Ventos que me Levam

5 Capítulo 4 : Equitação para um Arqueiro.


Notas iniciais
Olá cheguei, minha beta me entregou ontem, mas eu não vi meu e-mail.

CAPÍTULO 4:

Abelard pastava tranquilamente debaixo do sol, movendo sua cauda, espantando os mosquitos, enquanto degustava a grama com o orvalho fresco, ao seu lado, a montaria de Gilan também desfrutava da paz matutina. As orelhas empinavam-se com a aproximação sorrateira, ignorando a suposta “ameaça”, até que duas mãos tocaram sua coxa musculosa, logo abaixo, enrolando-se nos pelos bagunçados do pônei que apenas relinchou, piscando lentamente para o garoto. Era Will que teimosamente havia escapado, pelo jeito, queria montar sozinho, entretanto, suas aulas de equitação não se movia sozinha sem a supervisão de Halt. “

“Abelard, me deixa subir!” Ele falou, abalado com a sua altura pequena demais para montar sozinho. Com determinação, esticou os dedos, já o pônei bufou, movendo as pernas para os lados, um pouco incomodado com a insistência, para a infelicidade do rapazinho a sua camisa foi segurada deixando-o pendurado.

Halt havia suspendido seu corpo pelo colarinho, assustando-lhe de imediato. Com um grito de medo e pavor, o corpo foi virado até encarar os furiosos olhos escuros.

“Era só o que me faltava, Will, já disse que não!” Ralhou. Havia ido ver Gilan atrás da casa com as suas flechas, e tinha esquecido que o menino estava ficando cada vez mais esperto e ousado.

Gostaria que ele tivesse seus meses de vida, ele era menos impertinente.

“Papai, eu já tenho idade, sou grande que nem o Gil”. Ele disse bravo, com um ar de mandão, mediante a suposta bronca ou as palmadas nas nádegas, aquele projeto miniatura de um homem, estufou o peito infantil, fez a melhor expressão zangada até o rosto avermelhar-se — as bochechas gordinhas pareciam duas frutas bem maduras do verão, sob o gelado olhar, Will não tremeu e muito menos piscou. Ele estava com o corpo endurecido, encarando Halt, os dedos fechados. O homem queria rir, soltaria ele para cima de Abelard com orgulho de estar criando um futuro homem de honra e coragem.

Halt se encheu de júbilo com a imagem do rostinho, tocando a cabeça dele com a sua, sentindo o leve cheiro de água-de-colônia, ele suspirou, teria que em um momento largá-lo no mundo, mas ainda não era hora, nem momento. Will era a única coisa com a qual tinha uma ligação forte, — seu valoroso pai e seu salvador havia lhe dado um presente de luz.

Will sentia a força sobre-humana em seus braços, vendo que o adulto cochichou alguma palavras no ouvido do pônei, logo em seguida, o menino sentou-se animado no lombo. Ele segurou as rédeas como gente grande, acariciou com carinho, sentindo que estava onde queria estar.

Já era o quinto dia, segunda-feira nublada, anunciava um pé-d’água forte, porém Will mantinha-se andando com Abelard, já cavalgava melhor do que muitos iniciantes, com confiança para um garotinho de quatro anos e meio, quase cinco pelas contas de Halt, que havia preparado em antemão um alvo para a nova lição de Will. Se ele já sabia se portar bem com a tarefa de usar Abelard sem se machucar, então, ele teria sua primeira aula com o arco.

Uma espécie em miniatura do original dos Arqueiros, mais flexível e leve, menos duro. Madeira leve, entalhada à mão pelo próprio Halt. Gilan não estava mais naquela fase dos ciúmes, estava em outras mais chata. A época das garotas. Halt Já estava com saudade das guerras e do medo, pelo menos a única ideia que passava na mente era combater a escuridão.

O pônei veio trotando, Will tinha o seu rosto um tanto assustado e pálido, Abelard bateu as patas na terra relinchando. Halt estava concentrado no que passava na cabeça e não ouviu que se aproximava da mata alguns cavaleiros encapuzados, com seus arcos nas costas, rosto escurecidos. Instintivamente, se levantou até o menino assustado, Will empalidecera ainda mais quando sentiu a tensão dos músculos de mármores do pai enrijecerem com aqueles homens. Um deles se aproximou, erguendo o queixo, mostrando um sorriso travesso e sem graça. Crowley retirou o capuz, deixando que os cabelos ruivos brilhantes ficassem à mostra. Halt rodou os olhos, sabia que era Arqueiros, e também, já imaginava que ele desse as caras algum dia em sua propriedade.

“Halt! Então, este menino é seu filho?” Saltando da montaria robusta, ele veio ao encontro com os braços abertos, abraçando, esmagando, o corpo troncudo do Arqueiro. Will grudou na perna, se escondendo do estranho. Abelard mordeu sua capa verde-acinzentada, bufando, puxando para si a criança. Ele era agradável à primeira vista, entretanto, Halt sempre disse para não falar com estranhos, pois todo mundo era “suspeito”, Will não sabia o que era suspeito, mas imaginava que aquele ali fosse o tal suspeito. À chegada do enigmático trouxe uma nova euforia ao Chalé, bebendo leite com curiosidade para os cabelos ruivos de Crowley, o miúdo lambeu os lábios tentando decifrar qual código os adultos falavam, largando o copo onde estava, ele saiu da cadeira, andando até a entrada sem vontade de compartilhar o momento que não compreendia, mas parou quando uma sombra lhe agarrou, Halt continuava em seu lugar, com sua costumeira cara.

“Que menino mais lindo! Que bom que você tem um pé-de-meia sobrando”. Riu apertando as fartas bochechas. Will era meio pesado, ele ainda se mostrava guloso em alguns momentos, mas sabia que ele perderia os extras que deixava-o mais rechonchudo. O rosto avermelhou com força até que um resmungo saiu da sua boca e uma careta. Halt desencostou a mãos do queixo. Will não estava acostumado com estranhos e sempre quando o viam, era impossível de não querer apertá-lo. Halt se levantou dando a volta, pegando no colo o menino que não estava gostando. Will encostou a cabeça em seu ombro, escondendo o rosto bastante nervoso, sentando de volta no lugar o arqueiro apenas continuou a beber calmante.

“Como você fez isso?” O outro perguntou, meio sem-graça. Coçou a cabeça, depois sorriu ajeitando-se. Tinha ido para lá com a finalidade de chamar Halt para uma missão de resgate, mas o amigo que conhecia parecia estar adormecido em algum lugar. Agora, o destemido que muitos diziam, estava à mercê de um menino gracioso de olhos grandes e brilhantes. Halt havia negado como imaginava que iria fazer. Sua licença estava inativa, por pedido do próprio Rei Duncan. Como sendo conhecidos, estava tendo uma certa regalia.

“O quê?”

“Isso, como deixou ele à vontade?”

Halt olhou em seus olhos, sim, Will estava bem em estar ali, ele sentia-se seguro de alguma forma.

“Sou seu pai”. Disse simplesmente.

“Vai deixá-lo entrar na ordem?” Quis saber, como se não quisesse nada. Bateu os dedos na mesa, ondulando as sobrancelhas. “Eu vi o arco e ele monta bem para a idade”. Completou.

“Não sei, Will tem ainda que aprender a acertar a latrina direito e fazer menas manhas”.

Will cochilava com o calor que provinha tão bem, escutava ao longe ambos falarem, mas não deu muita importância. Aproveitaria aquele aconchego gratuito. Quem sabe Se ele dormisse agora, daqui à pouco, não ficasse grande?

Notas finais
Espero que tenha ficado bom. ^^