Notas iniciais
Desculpem-me.Sério. Espero que não estejam com raiva de mim, embora saiba que vocês tem toda razão pra isso, afinal fiquei 2-3 meses sem postar, e só tenho a pedir mil desculpas pra vocês, espero não fazer isso de novo tão cedo! Bom, espero que tenha valido a espera também e que gostem do capítulo que fiz. Não gosto de ficar cobrando muito os comentários não, mas agora vou fazê-los. Ok, sem moral nenhuma, mas meninas, preciso muito de vocês pra sair do bloquei criativo, dai escrever mais rápido, postar mais rápido, Olha, vcs nao tem noção de quanta falta vocês me fazem, quanta falta o Jared me faz. Se sai um pouquinho do fundo do poço, foi devido á 3 leitoras que me ajudaram falando "posta que ta bom", tenho que agradecer á Gabi Mara, Gabi Lemos e Anna Sant'anna. Assim conseguir terminar o capítulo e finalmente postar pra vocês. Agora chega de papo que tem muita história pra vocês lerem, espero que gostem, nos vemos lá em baixo. Boa leitura.

Procuramos nos afastar bastante do palácio para levar Naveena para se alimentar, afinal a coitadinha estava há dias sem ingerir nenhum alimento, já que desconfiava de tudo que lhe ofereciam pudesse estar envenenado e coisas do tipo, e também porque eu estava morrendo de fome pois já havia se passado um dia desde que Jaredemônio e eu havíamos partido da França.

“Nessa pré-inferno não deve ter Mc Donalds, só Mc Curry, com Big curry, Cheedar curry, Chiken Curry Jr, e pra mini bruxa, um Mc Curry Feliz.” Resmungava Jared enquanto caminhávamos pelo movimentado centro de Dhaka atentos á tudo e todos, sentíamos que estávamos sendo vigiados, sentia isso vindo de Jared pela nossa ligação, o que mostrava que meu bloqueio vinha se enfraquecendo. “O brinde deve ser um saquinho com mais curry.”

Eu duvidava que aquela mulher, mãe do Vougan, iria nos deixar escapar assim tão fácil com Naveena, até porque ela que havia fugido após termos detonado todos seus supostos guardas, ela não tinha chances contra mim e um demônio irritado com o calor.Desde que sumira pelo chão suas palavras não saiam da minha cabeça, mesmo com todo o incômodo que aquele calor estava me causando o eco da sua voz ficava retornando á minha mente como um cd arranhado.Grunhi.Tudo o que eu mais queria era um banho e relaxar para colocar meus pensamentos e corpo em ordem, estava me sentindo totalmente esgotada, devido ao desgaste causado pelo uso do portal, depois a briga com os demônios serpentes e mais a luta com os tenebris, tudo isso sem nenhuma pausa para descanso agora surtia efeito, na hora era mil maravilhas de sensações, mas depois quase todos meus músculos doíam, minhas têmporas latejavam e meu corpo coçava de nervoso pelo suor.

Agradeci á Luna quando finalmente encontramos um Mc Donalds, e como se fosse um presente dela, o ar condicionado dali funcionava perfeitamente.Fizemos nossos pedidos e todos comemos como bichos famintos, Naveena, tímida, tentou se controlar, mas após ver Jared detonar seu hambúrguer em segundos, pareceu perceber que não era a única morta de fome ali.

“Como está se sentindo?” perguntei após ela terminar seu lanche e limpar a boca com o antebraço.

“Bém, comi muito, nunca comi um desses antes.” Falou enquanto mexia com o tecido encardido que outrora fora um azul mais claro, agora estava mais para azul petróleo.

“Como ela entende o que falamos?” perguntou Jared pensando alto “Você teve aulas de inglês?” direcionou a pergunta para Naveena que ergueu os olhos para olhá-lo.

“Não tive aulas, Luna enfeitiçou-me para entender e falar sua línguas.” Virou-se para me olhar “Tive sonhos com você, eu acho.”

“Eu também tive sonhos com você.O que você viu?” perguntei

“Uma senhora muito bonita com cabelos meio cinzas, vi a comida que você comia de manhã, vi ele” apontou o queixo para Jared “te pegando no colo quando sangrou na barriga, vi um menininho rindo, uma flor dar cor dos seus olhos, um cara estranho” fez uma careta “com o cabelo cor de planta, um trovão roxo, e um homem velho, com cabelos que vão mudando de cor...”

