Ventania
1 Capítulo 1 - Ventania.
Notas iniciais
Espero que não tenha ficado confuso @_@
Sem mais enrolações (pois se deixar eu fico aqui falando o dia inteiro e-e), boa leitura n_n
. Ventania .
“O Outro Mundo. Por favor, deixa o Outro Mundo em paz! O mistério está aqui.”
Ele olhou vento. Olhou a porta. O vento e a porta.
Vai bater, pensou.
Sentiu no ar que seria em pouco, pouquíssimo tempo.
Fechou os olhos para ouvir melhor o barulho.
Contou:
– Um, dois, três e...
Ouviu o estrondo.
– Bateu – disse, satisfeito.
Continuou com os olhos fechados. Agora, era o silêncio que ele ouvia.
Está vendo alguém, pensou, dentro do silêncio.
Viu que os passos eram pesados e tristes. Pensou de novo:
Está vindo alguém gordo, velho e muito deprimido.
Percebeu que chegaria logo. Sabia que, assim que abrisse os olhos, veria.
Abriu os olhos: era mesmo gordo, velho e cabisbaixo.
– Bom dia! – cumprimentou, com o seu melhor sorriso.
Mas o velho não lhe deu atenção, passou direto com todo o seu peso.
– Ora, também é mal-educado! – disse. E arrependeu-se, pois imediatamente reconheceu: também tinha dentro de si um tempo que lhe pesava e roía.
Olhou em volta. O sol estava muito claro em suas sombras. Muito abertas estavam as flores. E todas as cores, fortes, sobre o dia. De repente, foi completamente invadido por um maravilhoso cheiro de café. Esticou o nariz. O café lhe deu vontade de broa de milho.
Broa de milho, broa de milho, broa de milho, pensou.
Esperou. Nada.
Broa de milho, broa de milho, broa de milho, pensou com mais força.
Nada.
Esticou-se na cadeira. Estava era com preguiça.
Olhou a menina da casa da frente. Olhou o balanço que ela balançava.
Vai cair, pensou.
Levantou-se, assustado. Acompanhou o balanço da menina com o olhar, achou que não. Estava tudo em paz, tudo certo. A menina ria, segurava bem as cordas, as cordas seguravam bem no galho, o galho idem na árvore. Não havia perigo, concluiu. E já ia se sentando, quando pensou de novo:
Vai cair! Vai cair!
Nem teve tempo de correr.
Caiu.
Ele tremeu. Também caía por dentro. Ao chegar perto da menina, sentiu-se culpado.
Nem perguntou se ela estava machucada.
– Perdão, querida, perdão. É que eu sou meio lerdo, não acredito muito nas coisas, entende? – foi logo falando.
A menina não entendeu, respondeu o que sua dor dizia:
– Ai, meu pé... Meu pé! – choramingou.
Ele olhou para o pé dela.
– Ah, não é nada não, inchou um pouquinho aqui – apontou o tornozelo. – Mais isso passa logo-logo. Pelo menos, não tem nenhum osso quebrado.
Mas a menina estava em prantos.
– Ai, ai, ai! Dói muito! – choramingou um pouquinho mais alto.
– Dói? Ah, pera aí – disse, colocando a mão sobre o tornozelo machucado. – Ainda dói?
– Dói! – respondeu fazendo uma careta de dor.
Ele sentiu que sua mão esquentava.
– E agora? – perguntou, os dedos em brasas, o peito arfando. – Dói?
– Dói... Ai, ai... Acho... Acho que tá passando...
– Tá passando? – perguntou um pouco preocupado.
– Tá... Tá passando... Ué, passou! – disse a menina espantada.
Sorriram. Ela enxugou as lágrimas. Ele olhou a mão vermelha. Assustou-se, mas nem quis pensar. Pegou a menina no colo.
– A sua mãe está em casa? – perguntou enquanto andava em direção à porta.
– Está na cozinha.
Ele estranhou.
– Ué, será que ela não te ouviu chorando?
– Acho que não. É que a mama é meio surda.
– Ah, sei, sei.
Lembrou que, às vezes, também se recusava a ouvir.
Bateu na porta. