Vento nas Folhas
7 "Chuva transformando o pó em nada"
Capitulo VII
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Respirando fundo para retomar o fôlego e cultivando a coragem para encarar os fatos.
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Como foi declarado anteriormente, o meio do caos absolutamente trará mais entretenimento, especialmente aos desavisados, mas, uma boa narrativa precisa de contexto... contexto esse, que trará muitas memórias, que revisadas agora, nesse exato momento, sob essa luz específica, sem os sentimentos que haviam então, farão pouco ou nenhum sentido.
Mas, vamos lá, vamos abrir essa ferida para que você possa examina-la com a clareza de alguém que não estava sendo dilacerado por ela...
Enquanto eu choro sobre as linhas...
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Vamos entrar no ano em si e toda a situação dele.
Havia sido enxotada de onde estava e parecia que cada curva de 90° trazia outro beco sem saída e cada solução parecia provisória e honestamente, não fosse pelo amor de uma pessoa em especial, não sei se teria me recuperado.
Eu não chorava, usava o sorriso como uma armadura em meu rosto e nem sei quantas funções acumulei apenas para ter a pequena ilusão de que ainda podia me manter em pé, mas, essa mulher me amou. Me deu um espaço para chamar de lar. Me quis.
E foi a primeira vez que me senti querida de verdade.
Obrigada, se nunca te falei antes.
Espero que um dia todo mundo saiba de você, e que através de mim, você possa viver toda vez que alguém colocar os olhos nessas linhas e que seu amor que transbordou em mim, seja o que transborde em outros também, obrigada por dançar comigo no meio da casa, por que sabia que era a única forma que eu achava de não desmoronar, por que não queria chorar. Foi o ano que me senti adolescente novamente podendo rir até o queixo doer.
Hoje eu entendo, mas, cada risada sua colava um pedacinho de volta no lugar que devia e seu amor me juntou e me transformou em uma pessoa ainda mais forte.
Infelizmente, tudo precisa de um fim. E eu precisei partir.
Mas, você me deixou ir dizendo: “você sempre terá um lugar onde eu estiver.” E esse é um lema que eu utilizo até hoje. Mesmo tendo um lugar para mim.
Esse lugar é seu também.
Quando precisei partir, finalmente sozinha de onde estava e dar pequenos passos...
Saltei de cabeça em um relacionamento.
Não foi um amor platônico, foi construído.
E foi tudo bem, até não estar mais.
Aliás, estava tudo bem enquanto eu dava muito mais do que recebia, mas, tudo bem também, por que em algum momento meu esforço será visto. Meu ‘amor’ será bem recebido.
Em algum momento ele será recíproco.
Até Shakespeare eu usei para acalmar o vórtice incontrolável, de sentimentos e intensidade dentro de mim:
“Apenas por que alguém não o ama do jeito que você quer que ame, não significa que esse alguém não o ama, com tudo que pode”
E com isso, baixei a manutenção do meu amor, do meu querer... mas, fingir que pequenas coisas não doíam... Mentira...
Lágrimas no chuveiro,
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Lágrimas na chuva... transformando o pó em nada...
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“você é impossível...”
“Ninguém vai suportar viver com você”
“Você é difícil...”
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Porque antes de tudo que me aconteceu, havia eu... E a casa do lago e o prazer da minha própria companhia, tomando sorvetes de madrugada, sozinha, visitando floriculturas 24h noite a fora, esperando o vento trazer o farfalhar das folhas. Escrevendo histórias com personagens que eu tinha vergonha de mostrar as pessoas e a criatividade sempre dançando comigo em voltas até me deixar tonta...
Olhando paisagens, sentindo a chuva molhar meus cabelos.
E ninguém além de mim sequer soube o que eu senti com isso, por que eles apenas viam força e tempestade.
Nunca viram as ondas e a imensidão do mar, ou ouviram a fúria do vento, tudo isso dentro da sopa existencial da intensidade de tudo que sentia.
Então quando o desespero vinha, era uma tsunami atingindo, invadindo devorando, levando embora coisas e eu sem entender nada, sendo arrastada e afogando.
Apenas lembrar reabre as feridas.
Eu juro que consigo sentir, mesmo não estando mais nisso.
Mesmo, pobre de vocabulário, tentando colocar em palavras e comparando meus sentimentos a forças naturais e seus desastres irreparáveis...
Noites que me sinto Pompéia, sem saída, com a explosão de Vesúvio.
E pelas manhãs, apenas observando que nada restou além, das terras arrasadas e cinzas que precisam aprender a florescer novamente.
Um contínuo de morte e ressurreição.
Só precisa chover...
Transformando a incerteza em nada...
Lavando o sal de minhas mãos...
Me tocando para fazer as sombras dissolverem...
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Uma jornada de recomeço.
Cada dia mais esperançosa e com a certeza de dar conta sozinha.
Vida de volta aos ossos...
Coração transbordante de amor...
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Ainda continuo aqui, mesmo após o recuo do mar, que levou tudo embora?
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Renasço para ver a vida com novos olhos?
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Recomeço com a carga antiga?
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Parece que a esperança traz mais opções do que eu esperava...
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