“Homem velho que cabelos vão mudando de cor?” perguntei

“Sim, ele apareceu para mim rapidamente varias vezes, sorrindo, o cabelo estava cinza, depois vai voltar á cor, como uma flor retomando a vida.”

Gelei.Ela estava falando sobre Mathieu.Senti o olhar de Jared sobre mim, avaliando-me.Ele conhecia todos que moravam no castelo e devia conhecer a maioria das pessoas que freqüentavam a Domusagae, então ele saberia que Mathieu não era de nenhum desses locais por onde minha vida acontecia.

“Eu vi sua mãe, bom, eu acho que era.” Falei e na hora seus olhos se abaixaram, suas mãos mexendo nervosamente no tecido quase rasgando-o “Sinto muito.” Murmurei inclinando-me por sobre a mesa para tocar sua mão.

Ouvi-a fungar baixinho.

“Uma semana antes de ela morrer começamos á ser perseguidas.Durante toda minha vida ela contou-me que eu tinha um dom, com meus 4 anos descobri que era a água enquanto dançava próxima de um riacho, de acordo com alguns movimentos a água começou á se mover esparramando-se para todos os lados, com o tempo fui melhorando minha dança e á dominar a água.” Pude ver um pequeno mas quase invisível sorriso em sua boca “É tão bom, me sinto...”

“Viva.” Completei e ela me olhou com seus incríveis olhos cor de gelo, que agora pareciam estar derretendo, cheios d’água.

“Aham.Mamãe adorava me ver, mas numa noite, estávamos voltando para nossa vila quando aqueles homens vieram atrás de nós, Mama tentou me defender mas se machucou, tinha muito sangue...”

“Ual, ela sangrou por 3 dias? Isso é muito...” comentou Jared com seus olhos brilhando de animação, até eu bicar sua canela por baixo da mesa, o que o fez me xingar.

“Navee, posso te chamar assim?” perguntei abrindo um sorriso para ela, que apenas assentiu. “Não precisa mais se preocupar, vamos te proteger e te levar para uma casa, uma nova família, com todos que viu no sonho e outros mais.” Acariciava o dorso de sua mão com meu polegar enquanto falava, tentando lhe transmitir o conforto e o carinho que eu lhe falava “Quantos anos você tem?” perguntei abrindo um sorriso,tentando nos tirar daquele clima fúnebre horrível que tinha caído sobre nós.

“Dez.” respondeu ela.

Sorri amigavelmente e comecei a falar de outras coisas que não estivessem ligadas á morte e perseguição, aos poucos a vi relaxar os ombros.Assim que saímos de lá começamos a procurar algum hotel onde pudéssemos passar a noite, porém um que não tivesse nenhum luxo, porque iríamos ser procurados e os hotéis cinco estrelas seriam os primeiros a serem rondados.

Enquanto caminhávamos passamos por uma extensa e larga passarela preenchida por um feira constituída por diversidades, desde comida até anel para o dedo mindinho do pé, o que me deu a ideia de comprarmos umas roupas limpas e confortáveis para Jared e eu, mas principalmente para Naveena que ainda estava coberta com o farrapo de suas vestes que um dia teriam sido usáveis.

Havíamos comprado de tudo um pouco, até mesmo sais para banhos e coisas do tipo, Genevive e Jenna gostariam, afinal, já que eu estava ali, porque não levar uns suvenires?

Estávamos comprando mais algumas roupas para Naveena numa barraca de uma moça que devia ter algum problema de audição, pois gritava demais enquanto nos mostrava uma variedade de diferentes tipos de tecidos para os sáris de Navee que também parecia estar um pouco incomodada com a mulher que gritava ao seu ouvido.Jared parecia inquieto atrás de nós e eu sentia que ele estava prestes á mandar aquela vendedora calar a boca, era azucrinante, sua voz era fina e fanha enquanto tagarelava alto sem parar num idioma que eu não entendia, aos poucos me deixando zonza e atormentada, e o mesmo parecia estar acontecendo com Naveena que franzia o cenho e mordia o lábio como se estivesse sentindo com algum tipo de dor.

O que estava acontecendo?

Levantei-me do chão, já que estava de joelhos para ficar um pouco mais da altura de Naveena na hora de ajudar-lhe a experimentar os sáris.Talvez fosse porque eu levantei muito rápido ou o calor fazendo efeito, rapidamente fiquei tonta e cairia para trás se não fosse Jared me segurando, murmurei um agradecimento para a vendedora que continuava a falar e puxei Naveena comigo, mas ela não veio, a vendedora á estava segurando também.

“Solte-a.” falei com a voz embargada.

“Katherine.” Falou Jared no meu ouvido, mas sua voz soava como se estivéssemos separados por uma espessa parede de vidro.

Virei um pouco o rosto para o lado para olhá-lo, ou olhar para onde ele erguia o queixo.No meio da multidão, que me parecia um borrão colorido, não tão longe de onde estávamos,haviam tenebris olhando tudo á sua volta procurando algo, procurando por nós.

Puxei Naveena mais uma vez e a mulher continuou sendo insistente em segurá-la, devia trabalhar para eles ou estava enfeitiçada, não me importava, eu só sabia que precisava sair dali.Mas as coisas que ela parecia entoar estavam me deixando atordoada demais, minha boca estava ficando seca e todo meu corpo incapaz de exercer qualquer tipo força. As coisas á minha volta e até meus pensamentos pareciam estar acontecendo numa lentidão exagerada, chamei Jared em minha mente com a voz arrastada.

Ele pareceu notar o que estava acontecendo, e como se estivesse sob efeito câmera lenta, suas mãos se ascenderam em chamas tocando no pulso da vendedora que deveria ser uma bruxa, fazendo-a a urrar e soltar Naveena que se debatia alucinada e vagarosamente com a aproximação do Jared.

De repente tudo voltou ao som e velocidade normal, agora os tenebris corriam em nossa direção derrubando tudo em seu caminho, jogando vendedores e suas mercadorias para os lados como se não fossem nada, enquanto nós fugíamos desviando dos feitiços, porém não demorou muito para sermos cercados.

Coloquei Naveena entre Jared e eu que estávamos de costas um para o outro, mas ela saiu do meio de nós se colocando em posição de luta também, não a repreendi, apenas a olhei assentindo com um sorriso mínimo, eu odiava ser repreendida e que as pessoas me colocassem como frágil e incapaz de me defender, assim como Nathaniel fazia.Talvez eu devesse levar em questão de que ela era apenas uma criança, mas também tinha que me lembrar que ela não era uma simples criança, e sim uma pequena grande venéfica com amplos poderes.

“Viemos buscar uma Venéfica e ganhamos duas” ouvi a voz que sempre vinha acompanhada de um bafo pútrido, o qual eu não queria ter que sentir e ouvir tão cedo.Farley surgiu entre os tenebris que nos cercava, dando-me um de seus sorrisos nojentos e amarelados de satisfação. “Acho que hoje é meu dia de sorte!”

“Puxa, não acredito!” falou Jared com um tom de animação na sua voz fazendo com que todos voltassem sua atenção para ele.

“No que?” perguntou Farley revirando os olhos.

“Você é perfeito!” falou Jared dando um falso sorriso nervoso.

“Pra quê bro?” Farley franziu o cenho confuso, assim como eu fazia.

“Comecei um curso de dentista há alguns segundos, e você vai ser perfeito pra eu treinar extração de dentes...” disse Jared exprimindo um sorriso diabólico no canto da boca “Com os punhos!” falou exibindo seus dentes e seu olhar maníaco de diversão.

Tive que conter minha vontade de rir ao perceber a cara de Farley ao notar que havia caído na piada do Jared.

“Matem esse contraste de Chris Rock.” ordenou Farley aos tenebris que estavam á sua esquerda, próximos de Jared “E vocês” sinalizou para os á direita “Cuidem da pequena, deixa que da maior eu me encarrego.” Sorriu lascivamente para mim antes de me enviar um beijo com direito á piscadela.

Foi preciso o passo de um tenebris para que eu conjurasse um impetus empurrando alguns para trás, outros se defenderam e avançaram para cima de Naveena que movimentava todo seu corpo rapidamente numa sequência de gestos com as mãos, pernas e pés, até dar o movimento final na direção dos tenebris que a cercavam, jogando inúmeras frutas e verduras neles, que para o azar deles e sorte nossa, havia muitos melões e melancias inteiros.

Farley estava com a cabeça deitada de lado me olhando entretido á distância como um psicopata, esperando que eu atacasse primeiro para começar a brincadeira chata de perseguição, ele queria ter o gosto de ir atrás de mim, ele queria á mim.

Olhei de canto para ver como Naveena se saia sozinha, e as coisas não estavam indo bem.Que merda eu tinha na cabeça para deixar uma garota de 10 anos lutar com vários tenebris? Porém já era meio tarde demais, se eu me movesse para ajudá-la, teria que dar conta dos tenebris e do Farley, e ainda tomar conta de Navee, para que ninguém a ferisse ou levasse.

Ela não tinha que estar ali. Eu tinha que levá-la para longe dali, tinha que levá-la logo para casa, mas como?

Jared lutava não muito longe de mim, esmurrando, torrando e rasgando os tenebris que via pela frente, ele era rápido, rápido o suficiente para levar Naveena para o mais longe dali, mas eu não podia confiar nele, uma vida á ele. Flashs do que havia acontecido no palácio de Aamon voltaram á minha mente. Jared não era confiável, pelo contrário. Não conseguia nem me lembrar do motivo de ele estar comigo ali, ele era um cretino, demônio desgraçado e mentiroso, porém veloz e forte para levar Naveena de onde estávamos em segurança, eu não podia me esquecer disso.

Merda, o que era pior? Deixá-la ali com risco de ser levada ou confiar a vida dela á Jared?

Lancei um tardus que atingiu todos que estavam á minha volta fazendo-os se mover lentamente, até mesmo Naveena, menos Jared, que rodou nos próprios calcanhares olhando tudo sem entender nada.

“O que ta...” começou a falar enquanto avaliava todos no modo câmera lenta .

“Preciso que leve Naveena para longe daqui.” Falei rapidamente com a voz esganiçada.

“E você?”

“Vou atrasar eles e ir atrás de vocês, mas não quero Naveena envolvida nessa luta.” Ele franziu a testa erguendo a sobrancelha, seus lábios começam á se separar dando indicio de que ia começar á debater comigo, mas fui mais rápida “Não discuta comigo, apenas faça” Jared ergue as duas sobrancelhas com uma expressão de surpresa e os olhos divertidos, provavelmente mais sarcásticos “E por favor, toma conta dela direito, não faça por mim, já que não se importa” reviro os olhos “mas por ela, que é uma criança e não tem culpa das nossas merdas e da merda do mundo todo” continuei.

“Por que você não foge com ela e eu atraso eles?” perguntou

“Porque eles querem uma venéfica, eu vou relutar, e eles não vão querer perder o tempo deles com você.”

Sua boca se formou numa fina linha tensa, enquanto seus olhos semicerrados encaravam aos meus, me aproximo mais dele erguendo o peito numa postura de ‘força’ na tentativa de intimidá-lo, ele precisava saber que eu não estava brincando, que seus jogos comigo haviam acabado no inferno no momento em que me traiu e acabou com meu resto de confiança que havia nele.

“Se você falhar ou machucar ela, eu juro que te mato demônio.” Disse as últimas palavras por entre meus dentes cerrados.

Vi que ele tentava suprimir um falso sorriso no canto da boca pelo modo como a entortava, mas seus olhos estavam absortos nos meus e cientes da minha preocupação e raiva acumulada. O tempo estava passando, logo o feitiço ia passar, ele tinha que tirá-la de lá.

“Como vai nos encontrar?” perguntou sem tirar os olhos dos meus.

“Com o nosso pacto, vou te desbloquear assim vou saber onde estão, e espero que estejam bem longe. Sério Jared, ela é só uma criança, não desconte nela suas idiotices demoníacas, apenas a leve para casa.” Olho de canto para os tenebris que cada vez começam a se movimentar mais rápido. “Vai! Agora!” grito para Jared empurrando-o em direção á Naveena,

Ele a pega brutamente ao passar seu antebraço em volta de sua cintura e depois jogando-a sobre seu ombro.No mesmo instante o feitiço se quebra, os tenebris que rodeavam Navee ficam confusos, assim como os que faziam o mesmo com Jared, que por sinal parece já estar longe derrubando tudo por seu caminho, no fundo da minha mente ouço Farley gritar para alguns de seus capangas para ir atrás de Jared, enquanto sinto seu olhar ácido e nojento percorrer por todo meu corpo.

