Venus
1 Always You
Notas iniciais
Espero que gostem,
Moons
— James, eu já falei que nenhuma criança do mundo conseguiria se comunicar com brinquedos. — Remus disse no celular, apertando a ponte do nariz.
— Mas, Moony, eu assisti Toy Story! Eles se comunicam entre si! — James dizia do outro lado da linha fazendo Lupin rir.
Remus achava engraçado a forma em que ele, um garoto galês que há alguns anos se mudou para Londres em busca de uma vida melhor, coincidentemente, encontrou por acaso um garoto de cabelos bagunçados e óculos de lentes grossas junto com a namorada na livraria que trabalhava, que futuramente se tornariam seus melhores amigos. Tempos depois Lupin desistiu da livraria e foi para uma floricultura perto de seu apartamento, não era um excelentíssimo salário, mas era o suficiente para que pudesse sustentar seu cafofo e sua vida simples de solteiro.
— Pela décima vez, James, Harry não sabe nem ao menos falar, como poderia falar com os brinquedos de pelúcia? — o galês ouviu a voz da amiga do outro lado do telefone, junto com alguns resmungos do marido e uma risada gostosa de bebê.
— Preciso desligar, Moony, mais tarde nos falamos? — Potter perguntou e em poucos instantes encerraram a ligação.
Remus respirou fundo colocando uma música qualquer e indo tomar um banho rápido, em seguida, foi até a cozinha e preparou seu café forte com alguns pães na chapa, comeu rapidamente e então desceu ao estacionamento do prédio, indo até sua bicicleta e depositando sua carteira e celular no cestinho da frente. Subiu na mesma após colocar os fones de ouvido e iniciou sua trajetória até a floricultura.
Ele gostava de trabalhar ali, era calmo e deixava uma aura boa no local, levando felicidade às pessoas através de pequenas plantas bonitas. Estacionou a bicicleta atrás do imóvel e abriu-o aos poucos, escancarando as janelas, acendendo algumas luzes e regando as flores. A gerente do local, Sarah, estava viajando e havia deixado que ele cuidasse do lugar junto com sua assistente.
— Bom dia, Remus! Preparado para mais um dia cercado de flores e felicidade? — Tonks era uma garota bem mais nova que ele, tinha o cabelo colorido num tom entre rosa e roxo, sempre de bom humor e com broches em suas roupas. Lupin gostava dela, era divertido passar o tempo com a garota.
— Bom dia, Tonks, — ele saudou, observando-a ir até os fundos e deixar sua bolsa carteiro surrada e voltar com um avental igual ao dele (tirando pela quantidade enorme de broches coloridos) — não sei se aguento mais um dia ao seu lado, será uma tarefa árdua e difícil. — ele dramatizou, colocando a mão em sua testa como se estivesse numa dor profunda, a garota apenas revirou os olhos e deu um tapinha nele.
— Você é idiota. — ela riu, se sentando no banco alto ao lado dele e colocando uma música nos altos falantes da loja — Vou comandar as músicas que tocam aqui, você nem ouse chegar perto com suas músicas chatas e entediantes.
— Não posso mais gostar de música clássica? — ele perguntou fingindo estar ofendido.
— Poder pode, mas nas suas horas vagas onde eu não estou tentando me manter acordada. — ela respondeu, Call me Maybe soando num volume médio dentro da floricultura e o mais velho riu quando a garota saiu saltando e dançando enquanto regava algumas plantas mais baixas.
O local não era exatamente grande, mas era deveras espaçoso. Uma grande sala com uma das paredes majoritariamente composta por vidros que permitiam a vista de pessoas para dentro da loja, as paredes com um verde menta em todo o pé-direito alto, um rodapé branco e diversos tipos de mostruários ocupados por vários tipos de flores coloridas e cheirosas.
O dia não passava de forma rápida, principalmente quando a bateria de Remus acabava e ele não trazia carregador, — algo recorrente, ele era esquecido — mas aí chegava Tonks com dois copos grandes de café com algumas batatas do outro lado da rua e ele acordava de novo.
Quando chegava perto das 20 horas, Nymphadora ia embora por causa da faculdade perto dali, que começava meia hora depois, deixando assim Remus sozinho para fechar a floricultura e ir para casa.
Ele fechou a floricultura às 21 horas e se dirigiu lentamente para casa com sua bicicleta, ele planejava chegar a tempo de assistir o jornal ao invés de lê-lo no dia seguinte pelo celular, mas o universo conspirou contra ele e colocou um enorme e engarrafado trânsito na rua que ele costumava utilizar.
Então ele decidiu que passaria pela ponte que havia numa trajetória alternativa. Lá haviam alguns camelôs que vendiam todo os tipos de bugigangas para turistas e que agora guardavam seus "locais de trabalho" para enfim voltar pra casa — Remus não sabia se havia outra forma de chamar aquelas mesas de madeira dobráveis que eles utilizavam.
Porém, seu celular começou a piscar na cesta da bicicleta e ele parou rente à calçada e atendeu a ligação.
— Não, James, o Harry não pode comer panquecas. — ele respondeu rindo internamente com a pergunta do garoto, ainda não acreditava que ele casou-se e virou pai — Pelo amor de Deus, ele tem quase 6 meses, nem dente ele tem ainda. Não ouse acordar Lily por causa disso, vá esquentar leite antes que eu vá aí chutar a sua bunda. — Lupin disse, rindo das reclamações do outro lado da linha.
— Obrigado pela ajuda, Moony. — Potter disse, mas Remus nem prestou atenção, seu olhar estava numa pessoa deitada na calçada, tinha um corpo pequeno e delicado, marcado pelo vestido preto e curto, aparentemente se tratava de uma garota. Quando o rapaz checou o celular, percebeu que a ligação já havia sido encerrada, guardou o aparelho no bolso e desceu da bicicleta, ao olhar novamente para a outra, viu que havia um homem perto dela.
O homem se abaixou ao seu lado, mas ela continuou dormindo, ela usava um vestido preto que ia até um pouco abaixo de suas coxas, porém o pano estava bagunçado em sua perna e dava uma bela visão das pernas brancas e bonitas. Remus observou de longe o homem — aparentemente bêbado — levar as mãos ao vestido da pessoa, ‘’ele vai arrumar a saia? Essa é nova, que ótimo, alguém decente!’’, ele pensou, porém tudo foi por água abaixo quando o homem levantou a saia até que conseguisse ver por debaixo do vestido, Lupin chegou até lá em passos largos.
— Ei! — ele chamou tirando a mão do homem do tecido — Tarado de merda! — ele murmurou vendo o homem sair dali trôpego.
O garoto se abaixou e arrumou a saia do vestido, observou os cabelos pretos e encaracolados espalhados pelo rosto e pelo chão, parecia ter um pouco menos de idade que ele mesmo, não queria deixá-lo ali. Impulsivamente, ele levou sua mão até seu ombro, tocando levemente, tentando não assustá-la.
— Ei... — ele chamou calmamente, colocando sua mão inteira no ombro fino do indivíduo — Licença...
Em poucos segundos tudo mudou e agora Remus estava deitado no asfalto gelado com o corpo pequeno em cima dele, o joelho pressionando em sua garganta ao mesmo tempo que apontava uma faca — de onde tinha tirado aquilo?- para ele.
— O que você quer? — perguntou, os cachos bagunçados caindo em seu rosto cansado.
— O que você está fazendo?! — Lupin guinchou assustado, porém não saiu nada além de sons esganiçados já que o joelho pressionava o local, quase não deixando ar passar, ele colocou a mão no joelho da pessoa, indicando que não conseguia respirar, ela apenas levantou muito pouco sem sair do lugar — Olha, eu sinto muito que eu te assustei, apenas queria te avisar que o seu vestido estava levantado e tinha gente olhando. — ele disse rápido, vendo sua feição continuar igual — Só queria saber se você não quer alguma ajuda, posso te levar pra casa e te dar comida.
— E por que eu deveria acreditar em você? — perguntou.
— Você não deve, normal, mas se quiser estou indo pra casa. — Remus observou pensar por alguns instantes — Será que você poderia sair de cima de mim, por favor? Tenho crises asmáticas na minha ficha hospitalar, sabe?
Ele observou os olhos cinzas revirarem nas órbitas e logo não estava mais em cima dele, se sentando no papelão onde estava repousando há minutos atrás, mal percebeu quando guardou -sabe-se lá onde — a faca.
— Onde você mora? — perguntou, dobrando as mangas do vestido até o cotovelo, Lupin percebeu uma tatuagem de uma constelação ali, não se recordando de primeira o nome, e fez uma nota mental para procurar depois.
— Moro nos prédios da rua de cima, — ele indicou o caminho pela rua — você vai querer vir? Prometo que você terá um quarto seu e não vou tocar em você. — ele disse rapidamente, a pessoa à sua frente revirou os olhos cinzas e se levantou.
— Eu acho bom você cumprir a sua promessa ou eu arranco um dedo seu e ainda roubo você. — Lupin se levantou também, indo até a bicicleta e engolindo a seco, ele sabia que aquele tipo de pessoa não brincava sobre isso.
— Eu vou cumprir, não sou alguém que quebra promessas, — ele disse — você se importa de ir andando? Não sei se nós dois caberíamos na bicicleta. — ele disse segurando os guidões, vendo os olhos claros percorrerem seus coturnos, como se os avaliasse e perguntasse se aguentariam a caminhada.
— Pode ser. — disse apenas, e seguiu o outro que levava a bicicleta.
O caminho se passou em silêncio, Remus não saberia como começar um diálogo e aparentemente nenhum dos dois pareciam querer conversar, então apenas foram andando e quando chegaram no prédio do garoto, ele guardou a bicicleta no estacionamento e os dois se dirigiram ao apartamento.
— Bom, eu não tenho roupas exatamente femininas aqui, nem calcinhas ou sutiãs, mas eu posso te emprestar algumas roupas minhas antigas que devem servir em você. — ele disse revirando o armário — Você se importa? — ele se virou para observar o ser de cachos que olhava o quarto com curiosidade, ao terminar a frase, a atenção da pessoa se voltou totalmente para ele.
