Notas iniciais
Enfim, agora na data certa e corrigido bonitinho (lembrando meu bug de semana passada oi HAHAH), aqui está o último capítulo! Espero que gostem de como essa história vai terminar :3 Boa leitura!

Acordo com dor de cabeça depois de conseguir dormir por apenas uma hora. Ou até menos que isso.

Eu sigo até o banheiro, tomo um banho rápido para relaxar e tento não pensar em nada. Eu não estava com fome, então quando vou até a cozinha apenas bebo um copo d’água e volto para o meu quarto.

Tudo que eu passei com Levi fica rodando em minha cabeça. O dia que nos conhecemos, como começamos a nos dar bem, nosso primeiro beijo. Nosso segundo beijo, e o terceiro, e quando não conseguíamos mais parar. Quando nós ficávamos no celular antes de dormir apenas para escutar a voz um do outro.

Era tudo tão real, nós dois sentimos tudo tão forte. Por que ele mentiu?

Eu tenho que admitir que eu não tenho certeza se tudo seria o mesmo se ele tivesse me dito. Isso que me deixa pior.

Nós parecíamos tão destinados. E foi tudo uma mentira.

Foi mesmo tudo uma mentira? Será que um sentimento tão forte poderia mesmo ter sido uma farsa dessa forma?

Porque eu não conseguia deixar de acreditar em nós, mesmo que eu quisesse.

Eu mal saio da cama durante o dia inteiro. Quando o sol estava prestes a desaparecer do céu, alguém toca a campainha. Eu continuo deitado em minha cama, apenas escutando os barulhos lá embaixo. Minha mãe atende a porta e uma voz forte a cumprimenta do outro lado. Reconhecendo esse tom quase instantaneamente, eu levanto e desço as escadas para ver o que estava acontecendo.

“Sim, ele não voltou ainda.” Como eu imaginei, era o Sr. Ackerman do outro lado, e assim que me vê, ele inspira fundo. “Você não escutou mesmo sobre ele?”

“Levi?” Eu pergunto, confuso. “Não, a última vez que eu o vi foi ontem...”

“Jesus, onde esse garoto se meteu...” Ele passa a mão por seu cabelo. “Bom, desculpa incomodá-los. Mas Eren, se você o ver, por favor me avise.”

“Claro.” Eu digo, paralisado. Levi estava desaparecido?

“Se você precisar de ajuda com algo, pode contar conosco, Sr. Ackerman.”

“Obrigado.”

Ele volta ao seu carro e minha mãe fecha a porta, olhando para mim.

“Você não tem idéia de onde ele poderia ter ido?” Ela me pergunta. “Eu imagino como o tio dele está preocupado.”

Acho um tanto irônico que ele estivesse preocupado, mas decido ignorar. “Eu não sei... Quando ele desapareceu?”

“O Sr. Ackerman disse que ele não voltou para casa ontem. Ele te contou algum plano de fugir?”

“Não...” Meu estomago dói, e eu o sinto latejar. “Ele não me disse nada.”

“Vamos torcer para que ele apareça logo.” Ela sorri com pena para mim.

Ela volta para a sala de estar e eu continuo no meio das escadas, perplexo. Ele não voltou para casa.

Meu coração começa a doer em meu peito enquanto eu pego meu celular para ligar para ele. Caixa postal. A dor cresce, me fincando como uma faca. Levi, onde você foi?

Em um flash eu me lembro do que descobri em Nova York. E assim eu saio correndo de casa, pego minha bicicleta e pedalo o mais rápido que consigo.

Ele não poderia ter feito isso, ele não poderia. Não, Levi, por favor.

A ponte era um tanto longe da minha casa, mas eu pedalo tão rápido que consigo chegar lá em cerca de vinte minutos. Eu vou pelo caminho de pedestres enquanto o céu ficava cada vez mais escuro.

E eu o vejo lá, sentado na beirada depois da cerca de segurança, olhando para a água. Eu desço de minha bicicleta e a deixo cair no chão, e o barulho chama sua atenção. Ele estava chorando.

“O que você ta fazendo aqui?” Ele pergunta, secando o rosto e fungando.