“Então decidiu ficar.” Disse dando um sorriso “Não vou falhar como Pollyana, vou te levar para casa e depois lidamos com a outra venéfica. Mas com toda certeza antes vou lidar com você” sua tentativa de sorriso lascivo me causa enjôo que aumenta quando passa a própria língua em seus dentes amarelados e tortos. Preciso me concentrar. Do que ele estava falando antes? Ah.Então Pollyana era o nome da minha tia má.

“Vai ficar falando ai ou vai vir me pegar?” revirei os olhos demonstrando impaciência.

Ele sorriu mas rapidamente ficou sério.

“Peguem-na.” Ditou para os tenebris que haviam ficado e nos rodeavam.

Eles começaram a atacar de todos os lados, usando os punhos e feitiços os quais eu rebatia com outros ou apenas utilizava o clypeus antes de acertá-los com um soco ou algo que havia elevado do chão e tacado contra eles, ás vezes pensava como eu queria uma arma com balas enfeitiçadas com omnia , mas se aquelas eram as coisas que eu tinha para usar, como um pequeno elefante de argila pintado, seriam elas as minhas balas.

Enquanto eu torturava dois tenebris com o eumeunet, um aproveitou do meu momento de distração e lançou um aquário cheio d’água contra mim, fazendo o vidro estourar contra mim e lanhar minha pele, depois a água salgada caindo sobre os ferimentos me fez grunhir de dor no chão, onde eu estava após a pancada. Levantei-me rapidamente e de reflexo desferi-me do golpe de um tenebris, mas ele rapidamente murmurou alguma coisa e senti uma forte pressão nas minhas costelas como se eu tivesse levado um soco por um punho grande, forte e invisível. Grunhi. Merda eu odiava sentir dor. Comecei a ter dificuldades para respirar e o gosto metálico de sangue tomando minha boca, pisquei para tentar ajustar o foco da minha visão, mas fui acertada por um soco no maxilar, em seguida um choque no meu braço esquerdo, depois um puxão pelo tornozelo arrastando-me no asfalto e arranhando minha pele.

“Ei, acalmem-se, eles a querem inteira, ou pelo menos apenas respirando.” Ouvi Farley gritar de algum lugar com o sarcasmo exposto no seu tom de voz.

Levei um chute na barriga, o cerco estava fechando sobre mim, preciso revidar. Fecho os olhos com força e tento não me concentrar na dor que o constante choque que paralisa meu braço esquerdo me causa e tento ver onde Jared e Naveena estão.

Fui rapidamente sugada para algum lugar, vejo pelos olhos de Jared que Naveena está na sua frente, e á frente dela havia tenebris, no máximo cinco, ajoelhados com as mãos nos próprios pescoços como se estivessem sufocados. Vi água passar pelos olhos deles e também vazarem em suas bocas. Ela os estava afogando assim como havia feito comigo há um tempo atrás. Boa menina.

Abri os olhos e tentei me levantar, fiz isso á tempo suficiente de captar o sorriso malicioso de um tenebris que elevava cacos de vidro, restos do aquário do chão para lançar em mim, e me acertam em cheio. Luna me ajude. Murmurei em minha mente.

Cai novamente no chão mas comecei á sentir meu corpo ser elevado do chão, mas não sentia mãos ou braços em minha pele, eles estavam me levitando, bom, antes de me tacarem com força contra o chão. Senti algo rasgar e entrar na minha carne quando me choco contra o chão, o que me faz gritar de dor. Chega, disse á mim mesma.

Jared vai levar Naveena para casa, sei disso, preciso crer nisso antes de morrer ou ser levada para sabe-se onde para eles fazerem sabe-se lá o que comigo.

Vai ficar tudo bem com Naveena. Eu fiz minha parte, me esforcei tanto, então percebi que estava falando com Luna, e comecei á contar como eu estava cansada, como cada músculo meu doía, até respirar doía, pedi para que ela acabasse com aquela tortura logo, mas penso em todos que moravam no Castelo, penso em Naveena. Ela precisava de mim. Merda, eu precisava achar forças. Eu ainda tinha que bater no Jared até sair merda dele por ele ter ferrado tanto com a minha vida.

Então faço apenas mais duas últimas coisas antes da minha força se esvair totalmente do meu corpo, procuro fazer o impetus mais forte que posso para sair daquele círculo e depois uma clypeus constante, ou pelo menos tempo o suficiente para ter certeza de que Jared e Navee já estão longe.