E talvez Remus tenha percebido um certo brilho transpassar seu olhar ao citar sobre as roupas, mas ele esqueceu isso quando ela concordou e entregou uma muda de roupas e toalhas indicando o banheiro.
— Vou fazer comida, você tem alergia a alguma coisa?
— Não. — ela disse antes de fechar a porta e trancá-la.
Lupin foi até sua cozinha e preparou uma refeição para ambos, apenas o macarrão à bolonhesa que costuma fazer quando não tem muita prática (ou vontade) de fazer algo mais bem-preparado. Quando estava terminando de colocar o macarrão, viu os cachos passarem por seu campo de visão se direcionarem à uma das banquetas, observando-o terminar.
— Ei, você pode experimentar? — Remus perguntou, olhando para ela com a cabeça apoiada na mão e uma expressão de tédio — Não sei se está muito temperado para você.
Ele estendeu uma colher com um pouco do molho, levando até os lábios dela, que tomou e pensou por alguns instantes.
— Está ótimo, — ela disse, lambendo os lábios limpando qualquer resquícios de molho que tivesse ali — coloca um pouco mais de açúcar, ainda tá um pouco ácido.
— Tem razão, obrigado. — o garoto adicionou o indicado e eles provaram novamente.
— Perfeito. — ela disse apenas, voltando a examinar a roupa em seu corpo, Lupin achou engraçado o fato que ela ficou ainda — aparentemente — menor em seus moletons grandes.
— Então… — ele começou — eu ainda não sei o seu nome.
— Você ainda não perguntou. — respondeu, ainda sem demonstrar nada de novo.
— Bom, eu sou Remus Lupin — ele sorriu, fechando uma das panelas e estendendo a mão para ela — como na história de Roma.
— Eu sou… — ela pareceu pensar por alguns instantes, mantendo um silêncio durante quase 10 segundos, até que voltou a realidade e suspirou — S, S Black, prefiro meu apelido por enquanto. Como uma letra do alfabeto. — disse num tom pesaroso que o garoto não entendeu, porém aceitou sua mão num cumprimento.
— Quantos anos você tem, S? — ele perguntou, mexendo o macarrão.
— Vinte e dois. — respondeu.
— Eu tenho vinte e três. — Lupin disse, cantarolando qualquer música enquanto terminava a comida — Está bom pra você? — ele mostrou a quantidade de comida no prato para S, que assentiu e olhou o prato à sua frente.
Remus olhou o ser encarar seu prato por um tempo, decidiu não pressioná-lo e então apenas pegou seu prato e se sentou ao seu lado. Eles comeram em silêncio, e S começou a comer em algum momento enquanto Lupin comia, parecia com fome, mas agia com classe como se estivesse em um jantar especial.
Eles terminaram e o menor pediu licença indo até o corredor, o garoto ficou pensando sobre S enquanto lavava a louça, com certeza não era de Londres, mas provavelmente vinha de uma família rica, já que após anos acompanhando Lily falando sobre moda, ele soube ver que aquele tipo de vestido não era qualquer um. Isso o deixou confuso.
— Remus, — o chamou no corredor — onde eu vou dormir? — a visita brincava com a manga do moletom, os cachos um pouco mais perto de sua cintura por causa da recente lavagem, e Remus não tinha secador de cabelo, então…
— Oh, mil perdões esqueci de avisar, — ele guiou-a até o último quarto do corredor e abriu a porta — esse é o quarto de hóspedes, ele não tem muita coisa, mas acho que deve servir. — ele deu espaço para entrar e se sentar na cama de viúva ali — Quer mais algum cobertor?
— Por favor. — ela pediu, olhando-o ir até o armário em frente a cama e pegar uma coberta grossa das prateleiras de cima. S não havia percebido que ele era tão alto. — Obrigado. — respondeu aceitando a coberta, se repreendendo rapidamente por usar “obrigado’’ ao invés de “obrigada’’ e apenas torceu mentalmente para que o outro não reparasse, ele não deu sinais que havia, no entanto.
— Bom, boa noite. Qualquer coisa que precise, estarei no quarto ao lado, — ele deu um sorriso enquanto se dirigia para fora — até amanhã, S.
— Até amanhã, Remus. — disse observando a porta se fechar e deitando na cama.
S observou o quarto, era bem diferente que o seu antigo. Aqui era tudo decorado em tons claros, branco, azul marinho e cinza predominavam as paredes e os móveis, lá na mansão dos Black era tudo decorado em tons de preto e verde escuro. Se lembrava exatamente do dia que fugira de casa, uma festa para comemorar seus recentes 22 anos, e com isso veio a conclusão de um acordo em que deveria se casar com um de seus primos (o escolhido era Lucius Malfoy, vinha de uma linhagem alternativa dos Black. Os Malfoys e seus longos cabelos louros lhe davam arrepios nada bons) para seguir a linhagem purista de sua família, ele se perguntava quem ainda pensava sobre isso, mas tudo se desmoronou quando contou à família que estava grávido. Nunca esqueceria o choque de seu padrasto, ou o ultraje no rosto de sua mãe ao dizer que não sabia quem era o pai da criança (sabia que a mais velha só não tinha descido ao nível dos xingamentos sujos que conhecia, pois a casa estava cheia de seus familiares).
S mal teve tempo de fazer algo, apenas correu até o quarto, onde pegou sua faca e a escondeu no vestido e deixou um bilhete para o irmão. Regulus era seu irmãozinho mais novo e toda a felicidade que tinha no mundo, mas precisava deixar aquela casa para sempre. Desde então estava apenas andando pela cidade e pedindo carona para estranhos, se não fosse pela criança que carregava, nem teria se importado em se alimentar direito, ficou andando por dois dias inteiros e então quando conseguiu aquele pedaço de papelão, apenas deitou e apagou.
Ele pensava no que havia acontecido nas últimas horas e que agora tinha uma cama boa para dormir e se alimentado muito bem, mas não sabia se era certo confiar tanto naquele estranho. Remus parecia um cachorrinho, ele tinha várias estantes de livros, a maioria deles de estudos ou de histórias recentes de romance que não conhecia, e uma quantidade exacerbada de plantas e flores, afinal, se ele fosse um serial killer não teria tantas flores, certo? Sirius achava que sim. Mergulhado em pensamentos, ele deitou-se na cama e encarou o teto, um ponto importante rondando sua mente: como diria a ele que S não era quem aparentava ser.
Não havia como ele saber a opinião dele sobre o assunto sem ir direto ao ponto, se perguntasse seria óbvio demais, se não perguntasse seria como se ele desse um soco sempre que o tratasse no feminino, era uma dor interna que não havia como contornar. ‘’Bom,’’ ele pensou, “se eu aguentei vinte anos com todos me tratando no feminino, talvez alguns dias a mais não sejam problema até eu descobrir mais sobre ele e saber se é seguro.’’
E assim, ele decidiu que iria averiguar mais sobre o proprietário da casa.
Mas uma coisa era certa: ele deveria alertá-lo sobre sua gravidez o mais rápido possível.
No dia seguinte, ele acordou com a batida leve em sua porta.
—Hey, bom dia. — Remus apareceu na porta com os cabelos molhados pós-banho, S gostou da visão.
— Bom dia, — se sentou na cama e olhou para a porta, coçando os olhos enquanto espreguiçava. — dormiu bem?
— Sim, e você? — ele respondeu, observando o hóspede acenar — Desculpa te acordar, mas eu costumo acordar a esse horário pra ir trabalhar, seria só pra te avisar mesmo pode dormir, mas se você ainda estiver cansada... — ele deu um sorriso sem dentes.
— Nah, vou levantar agora também. Você quer ajuda para fazer o café? — ele se ofereceu e Remus negou.
— Já está pronto, de qualquer forma, — sorriu — daqui a pouco eu preciso ir para a floricultura e volto à tarde, se importa de ficar aqui? Se quiser pode vir comigo também. — ele disse se apoiando no batente observando S.
— Por que você vai na floricultura? Já tem tantas flores aqui. — o menor perguntou confuso.
— Eu trabalho lá, S. — o mais velho riu observando o outro franzir o nariz — Bom, eu vou indo, okay? O café está na mesa, fique à vontade e não roube nada, por favor. — ele disse fazendo a companhia rir fraco, Lupin gostou de ouvir a risada de S, era descontraída.
— Não prometo nada. — disse se levantando ainda rindo e indo arrumar a cama enquanto o garoto ia embora e ela ouvia a porta se fechar.
S organizou a cama que dormiu e comeu o que foi deixado na mesa, lavou a louça logo depois e ficou sem saber o que fazer da vida.
No caminho da floricultura Remus ligava para o melhor amigo para contar sobre o que havia acontecido.
— Eu não acredito que tem uma pessoa na sua casa, você finalmente foi numa balada? — Potter dizia no telefone — Lily você acredita que Moony finalmente levou alguém pra casa?
— James, vai se foder, eu já disse que não foi isso. — Lupin dizia revirando os olhos e ignorando o rubor de suas bochechas — Ela estava na rua e um tarado tentou mexer nela, só isso. Fui uma pessoa boa e dei uma casa pra ela, para de ser idiota.
— Ela é bonita?
— Pra que você quer saber?
— Preciso ver se minha cunhada é bonita, não posso?
— Você é um idiota, vai cuidar do seu filho.
— Falando no Harry, você poderia ficar com ele semana que vem? Eu e Lily vamos sair. — James perguntou e Remus riu.
— Claro, meu afilhado é minha responsabilidade, vocês dois precisam sair de casa... Faz o quê? Quatro meses que não saem? Parece que estão de quarentena.
— Falou o que não sai de casa para nenhuma festinha desde o ensino médio, onde eu arrastava você.
— Jay, anos de convivência comigo deveriam te avisar que eu prefiro o conforto da minha casa à uma balada cheia.
