Verão Verde-Azulado
9 Capítulo 09
Notas iniciais
A semana passa como se o mundo tivesse repentinamente se tornado um lugar ótimo de se viver. Levi e eu continuamos nos escondendo na maior parte do tempo atrás dos caixas para nos beijarmos, e nós paramos todos os dias para uns amassos atrás daquela árvore no parque. Tipo, nada muito selvagem, só alguns beijos e alguns toques. Ele até me pergunta se eu estou bem com isso, e eu com certeza estou. Enquanto não tínhamos um lugar legal, poderíamos matar um pouco da ansiedade lá. Além disso, começamos a ligar um para o outro todos os dias antes de dormir e era incrível escutar sua voz aveludada logo antes de dormir.
E eu não me cansava de olhar para seu rosto. Eu digo, eu poderia de verdade encará-lo o dia inteiro. E assim que eu noto como seus pequenos olhos azuis parecem sempre envidraçados, como seus cílios eram longos e pretos, como seu nariz é pequeno e arrebitado, seus lábios finos e macios... eu podia continuar pra sempre.
Eu tenho que confessar que tanto Levi na minha vida me fez acordar duro algumas vezes, mas o que eu poderia fazer. Ele ri disso quando eu conto para ele – sim eu contei para ele, sim, eu sei – e ele diz que eu finalmente estou experimentando o que ele tem experimentado desde que me conheceu. Oh.
As coisas estavam tão bem entre a gente que eu não queria que acabasse nunca.
Na manhã de sábado, eu acordo em torno de meio-dia e encontro um bilhete dos meus pais na cozinha, dizendo que meu pai foi à casa de um amigo e minha mãe saiu com minha tia. A possibilidade de ter a casa inteira para mim me faz rapidamente ligar para o Levi para chamá-lo para vir aqui.
Eu tomo um banho rápido, coloco roupas limpas e espero que ele chegue, o que não demora muito.
“Ei.” Eu abro a porta antes que ele tocasse a campainha. Sim, eu estava esperando olhando pela janela.
“Uau, ei.” Ele ri, tirando os fones de ouvido.
Pego seu braço e o puxo para dentro, e após fechar a porta, o empurro contra ele para dá-lo um beijo de boas vindas.
“Calma, seu adolescente hormonal.” Ele me empurra, rindo de novo.
“Vamos lá, a gente finalmente tem um lugar confortável pra ficar a sós, temos que aproveitar.” Acaricio seu rosto com meu dedo.
“Sim, mas me leva pro seu quarto primeiro.” Ele tira minha mão de seu rosto. “Alguém pode nos pegar aqui.”
“Acredite, meus pais provavelmente vão ficar o dia inteiro fora.” Eu pego sua mão. “Vem cá.”
O levo para o andar de cima e noto como ele olha para a casa, aparentemente surpreso. O que é engraçado, já que minha casa não tem nada de mais.
“Aqui é meu quarto.” Abro a porta para ele entrar.
Ele olha em torno do quarto e seu olhar cai sobre a cama, ainda desarrumada.
“Okay, eu ia dizer que sua casa é extremamente organizada e limpa comparada com a minha, mas agora eu retiro isso.” Ele suspira.
“Ah, vamos lá...” Caminho para perto dele e o pego pela cintura. “Não arrumei a cama porque imaginei que a gente ia bagunçar ela depois...”
“Okay, isso foi esperto.”
Então eu o empurro contra ela, subindo por cima de seu corpo.
“Isso é tão melhor que aquela árvore no parque...” Eu tento encontrar uma boa posição.
“Por favor, isso nem se compara. Seu colchão é incrível.”
Começamos a nos beijar e nos tocar, lentamente no começo e com mais vontade com o tempo, até que eu estou o pressionando contra o colchão e isso é muito bom. Então ele pega minha camiseta e a levanta para que eu pudesse tirá-la. E eu faço o mesmo com ele, claro.
E então minha mãe me chama do andar de baixo e nós nos distanciamos desesperadamente. Acho que nunca vesti uma camiseta tão rápido.
“Ah, oi, mãe.” Eu me viro para a porta assim que ela aparece.
“Por que você não respondeu quando eu te chamei?” Ela pergunta antes de se voltar para Levi, que estava sentado no canto da cama sem jeito. “Ah, eu não sabia que você ia convidar seu amigo para vir aqui.”
“Ah, sim, esse é o Levi, mãe.” Eu os apresento.
“Prazer em conhecer.” Ela sorri para ele, e ele força um sorriso de volta. “Vocês querem almoçar? Sua tia e eu vamos tentar fazer algumas receitas na cozinha...”