“Seu tio veio a minha casa procurando você.” Eu digo, me aproximando da cerca de segurança.

“Isso é adorável.” Ele ri ironicamente. “Então você veio aqui para ter certeza que eu não me mataria por sua causa?”

Eu não tenho palavras para responder isso.

“Não se preocupa. Minha vida é toda de merda, não foi sua culpa. Eu só achei que tinha uma chance quando te conheci.”

“Onde você passou a noite?” Eu pergunto estupidamente.

“Caminhando por aí. Indo ao parque e depois pra cá.” Ele dá de ombros. “Não há muitos lugares pra ir, e eu não tenho nenhum dinheiro pra pegar um ônibus pra algum lugar.”

Eu queria dizer algo, mas tudo soava estúpido na minha cabeça. Estúpido e egoísta, como se eu realmente tivesse vindo aqui somente porque eu não poderia viver sabendo que ele se matou depois de brigar comigo.

E é claro que não era isso. Claro que não.

“Te conhecer também me fez acreditar que eu tinha uma chance.” Eu digo sem pensar, e ele olha para mim. “Que a vida podia ser legal.”

“Que pena que eu não sou quem você pensa quem eu sou.” Ele olha de novo para a água. “Eu só menti pra você porque eu sabia que nada teria acontecido se eu te contasse a verdade.”

“Eu sei.” Eu murmuro.

“Por que você ta aqui, Eren?” Ele funga, começando a chorar de novo. “Você pode voltar pra sua vida, só me esqueça.”

“Acho que eu não consigo.”

“Claro que consegue.” Ele balança a cabeça. “Você pode mudar de curso na faculdade e encontrar o que você quer estudar de verdade. Daí você vai ser bem sucedido e vai encontrar alguém que te mereça de verdade. Não alguém fodido como eu.”

“Eu te amo.” As palavras fogem de minha boca, e ele me olha. “Me desculpa por tudo que eu disse ontem. Eu sinto muito e eu não sei como eu vou te compensar por aquilo. Mas eu te amo.”

“Por que você ta dizendo isso?” Lágrimas continuam escorrendo de seu rosto.

“Porque eu passei a noite inteira pensando em tudo, em nós, na sua mentira, no que você passou... e eu me dei conta que sua mentira não importa comparada a tudo que passamos juntos. Esse verão tem sido um sonho desde que eu te conheci, e eu quero passar todas as outras estações do ano com você.”

Levi inspira e expira, tentando se acalmar.

“Por favor volta aqui.” Eu imploro.

Ele continua imóvel por alguns segundos, pensando.

“Tem certeza que você ainda quer ficar comigo?” Ele pergunta. “Eu estou sujo, fodido e ainda sou um mentiroso, e a ultima coisa que eu preciso é da sua pena.”

“Eu tenho!” Eu grito, agarrando a cerca. “Você não consegue ver que eu te amo de verdade? Já esqueceu nossos momentos juntos?”

“Não esqueci.” Ele suspira.

“Então vem aqui. Vem comigo.”

Ele hesita um pouco antes de enfim se levantar. Meu coração aquece em meu peito quando ele olha pra mim, ainda chorando mas esperançoso. E ele estava lindo.

Mas depois disso ele dá um passo para trás e cai.

Eu não podia acreditar no que estava vendo. Sem perder um segundo eu corro para sair da ponto e desço a rua até chegar ao rio.

“Levi!” Eu grito o mais alto que consigo, adentrando a água. Sem resposta.

Ele não sabe nadar.

Eu continuo adentrando a água até que ela fica muito funda, então eu mergulho e vou o mais rápido que consigo até o meio. Eu vejo seu corpo debaixo d’água a alguns metros de mim e vou em sua direção, o puxando para fora.

“Levi!” Eu o seguro, mas ele estava desmaiado.

Eu nado de volta até a beira do rio o carregando comigo e nós dois caímos na terra. Levi já estava ficando roxo, e eu estava chorando descontroladamente.

“Levi, volta para mim.” Eu começo a pressionar seu peito como aprendi na aula de primeiros socorros. “Respira, por favor.”