— Ai, vai na pra sua floricultura, vai, Remus. — James revirou os olhos e desligou a chamada, fazendo o outro rir e fazer seus deveres ali.
As horas passaram, e no fim da noite ele pedalou de volta à sua casa enquanto ouvia Sleeping at least, chegando lá, ele guardou a bicicleta e pediu aos céus que S não tivesse destruído o apartamento ou algo do tipo.
Se surpreendeu ao chegar e sentir o cheiro delicioso de um prato que ele não conhecia exatamente. Entrou no apartamento e encontrou a visita dançando ao som de alguma música pop que ele também não conhecia, por Deus, Remus tinha que se atualizar.
— Olá, Remus. — sorriu enquanto mexia a panela.
— Olá, — ele respondeu deixando sua bolsa pendurada num cabideiro próximo à porta — como foi o seu dia?
— Tedioso, não sabia no que exatamente eu não poderia mexer, então apenas fiquei fazendo nada até dar a hora de jantar. — disse estranhamente alegre "até ontem ela parecia querer me matar… O que há com ela?" Lupin pensou confuso, porém apenas riu enquanto a via se mexer no ritmo da música.
Ela terminou a comida e, no fim, ele descobriu que S era excelente na cozinha, porém reparou também que a pessoa à sua frente aparentava estar nervosa. Ele apenas decidiu esperar qualquer coisa que ela fosse contar.
— Remus, então… — ela começou, mexendo em uma mecha de cabelo desviando o olhar do garoto ao seu lado — Eu sei que você só me trouxe aqui ontem, e que ainda não sabemos nada direito um do outro, eu nem sei se você confia em mim, mas eu precisava te contar uma coisa por que há uma chance de tudo mudar e etc. — ela disse rapidamente com um leve tom nervoso e o garoto olhou pra ela.
— O que foi? Aconteceu algo? — ele perguntou.
— Bom, não agora, mas aconteceu, né? — ela disse mexendo no cacho como um tique nervoso, e então respirou fundo enchendo as bochechas de ar e soltando lentamente — Enfim, eu estou esperando uma criança. — disse olhando para o prato enquanto Remus processava.
Ok. A pessoa que agora morava com ele estava esperando uma criança. Ele nem se preocupou com a ideia de ser dele por motivos completamente óbvios, mas ainda sim, quem era o pai daquela criança? Como ele faria para sustentar os três?
— Eu entendo se você quiser que eu vá embora, seria um custo a mais pra você e já fez tanta coisa por mim, eu agradeço de verdade. — começou, mas foi interrompida pelo mais velho.
— Você sabe de quem é a criança? — ele perguntou sério, fazendo-a olhar para ele.
— Não, — ela respondeu — e também prefiro não saber, foi uma noite em que eu fui numa festa, e seria muito trabalho para achar o pai, etc etc etc. — S finalizou e Remus apenas assentiu e comeu mais um pouco do prato.
— Não vou expulsar você daqui, — ele disse logo após engolir — mas eu ainda não sei como vou arranjar dinheiro pra nós três. — ele ponderou.
— Eu posso tentar ajudar, — S disse, terminando de comer e deixando os talheres no prato — posso procurar algum lugar aqui perto para tentar trazer dinheiro pra você.
— Não precisa, posso conversar com a dona da floricultura, talvez ela entenda. — ele disse pensando.
— E se eu trabalhasse com você? Lá não deve ser tão difícil, certo? É só cuidar de algumas flores. — S disse repentinamente animado e apoiou os cotovelos na mesa, olhando para Remus com os grandes olhos cinzas — Não dizendo que você não faz nada, mas deve ser mais simples do que a maioria dos trabalhos.
— Olha, — ele riu da animação da pessoa — eu posso ver com a Sarah, minha patroa, mas não posso garantir nada, — ele disse bebericando de seu suco — e provavelmente você seria apenas balconista, okay?
Observou-a assentindo.
— Obrigado, espero que seja o suficiente. — S deu um sorriso e se espreguiçou — Acho que vou deitar, espero que tenha ficado boa a janta. — disse levando o próprio prato na pia e parando no corredor.
S virou e apoiou-se na parede, encolhendo-se e olhando timidamente para Remus que havia voltado a comer. Abriu a boca querendo agradecer ao outro, mas ao invés disso apenas sorriu e se dirigiu ao quarto.
Nenhum dos dois sabia que aquela noite seria um tanto peculiar. Lupin achou estranho a movimentação no corredor, ele dormia com a porta aberta e acabou acordando com o estrondo de uma porta batendo, ele levantou assustado e foi até o corredor e viu que a porta do banheiro estava fechada. Ele bateu levemente na porta, porém não recebeu resposta, apenas sons estrangulados e engasgados.
Quando abriu a porta viu S sentado em frente ao vaso sanitário com uma cara não muito boa olhando para a porta. Quando S saiu de seu transe vendo o garoto de pijama, correu para se levantar e dar descarga.
— E-eu sinto muito, eu posso limpar isso, eu só preciso de alguns produtos… — S se levantou rapidamente e o garoto se aproximou dele.
— Ei, respira, — ele disse calmamente — eu posso limpar isso aí, não é legal você mexer com produtos de limpeza e tudo o mais, vá deitar. — ele se abaixou pegando alguns produtos no armário embaixo da pia e quando olhou para a outra pessoa ali, ela tinha lágrimas rolando pelas bochechas rosadas — Ei, relaxa, não precisa chorar por isso. Aconteceu algo? — ele perguntou preocupado e ela mordeu o lábio inferior negando com a cabeça.
— Eu não sei. — ela soluçou limpando o rosto com as costas das mãos fungando rapidamente. Não funcionou muito, as lágrimas continuavam descendo e Remus não sabia o que fazer.
— Você quer… Um abraço? — ele ofereceu acanhado e S aceitou.
O mais alto abriu os braços e esperou a outra se aproximar, o que não demorou muito. A cacheada gostou da forma que o abraço o confortou e magicamente toda aquela bagunça que explodiu em seu peito se acalmou, envolveu os braços na cintura do outro e encostou a bochecha no peitoral dele.
— Estou ouvindo seu coração. — disse divertido e Lupin riu.
— Quer dizer que eu não morri então. — eles riram juntos.
E ficaram ali, abraçados debaixo do batente da porta do lavabo até Black se sentir com sono o suficiente para ir dormir.
~
— Ok, eu preciso te contar algo, mas você não pode surtar. — Remus começou assim que a ligação foi iniciada.
— Olá para você também. — ele ouviu a voz de Jay do outro lado da linha, pilotando a bicicleta nas ruas geladas da cidade inglesa — O que houve agora?
— Bom, você lembra da garota que eu levei pra casa?
— Lembro, o que ela fez?
— Ela está grávida. — Lupin disse de supetão e esperou a resposta do outro, houve apenas alguns segundos de silêncio antes do grito estridente da outra acabar com seus tímpanos.
— COMO ASSIM ELA ESTÁ GRÁVIDA, REMUS LUPIN?! — ela gritou, fazendo o galês parar sua bicicleta para abaixar o volume dos fones — você nunca ouviu falar de camisinha?
— Você faltou às aulas de interpretação de texto, seu idiota? — o mais velho revirou os olhos e respondeu levemente ácido — A criança não é minha, ela me contou há uns dias atrás.
— Okay, acho que isso é menos ruim. — respondeu mais calmo.
— Eu não sei como isso tudo funciona. — Remus disse confuso passando as mãos no rosto.
— Lily mandou avisar que você pode perguntar qualquer coisa. — Potter disse e o mais velho respirou fundo.
— Ok, obrigado. — ele agradeceu — Mande um beijo pra ela e pro Harry, inclusive, eu vou passar aí mais tarde para pegá-lo, okay? — ele ouviu a confirmação do outro lado da linha e então os dois finalizaram a ligação.
Naquele dia, Sarah havia voltado de sua viagem e Remus conseguiu que ela contratasse S como balconista, e no fim da tarde ele passou na casa da melhor amiga e buscou o afilhado, indo para casa logo em seguida.
Ele chegou em casa, e como Harry havia dormido no caminho, Lupin apenas o deixou em seu carrinho que trouxe da casa da amiga dormindo na sala e foi até o quarto de hóspedes, batendo na porta antes de entrar.
O quarto estava vazio, e então ele percebeu que o chuveiro do banheiro principal estava ligado. Remus foi até a porta e bateu levemente, chamando S para avisar que havia chegado, em seguida foi para a cozinha fazer o jantar.
— De quem é? – Black chegou no cômodo, olhando para o pequeno bebê acomodado no sofá. Os olhos cinzas eram curiosos e ao mesmo tempo confusos.
— É meu afilhado, o pai dele é genderfluid, e no momento ele praticamente obrigou a esposa a ir comprar saias e essas coisas com ele. — o mais velho riu enquanto mexia na panela — Decidi fazer um creme de abóbora hoje, tudo bem pra você? Lily me disse que não dava enjoos nela. — ele disse para S, porém não foi respondido.
S estava ajoelhado na frente do carrinho, olhando o pequeno ser que ressonava ali. Não sabia o porquê de toda aquela curiosidade, mas lá estava: olhando o garotinho que tinha a cabeça levemente inclinada, a bochecha amassada e um biquinho babado formado nos pequenos lábios, a pele alguns tons mais escuros que a sua, o cabelo preto e — mesmo que em pouca quantidade ainda — extremamente bagunçado. Black não sabia quanto tempo passou ali, mas quando voltou à realidade tinha lágrimas rolando por seu rosto.
— Hey, – os braços envolveram seu pequeno corpo por trás rindo fracamente – respira, tá tudo bem. – ele disse calmamente – Quer me ajudar a fazer o jantar? – Remus ofereceu e Black respirou fundo e assentiu, levantando-se junto com o garoto e ambos indo até a cozinha.