Olho para Levi e ele balança sua cabeça negativamente de leve, então eu volto para minha mãe. “Nós íamos sair agora, na verdade.” Eu digo.
“Ah, ok, então.” Ela concorda. “Cuidado com o que comem na rua.”
“Pode deixar.”
Assim que ela nos deixa sozinhos, Levi expira todo o ar que ele estava segurando e cai de volta na cama.
“Nossa, essa foi tão perto que eu quase tive um ataque cardíaco.” Ele murmura.
“Eu sei.” Eu passo a mão no meu cabelo. “Bom, vamos sair daqui.”
Saímos de minha casa e pegamos minha bicicleta. Enquanto eu pedalo pelos quarteirões, nós pensamos em algum lugar para ir, até que eu passo em frente ao cinema velho perto do parque.
“Nós poderíamos assistir um filme.” Eu paro a bicicleta na frente dele, dando de ombros. “Ou dois ou três durante a tarde toda.”
“E você acha que eu tenho dinheiro para isso?”
“Eu pago pra você. Esse cinema tá destruído, então os ingressos são baratos. As pessoas vêm aqui só pra se pegar.”
“Sim, eu já escutei isso...” Ele concorda atrás de mim. “Bom, se você pagar pra mim, eu tô dentro.”
Eu deixo minha bicicleta em um poste e nós olhamos as sessões para os filmes. Por sorte havia uma começando em 40 minutos, um filme de terror que parecia bem ruim.
“Esse?” Eu aponto para o pôster.
“Se você acha que eu vou ficar com medo e te abraçar, então não.” Ele arqueia uma sobrancelha.
“Nós mal vamos assistir ao filme.” Eu sorrio forçadamente. “Quer algo pra comer antes?”
Comemos alguns cachorros quentes até a hora do filme e vamos até a sala. Haviam algumas pessoas dentro, então decidimos ficar no canto do fundo, onde não havia ninguém por perto. E assim que as luzes se apagam, começamos a nos beijar. Uma vez ou outra nós olhamos a tela para checar o que estava acontecendo no filme, mas parecia tão ruim que nós simplesmente ignoramos.
Assistimos dois filmes – e por assistir você sabe o que quero dizer – até que cansamos daqueles assentos e decidimos sair do cinema. Ainda eram seis da tarde, então ainda tínhamos luz do sol e não tínhamos vontade de nos despedir ainda. Então nós vamos para o único lugar que podíamos ficar sozinhos; nosso lugar de sempre no parque.
Enquanto ainda estava claro, nós apenas ficamos abraçados e nos beijando suavemente sentados contra aquela árvore de sempre, principalmente curtindo a presença um do outro. Mas, assim que nossos arredores começam a escurecer, Levi começa a me puxar para beijos mais quentes e sendo mais ousado quando me toca. Eu sigo seu ritmo e nós damos uns amassos mais intensos, até que eu sinto que estava prestes a ficar duro e seria totalmente esquisito.
“A gente devia parar um pouco.” Eu paro em certo momento e descanso minhas costas contra a árvore.
“Ah, vamos lá...” Ele se aproxima e se inclina para beijar meu pescoço.
“Sério, ta difícil aqui embaixo.” Eu rio. “Em alguns minutos eu vou ter um grande volume pra esconder.”
“Grande, é?” Ele suspira sensualmente. “Eu quero ver isso.”
Eu quase me engasgo com saliva. “Não me provoca.”
“Ei, vamos continuar, só um pouco mais. A coisa na sua casa foi por ralo abaixo mesmo...”
“Mas nós só teríamos que esconder nossas... coisas... até que chegássemos em casa. Tipo, eu não sei se vale a pena continuar, já que não vamos fazer nada sobre isso...”
“Bom, talvez você não fosse fazer nada sobre isso, mas eu com certeza faria.” Ele levanta a cabeça e me olha com uma expressão maliciosa.
Eu não encontro palavras para responder a sua sugestão porque minha cabeça fica cheia de pensamentos sujos.
“Ei, vem cá.”
Ai céus. Ele pega meu braço e deita de costas na grama, me puxando para ficar por cima de seu corpo. Eu olho em volta apenas para conferir e tudo o que vejo é um bando de árvores envoltas em escuridão, então eu volto minha atenção para ele e encontro uma boa posição sobre seu corpo.
“Imagine todos os insetos em torno de nós...” Eu rio.
“Cala a boca.” Ele faz uma expressão enojada.
Ele coloca a mão atrás de meu pescoço e me puxa para um beijo. Era um tanto difícil me manter em cima de seu corpo sem literalmente esmagá-lo contra aquele chão nada confortável, então eu preciso balancear meu peso nos meus braços e pernas e meio que dói. Até que ele nota que estou desconfortável e abre as pernas. Eu coro tão forte que ele deve ter visto mesmo com a escuridão.
