Notas iniciais
Woot! Já devem ter percebido que essa história vai caminhar bem suavemente, né? :3 Espero que gostem desse capítulo ;D

Tento chegar ao trabalho na hora no dia seguinte, então saio de casa uns quinze minutos mais cedo do que nos dias anteriores. Assim eu chego lá me sentindo orgulhoso de mim mesmo, mas quando entro na loja, encontro Levi já no caixa. Rabiscando algo em seu caderno, claro.

“Nossa, você já tá aqui?” Suspiro em frustração.

“Eu preciso abrir a loja, então sempre chego cedo.” Ele nem levanta o olhar para mim.

“Achei que fosse a Srta. Zoe que abria... Mas, de qualquer forma, você abriu mais cedo do que deveria.” Caminho até os caixas e me sento na cadeira ao seu lado. Ele fecha seu caderno antes que eu pudesse espiar o que ele estava fazendo. “A loja abre às nove.”

“Bom, desculpa por querer chegar aqui o mais cedo que posso porque não agüento ficar em casa.” Ele suspira, e suas palavras me fazem corar.

“D-Desculpa, eu não queria parecer um babaca.” Murmuro.

“Eu sei que não. Só estou te dizendo.”

Ligo meu computador, e enquanto espero ele carregar, penso no que deveria dizer a seguir. “Então você tem problemas em casa também?”

“Tipo isso.” Ele dá de ombros.

“Eu sei como é.” Suspiro. ”Meus pais não saem do meu pé.”

“Hm.” Ele concorda, desinteressado, mas eu continuo de qualquer forma.

“Ontem de noite eles me falaram umas bobagens sobre eu trabalhar aqui e foi um saco. Sério, é tão difícil assim me deixar tomar minhas próprias decisões?”

“Talvez eles não se preocupassem se você tomasse as decisões certas.” Ele murmura.

“Por favor, não fala assim também.”

“Só tô sendo sincero. Eu nunca estaria aqui se eu estivesse em seu lugar, você sabe disso.”

“Então vai embora. Nossa, por que continuar odiando tanto esse lugar quando você simplesmente pode fugir?”

“Eu queria que fosse assim tão simples.”

“Você sempre pode dar um jeito.”

“Cala a boca, Eren.” Ele murmura, cansado e irritado. Isso me surpreende. “Você não sabe de nada.”

Fico um tanto desconfortável depois disso, como se eu tivesse pisado em uma mina e falei demais antes de pensar.

Ficamos em silêncio por um tempo, algumas pessoas entram e saem. Quando eu acho que o gelo entre nós derreteu, decido falar sobre qualquer coisa. Mas eu não tinha alguma qualquer coisa para falar, então eu olho para ele e o encontro rabiscando algo secretamente.

“O que você tá sempre rabiscando nesse caderno?” Pergunto, curioso.

“Algumas coisas.” Ele murmura.

“Posso ver?”

“Não.”

Sua resposta curta me faz abrir um beiço. “Isso foi rude.”

“Eu não fui rude, eu só disse que não quero que você veja.”

“Por quê?”

“Porque eu não quero.”

Revirando os olhos, volto minha atenção para meu computador e decido jogar paciência ao invés de conversar com ele. Então alguém entra na loja e vem direto aos nossos caixas.

“Posso ajudar?” Levi pergunta antes que eu pudesse.

“Sim, você tem cigarros de menta?”

“Menta...” Levi se levanta e procura dentre os maços de cigarro sobre o caixa. “Espere um minuto, uma caixa chegou ontem e eu tenho certeza que tinha menta nela.”

“Sem problemas.”

Levi vai até a porta dos fundos e desaparece lá dentro. Sorrio educadamente para o cliente, até que noto que seu caderno ainda está ali sobre o balcão. Dou uma olhada para a porta antes de pegá-lo e abri-lo na ultima página em que ele estava rabiscando.

Espero que o cliente não tenha notado minha expressão surpresa, porque eu realmente quase caí da cadeira. Havia um desenho incrível de uma pessoa lá. E a pessoa era eu.

“Desculpa a demora, há muitas caixas no estoque.” Levi volta de repente, então eu fecho seu caderno rapidamente.

Ele vem até o caixa e continua com o cliente, ainda não notando que seu caderno desapareceu. Depois que a transação termina e a pessoa vai embora, ele senta de volta em sua cadeira. Observo enquanto ele olha para o balcão, olha em volta, e enfim olha para mim, com seu caderno em minha mão.

“Seu merda!” Ele pula em mim, tentando pegá-lo de volta, e eu estico meu braço para cima para impedi-lo de alcançar. “Devolve agora!”

“Calma!” Eu peço.

