Notas iniciais
Eren e sua ideia fofa :33 Boa leitura, chuchus *-*

Eu mal durmo à noite, trabalhando em minha idéia. Depois do jantar, checo online o tanto de dinheiro que eu tinha guardado em minha poupança. Meus pais não permitiam que eu o usasse, apenas em uma necessidade extrema, mas essa era quase uma necessidade extrema.

Eu tinha bem mais do que o suficiente.

Depois eu faço uma pesquisa por hotéis no Google. Havia tantas opções que eu fico perdido. Talvez eu devesse, antes de tudo, fazer o planejamento de lugares a ir, e então pesquisar um hotel que não fique longe de tudo.

Caramba, antes de qualquer coisa eu tinha que descobrir se o tio dele o deixaria ir. E se ele não deixasse? Nossa, só de pensar em ter que pedir permissão a ele me deixa bravo. Levi tem idade o suficiente para se cuidar, o que sua família estava pensando?

Mas eu faria as coisas certo. E eu conseguiria que ele fosse. Então eu me forço a dormir e acordo bem cedo na manhã seguinte para passar em sua casa antes do trabalho.

Começo a ficar nervoso quando paro a minha bicicleta em frente à sua casa. Assim que piso na varanda, meu coração começa a bater forte em meu peito. Eu podia fazer isso, eu podia falar com ele. Ele não podia ser um monstro com estranhos, né?

Então eu toco a campainha e espero.

Ouço passos pesados de dentro da casa e a porta repentinamente se abre. Por sorte era seu tio de uma vez, temi que Levi atendesse e me mandasse desaparecer.

“O-Olá.” Eu gaguejo. Nossa, seu tio era gigante. E ainda mais assustador de perto. “Olá, Sr. Ackerman.”

“Olá.” Ele me olha dos pés à cabeça. “Quem é você?”

“Sou o Eren Jaeger.” Eu respondo prontamente. “Eu trabalho com o Levi...”

“Uhum.” O Sr. Ackerman cruza os braços, não parecendo amigável. “Você é um Jaeger? Filho dos médicos?”

“Uh, sim, senhor.”

“Isso é interessante.” Ele concorda com a cabeça.

Naquele momento, Levi desce as escadas, do lado de dentro. E sua expressão de choque ao me ver ali me faz engolir seco.

“O que você tá fazendo aqui?” Ele pergunta, correndo até a porta. Ele franze o cenho profundamente para mim e se vira para seu tio. “Tio Kenny, eu não sei o que ele ta fazendo, mas—“

“Fica quieto, Levi.” O Sr. Ackerman diz e Levi instantaneamente congela. “Isso é interessante. O que te traz aqui, Sr. Jaeger?”

“E-Eu vim aqui porque, uh...” Eu organizo meus pensamentos, ficando ainda mais nervoso com seu olhar sobre mim. “Levi me contou que seu sonho é visitar os museus de Nova York, e, como eu estudo na universidade de lá, eu gostaria de levá-lo para um passeio pela cidade.”

“Um estudante de Nova York, hein?” O Sr. Ackerman me encara, e depois vira para Levi. “Então você encontrou um filhinho de papai pra te bancar?”

“Não é isso—“ Levi diz. “Eu nem sabia que ele tava planejando isso.”

O Sr. Ackerman me encara novamente, quase fazendo buracos em meu rosto. Até que ele repentinamente descruza os braços. “Tudo bem. Você pode levá-lo.”

“Sério?” Levi diz, chocado. “Você vai me deixar ir?”

“Sim. Talvez um cara bonzinho te coloque na linha.” Ele dá de ombros. “Mas há condições para isso. Apenas durante um final de semana, eu preciso saber que hotel vocês ficarão e eu preciso de provas das reservas e passagens. E eu vou ligar para seus pais, Sr. Jaeger.”

“Sim, senhor.” Eu concordo, feliz. Nossa, eu preciso contar aos meus pais o mais rápido possível.

“Isso é tudo?”

“S-Sim, senhor.”

“Então vocês dois têm que ir ao trabalho agora.” Ele olha para Levi. “Vai.”

Levi suspira e passa por ele para sair da casa, e o Sr. Ackerman bate a porta atrás dele sem nem se despedir de nós.

