Verão Verde-Azulado
13 Capítulo 13
Notas iniciais
Eu acordo e me encontro em um lado da cama e o Levi em outro, como se nós provavelmente nos separamos durante a noite já que não era assim tão confortável dormir abraçado. Ainda com movimentos preguiçosos, eu me estico e vou para o lado dele para abraçá-lo por trás e começo a beijar seu pescoço.
“Hmm, Eren...” Ele balbucia sonolento.
“Bom dia, lindo.” Eu continuo o beijando, movendo até sua orelha.
“Essa é uma boa forma de acordar.” Ele se vira um pouco para mim e finalmente abre os olhos. “Ei.”
“Ei.” Eu sorrio encabulado.
Ficamos nos olhamos por mais de alguns segundos. Seus olhos sempre envidraçados e seu delineador borrado me tentam demais, então eu me aproximo para beijá-lo nos lábios.
“Pronto pra segunda rodada?” Eu sorrio.
“Eu preciso tomar um banho antes, eu ainda tô grudento.” Ele boceja.
“Você vai ficar grudento de novo, então toma depois.” Eu me inclino para beijar seu pescoço.
Consigo vencê-lo pela insistência – ou talvez porque eu começo a tocá-lo e ele não consegue resistir – e nós rolamos pela cama por meia hora. Vê-lo gemer com a luz do sol passando pelas cortinas era uma visão muito melhor, e eu acho que ele gosta que eu o olhe atentamente. Bom, ele obviamente gosta, já que ele geme ainda mais alto para me provocar.
Assim que nós dois terminamos e estamos com nossas respirações pesadas, nós descansamos por alguns minutos até que ele senta para finalmente ir tomar seu banho.
“Posso ir com você?”
“Quero tomar um banho de verdade.” Ele ri.
“Eu posso lavar suas costas.” Eu sorrio, levantando a mão para acariciar seu braço. “Eu não quero parar de tocar em você.”
“Você pode tocar em mim quando eu estiver cheirando como flores. E você também.”
Eu faço um beiço enquanto ele levanta, enrolado em um lençol, e se ajoelha em frente de sua mochila caída entreaberta no chão para pegar suas roupas limpas.
“Não vou demorar.” Ele levanta de novo e vai até o banheiro.
Ele não se importa em fechar a porta, então eu escuto perfeitamente quando ele liga o chuveiro e entra debaixo dele. Eu gostaria de poder estar com ele, mas eu o deixaria ter sua privacidade.
Eu ainda estava com muita preguiça, mas penso que deveria levantar e pegar minhas roupas para tomar banho depois dele. Então eu visto minha cueca e vou até minha mochila, que estava agora debaixo da de Levi, para pegar minhas roupas. Assim que eu noto que seu caderno estava escapando de sua mochila. Olho rapidamente para o banheiro e decido abri-lo para ver alguns de seus desenhos.
As primeiras páginas estavam cheias de cenários maravilhosos. Eu reconheço o parque, a loja, sua casa, um prédio que parecia ser sua escola... e depois há vários desenhos da ponte que marca a entrada de nossa cidade, de todos os ângulos que ele poderia desenhar. Até de cima dela, mostrando a água embaixo, pintada com uma aquarela azul-escuro. Era lindo.
Quando os desenhos da ponta acabam, entretanto, eu encontro uma página inteira de escritos. Olho para trás novamente, apenas para ter certeza que ele não poderia me ver, e volto minha atenção para a página para começar a ler. Não sei se eu deveria ter feito isso.
Era uma carta de suicídio. “Hoje, dia 3 de julho, eu vou pular da ponte de Maple.”
Era exatamente meu primeiro dia trabalhando na loja.
Eu não consigo me mover, mesmo escutando o som do chuveiro sendo desligado. Escuto ele se vestir dentro do banheiro e tudo que consigo fazer é segurar aquele caderno, com lagrimas enchendo meus olhos.
“Ei, nós precisamos decidir aonde vamos—“ Ele interrompe suas palavras quando ele sai do banheiro e me vê lá, sentado no chão, olhando aquela página. “O que você ta fazendo?”
“É verdade?” Eu levanto a cabeça e o encaro, não segurando mais as lágrimas. “É verdade, Levi?”
Ele não diz nada e apenas vem para se ajoelhar no chão ao meu lado, pegando o caderno de minha mão e o colocando de volta em sua mochila. “Não era pra você ter visto isso.”
“Você ia mesmo pular daquela ponte?” Ele não responde e não olha para mim, mas eu vejo sua expressão se contorcer. “Levi... por favor, fala comigo.”
Ele hesita, colocando as suas roupas sujas de volta em sua mochila com irritação. Eu levanto a mão para tocar seu braço e ele para, mordendo o lábio. “Sim, é verdade.”
Escutar isso de seus lábios me impacta muito mais do que ler. “Por quê?”
“Eu tinha tudo planejado.” Ele olha para o chão, nervoso. “Estive naquela ponte umas dez vezes antes de decidir que ia pular dela. Eu não sei nadar e provavelmente só o impacto com a água iria me fazer apagar. Era perfeito. Uma morte rápida, sem bagunça.”
Eu estava em choque. “Mas por que, Levi?”
“Por que você acha, Eren?” Ele funga. “Eu fui trabalhar com a intenção de deixar essa carta na gaveta. Eu ia direto para a ponte depois do trabalho. Mas daí a Hanji apareceu com você, e eu te vi e pensei que estava vendo um milagre, sei lá. Alguma coisa mudou. E você insistiu em me levar pra casa depois do trabalho, como se você fosse realmente um anjo e estivesse me impedindo de fazer aquilo.”