“Você não tem respeito algum pela privacidade dos outros?” Ele chia, ainda tentando alcançá-lo. “É sério, me devolve agora!”

“Ok, ok, tá bom! Só se acalma antes!”

Zangado, ele senta de volta em sua cadeira, e eu o devolvo o caderno com cuidado.

“Eu achei que você fosse uma pessoa decente, mas você apenas fica se mostrando como um idiota.” Ele resmunga, colocando seu caderno em uma gaveta.

“Desculpa.” Eu peço. “Mas por favor não joga aquele desenho fora.”

Ele se vira para mim com uma expressão desesperada e encara em meus olhos, até que ele repentinamente se acalma. “Você viu aquilo?” Ele pergunta como se não fosse nada de mais.

“S-Sim.”

“Você viu algo mais?”

Eu queria fazer alguma piada, mas ele soa tão sério que eu desisto. “Não, só isso.”

Ele fica em silêncio por alguns segundos, ainda com uma expressão brava. “É bom que você esteja falando a verdade.”

“Eu estou. É sério.” Digo, tentando soar o mais honesto que consigo.

Ele concorda suavemente e mordisca seu lábio inferior, encarando a tela de seu computador.

“Posso perguntar uma coisa?” Murmuro suavemente.

“Vá em frente.”

“Por que você tava me desenhando?”

Ele não responde em seguida, provavelmente pensando na melhor resposta. “Seus olhos são interessantes. O tom de verde, você sabe.”

Antes que eu pudesse perguntá-lo o porquê de não ter desenhado apenas os meus olhos então, Srta. Zoe entra de repente na loja, vindo direto até nós.

“Então, Zangado, tudo certo pra esse final de semana?” Ela o pergunta, e eu fico perdido.

“Ah, sim.” Ele concorda. “Na verdade eu ia te dizer que eu vou precisar de ajuda.”

“Imaginei... Quero dizer, olha pro tamanho daquela parede comparado a você, você ia levar um ano inteiro.” Srta. Zoe ri, mas Levi não ri com ela, então ela pigarreia antes de continuar. “De qualquer forma, você pode chamar alguém que você goste de trabalhar.”

Então Levi se vira para mim, arqueando uma sobrancelha. “Não que eu goste de trabalhar com você, mas você está livre nesse final de semana?”

“Uh...” Franzo o cenho. “Do que exatamente estamos falando?”

“Precisamos pintar a loja do lado de fora, a pintura velha está descascando.” Srta. Zoe explica, então eu me viro para ela. “Pedi para o Zangado usar suas habilidades artísticas para pintar o logo na lateral e todo o resto.”

“Isso é demais pra mim. Me ajuda?” Levi fica me encarando, como se estivesse me forçando a aceitar.

“Vou pagar vocês dois, é claro.”

“Uh, sim, claro.” Acabo aceitando, notando que Levi sorri suavemente em vitória. “Eu não sei desenhar nem nada, mas eu posso ajudar a pintar o resto da parede.”

“Então tá combinado!” Srta. Zoe bate as mãos, empolgada. “Vocês acham que conseguem terminar em um dia? Sábado?”

“Vou usar um projetor para fazer o logo, então vou ser rápido. Você é bom com pincéis, Eren?”

“S-Sim, eu acho.”

Alguém entra na loja nesse momento, e a Srta. Zoe se vira.

“Então tá certo. Vou deixar vocês voltarem ao trabalho agora.” Ela diz antes de ir até a porta automática.

Já que o cliente estava ocupado procurando alguns produtos, eu me viro para Levi, sorrindo.

“Então, Zangado?” Eu brinco. “Você é um dos sete anões e nunca me contou?”

“Ugh.” Ele franze o cenho. “Eu tentei fazer a Hanji parar de me chamar assim, mas não adiantou.”

“Hm. Posso te chamar assim também?”

“Não se atreva. Se não vou te chamar de Dunga, o que acha?”

Faço careta. “Não, obrigado.”

“Bom mesmo.” Ele ri suavemente, e era um tanto fofo vê-lo assim.

Pelo restante do dia nós ficamos bem um com o outro de novo. Então nós jogamos alguns jogos online, jogamos jogo da velha em um jornal velho que estava debaixo do balcão e finalmente o turno da noite começa e nós vamos pra casa. Noto que Levi olha para trás duas vezes enquanto eu o espero entrar em casa, e nas duas vezes ele notou que eu estava encarando. Eu não sei se deveria achar isso estranho, mas eu não acho.

Notas finais
Hmmm esse Levi desenhando o Eren... pena que o Eren é meio lerdo e nem achou nada estranho nisso xD Até semana que vem, queridoos