Fechei os olhos e eles estão andando, mas não na direção de antes.Para onde estão indo? Vi pelos olhos de Jared um bando de gente vestida com roupas escuras e calorentas baterem numa espécie de parede de vidro, tentando passar, e que aos poucos começava a se desfazer á medida com que murmuravam coisas e algo se chocava contra a parede. Merda.

Merda! Eles voltaram!

Senti uma mão forte me pegar pelo braço que há pouco tempo levava constantes choques.Abri os olhos e vi um borrão branco.Sei que murmurei mil palavrões ou tentativas deles para Jared. Queria matá-lo.

Ele me pegou no colo e começou á correr comigo assim. Onde estava Naveena?

“Está correndo na nossa frente.” Disse Jared respondendo ao meu pensamento.Ótimo.Pelo menos isso, mas ele tinha me desobedecido, colocando-a em risco.

Soube quando o escudo se quebrou quando meu corpo todo começo a tremer e latejar, eu estava zerada. Fim de bateria. Ouvi Jared grunhir e seu corpo ser um pouco lançado para a frente, se eu não tinha forças para ver pelos meus olhos, que fossem pelos dele então.

Naveena havia nos contornado para nos proteger, repetiu seus movimentos e logo água surgiu das laterais. De onde? Murmuro um ‘ah’ mentalmente em conjunto com Jared quando percebemos que estamos no meio do que parece ser uma peixaria.

Por um segundo pensei em ter pensado em algo de deixar alguém para trás, mas eu devia estar divagando. Vejo pelos olhos do Jared então chamas arroxeadas se elevarem do chão, assim como quando fugimos dos perseguidores religiosos, quando levei um tiro na panturrilha. Os tenebris se afastaram, mas também não via mais Naveena.

Aos poucos não conseguia mais ver pelos olhos de Jared. O que eu não conseguia ver? Oh Luna, estou tão cansada. Então a última coisa de que me recordo é de reclamar mais de algumas dores.

** *

Em momento algum cheguei á realmente cair no sono, tive alguns relances voltando á minha mente, estava no colo de Jared, depois numa espécie de carro meio bicicleta, vi uma recepção muito feia com um cara muito e feio e gordo, escadas e despertei de verdade no exato momento em que entrávamos num quarto, minúsculo, um pouco maior do que um armarinho para guardar as coisas de limpeza, pois continha uma cama de solteiro maltrapilha, ao lado dela um pequeno móvel degradado por cupins e sobre ele um abajur que piscava.O calor ainda predominava, mas era menos pior que mais cedo, era possível também ouvir choros e pessoas falando alto naquele idioma que eu não conhecia.

Um braço meu estava no pescoço de Jared, que andava comigo em direção á cama.Onde estava Naveena?

Olhei á minha volta e nada.

Merda.Merda.Merda.

Mesmo sem força suficiente empurrei Jared na esperança de jogá-lo contra a parede, mas foi eu quem caiu no chão, enquanto ele me olhava confuso e certo desdém de cima.

“Seu maldito!” gritei “Você deixou Naveena para trás!” comecei á me levantar sentindo todos os meus músculos se retesarem de dor.

“Bom, se eu tinha a opção de continuar com uma bruxa, que fosse com você, ela não faria muita coisa e é muito nova, se é que me entende...” ele sorriu mas o humor não chegou nos seus olhos.

“O quê?!” gritei incrédula “Você é ridículo!Como pode ser tão egoísta!?”

“Ridícula é você por fazer esse tipo de pergunta pra um demônio.” Disse

Grunhi e fui até ele para socá-lo, mas ele segurou meus pulsos no ato, eu estava muito lenta, muito fraca.Mordi seu pulso com força, ele apenas sorriu sinicamente.

“Argh! Talvez eu seja ridícula mesmo, por confiar em você de novo sabendo o merda que você é!” dei-lhe um soco no peito.

“Não me empurra Katherine.” Avisou.

“Vai pra casa do caralho Jared!” sentia meus olhos queimarem, uma dor incômoda na barriga mas nada doía quanto minha cabeça e coração. Pobre Naveena. “Ela era só uma criança!” gritei sentindo minha garganta arranhar “Uma criança seu imundo! Como pode fazer isso? Achei, sim, achei que estivesse aqui para me ajudar, não atrapalhar! Já não bastava toda a merda do inferno?!” senti uma lágrima escorrer dos meus olhos sem minha permissão. Por que eu estava chorando? Talvez de cansaço, frustração...raiva. Olhei para Jared que me encarava com o cenho franzido e os olhos semicerrados. “Você..aaaah, eu quero matar você! Não consegue cumprir com nada, até quando tentamos te ajudar você vai lá e fode tudo! Eu quero você mor...”

“Ah chega dessa porra de palhaçada!” gritou Jared de repente. Seus olhos não esboçavam cinismo ou sarcasmo, demonstravam raiva, ou até mesmo...mágoa? “Cale a porra da boca e pare de apontar o dedos pros outros sua bruxa! Eu não sei cumprir com nada?” ele ri falsamente jogando a cabeça para trás mas depois volta á me olhar, aproximando-se rapidamente de mim dando apenas dois passos, nos deixando cara a cara “Eu só te pedi uma porra de coisa realmente importante. Uma! E você esqueceu e acha que tem direito de me odiar e apontar o dedo pra mim! Não que eu me importe, mas você é ridícula e patética!” gritava fazendo-me sentir seu hálito quente na minha cara.

“Que merda eu esqueci?! Eu fiz tudo! Jared eu quase morri no fogo para ajudar você, eu fui ao inferno por você!”

“Você esqueceu da promessa!”

“Que porra de promessa?!” gritei e minha voz chegou á falhar. Estávamos literalmente aos berros.

“Caralho! Eu pedi para que você se lembrasse...” ele se afasta um pouco e passa as mãos pelos cabelos puxando-os e levando até a nuca, fechando os olhos. Estava buscando controle? “Era só uma porra de coisa Katherine!” ele gritava, mas eu já não sabia se estava falando comigo.

“Diz o que era então!” empurrei-o.

Ele pegou-me pelo pescoço e logo eu estava sendo pressionada contra a parede. O choque da minha cabeça contra a parede era o suficiente para apagar, mas o modo como seus olhos estavam escurecendo e ficando negros foram o suficiente para me manter bem acordada. Seus dedos pressionavam fortemente minha garganta, deixando-me sem ar. Eu o arranhava e me debatia, mas nada adiantava. O que Aamon havia dito mesmo?

Você ainda não está pronta para a morte, mas esteja certa de que ela chegará bem antes do que espera. Sua voz horripilante voltou á minha fraca memória e lucidez, Jared ainda me apertava.

“Eu te odeio.” Chorei. Foi o que consegui dizer.

Os dedos de Jared se afrouxaram e seus olhos voltaram a cor normal, mas a mão ainda continuava me prendendo na parede.

“Foda-se!” murmurou.

“Viu, não tinha promessa nenhuma, era só você querendo justific...” fui interrompida pelos seus dedos apertando minha garganta de novo.

Ele aproximou seu rosto do meu o suficiente para me beijar. Quê?!

Trocávamos respirações arfantes e olhares raivosos, via que seus olhos voltavam a ser contaminados por veias negras se juntando a sua íris lentamente.

“Você jurou que ia se lembrar, mas não o fez...” falou arfante.

“Me lembrar do que?!” grunhi e continuei tentando me desvencilhar da sua mão.

Jared deu um grunhido e uma gota de sangue escorreu pelo seu nariz, senti que fui morta cinco vezes por ele através de seus olhos naquele momento.

“Do que era e fazia comigo. Jurou que ia se lembrar disso e não ligar para o que dissessem, ou eu dissesse, porque você saberia que tinha controle...” ele encosta a testa suada na minha e fecha os olhos “Mas você esqueceu, me fez perder o controle, você falhou. Eu quase matei Harahel, eu quase matei você, não que eu me importe em te matar. Mas você jurou.” Ele se afasta e tira a mão do meu pescoço deixando-me deslizar até cair de bunda no chão.

“Jared...” eu não sabia o que dizer.

Ele está me olhando de cima, com o cenho franzido, seus olhos estão meio perdidos no nada, no que está pensando? Por que nunca consigo lê-lo?

“Eu voltei achando que você não trairia com sua promessa, e porra... eu te perguntei varias vezes pedi pra você não se esquecer daquela merda!” ele grunhiu e começou a andar em volta daquele cubículo que chamávamos de quarto. “Mas quando voltei você havia esquecido, e estava com aquele bosta de neplhim, achando que tinha o direito de me odiar...” ele ri sem humor, o modo como o abajur pisca deixa sua expressão assombrosa. “Você é uma porra de bruxa hipócrita!”