Eu me inclino para assoprar em sua boca, e sentir seus lábios gelados contra os meus me faz chorar ainda mais.

“Levi...” Continuo a pressionar seu peito, fazendo os movimentos da forma mais precisa que consigo. “Por favor.”

Assopro sua boca de novo, mas nada. E então eu continuo, até que dois ciclos depois ele começa a tossir.

“Ai meu deus...” Eu o viro de lado para ajudá-lo a tirar a água de seu pulmão. “Ainda bem, Levi...”

Ele tosse muito para remover toda a água. E assim que ele para, ele começa a chorar.

“Eren...” Ele pega meu braço.

“Eu tô aqui.” Eu seguro sua mão e me inclino para beijá-lo. “Tô aqui.”

Ele se senta e nós nos abraçamos. Ele ainda estava respirando pesado e parecia bastante fraco, o que me faz querer protegê-lo o máximo que consigo do frio.

“Tá tudo bem, você ta bem.” Eu repito, beijando sua bochecha.

“Por que você me salvou?” Ele balbucia fracamente, tossindo. “Só me deixa morrer.”

“Não vou deixar, não diz isso. Eu te amo, tá? Eu juro que amo.”

Ele continua chorando e tossindo, me abraçando forte. “Eu não mereço seu amor e nunca vou merecer.”

“Não diga isso. Eu te amo.”

Ele pausa por alguns segundos. “Eu também te amo.” Ele diz em um suspiro. “Você me salvou duas vezes já.”

Eu beijo seus lábios gelados e ele coloca os braços em torno do meu pescoço para me beijar mais intensamente. Eu não podia mais viver sem ele, eu realmente não podia.

Assim que ele se acalma eu sugiro que eu o leve para casa. Nós dois damos um jeito de parar de chorar e vamos até minha bicicleta, se arrepiando de frio, e vamos pra casa ele.

Chegamos lá e encontramos seu tio na varanda, falando no telefone. Assim que ele nos vê, ele encerra a ligação e desce a escadinha.

“Onde você estava?” Ele caminha até nós. “E por que diabos você está encharcado?”

“Foi um acidente.” Eu explico no lugar do Levi.

O Sr. Ackerman, então, agarra o braço de Levi e o puxa para a casa.

“Vai pra casa, Eren.” Ele grita da porta antes de batê-la.

A recepção foi tão rápida e repentina que eu congelo, e quando volto à realidade, eu lentamente caminho até a porta. Eu ouço gritos do lado de dentro, Levi pedindo para ele parar e o Sr. Ackerman o chamando de todas as coisas horríveis que você poderia imaginar. Eu queria tocar a campainha, eu queria fazer isso parar. Mas o que eu poderia fazer? O que eu conseguiria fazer? Eu acabo ficando como um idiota parado em frente à porta, escutando aquelas coisas horríveis e começando a chorar de novo.

Até que eu escuto uma porta batendo no andar de cima e me dou conta que provavelmente era o quarto do Levi. Eu vou até a árvore na lateral da casa e pulo nela com cuidado, alcançando a sua janela e abrindo o vidro.

Levi dá um pulo quando ele escuta o som. Sua bochecha estava vermelha e provavelmente ia ficar roxa em breve.

Eu faço um sinal para que ele fique quieto e caminho até ele.

“Vem comigo.” Eu cochicho, segurando seu rosto com minha mão.

“Pra onde?” Ele pergunta, fraco. “Eu não posso ir a lugar algum.”

Eu não continuo a falar e o puxo pela mão até seu armário, o abrindo.

“Pega alguma coisa. Vamos ser rápidos.”

Ainda confuso, ele concorda e pega uma mochila para colocar algumas coisas dentro. Não leva muito tempo, já que ele não tinha muita coisa, então logo estamos saindo pela janela e eu estou o ajudando a descer pela árvore.

Corremos até minha bicicleta e vamos pra minha casa.

Por sorte chegar ao meu quarto era muito mais fácil, já que podíamos entrar em minha casa pela porta dos fundos e usar a escada da lavanderia para subir. Chegamos ao meu quarto, trancamos a porta e eu vou ao meu armário para pegar algumas roupas.