Por algum motivo, no pouco tempo em que levou até eles chegarem até a cozinha, Black absorveu a frase que Lupin havia dito enquanto ele olhava para a criança.
— O que você tinha falado? – perguntou abrindo a geladeira e pegando uma garrafa de água gelada – Sobre o pai da criança.
— Ah, – o maior mexeu o conteúdo da panela – ele é genderfluid, sabe? Grosseiramente falando, dependendo do momento ele se sente em um gênero diferente, e no momento ele disse que está se sentindo bem como mulher, então chamou a esposa a ir comprar roupas. – ele riu – Jay costuma gostar muito de fazer compras, é adorável. – ele finalizou desligando o fogo pegando dois pratos e colocando o creme em ambos.
— Entendi. – ele pegou a comida que lhe era oferecida e foi até a mesa, uma chama em seu peito o deixando quentinho.
Então, talvez há a possibilidade de ser quem quisesse ali? Já que o amigo dele era da mesma comunidade, não havia tanta importância, certo? Aquelas perguntas rodearam seus pensamentos até que chegasse o horário de dormir, acabou com ele quase que desmaiando de sono repentinamente ao se deitar na cama.
Os dias se passaram normalmente na casa, Black descobriu que a pequena criança se chamava Harry e tinha enormes olhos verdes e brilhantes. Quando os pais vieram buscar, se demoraram um pouco nas conversas com o dono da casa enquanto S apenas ficou ouvindo do quarto, com vergonha de aparecer.
— Hey, vou fazer chá, – Lupin apareceu na porta de seu quarto – quer um pouco?
Com o passar dos dias, Black descobriu que ele era gentil e respeitava seu espaço, havia gostado disso.
— Chá do que?
— Tem chá matte, de hortelã, camomila e café, mas você não pode tomar café. – ele disse dando de ombros e rindo.
— Quero. – S se sentou na cama olhando para ele e tirando um cacho que havia caído em seu rosto – De camomila, por favor.
— Okay, vou fazer para você, – ele sorriu – pode vir ficar com a gente na sala se quiser, Jay quer conhecer ‘’a garota grávida no meu apartamento’’, – ele fez aspas e riu, S o acompanhou com um sorriso tímido, meio incomodado com os pronomes equivocados. – Mas se não quiser também, não precisa. – ele sorriu sem dentes e Sirius assentiu.
— Enfim, vou fazer o chá. – e saiu de seu quarto.
Black se levantou e foi até o espelho que havia no quarto para ver seu reflexo, seus cabelos estavam presos com uma bandana que fez com a barra do vestido preto que usou quando chegou ali, vestia um suéter de lã de Lupin e uma bermuda que não servia mais no outro. Precisava comprar roupas, mas não tinha dinheiro e nem queria pedir que Remus comprasse.
No fim de tudo, decidiu esperar um pouco e ir até a sala, chegou lá e colocou os cachos soltos atrás da orelha, mordendo o lábio. Havia uma moça ruiva (com os olhos verdes e bonitos iguais os de Harry) e um rapaz com cabelos bagunçados e óculos grossos, o tom de pele mais parecido com o do filho. Antes que qualquer um falasse qualquer coisa, os dois levantaram e foram até S, abraçando juntos, e por alguns instantes ficou sem saber exatamente como reagir, retribuindo o abraço logo depois.
— Olá, S, eu sou a Lily e essa é a Jay. – a ruiva apresentou-os sorrindo e Black sorriu também, eles exalavam uma aura tão boa, isso era novo.
— Pode me chamar de James também. – a de cabelos bagunçados disse, chacoalhando a mão de Black que sorriu e assentiu.
Eles ficaram ali sorrindo e perguntando sobre Black, do que gostava e Lily comentou algumas coisas sobre gravidez. Tomaram chá e comeram algum bolo pronto que Lupin comprou no mercado no caminho e foi isso. S gostou delas, carregavam uma vibe gostosa, ficou confortável todo o tempo (mesmo que errassem os pronomes, mas não era culpa delas nem de Remus), eles foram embora e lá estava S novamente: chorando sem motivo aparente. Hormônios descontrolados.
No fim de tudo, porém, houve algo novo: Remus convidou Black para deitar com ele. Não havia malícia ou qualquer coisa desse nível, era visível nos olhos amendoados e no sorriso doce que o rapaz lhe deu, apenas um convite para que parasse de chorar e se acalmasse. S não poderia dizer que uma ansiedade não tomou seu corpo, nunca havia dormido abraçado com alguém, o que deveria fazer? Como deveria ficar? E se acabasse se mexendo muito à noite e incomodasse o garoto? Eram muitas perguntas para algo tão comum.
Sirius se sentou na beirada da cama do mais velho, brincando com um cacho solto enquanto seu olhar se mantinha longe do garoto saindo do banheiro com uma toalha enrolada na cintura, mordeu o interior de sua bochecha com vergonha. Eles ficaram em silêncio até que o mais alto subiu na cama e se deitou. S deitou na frente dele, uma mistura de ansiedade e medo de tocá-lo. Como aquilo era possível?
— Eu... não sei como se faz isso – ela disse baixinho, se encolhendo debaixo das cobertas e mordendo o interior de sua boca – se deitar e dormir abraçado com alguém… — suas sobrancelhas se franziram enquanto dizia com um leve tom de vergonha enquanto pensava
— Você nunca dormiu abraçada com ninguém? – ele perguntou surpreso, vendo S assentir – Bom... não há uma regra, você só me abraça, eu te abraço e tá tudo certo, mas se você não quiser abraçar, pode ser também. – ele explicou levemente confuso procurando palavras para conseguir explicar algo tão… comum? Não entendia como a garota nunca tinha dormido abraçada a alguém. Black sorriu timidamente e se arrastou para perto do outro. — Quer que eu faça cafuné em você? — ele perguntou e sorriu ao vê-la assentir. S descobriu que adorava aquele carinho e a forma que Remus se esforçava para não embaraçar os cachos.
— Não tive uma família exatamente carinhosa. – Sirius respondeu explicando a dúvida do rapaz, deixando o mais alto envolvê-lo com seus braços longos e plantar um pequeno beijo em seus cabelos, seu coração estava derretido.
Ficou ali, apenas experimentando aquela sensação nova, e Remus aguardou que o corpo menor relaxasse enquanto passava a mão nas costas pequenas. O mais velho então se lembrou da conversa com a amiga mais cedo e limpou a garganta antes de perguntar.
— Então, mais cedo a Jay queria saber algo sobre você, mas acho que ela acabou esquecendo de perguntar... – ele começou, mexendo nos cachos – Ela queria saber quais são os seus pronomes.
E então o coração de S disparou.
Alguém realmente havia se interessado em saber seus pronomes?
Existiam pessoas assim? Não estava acreditando.
— Meus pronomes? – gaguejou, os olhos já brilhantes por causa da mistura dos hormônios e do efeito que aquela pergunta simples lhe causou, mordeu os lábios tentando conter uma súbita gagueira que tomou seu ser – são, ele e dele.
Foi como tirar um peso de suas costas, mas ao mesmo tempo era estranho, Lupin não havia falado nada e talvez temia ter feito algo errado. As lágrimas já escorriam por seu rosto.
— Por que não me disse antes? – ele se separou rapidamente olhando para os olhos cinzas marejados.
— E-eu fiquei com medo, – o menor disse desviando o olhar – eu não sabia se você era... Ok com isso.
Quando menos esperava, Remus puxou-o para um abraço apertado. Black se deixou ser abraçado e continuou deixando as lágrimas salgadas descerem por suas bochechas, Lupin o apertou tentando passar todo o carinho para ele de certa forma, se amaldiçoando por passar a ideia de que não o aceitaria dessa forma.
— Então, – Lupin se sentou com o outro a sua frente, passando os polegares na maçã de seu rosto limpando as lágrimas – como devo te chamar? – ele pegou nas mãos finas do cacheado, que sorriu timidamente.
Ele indicou a tatuagem no antebraço. Remus fora atrás na noite que o trouxe para casa e descobriu que aquele desenho representa a constelação de Canis Major. As linhas pretas e finas conectavam pequenos pontos uns aos outros, até a estrela principal da constelação: Sirius. Era exatamente onde o dedo do outro estava.
— Sirius? – ele perguntou, vendo o outro assentir – É um nome bonito, – ele viu o cacheado sorrir tímido – Sirius Black é um nome muito bonito. – ele disse sorrindo ainda segurando as mãos do garoto – Um nome bonito para um garoto ainda mais bonito.
Remus depositou um beijo nas mãos do cacheado que riu envergonhado com seu rosto num tom carmesim.
— Posso perguntar por que escolheu ele?
— Meu pai costumava me ensinar astrologia quando eu era pequeno – ele disse brincando com os dedos do mais velho – e o nome dele era Órion.
Sirius apontou para a estrela com mesmo nome em seu braço.
— Mas aí ele morreu e a megera da minha mãe casou com outro escroto, e por aí vai, – ele fez uma careta contando fazendo Remus rir – fora que Sirius é a estrela principal e mais brilhante da Canis Major e ninguém brilha mais do que eu. – ele jogou o cabelo cacheado para trás sorrindo presunçosamente e riu com Lupin.
— Entendi. – o de olhos amendoados disse – À propósito, meus pronomes são ele e dele também, só para confirmar. – ele apressou-se em dizer e Sirius riu assentindo, bocejando logo em seguida. – Vamos dormir, mocinho. Está tarde.
Sirius se deitou de costas para Remus e sentiu-o abraçar seu corpo, o peitoral quente contra suas costas, os braços firmes sobre sua cintura e embaixo de seu pescoço. Ali ele se sentiu acolhido, a chama de felicidade se acendendo novamente em seu peito. Sirius Black finalmente dormiu feliz naquele dia.
Os dias foram se passando e com eles a amizade de Sirius e Remus crescendo, eles marcaram o dia que Black iria para a consulta com uma obstetra. Nem era preciso dizer que no dia, os dois estavam nervosos e Sirius chorou litros quando ouviu o coração da criança, Lupin conseguiu disfarçar as lágrimas que se formaram.