“O que diabos, Eren?” Levi cochicha para mim. “O que foi isso?”

“Calma.” Eu rio. “Funcionou, não funcionou?”

“Sim, mas o que você pretende com isso?”

“Eu pretendo te levar para Nova York por um final de semana.” Eu coloco as mãos em seus braços e acaricio sua pele.

“Onde conseguiu dinheiro para isso?”

“Eu tenho dinheiro guardado, não se preocupa. Eu só queria fazer isso; me deixa fazer isso.”

Ele balança a cabeça negativamente, parecendo um pouco bravo.

“Ei, deixa tudo comigo, ta? Confia em mim nisso.”

“Por que você ta fazendo isso?” Ele pergunta, me olhando. “Por quê?”

“Porque eu quero. Porque eu gosto de você.”

Ele continua balançando a cabeça em descrença e morde o lábio. Mas, então, ele repentinamente pula em meus braços para um abraço. “Você é um idiota.”

Eu apenas rio disso e coloco meus braços em torno dele. “Talvez eu seja. Mas você vai me ajudar a escolher um hotel e as passagens de ônibus?”

“Claro.”

Seguimos para o trabalho e usamos o computador lá para planejar a viagem toda. Depois de encaixarmos tudo que poderíamos fazer nos dois dias, eu reservo um quarto em um hotel – um legal, já que esse final de semana tinha que ser especial – e compro as passagens de ônibus para nós. Levi fica dizendo que eu deveria falar com os meus pais primeiro antes de comprar, mas seria mais fácil ter tudo já planejado antes de contar a eles. Eles não poderiam implicar muito, assim.

Vou para casa depois do trabalho e encontro meus pais na cozinha. Eles pareciam felizes, o que era um bom sinal, então eu respiro fundo antes de chamar a atenção deles.

“O que foi, Eren?” Meu pai pergunta, se voltando a mim com uma expressão preocupada.

“Eu, uh...” Eu gaguejo. Eu devia apenas dizer de uma vez, como se não fosse nada de mais. “Eu vou pra Nova York com o Levi nesse final de semana.”

“Quem é Levi?”

“Ah, aquele menino que veio aqui naquele dia?” Minha mãe diz.

“Sim. Ele trabalha comigo, pai.”

“Mas por que tão de repente?” Papai continua.

“Ele nunca foi lá e o sonho dele é ir aos museus... então eu vou levá-lo em alguns, e talvez nós vamos a alguns pontos turísticos...”

Meu pai e minha mãe se entreolham. “Bom, tudo bem. Já encontrou um hotel e passagens de ônibus?”

“Sim, eu encontrei.” Eu expiro, aliviado. A idéia de falar como se não fosse nada de mais funcionou bem. “E, uh... O tio dele talvez queira falar com vocês antes de irmos. Ele é meio rigoroso.”

“Sim, claro.”

“Ok, obrigado.” Eu forço um sorriso e me viro para sair da cozinha.

Assim que chego a meu quarto, ligo para o Levi e o digo que seu tio já pode ligar para os meus pais. Ele fica impressionado no quão fácil lidar com meus pais foi.

Seu tio liga para minha casa, meus pais falam com ele, e logo depois o Levi me liga de novo no celular.

“Tudo parece certo.” Ele diz. “Mal posso acreditar.”

“Eu disse que ficaria tudo bem.” Eu sorrio. “Agora tô ansioso pelo final de semana.”

“Nossa, isso foi tão de repente e rápido que eu mal tive tempo de aceitar que eu finalmente estou indo lá. E com você.” Seu tom parece empolgado, e isso me dá um frio na barriga. “Eu não tenho palavras pra te dizer.”

“Você não precisa dizer nada.” Eu digo suavemente. “Eu... Eu só queria fazer algo.”

“Bom, você ta fazendo algo incrível. Você nem consegue imaginar o quão feliz eu tô.”

“Eu fiquei com medo do seu tio não deixar você ir e meu plano ir por ralo abaixo.” Eu suspiro. “Acho que eu ia seqüestrar você se isso acontecesse.”

“Eu não me importaria de ser seqüestrado por você.” Ele ri. “Nossa, eu vou pra Nova York.”