“Vamos tomar um banho.” Eu digo, pegando uma toalha.

“Seus pais não vão ver a gente?” Ele pergunta, preocupado.

“Eles tão lá embaixo, não se preocupa.”

Eu olho com cuidado para os dois lados do corredor antes de levá-lo ao banheiro. Tiramos nossas roupas molhadas e tomamos um banho morno, enfim nos livrando da água gelada do rio.

Eu o beijo e ele me beija. E eu me dou conta que nada mesmo importava.

Nada nunca importou.

Tudo que importa é que nós estávamos juntos, que o destino ou qualquer força do universo fez que nos encontrássemos quando ambos estávamos quebrados. Quando ambos precisávamos um do outro.

Nada podia apagar isso.

Eu o empurro contra a parede e ele se arrepia com a temperatura. Nos beijamos de novo e de novo, e nós só paramos para nos olharmos.

Eu realmente não estava pronto para ver aqueles olhos azuis. Seu nariz delicado, suas bochechas bonitinhas. Seus lábios.

Ele nota que eu os encaro e os morde provocativamente. Eu não preciso perguntar o que ele está pensando.

Então eu o viro com cuidado e ele não me impede. Eu beijo seu pescoço e pressiono meu corpo contra o dele.

“Tem certeza?” Ele suspira suavemente.

“Sim.”

Tento ser o mais cuidadoso possível, e Levi não parece nem um pouco desconfortável em nenhum momento. Eu apenas acredito que era porque eu estava sendo gentil e continuo, ignorando qualquer coisa.

Saímos do banheiro alguns minutos depois, olhando para os dois lados de novo, e nos tranco em meu quarto. Pego algumas roupas para nós e começo a encher uma mochila com algumas coisas importantes.

“Eu tenho dinheiro guardado na poupança.” Eu pego minha carteira e tiro meu cartão de crédito dela para guardar em meu bolso. “Podemos sacar na rodoviária.”

“Tem certeza que você quer fazer isso?” Ele pergunta de novo, me olhando com seriedade. Eu me aproximo dele e o puxo para um beijo.

“Sim, eu tenho.” Eu digo, olhando em seus olhos.

Termino de pegar minhas coisas e nós saímos novamente pela janela para pegar minha bicicleta do lado de fora. Pegamos o ônibus para a rodoviária e de repente começo a sentir um frio na barriga. Nós estávamos fazendo isso.

Saco todo o dinheiro que eu tinha no banco e coloco metade em meu bolso e metade no de Levi. Ele não diz nada e apenas me segue para o balcão para comprar as passagens.

“Pra onde?” A atendente pergunta.

“Pra onde o próximo ônibus está indo?” Eu respondo.

“Bom, deixa eu checar.” Ela digita algo no computador. “Paris, Illinois.”

Nós dois encaramos chocados a vendedora. “É longe?” Levi pergunta em meu lugar.

“A viagem dura umas treze horas.”

Olhamos um para o outro, sorrindo suavemente.

“É isso. Duas passagens para Paris.”

“Okay.”

E meia hora depois estamos dentro de um ônibus, indo para algum lugar que não fazíamos idéia da onde era. Mas era Paris, nossa Paris, finalmente. Pego a mão de Levi e ele se aconchega perto de mim no assento.

“Eu te amo.” Ele murmura.

“Eu também te amo.”

Eu ligaria para os meus pais depois para dizê-los que eu estava bem e tudo, mas nada me faria mudar de idéia.

Eu não sabia o que fazer de minha vida, mas eu sabia que, desde que conheci o Levi, eu queria ficar ao seu lado.

E juntos nós daríamos um jeito, um passo de cada vez.

FIM

Notas finais
E enfim terminamos!! o/ O tempo passou rápido demais, ainda não caiu a ficha pra mim... Passei taaanto tempo planejando e escrevendo essa história ç_ç Acho que essa se tornou uma de minhas mais queridas :3 Muito obrigada por lerem e acompanharem até o final e espero que me acompanhem na próxima também (que deve demorar um pouco mas uma hora sai, não fico muito tempo sem pensar em ereri HAHAHAH) Beijos beijos!!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!