No mesmo dia, Remus levou o garoto para a floricultura e apresentou-o à Tonks (que alegremente o recebeu com uma petúnia e Black também voltou a chorar) e resolveu toda a burocracia para que ele trabalhasse lá também.
Lupin gostou da forma que Nymphadora e Sirius conversavam, era natural. Como se eles se conhecessem há tempos, e não só algumas horas. Ela reagiu normalmente quanto aos pronomes do garoto, inclusive deu seu broche da bandeira do movimento trans para Black, — que chorou de novo e pediu desculpa pela choradeira — ele colocou no suéter que usava, não parou de mexer nele a tarde inteira, como se fizesse carinho nele o tempo todo.
As semanas se passaram e logo Sirius estava com aproximadamente 5 meses, a barriga já era aparente, porém nada muito grande, ainda assim Remus achava adorável quando Black reclamava manhosamente de dor nos pés, indo rapidamente lhe dar um remédio e uma massagem enquanto conversavam sobre assuntos aleatórios e ficavam nessa bolha deles, cada vez mais próximos.
Nessa época, Sirius parecia mais confiante e adorava atender as pessoas na floricultura, era simpático e sorria o tempo todo, inclusive não reclamava quando Tonks se oferecia para fazer tranças em seu cabelo cacheado e comprido, Lupin não parava de olhar para a cena, ela aquecia seu coração e o deixava feliz.
Um dos dias que Remus acordou para ir trabalhar, Sirius ainda continuava dormindo pesadamente, Lily havia contado que era comum que ele sentisse muito mais sono em alguns momentos. Então apenas escreveu um bilhete e deixou na cabeceira da cama do cacheado, indo trabalhar em seguida.
Teve que ouvir a companheira de trabalho reclamar que ele não havia trazido Sirius até que pagasse por dois café e uma porção de batatas da padaria em frente à floricultura, e então ela ficou feliz comendo seu petisco logo após regar todas as flores.
— Uma coisa, Remus Lupin. — ela começou, engolindo as batatas que haviam em sua boca.
— Diga, Nymphadora Tonks. — ele disse, recebendo um revirar de olhos.
— Por que você não leva uma flor para o Sirius? — ela perguntou casualmente e ele franziu as sobrancelhas.
— Por quê eu levaria flores para ele? — ele perguntou confuso e a garota bufou tapando o rosto.
— Vocês homens cis não tem o mínimo de romantismo, meus deuses. — ela foi até uma das flores ali e trouxe um pequeno lírio, entregando a ele — Dê a ele, tenho certeza de que vai gostar.
Lupin pegou a flor e assentiu, colocando ao lado da bolsa para não esquecer de levá-la na hora de ir embora. Passou o caminho inteiro tentando imaginar exatamente o porquê de Tonks mandá-lo dar a flor ao garoto, mas não negou e apenas entrou em casa.
A luz da sala estava apagada, o que significava que Sirius estava no quarto, estava tudo silencioso, então Remus andou até seu quarto, olhando rapidamente para a fresta do quarto de hóspedes onde Black estava ficando.
Ele definitivamente não estava preparado para o que estava vendo, mas mesmo assim seus olhos e seu corpo se recusavam a se mexer.
Em cima da cama estava Sirius, apoiado em seus joelhos sentado em um travesseiro enquanto movia os quadris para frente e para trás repetidamente cada vez mais rápido em busca de alívio, Lupin sabia o que o garoto estava fazendo. Os dedos apertavam o travesseiro e gemidos baixos junto com barulhos molhados foram ouvidos quando a silhueta de uma das mãos do cacheado direcionou-se até o meio de suas pernas, a calcinha box marcando as coxas bonitas e rosadas pelo atrito com o travesseiro enquanto o cabelos cacheados caindo como cascatas por suas costas.
Céus, o que estava acontecendo? Por que Remus queria entrar e ajudar o garoto a se aliviar? Por que ele ainda estava ali observando como Sirius rebolava naquele travesseiro como se necessitasse de algo o preenchendo? No que diabos Remus estava pensando?
Quando sua mente voltou a funcionar, Lupin se apressou em ir até seu próprio quarto, fechando a porta sem delicadeza alguma correndo para o banheiro que havia ali para tomar um banho e tentar não pensar sobre a cena que tinha visto há instantes.
Assim que saiu do quarto se deparou com Black na cozinha, vestindo uma de suas camisas largas que havia ganhado de Lily, era lilás e descia até suas coxas, onde quase escondia o short preto que usava.
— Rem! Não vi você chegar, acabei de fazer um café para nós. — ele apontou animado para a mesa arrumada com alguns pães, geléias e manteiga.
— Parece tudo ótimo, Six, — o mais alto sorriu, se sentando na mesa e esperando o outro se sentar com ele, pegando um pão e colocando na boca — está delicioso.
Sirius pegou a cafeteira e levou até o outro, servindo-o em sua xícara. Mas talvez Black fosse muito descuidado e então café escorria pela mesa e encharcava a roupa de Remus, que gemeu rapidamente por causa da temperatura da bebida.
— Ah! Céus, Rem, eu sinto muito! — Sirius exclamou correndo até a cozinha e pegando um pano, se abaixando para limpar o chão e as roupas do outro — Foi um acidente, mil desculpas. — ele falava tudo muito rapidamente, fazendo Lupin rir fraco.
— Não há problema. — ele tentou ajudar o outro, mas recebeu um tapa em sua mão — Ei.
Sabia que Sirius era teimoso, então apenas deixou-o limpar aquilo e voltar sua atenção para a mancha escura em sua camisa. Black se mostrou uma pessoa muito desastrada durante sua estadia ali, e rapidamente ele se desequilibrou caindo em cima do outro que rapidamente o segurou.
No momento, Remus estava sentado na cadeira cheirando a café, os olhos levemente arregalados com Sirius sentado em seu colo lateralmente, suas mãos na cintura fina e seus narizes a centímetros de distância. Segundos depois, já não estavam mais separadas.
Lupin sentiu os lábios macios e cheinhos do garoto se movimentando contra os seus, eram quentes e delicados. Rapidamente o mais novo se arrumou no colo do outro, sentando-se nas coxas do outro que rapidamente manteve as mãos nas coxas ao lado de sua cintura, fazendo carinho nelas aproveitando a sensação da língua do outro deslizando sobre a sua.
Momentos depois eles se separaram, os olhos cinzas encarando os amendoados com um sorriso brando gostando da forma que as mãos do outro estavam pousadas em suas coxas, os polegares se movendo lentamente fazendo carinho. A respiração dos dois levemente desregulada, nenhum dos dois esperando o beijo, mas ainda sim, Sirius adorou a forma que tudo ali parecia certo, nada aconteceu como se fosse forçado ou algo do tipo. Foi simplesmente incrível.
Naquela noite, eles dormiram juntos no quarto de Remus de novo, abraçados e trocando carinhos até que caíssem no sono confortavelmente felizes.
Com o passar dos dias, eles não propriamente falaram sobre o beijo, apenas gostaram e continuaram com aquilo. Era bom, e Black gostou de receber um selinho em seus lábios quando não estava esperando, ou quando Remus chegava da floricultura.
Sirius gostava da forma que o mais velho se mostrava tão cuidadoso. Conforme os dias passavam, o humor do menor oscilava menos e ele parou de chorar tanto, o que era uma conquista já que bastava qualquer coisa para fazê-lo chorar.
Quase todo fim de semana, James e Lily iam na casa deles e vice e versa. O casal presenteou o cacheado com coisas para bebê e algumas roupas para o garoto também. Ok, isso o fez chorar também, mas não havia relação com os hormônios, e sim, com o fato de ele se sentir tão amado ali, com pessoas tão novas em sua vida.
Os quatro criaram um laço forte entre si, mas Sirius também não podia esquecer de Tonks, a garota da floricultura era tão especial para ele e como ela divertia seus dias no trabalho, convidava o cacheado para assistir desenhos na casa dela ou simplesmente aparecia na casa de Remus e maratonava com os dois a tarde toda.
Mas definitivamente, a melhor parte do dia era quando o mais velho se deitava com ele o abraçando e fazendo um carinho leve na barriga já grande com 7 meses.
— Você fica adorável bravo, sabia? — Remus questionou, rindo do bico que o garoto fez.
— Eu já sei que eu estou parecendo uma lua, não preciso que você me lembre disso. — Black resmungou se cobrindo totalmente. Naquela época era normal o inchaço do rosto, pernas e pés, mas não impedia o garoto de ficar com vergonha. Afinal, aquilo não estava ali antes, era estranho olhar para o próprio pé e ver que ele ficou maior que o normal.
— Ei, — o mais velho se sentando ao lado do cacheado na cama, as mãos entrelaçadas e a mão livre de Remus repousando na barriga do outro — não disse isso, — ele beijou as costas da mão pálida — e você está lindo, seu bobão idiota.
— Está vendo como você me trata? Não mereço isso. — Black fez um bico enquanto o outro ria e se inclinava sobre seu corpo depositando vários beijo nos lábios cheinhos que rapidamente se esticaram em um sorriso mordido que o garoto tentava esconder.
— Bonito — Lupin sorriu — sabe o que eu acho que deveríamos fazer? — ele perguntou voltando a se sentar ao lado do outro
— O quê?
— Sair para jantar. — ele propôs, um sorriso divertido brincando em seus lábios enquanto o outro sorria com o rosto avermelhado — Eu fiz Sirius Black corar?
— Não. — ele cobriu o rosto com as mãos fazendo o outro rir mais — Para de rir, que ódio. — ele reclamou, porém não deixou de sorrir e olhar para o outro — Eu gosto da ideia, onde nós iríamos?
— Surpresa. — Remus se deitou ao lado dele e virado para o perfil bonito do garoto — Mudando de assunto, queria fazer duas perguntas, mas não sei se deveria.