“Jared eu...eu” minha cabeça estava a mil, sentia meu sangue pulsar em minha cabeça, minhas têmporas estavam ao ponto de explodir. Achava que minha cabeça iria explodir á qualquer momento. Meus olhos queimavam como se estivessem banhados no ácido, e minha garganta estava entalada, não sabia com o que, mas estava me deixando sem ar. Eu precisava dizer alguma coisa.

“Cala a porra da boca! Até te mandaria ir á merda, mas você já está nela... não, você é ela, Katherine Savage.”

“Jared, por favor, eu...”

“Foda-se! Tomara que morra!” foi a última coisa que disse antes de sair batendo a porta fortemente atrás de si.

Merda.Merda.Merda.

Eu era a errada. Nem tudo havia sido minha culpa, ou havia? Eu podia ter evitado com que ele me batesse com a mão quente e me queimado? Podia? Merda.

Meus olhos começaram a encher d’água e começei uma crise de soluços antes de começar a chorar, transbordando meu cansaço, fraqueza, tristeza e impotência. Era tudo culpa minha, e eu estava esse tempo todo com raiva dele, odiando-o sem um real motivo. Sua voz agora volta nítida na minha mente, assim como nossa imagem, os dois sobre a cama no hotel do México, Jared me beijando...Me encolhi e deslizei meus dedos por onde sua boca passava na lembrança, a falta que aquilo agora me fazia causava-me dor. Lembrei de tê-lo pegado pelo rosto e feito olhar nos meus olhos e dizer o porquê de eu estar lá, com ele, prestes a arriscar minha vida.

“Porque eu preciso de você.” Ele havia dito quase inadivelmente.

“Precisa?” perguntei

“Preciso.” Ele havia virado o rosto e uma gota de sangue pingou manchando o lençol.

“Diz pra mim por que você precisa de mim.” Insisti. Agora lembrava da perturbação em seus olhos, seu grunhido.

“Por que você quer me machucar assim?” questionou. Meu coração se apertou.

Lembro superficialmente de ter dito alguma coisa, mas o que vinha em seguida eu não podia ter esquecido nunca.Mas o fiz.

“Quando estivermos lá em baixo, você precisa se lembrar do que é e do que faz comigo” ele estava sério, olhando-me nos olhos “Não importa o que eu dizer, ou qualquer um disser.Você não pode esquecer disso.” Falou e eu lembro de ter assentido, depois oferecendo minha boca para que ele a beijasse e se contorcesse de dor e prazer em meus braços.

Eu falhei com ele.

Falhei conosco.

Como pude ser tão burra? Todo aquele sofrimento podia ter sido evitado, toda raiva, rancor.

Mordi meu lábio tentando parar de chorar, mas não consigo.Precisava descansar.

Chamei Jared de volta em minha mente, mas provavelmente ele não o faria. Dane-se.

Comecei a me levantar com ajuda do apoio da parede, depois de algum tempo, finalmente havia conseguido, mas cada passo que eu dava a dor era maior, eu só não sabia realmente onde, na mente, corpo ou coração.Joguei-me na cama e urrei de dor. Fiquei numa posição fetal, foi quando senti minha blusa ensopada, de quê? Levo meus dedos até meus olhos, a luz fraca do abajur me deixa ver que era sangue, meu sangue.

Levantei minha blusa e fiquei horrorizada com o que vi, minha barriga estava toda perfurada por cacos de vidros, alguns ainda nos buracos, grandes cacos, maiores até que a palma da minha mão. Comecei a tirar um por um em meio aos meus gritinhos de dor, minha garganta já não me permitia esse tipo de coisa depois dos gritos com Jared.

Meu coração se apertou mais uma vez, em seguida arranquei mais um caco.

Depois de retirar quase todos, tirei minha camisa e coloquei-a sobre meu ferimento pra estancar o sangue, e fiquei ali pressionando, até que a escuridão me engolisse enquanto eu lamentava por ter sido tão idiota com Jared.

Notas finais
Eai? O que acharam? Coitadinho do nosso Jaredemônio, Kate foi, literalmente, uma bruxa com ele. O que será que vai acontecer agora? Onde está Naveena? Meninas, por favor, comentem, seja me xingando, me matando, mas comentem. Não posso negar que sinto saudades de receber uma recomendação, mas ok, tudo ao seu tempo. Amo vocês e estava louca de saudades. Beijared. Musa XO