“Encaixa suas pernas por baixo das minhas, idiota.” Ele diz, levantando suas pernas e as colocando em torno de minha cintura.
Eu faço como ele diz, dobrando os joelhos e colocando-os em torno do seu corpo, e minha genitália encosta diretamente em sua bunda. Ah. “Você viu muito pornô.”
“Você nem imagina.” Ele agarra minha camiseta e me puxa de novo.
Nos beijamos por um tempo, pressionados um contra o outro, e eu evito me mexer demais e fazer com que eu ficasse duro.
“Eu sei que foi minha idéia, mas—“ Ele para depois de um tempo, franzindo o cenho. “Minhas costas doem.”
“Ah.” Eu sento rapidamente e o ajudo a se sentar também. “Você tá bem?”
Ele senta com cuidado, ainda com a testa franzida, e tenta se esticar. “Que merda essa grama, eu quero sua cama de novo.”
“Nossa, eu também quero.”
Nós desistimos da posição anterior e voltamos a sentar contra a árvore. Levi se aconchega sobre mim e nós ficamos de mãos dadas, cada um provavelmente pensando como era um saco que nós não tínhamos um lugar bom para ficar a sós.
“Nós devíamos voltar pra casa.” Eu murmuro depois de um tempo, o abraçando mais forte.
“Sim.” Ele suspira.
Nós não nos mexemos de primeira, então eu continuo perdido em pensamentos. Até que uma idéia surge em minha mente. “Você tem skype?”
“Sim, por quê?” Ele senta direito e me encara.
“Nós podíamos continuar isso lá.” Eu sugiro com um sorriso.
“Eu não sabia que você gostaria de sexo virtual.” Ele ri. “Podemos tentar essa noite.”
“E-Eu não queria dizer como sexo, s-só como uma forma de nos vermos...” Eu coro forte e ele apenas arqueia uma sobrancelha para mim. “D-De qualquer forma, assim que chegarmos em casa?”
“Que ansioso. Eu vou colocar meu pijama sexy pra te seduzir.”
“Eu vou amar ver isso.”
Do momento que dizemos isso até o momento em que realmente vamos embora demora cerca de uma hora. Começamos a nos beijar de novo de despedida, depois nos levantamos e nos beijamos um pouco mais contra a árvore... e finalmente andamos de mãos dadas até onde deixei minha bicicleta.
Eu destranco minha bicicleta do poste que a deixei e me viro para Levi, que agora estava checando seu celular com uma repentina expressão séria. “O que foi?” Eu pergunto, meio preocupado.
“Ah, nada.” Ele balança a cabeça e guarda seu celular de volta no bolso. “Vamos?”
Eu não o pressiono para me dizer alguma coisa, então seguimos todo o caminho até sua casa em silêncio. E, é claro, antes de deixá-lo ir, eu o lembro sobre o que combinamos mais cedo. Ele apenas ri de minha ansiedade e me manda ir embora.
Eu vou para casa, pego algo para comer, evito os meus pais e corro para me trancar em meu quarto. Eu mando uma mensagem para Levi para avisar que eu estava pronto enquanto eu ligo meu computador, e ele não responde de primeira. Deduzindo que ele provavelmente estava no banheiro ou algo assim, eu decido checar meu email e o facebook para matar algum tempo enquanto ele não aparecia.
E assim eu reparo que passou meia hora sem resposta dele. Eu envio outra mensagem e espero pacientemente, mas nada. Ele não estava online nem no skype e nem no facebook, e a antecipação estava me deixando muito ansioso. Talvez ele estivesse planejando alguma surpresa para mim. Ao menos eu esperava que sim.
Mas nada. Eu envio outra mensagem para seu celular, mando uma também no facebook e nenhuma resposta. Talvez eu estivesse sendo ansioso demais, eu devia esperar. Ele estava ocupado provavelmente, talvez seu tio o pediu para fazer algo.
Quando passa uma hora e meia eu decido ligar. O seu celular toca uma vez e cai na caixa postal, e é ai que eu fico preocupado de verdade. Eu envio outra mensagem, perguntando o que houve, e quando ele não responde, eu continuo enviando mais mensagens.
Era estranho demais. Nunca aconteceu algo assim, e estava me preocupando muito. Então eu envio uma mensagem dizendo que iria até a casa dele.
E assim eu enfim consigo uma resposta.
“Não venha. Nada aconteceu, eu só tô cansado e indo pra cama. Falo com você depois.”
