Vento

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Eu ainda não me acostumei com escrever, então isso é apenas uma tentativa, me digam o que acharam. Como eu já disse antes, uma amiga minha betou...

Entre muitos pensamentos, entre muitas memórias perdidas, entre tantos locais que nunca iremos conhecer, entre tantas pessoas que vivem suas vidas sem saber da nossa existência, havia uma pequena garota em seu pequeno quarto com o rosto delicado cheio de lágrimas, que não paravam de escorrer.

Pequenos motivos para alguns, grandes motivos para a menina. Ela se lembrava do dia horroroso que tivera, da humilhação, da tristeza, da insensibilidade dos outros e de como ela odiava o mundo e todos que vivem aqui.

Enquanto aquela garota, que, entre tantas outras, chorava suas dores naquela noite fria, um pequeno vento passou por uma janela aberta. Um vento gelado que percorreu todo o corpo da menina e que assoviou, como se estivesse tentando chamar a sua atenção, ou, quem sabe, alegrá-la. Ela colocou sua cabeça entre as pernas e as abraçou, tentando espantar o frio incômodo que o vento trazia.

Planejando sua vingança para com aquela coisinha irritante, ela sentiu novamente aquele vento frio. Ele tentava confortá-la, como se todo o sofrimento da pequena pudesse ir embora com ele, ser levado para bem longe. Mas desde que ela permitisse, é claro. Se isso acontecesse, no outro dia ela acordaria, iria a escola e estaria tudo bem. Mas não era tão simples.

Quando o vento foi embora de seu quarto, ela sentiu que por um segundo ele levou consigo uma parte dela, uma parte de sua angústia, mas não toda. Certas coisas, não são fáceis de serem esquecidas, enterradas, lacradas. Enxugou as lágrimas e deitou a cabeça no travesseiro, tão pequeno quanto sua cabeça.

Quase dormindo, a lembrança da escola reapareceu em sua mente. Ela teria que ir para lá amanhã novamente, e passaria por tudo de novo, como se não tivesse fim. Ela iria aguentar, de novo, dizer que está tudo bem, chorar em silêncio. Um choro seco. Sem lágrimas. Como se fosse tão fácil.

Novas lágrimas desceram de seus olhos, como lagos de ódio e amargura, como cachoeiras de melancolia e desconsolo, e, em uma decisão infantil e um pouco doentia, a garota levantou da cama, decidida. Já havia tentado outras vezes. A vida humana é como um fio. Difícil de ser criada, mas tão fácil de ser finalizada.

Foi até a escrivaninha de seu quarto e vasculhou as gavetas, apressada. Quando ela achou o queria, apontou a lâmina afiada do estilete verde para seu pescoço, e não hesitou. As marcas de pequenos arranhões já cicatrizados podiam ser vistos em seus pulsos. Um vento mais frio que o anterior entrou pela janela, como se quisesse falar algo ou parar algo, mas foi em vão.

Quando a garota caiu no chão liso do quarto e derramou seu sangue lá, ela pensou ter ouvido um grito agudo de desespero. Por um segundo, ela sorriu, lembrando que não precisaria ir à escola no outro dia. E então, ela não sentia mais nada. Não sentia o vento irritante que soprava seu pequeno corpo, não sentia o frio que ele trazia ou os pequenos assovios que dava. Entretanto, também não sabia que só havia uma única coisa ou pessoa que sofria sua morte naquele momento: o vento.

Notas finais
Obrigada por ler até o final, se puder, deixe sua opinião nos comentários o/
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!