Era difícil compreender todas aquelas coisas. “Então você desistiu... Por minha causa?”
“Você me parou, e eu finalmente tinha algo para ficar ansioso. Te ver. Eu ficava ansioso por isso todos os dias. Você é mesmo meu anjo.” Ele limpa o rosto com a parte de trás da mão.
E se eu não tivesse ficado tão ansioso para pegar aquele emprego? E se eu tivesse chegado na terça-feira? E se eu nunca tivesse ligado para a Srta. Zoe naquele dia?
Será que o Levi ainda estaria aqui? Será que eu ainda teria a chance de conhecê-lo por coincidência pela cidade?
Ou eu apenas ficaria sabendo dias depois de um cara que pulou da ponte?
“Não faz essa cara, por favor.” Ele estava me encarando agora. “Eu sei o que você tá pensando, e é por isso que eu não queria que você soubesse. Eu não queria colocar esse peso em seus ombros.”
“Eu não consigo parar de pensar em tudo que me fez entrar na loja naquele dia. No que teria acontecido se eu não tivesse.”
“Nada teria acontecido. Eu apenas estaria morto e você não teria me conhecido.”
Aquilo me atinge no peito como uma faca. O Levi... O Levi era tudo agora. Eu não consigo imaginar não conhecê-lo.
“Nossa sincronia foi apenas... Perfeita.” Ele diz, dando de ombros e fungando. “E é só isso.”
Eu o puxo para um abraço, sem querer pensar mais nisso. Tudo que consigo pensar é no quão meu pulo foi certo.
“Você está seguro comigo agora.” Eu cochicho em seu ouvido. “Eu não vou te deixar.”
Ele agarra mais forte a frente da minha camiseta quando eu digo isso. “Eu espero que não.”
Continuamos abraçados por alguns minutos, até que eu acho que era hora de animar as coisas. Nós ainda estávamos em nosso final de semana especial, e nós deveríamos aproveitar. Não tínhamos tempo para ficarmos tristes. “Vamos lá, vamos fazer algumas memórias especiais.”
Levi limpa o rosto com a mão e passa os dedos em meu rosto para limpar minhas lágrimas também. “Você tá certo.”
Eu podia entender o motivo de Levi não querer que eu soubesse disso. Agora eu não conseguia lidar com a idéia de não tê-lo conhecido. Acho que tudo que eu posso fazer é agradecer a forma perfeita que as coisas aconteceram para nos encontrar.
Já que íamos embora nessa noite, saímos do hotel já com nossas mochilas. Tínhamos algumas opções de locais para visitar hoje, mas decidimos por ir ao Museu de Historia Natural – Levi diz que ele não poderia ir embora sem visitá-lo – e nós passamos o resto do dia no Central Park, até a hora de pegar o ônibus. Os esqueletos dos dinossauros não cansam de me impressionar, e o Levi parece interessado em dinossauros o mesmo tanto que eu. Passeamos por todo museu sem pressa e saímos dele durante a tarde, mortos de fome. Levo Levi até um restaurante ali perto, que eu sabia que era muito bom, e depois vamos para nossa caminhada no Central Park.
Caminhamos de mãos dadas por um dos caminhos, sem nos importarmos muito aonde ele daria.
“Passou tão rápido.” Levi murmura em um momento, suspirando.
“Sim.” Eu concordo, triste. “Queria que ficássemos mais.”
“Eu também. Ainda quero ir no Empire State pra ver a cidade de cima. Deve ser lindo.”
“E é mesmo. Na próxima vez vou te levar lá.”
Ele olha para mim com um leve sorriso. “Vou contar com isso.”
“É uma promessa.”
Acho que não era cedo demais para fazer promessas; não era como se eu não intencionasse cumpri-la.
Levi e eu nos conhecemos apenas a pouco mais de um mês, mas eu sinto como se nos conhecêssemos desde sempre. É estranho. Penso em perguntá-lo se ele sente o mesmo, mas então ele repentinamente para e me puxa para um beijo e eu não preciso mais de uma resposta. Eu sabia que ele sentia o mesmo.
Após nossa caminhada calma pelo parque, seguimos para a rodoviária – não era uma caminhada curta, mas Levi diz que queria se despedir da cidade e eu não posso recusar isso – e nós chegamos lá quase no horário de nosso ônibus.
Era triste que estivéssemos indo já, mas nós voltaríamos depois com certeza.
Chegamos a nossa cidade meia-hora antes de meia-noite, então temos que correr até a casa do Levi. E eu insisto em ir com ele, para mostrar ao seu tio que ele poderia confiar em mim.
Assim que chegamos lá, encontramos seu tio na varanda, fumando um charuto. Ele o apaga no cinzeiro assim que nos vê e se levanta, checando o horário em seu relógio.
“Bem na hora.” Ele nos diz. “Se divertiram?”
“Sim.” Levi diz, desconfortável.
“Bom. Então vocês dois deviam dormir agora, ainda têm que trabalhar amanhã.” Ele diz firmemente. “Levi, vem pra dentro.”
Suspirando, Levi olha para mim. “Te vejo amanhã.”
“Sim. Até amanhã.”
Não podíamos nos beijar e nem nos abraçar, então apenas acenamos de leve e Levi entra em casa. Tinha acabado.
Eu pego minha bicicleta da árvore em que havia a deixado quando vim e pedalo para casa lentamente. Quando chego, meus pais estavam assistindo a um filme na sala de estar, e eles apenas me perguntam se a viagem foi boa. Eu digo que foi e vou me trancar em meu quarto.
Tudo que consigo pensar antes de dormir é no quão eu gostaria que o Levi estivesse aqui comigo.
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