? Ir aonde?
– Pra... casa.
– Por quê?
– P-Porque já tá tarde e tudo mais.
– Mas você não ia dormir aqui?
– M-M-M-Mas é que e-eu preciso alimentar meus gatos! – Kaidou levanta assustado do sofá, andando apressado em direção à porta. – S-Sabe, o pote deles não se enche sozinho e eles ficam irritados se não comerem.
– Tem certeza? – Tal atitude faz o loiro também se assustar, levantando e indo até ele.
– T-T-Tenho, foi mal! Obrigado pelo jantar.
– T-Tá... – E ele abre a porta, permitindo que Kaidou saia dali praticamente correndo. – Que estranho...
O pobre homem de longos cabelos negros, assim que saiu da casa de seu amigo, continuou correndo pela rua sem saber muito bem para onde estava indo, até que parou por estar cansado. Ficou ofegante, descansando em pé e olhando para o chão, com os dedos nos lábios e coração acelerado, pensando no significado de tudo aquilo que ocorreu.
Lovato era bem mais sensível que a maioria das pessoas e não sabia lidar muito bem com isso, então voltou seus olhos para o céu, vendo a lua cheia. Seu peito ainda estava doendo e ele se sentia muito culpado por sair daquela maneira, mas não era algo que conseguia evitar com facilidade graças à fobia social.
– Arh... que droga...
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