— Sabe que pode perguntar qualquer coisa pra mim, Rem. — Sirius sorriu e pegou a mão do outro, brincando com os dedos longos
— Você… pretende fazer a cirurgia para transição? Tomar hormônios e essas coisas? — ele perguntou levemente acanhado, mordendo o lábio esperando uma reação do outro — Se não quiser responder não precisa. — ele se apressou em dizer e Black apenas sorriu e se virou para selar seus lábios com os do outro, voltando a sua posição inicial e encarando o teto.
— Não tenho certeza, — ele disse, suspirando — não tenho disforia com meu corpo, mas eu também não nego que seria melhor. — ele ponderou — Acho que não tem tanta diferença, — ele voltou a brincar com os dedos do outro — fora que é um pouco caro e eu só poderia começar o processo depois de parar de amamentar, então seria quase mais dois anos. — deu de ombros.
— Entendi. — Remus disse e beijou a mão do outro.
— Qual a outra pergunta? — ele se deitou de lado para encarar o mais velho, gostava de observar o narizinho de botão que o garoto mais alto tinha.
— Você já escolheu o nome da criança? — ele mordeu o dedo fino do garoto quando este tentou apertar seu nariz.
— Ai! — Sirius resmungou — Tenho uma ideia, mas eu não tenho certeza. — ele disse encarando o rosto do outro.
— Qual ideia?
— Hope. — Black disse baixo, um tom doce em sua voz — É unissex e eu acho bonito, — ele disse sorrindo e voltando a brincar com os dedos de Lupin — mas eu queria colocar o nome de uma estrela também, mas ainda não escolhi.
— É muito bonito, — ele disse, observando os traços do rosto do garoto — podemos procurar depois se você quiser. — ofereceu e gostou da forma que os olhos cinzas brilharam e o sorriso bonito rasgou seu rosto, sumindo rapidamente por um bocejo — hora de dormir.
— Eu só bocejei, quero ficar conversando. — o cacheado disse com um biquinho nos lábios enquanto coçava os olhos. O mais velho se inclinou para plantar um beijo na barriga avantajada, para logo em seguida, se deitar ao lado do outro, o abraçando numa conchinha e beijando os cachos pretos.
— Boa noite, Siz. — ele disse cobrindo os dois e deixando a mão direita apoiada no ventre do outro.
Sirius adorava a forma carinhosa que o outro começou a tratá-lo desde que se abriu com ele sobre sua transgeneridade, ele o protegia sempre, e estava a todo momento perguntando se estava bem ou se precisava de alguma coisa. E então o mais novo se questionava o que era aquele sentimento que fazia seu corpo inteiro esquentar de uma forma boa e seu rosto involuntariamente abrir um sorriso bobo.
Nos dias seguintes, antes do encontro deles, James passou na floricultura só para dar oi aos amigos e brincar com Tonks. Remus aproveitou para puxá-lo para fora do local e conversar com o outro.
— Ok, eu vou falar de uma vez, e como você está no meio da rua, você não vai surtar. — Lupin disse rapidamente quando estavam a uma distância considerável da loja.
— Meu deus, o que houve?
— Tá, eu li um pouco sobre há alguns meses, e talvez tenha visto… — o mais alto começou, mexendo na manga do suéter, mas estava com vergonha e rapidamente o tirou, com calor — O Sirius fazendo…. coisinhas em um travesseiro. — ele disse brincando com um pequeno cacho de seu cabelo que caiu em seu rosto, ele precisava cortar o cabelo.
— Ele o que-? — James ia perguntar e o outro rapidamente o calou.
— Tem outra coisa, — ele disse, seu rosto em tom carmesim o deixando levemente incomodado — nós nos beijamos há alguns dias.
— VOCÊS O QUÊ? — Potter gritou antes que a mão do outro cobrisse sua boca.
— Você está mais chocado com isso do que com o que eu disse antes? — Remus disse com uma expressão entediada.
— Não exatamente, mas no início da gravidez, Lily também tinha essa vontade de transar o tempo todo. — ele deu de ombros — Ok, mas agora você vai me contar exatamente como aconteceu.
E Lupin contou, sorrindo a todo o momento, brincando com o moletom em suas mãos, e xingando o melhor amigo sempre que ele fazia alguma piada sobre o mais velho estar apaixonado.
É, talvez ele estivesse mesmo.
Ao mesmo tempo, assim que viu os garotos saírem pela porta, Tonks quase pulou no pescoço de Sirius.
— O que houve, você está bem? — ele perguntou assustado por causa do movimento repentino da garota.
— Como estão você e o Rem? — ela perguntou animada, como se contasse um segredo, o cacheado franziu as sobrancelhas.
— Vamos bem, eu acho... — ele coçou a nuca confuso — Não entendi, tem um outro sentido nisso tudo?
— É claro que tem, Sirius! — Nymphadora exclamou ansiosa — Você acha que eu não vejo como vocês se olham? — ela cruzou os braços lançando um olhar convencido ao outro que corou e colocou um cacho atrás da orelha — Nós somos amigues, você pode me contar qualquer coisa. — ela disse tocando o joelho do garoto que sorriu fraco.
— Okay, desculpa, isso de carinho e amigos é novo. — ele sorriu envergonhado — Mas nós nos beijamos há alguns dias, e todos os dias desde então, — ele riu da reação da garota — e ontem ele me chamou para sair.
— E onde vocês vão? — ela perguntou.
— Eu não sei, ele não me disse. — ele sorriu bobo.
— Ownt, você está apaixonado! — Tonks exclamou apertando as bochechas, agora vermelhas, do garoto à sua frente.
— Não estou, não! — ele disse se desvencilhando das mãos do outro — Eu acho.
— Como assim “eu acho’’? — ela perguntou.
— Não sei como é gostar de alguém...? — ele disse confuso — Como é gostar de alguém?
— Ah… É quando você pensa na pessoa o dia todo, gosta de imaginar ela fazendo algumas coisas, — ela deu um sorriso malicioso que fez o garoto grunhir com vergonha — é gostar dos toques e dos momentos com a pessoa e sempre querer ficar junto. — ela finalizou olhando para o outro que parecia pensativo.
Black passou o dia pensando naquilo. Nunca havia gostado assim de alguém, como saberia se gostava verdadeiramente de Remus? Ok, ele adorava ficar e conversar com o mais velho, sentar-se na mesa e observá-lo cozinhar, ou quando seu corpo doía e ele gratuitamente se dispunha a massageá-lo sem o garoto ao menos pedir.
Os carinhos que ele deixava em seu corpo a cada toque, a cada beijo que davam, a cada vez que ele percebia a nova mania do mais velho de se sentar ao lado dele na cama e massagear sua barriga, ou até mesmo os pequenos beijos que ele plantava no local antes de dormir e quando acordava.
Será que Remus gostava dele também? Ou talvez ele só fosse extremamente carinhoso com pessoas que esperavam crianças?
— Você está muito quieto hoje, love. — o mais velho disse se deitando atrás dele na posição de todos os dias: Sirius dentro da conchinha e Remus como conchinha maior.
— Love? — ele perguntou risonho, olhando por cima do ombro a tempo de ver o rosto do outro ficar num tom levemente vermelho.
— É… Um apelido, desculpa. — ele disse com vergonha, fazendo o menor rir e se esticar para plantar um beijo casto nos lábios do outro.
— Eu gostei. — ele sorriu envergonhado — Então, você ainda não me contou onde nós vamos.
— É por que eu não vou contar. — ele disse sorrindo sapeca ao que o garoto cacheado se virava na cama para deitar de frente, para o que ele que rapidamente levou sua mão à barriga.
— Isso não é justo. — Sirius fez um bico com os lábios, sendo mordidos rapidamente por Lupin, fazendo um sorriso bobo aparecer ali.
Eles ficaram ali trocando carinhos até que Black sentiu uma leve pressão na barriga, arregalando os olhos rapidamente.
— Você sentiu isso? — ele perguntou alarmado, os olhos cinzas indo rapidamente para o outro que o olhava confuso — Aqui! — ele pegou a mão do outro e colocou onde a sua estava, sentindo rapidamente aquela pressão de novo o fazendo rir.
— Parece que Hope está chutando. — ele sorriu calorosamente, olhando nos olhos do garoto cacheado que sorria emocionado, as orbes cinza brilhantes pelas lágrimas. — Não chore, bebê. — ele riu comovido também, abraçando o outro que rapidamente se sentou.
O cacheado abraçava o outro fortemente e sentia algo totalmente novo, era mais um daqueles momentos que a realidade de que havia um pequeno ser dentro dele e que estava lá, vivendo, batia. Havia um coração batendo ali, dependendo dele, e que em alguns poucos meses já estaria em seus braços.
Quando seu olhar voltou-se para o mais velho, ele estava sorrindo bobamente para o menor enquanto colocava um cacho caído em seu rosto atrás da orelha, limpando o caminho molhado em suas bochechas. Ele levantou os olhos cinzas até que os olhos amendoados se conectaram pelo o que pareceu décadas, séculos ou até milênios.
Cada vez estavam mais próximos, até que os lábios colaram-se um nos outro, não era igual a nenhum dos outros beijos que já haviam trocado. Não. Este era bem mais profundo, como se eles tentassem transparecer seus sentimentos ainda não compreendidos um para o outro.
Uma das mãos de Sirius continuava entrelaçada à mão de Remus, que acariciava o local com o polegar num carinho delicado e quase inexistente, mas tão poderoso que o cacheado podia sentir que se parasse seu coração pararia junto.
A outra mão de Lupin foi até o rosto do outro, afagando a bochecha macia de Black que se derreteu com o ato e acabou sorrindo no meio do beijo, a sensação gostosa brincando dentro de seu peito aumentando e o deixando quentinho.
Será que era aquilo que Tonks quis dizer? Se fosse ele adoraria estar gostando do garoto, a sensação era gostosa e o fazia querer aquilo para sempre.
O mais velho gostava de como o outro plantava mordidinhas em seus lábios quando terminavam o beijo, ao mesmo tempo que poderia ser um convite, também era algo confortável que não necessariamente era malicioso. Era apenas… Ele.
Naquela noite eles dormiram sorrindo, felizes e aquecidos. Com seus corações vivos e batendo forte como se chamassem um pelo outro.
O dia do encontro chegou, e ainda na floricultura, (eles marcaram para ser numa sexta, e era engraçado quando aleatoriamente Sirius perguntava onde iriam e Remus apenas ria e mudava o assunto) Black encheu Tonks de perguntas sobre como era um encontro.
— Não há muito segredo. Vocês vão para algum lugar romântico, ficar conversando, mãos dadas, todo esse blábláblá de casal. — ela disse — Talvez vocês façam coisinhas depois, mas isso eu me recuso a falar sobre, até por que não é sempre que acontece. — ela disse.
— Que coisinhas? — Black perguntou, observando o mais velho terminar de colocar a encomenda na bicicleta e partir.
— Sirius. — ela riu, checando se o outro havia saído — Sexo, Siz. — ela disse normalmente e riu mais ainda quando o outro teve o rosto colorido pelo tom carmesim — Nem vem corar, palhaço, olha aí o tamanho da sua barriga para ficar tímido com esse assunto.
— Ah, mas é diferente… — ele mordeu o interior da bochecha, deixando sua mão naturalmente apoiada na barriga (com sete meses e enorme).
— Por que seria diferente?
— Ah… nesse caso foi só uma ficada numa balada que eu fui, — ele disse — eu tinha bebido e, no fim, acabou nisso.
— Mas… — ela incitou.
— Mas acho que com Remus não seria algo de uma noite, sabe? — ele desabafou — Não só pelo fato de eu morar com ele, mas talvez eu sinta algo por aquele idiota de dois metros de altura. — ele riu tímido, principalmente quando a garota deu tapinhas animados em sua coxa.
— Oh céus, meu filho está amando, — ela disse emocionada, se abanando e fingindo um falso choro — eles crescem tão rápido!
— Idiota! — ele riu — Pare com isso antes que eu chore também, porque aí ninguém mais vai entrar nessa loja.
— Okay, — ela sorriu, se levantando e abraçando os ombros do cacheado e beijando carinhosamente sua omoplata direita por cima do suéter bege que vestia — você usando os moletons dele é tão fofo, odeio vocês.
— Não nos odeie. — ele riu se encolhendo no moletom, quase sentindo o abraço de Lupin.
— Vou regar as plantinhas, fique aí e não vá embora.
— E para onde eu iria? — ele perguntou rindo ao ver que a outra riu alto dos fundos da loja onde ficava os regadores.
Era verdade aquela pergunta, ali com ela e Remus, Jay e Lily, eles eram sua casa. Seu lar.
A noite caiu e logo eles estavam caminhando para casa. Sirius olhou rapidamente para suas mãos entrelaçadas e no perfil do garoto ao seu lado, um sorriso abrindo nos próprios lábios antes de perguntar:
— Como nós vamos nos arrumar? Porque eu não tenho roupas para sair assim, formalmente, e você obviamente vai me ver antes da hora. — ele disse confuso e observou o outro rir.
— Não vai precisar de roupa formal nenhuma. — um beijo foi plantado na bochecha do mais baixo.
— Mas num encontro as pessoas usam roupas bonitas… — Black pensou alto.
— Está dizendo que minhas roupas não são bonitas, Sirius Black? — ele questionou rodando rapidamente o garoto e o deixando à sua frente com as mãos na cintura do outro, os polegares acariciando a lateral da barriga do outro que sorria.
— Nunca diria isso, Remus Lupin. — ele disse cinicamente fazendo o mais velho rir, os dois voltaram a andar, pois sabiam que não era legal o cacheado andar muito e ficar em pé tanto tempo sem descanso.
— Mas relaxe, okay? Não há nada de exagerado hoje, — o mais velho beijou a mão entrelaçada na sua — será apenas nós dois comendo e tomando suco.
— Estava esperando um vinho no fim dessa frase.
— Você está louco se acha que vou deixá-lo tomar vinho.
— Nem um golinho?
— Nop. — o mais velho estourou o lábios fazendo um ‘pop’ que fez o outro rir.
— Não vou então.
— Claro que vai, senão irá morrer de tédio. — os dois riram o caminho inteiro até chegar em casa.
Lá eles se separaram e foram tomar seus respectivos banhos, se arrumarem e etc. Sirius estava se olhando com uma calça moletom cinza e uma blusa larga de Remus no espelho, se questionando se aquilo estava okay para um encontro. Não podia negar que estava totalmente confortável em como a blusa não apertava sua barriga e o deixava respirar tanto quanto podia, mas infelizmente a sociedade ainda não aceitava pijamas como roupas apropriadas para sair.
— Hey, posso entrar? — após batidas na porta, a voz de Lupin foi ouvida e logo o de os cabelos com pequenas ondinhas apareceu no batente.
— Eu disse que você ia me ver antes da hora, — Sirius riu observando o outro se aproximar — do que precisa?
— De ajuda com o cordão desse moletom, — ele indicou o moletom que vestia porém o cordão no capuz estava desregulado — você tem muito mais paciência do que eu para isso. — o garoto mais baixo riu docemente antes de ir até o outro e rapidamente focar sua atenção nos cordões ali, mas toda hora o mais alto o atrapalhava com selinhos deixados em seus lábios.
— Assim eu não consigo arrumar, love. — ele riu bobo quando outro beijo foi plantado em seus lábios .
— Esse apelido é meu até onde eu sei. — o mais velho disse rindo antes de continuar roubando beijos do menor.
Remus continuou tentando roubar beijos do outro até que Black terminou de arrumar os cordões e envolveu o rosto do mais velho com as mãos o trazendo para perto e juntando seus lábios demoradamente.
— Você está bonito. — o menor disse quando se separou, observando a calça cinza e o moletom branco com bordados bonitos. Gostou da forma que o mais alto sorriu tímido e o rubor se espalhou pelas bochechas.
— Você também está lindo. — Lupin segurou delicadamente a mão do outro e o girou lentamente no próprio eixo, percorrendo os olhos amendoados pelo corpo do garoto que ria e tinha o rosto igualmente tingido pelo rubor — Uma linda estrela.
— Qual é, eu estou de moletom. — Black riu — Espero que seja lá onde nós formos não esteja cheio nem seja longe. — ele disse.
— Não estará cheio, nem será longe, prometo. — o mais velho manteve as mãos unidas e entrelaçadas apenas olhando o outro.
E eles ficaram lá alguns minutos sem sequer perceberem, Remus ficou observando os detalhes do rosto do outro, como o nariz pequeno e delicado, os lábios cheinhos e os cachos bonitos presos para trás com uma caneta qualquer que ele havia roubado de um dos porta lápis de Lupin.
Já Black fitou os olhos amendoados do rapaz à sua frente e lentamente levou a mão até os cabelos que formavam cachos quase nada definidos cor de areia, entrelaçando-se neles e passando as unhas levemente pelo couro cabeludo. Ele observou que o garoto tinha pequenas sardinhas espalhadas no rosto, quase imperceptíveis. Sirius gostou quando o outro inclinou a cabeça em direção à sua palma como um gatinho pedindo carinho, não negou o afeto ao outro que sorriu.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!— Vamos logo, desse jeito a comida vai esfriar. — Lupin disse voltando a entrelaçar os dedos de sua mão, o puxando lentamente até a porta, rapidamente se colocou atrás do menor e vendou-o.
— O que é isso? — Black resmungou — Sabia que você ia me sequestrar, não devia ter vindo para cá.
— Pare de ser idiota. — o mais alto riu, colocando uma mão no lado esquerdo da cintura do garoto e a outra mão no ombro direito, guiando-o pelo corredor até a sala.
Levou os dedos até a amarra e deixou que os olhos cinzas varressem a sala de estar, que estava arrumada com edredons espalhados, o sofá arrastado para trás e a mesa de centro foi esquecida no canto da sala para dar mais espaço. Havia vários potes espalhados pelas cobertas com frutas e doces, (tudo pesquisado para que alguém com quase 8 meses de gestação não sofresse nenhum dano) e algumas luzinhas de natal presas pelas paredes e apoiadas em algumas plantas que haviam ali. Sirius quis chorar com tudo aquilo arrumado para ele.
— Você fez tudo isso? — ele perguntou para o outro que continuava parado atrás dele, após vê-lo assentir, abraçou o corpo do outro (tortamente por causa da barriga que já estava grande), enquanto segurava as lágrimas que rapidamente já deslizavam por seu rosto, e ele ria enquanto Remus limpava-as com os polegares e sorria para o cacheado enquanto plantava um beijo carinhoso em sua testa.
Eles se sentaram no meio dos cobertores, Sirius ao lado de Lupin, que abraçava o mais baixo lateralmente o deixando deitar a cabeça em seu peito e dando frutas em cubinhos em sua boca enquanto conversavam sobre coisas bobas ou assistiam alguma coisa na televisão.
— Você está cheiroso. — Sirius disse enquanto enfiava o nariz no pescoço do outro que se esquivou rindo.
— Isso faz cócegas, para. — Remus disse, passando a mão na nuca para controlar o arrepio que sentiu — Você também está cheiroso, mas acho que é algo natural, você está sempre cheiroso. — ele sorriu.
— Ah, é?
— É.
— E você gosta? — Sirius perguntou atrevidamente.
— Gosto.
— Que bom que você gosta.
— Sabe outra que eu gosto? — Remus perguntou repentinamente.
— O quê?
— De você. — o mais velho disse, o menor arregalando os olhos momentaneamente quando se deu conta, mas decidiu entrar na brincadeira.
— Também gosto de você.
— É?
— É.
— Que bom. — Os dois explodiram em gargalhadas, até que rapidamente Black ficasse sem ar e Lupin o desse uma garrafinha de água para se acalmar.