“Espero que seja divertido.”

“Claro que será.” Ele diz, enfatuado. “Nova York será minha Paris.”

“Hã?” Eu franzo as sobrancelhas, sem entender o que ele queria dizer.

“A música.” Eu podia visualizar ele revirando os olhos para mim enquanto ri. “Take me to Paris, let’s go there and never look back...”

“Ah.” Eu concordo, finalmente lembrando. “Bom, eu gostaria que eu pudesse mesmo te levar para Paris e nós nunca olharíamos para trás.”

“Isso já é incrível o bastante. Você tá realizando meu sonho e eu não sei como eu posso te pagar por isso um dia.”

“Você não precisa.” Eu digo suavemente. “Só continua namorando comigo e é o suficiente.”

Ele ri. “Estamos namorando?”

Eu não tinha a intenção de sugerir isso assim tão de repente, mas eu tiraria vantagem de meu deslize. “Você quer?”

“Claro.”

“Então é isso.”

Levi soava tão empolgado por essa viagem que eu queria poder torná-la o mais memorável que eu conseguisse. Gostaria que pudéssemos passar o resto inteiro do verão longe, apenas curtindo um ao outro e pensando sobre as nossas vidas. Seria um sonho.

Encerramos nossa ligação e eu continuo deitado em minha cama, apenas pensando no final de semana. Eu estava tão feliz de estar fazendo algo legal para o Levi, mesmo que não fosse muito.

Então meu celular começa a tocar de repente. Eu atendo imaginado que era o Levi, querendo me dizer algo que lembrou, mas a voz que me cumprimenta do outro lado não era a que eu esperava.

“Mikasa?” Eu quase arfo.

“Eu ouvi. O que você ta fazendo, Eren?”

Eu fico perdido por alguns segundos. Do que ela estava falando? “Me explica direito, por favor. Eu não sei o que quer dizer.”

“O tio Kenny ligou para o meu pai e o disse que você vai levar o Levi pra Nova York nesse final de semana. O que diabos, Eren?”

“Uh...” Eu gaguejo. “Eu quem deveria estar perguntando o que diabos. Por que você ta brava?”

“Onde teve essa idéia? Você não pode passar um final de semana assim com ele.” Ela suspira, soando tão irritada que me preocupa.

“Por que eu não posso?” Eu quase rio. Isso é tão estranho. “Eu só descobri que o sonho do Levi é ir pra Nova York, então eu vou levá-lo lá. Só isso. Por que ta tão irritada?”

Ela pausa por alguns segundos do outro lado. “Tô preocupada.”

“Preocupada com o quê?”

“Você não sabe de nada sobre o Levi.” Ela solta.

“Ah, claro.” Eu rio. Agora ela estava me irritando. “Claro que eu sou quem não sabe de nada sobre ele. Eu só vejo ele todos os dias e falo com ele sobre tudo, mas claro que você, que nunca falou com ele de verdade, sabe sobre ele mais do que eu.”

Ela inspira alto do outro lado, provavelmente da mesma forma que ela fazia quando queria se acalmar. “Olha, desculpa. Desculpa ligar desse jeito e soar assim tão estranha...”

“Você está definitivamente soando estranha.” Eu balanço a cabeça. “O que há de errado com a sua família?”

“Não há nada errado com a minha família.” Ela diz um tanto rudemente. “Só... tenha cuidado nessa viagem, tá? Não faça nada idiota. O Levi tem umas idéias estranhas...”

“Ele não tem nenhuma idéia estranha no tanto que eu conheço ele.” Eu digo. “Você não precisa se preocupar.”

“Okay.” Ela suspira. “É nesse final de semana, certo?”

“Sim.” Eu respondo, sem muita vontade.

“Espero que se divirtam.” Ela força um tom doce que me dá um nó no estomago, como se tivesse algo muito errado por trás de tudo isso. “Traz aquele cartão postal que você me prometeu mas nunca trouxe.”

Tento suavizar meu humor como ela estava fazendo. “Claro.”

Ela encerra a ligação com apenas uma despedida suave. E eu não poderia estar mais confuso sobre o que acabou de acontecer.

Notas finais
Até semana que vem! :DD