“o que??? claro que alguma coisa aconteceu, me conta!”
“Depois a gente conversa, Eren. Boa noite, vou desligar meu celular.”
“se você desligar o celular eu juro que vou aparecer aí. O que ta acontecendo?? Você desapareceu por horas sem dizer nada... o que aconteceu com nosso plano?”
“Eu só não posso hoje, nossa, Eren. Depois conversamos, tá?”
E então eu decido ligar para ele de novo, e cai na caixa postal depois de um toque.
“Atende, eu quero escutar sua voz.”
“Que merda, Eren, vai pra cama, tá?”
“o que há de errado com você tão de repente? A gente tava bem, tudo tava perfeito, por que você tá agindo assim?”
“não é sobre você, ok”
“então o que é?”
Ele demora um tempo para responder, e antes que eu enviasse outra mensagem, eu finalmente recebo uma resposta.
“vou entrar no skype.”
Eu jogo meu celular para longe e abro o skype para encarar seu nome até que ele ficasse online. Assim que ele fica, eu clico nele, abrindo a pagina de chat. Sua webcam estava desligada, então tudo o que vejo é um quadrado preto.
“cadê você???” Eu digito.
“tô aqui.”
“liga sua webcam.”
“você sempre age como um pirralho mimado?”
“eu não tô sendo mimado, eu só quero te ver! Para de agir estranho!!”
E assim ele enfim liga sua webcam. Demora um pouco para se ajustar à iluminação de seu quarto, que estava terrível, mas eu não tenho dificuldades em ver que ele estava chorando e com o olho roxo.
“você queria tanto me ver e agora fica encarando a tela com essa cara de idiota.” Ele digita, rindo ironicamente. “agora você sabe.”
Eu estava chocado.
“O que aconteceu?” É tudo o que eu consigo digitar.
“O que sempre acontece.” Ele ri de novo. Suas palavras me atingem tão forte que eu quase arfo em surpresa.
“seu tio?”
“quem poderia ser?”
“mas por quê?”
“ele me disse pra voltar pra casa e eu não vi sua mensagem. acho que esqueci que eu ainda tenho que me preocupar com essas coisas.”
Raiva começa a me consumir por dentro. “Eu não quero te deixar ai. Posso ir te buscar?”
“isso é uma péssima idéia. tá tudo bem, eren, eu tô acostumado.”
Ele está acostumado. Isso me deixa enfurecido. “você não pode se acostumar com algo assim. Você precisa sair daí.”
“infelizmente eu não tenho muitas opções. não é como se eu tivesse algum lugar pra ir, ou tivesse dinheiro ou alguém que se importe comigo.”
“Eu me importo, e eu quero ajudar.”
Ele começa a rir. “por favor, eren.”
“É serio.”
Ele pausa por alguns segundos, me encarando da sua webcam. Ele parou de chorar, mas agora ele parecia bravo, por algum motivo.
“Eu sinto tanta inveja de você. Eu queria ter problemas como os seus. Se preocupar com a faculdade e o curso que escolher enquanto mora em uma cidade incrível, isso é fabuloso.” Levi digita, me deixando surpreso. “Enquanto isso eu estou preso nessa cidade com nenhuma expectativa de algum dia sair, com um tio que preferiria que eu estivesse morto, e, só para adicionar, sem nenhum dinheiro. Seus problemas são gloriosos em comparação com os meus.”
Eu fico sem palavras. Levi estava lá, sofrendo na minha frente, e eu fiquei resmungando sobre meus pais e outras coisas não importantes. Fui tão egoísta.
“você poderia ter se aberto comigo.”
“pra que? em que ficar falando contigo sobre isso poderia ajudar?” Ele força uma risada. “eu estaria apenas reclamando de algo que não posso mudar.”
“você pode mudar. sempre tem um jeito.”
“Você e suas afirmações positivas.” Ele balança a cabeça negativamente. “você pode dizer isso, Eren. Quando você é inteligente e tem uma família que te apóia em qualquer coisa que você decidir fazer – mesmo que você diga que não, você sabe que eles te apoiariam. Quando seus pais estão vivos, em primeiro lugar. Quando você tem dinheiro.” Ele morde o lábio. “Eu vou dormir.”
Tudo que eu fiz até então foi resmungar sobre minha vida para ele. Meus problemas... agora que eu penso sobre eles, eles parecem tão estúpidos. Estava me preocupando em mudar de curso, quando eu deveria estar feliz que tenho a oportunidade de ir à universidade. Quando eu tenho todas essas oportunidades enquanto outras pessoas sofrem na vida desejando terem problemas como os meus.
Eu me sinto tão estúpido.
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