Caíram num silêncio repentino e nenhum dos dois reclamou, apenas ficaram quietos, numa bolha só deles.
— Rem? — Sirius chamou repentinamente tímido.
— Sim?
— Você disse sério? Sobre… gostar de mim? — ele perguntou brincando com um cacho que caíra sobre seu rosto.
— Sim, eu gosto de você, Siz. — ele pegou sua mão fazendo carinho nelas, sorrindo para o menor que sorriu mordendo o interior da própria bochecha — Mais do que um garoto que veio morar comigo e virou meu amigo. — ele disse rindo fraco, seu rosto com um tom carmesim .
— Eu… também. — Sirius disse pensando um pouco — Na verdade, eu não sei exatamente o que é gostar de alguém desse jeito, porque nunca houve um relacionamento sério entre eu e outra pessoa. — ele explicou, Remus apenas o assistia em silêncio — Era apenas coisas de uma noite só, fora que tinha tudo aquilo de se preservar para o casamento e blá blá blá. — ele disse fazendo uma careta e o mais velho riu — Mas pelo o que a Tonks disse como era gostar de alguém, eu estou gostando de você.
— E o que você está sentindo? — Lupin acomodou-o entre suas pernas, onde ele deixou o menor sentado lateralmente de forma que pudesse olhar para o rosto bonito.
— Não sei explicar, é algo como um sentimento quentinho no meu peito que me faz ficar feliz, é novo, nunca tinha sentido isso antes. — ele riu do bico torto nos lábios do garoto que falava — Gosto da forma que você cuida de mim, sempre respeita o meu espaço e também é incrivelmente bonito, o que na verdade me deixa irritado. — Black comentou risonho vendo o outro corar fortemente, plantando um beijo na bochecha vermelha e quente.
— Você também é muito bonito. — ele disse varrendo o rosto do outro com um olhar morno, colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha — Mais lindo que a estrela do seu nome.
— Você é adorável, igual um lobinho. — ele riu.
— Não faça piadas com meu nome, senhor Black. — ele disse com falso tédio.
Eles ficaram ali, trocando carinhos e beijos quase que a noite toda, até quando Sirius sentou-se no colo do outro e tudo avançou de um certo modo. Ambos concordaram de não avançar tanto, então apenas passaram a noite dando prazer um para o outro até que fossem dormir, foi um passo pequeno, mas ainda assim, um passo para frente.
Após a conversa daquele dia, os dois simplesmente se tratavam como casal, Jay e Lily os visitaram e comentaram sobre os dois se tratarem dessa forma, e desde então apenas se chamaram de namorados, afinal, não precisavam de um pedido de namoro e estava tudo bem. Eles estavam já morando juntos e entendendo seus sentimentos aos poucos, o rótulo não era necessário.
Sirius sentia que piscara e já estava na reta final da gravidez, ao mesmo tempo que estava feliz em finalmente estar perto do fim, não conseguia não reclamar sobre a constante dor nas costas, em seus pés, a respiração dificultada e outros sintomas da última fase.
Remus acabou tirando um tempo da floricultura para poder cuidar do garoto, e Tonks mandava mensagem o dia todo querendo saber a respeito de Black e como estava. Sirius reclamou por alguns instantes quando descobriu o que o namorado havia feito, resmungou que ele não deveria se ausentar no trabalho, mas não demorou muito para que ele apenas ficasse jogado no sofá respirando fundo e pedindo manhosamente por carinho e massagem.
Os dias passavam preguiçosamente, Lupin sempre ali quando Black estava se sentindo mal, para dar auxílio no que precisasse, Tonks foi visitá-los um dia depois do turno da faculdade e trouxe dois pequenos sapatos de crochê que havia comprado à caminho da faculdade. Naquela noite, o cacheado caiu no sono abraçado aos pequenos sapatos e Lupin apenas tirou uma foto emocionado querendo salvar aquele momento.
Algumas semanas depois, repentinamente tudo mudou, no meio da madrugada, Remus acordou com o garoto o apertando dizendo que precisavam ir ao hospital e então ele correu para pedir um táxi. Em menos de vinte minutos, estavam na frente do hospital mais próximo.
Algumas médicas que estavam ali levaram Sirius para um check-up e rapidamente Lupin foi atrás, avisaram que ele estava em trabalho de parto e que a bolsa havia estourado, mas a dilatação ainda não era suficiente, então apenas deram um remédio para dor, Remus viu que era um remédio colocado na coluna por uma seringa pontuda, ele apenas se virou e estremeceu com a sensação, prometendo que diminuiria as contrações, e os pediram para esperar.
— Queria perguntar como você está, mas não sei exatamente como fazer isso. — ele perguntou nervoso, se sentando ao lado do garoto cacheado que já usava a roupa do hospital e tinha o rosto suado. Lupin apenas permaneceu ao lado do garoto olhando-o, tirando alguns fios de cabelo de seu rosto e segurando firmemente sua mão, sem sair de seu lado.
A dificuldade de respirar normalmente naquela fase da gravidez somada às dores das contrações fizeram Sirius apenas resmungar e não conversar de forma certa, e após algum tempo (o mais velho tinha certeza que no relógio se contaram 3 horas, mas parecia que séculos passaram, se sentiu quase agonizando em dor junto com o namorado sem poder fazer nada) o levaram para a sala de parto. Ele estava prestes a segui-los, porém uma das enfermeiras o barrou.
— Na sala de parto só é permitido familiares. — ela disse educadamente, colocando a máscara no rosto e Lupin apenas encolheu-se e estava pronto para voltar a se sentar quando Sirius chamou.
— Ele é o pai da criança. — ele disse entre ofegos de dor com o remédio perdendo os efeitos aos poucos. Remus apenas arregalou os olhos e foi, agora não era hora de se emocionar com aquilo.
Tudo ocorreu bem, o parto foi um sucesso e Hope finalmente havia chegado ao mundo com saúde e tudo mais. Após a cirurgia, Sirius apenas adormeceu por causa das anestesias e pelo cansaço, então quando todos saíram da sala de cirurgia, Remus ficou ao lado do garoto no quarto e mandou uma mensagem avisando o que havia acontecido. Recebeu mensagens de gritos e emojis de Jay e Lily avisando que estavam na casa da irmã de Lily e não poderiam ir naquele momento, mas assim que pudessem, iriam.
Ele observou o garoto ressonando na maca com a roupa branca do hospital, o rosto fino mostrava que finalmente estava dormindo todas as noites que havia demorado a cair no sono por causa dos incômodos das dores.
O relógio demorou a rodar e, quase uma hora depois, Black se movimentou na cama finalmente abrindo os olhos, piscando algumas vezes para acostumar-se com a iluminação do local.
— Hey, você acordou. — Remus disse morno ao lado da cama, brincando com os dedos finos do outro — Como se sente?
— Drogado. — ele disse com a voz rouca, coçando os olhos como uma criança que acabou de acordar — Onde está a Hope?
— No berçário, descansando e passando por exames — ele respondeu passando os dedos pelo rosto do garoto delicadamente — daqui a pouco a enfermeira vai vir trazê-la. — o cacheado sorriu, piscando lentamente.
— Estou com sede. — Black disse fazendo um bico torto, e agradecendo quando o namorado deu um copo de água para ele, que tomou rapidamente.
Não havia muito o que conversar, apenas ficaram ali trocando caricias e algumas perguntas soltas no ar. Até que, finalmente, uma moça de rabo de cavalo alto e pele escura entrou no quarto com um pequeno embrulho de cobertores nos braços, ela caminhou até o garoto cacheado que estava sentado na maca e colocou a criança ali, instruindo como segurar e dando dicas sobre amamentação.
Sirius parecia nem notar a moça ali, respeitosamente ouviu o que ela falou, mas ao mesmo tempo não sabia tirar os olhos do pequeno ser em seus braços. A garotinha (sua garotinha, ó céus, que emoção) tinha olhos claros iguais aos seus, cabelos escuros e o tom de pele semelhante ao dele, o nariz de botão quase fez o garoto chorar de tão pequeno que era, sua filha em si era todo um conjunto de peças de porcelana que se apertasse demais, quebraria.
— Ela é linda. — ele disse baixo, a voz embargada de emoção.
— Ela é mesmo. — Remus se sentou ao lado dele, observando a garotinha mirar os olhos grandes e bonitos por todo o quarto observando-o — A família Black tem uma genética boa, todos são lindos, acho isso uma injustiça conosco, meros mortais. — ele disse vendo o outro rir.
— Não seja bobo, você também é lindo. — ele olhou para o garoto sorrindo.
— Eu dou para o gasto. — ele riu fazendo o menor revirar os olhos e voltá-los para Hope que brincava com um cacho do pai — Então… O que você disse sobre eu… — Remus se lembrou repentinamente, mas não achou palavras o suficiente para completar a frase, sorte que o outro já havia entendido.
— Sim, — ele disse certeiro — o que eu disse era verdade, eu queria falar com você sobre isso antes, mas acabou que não deu e eu também não sabia como começar. Mas a verdade é que não importa que ela tenha o DNA de um cara qualquer aí, quem me ajudou no processo inteiro foi sempre você — ele disse olhando para o garoto sentado à sua frente — eu entendo se você não quiser, nem nada, foi só uma ideia.
— É claro que eu quero, — ele disse prontamente — seria um honra ser o pai dela. — ele sorriu emocionado, sua mão acariciando a coxa do outro que continuava sentado, rapidamente plantando um beijo nos lábios do garoto e outro delicadamente nos cabelos ralos da criança — Ei, bebê, como vai? Eu sou seu novo pai, sabia? — ele disse perto da garotinha que olhou para ele curiosa com o novo som, apenas encarando-o estudando aquele rosto novo.
E então Sirius soube que ali, estaria tudo bem. Com Remus ao seu lado e Hope em seus braços sua vida com certeza seria a que ele sempre quis.
Fim
Notas finais
Espero que tenham gostado!
Moons
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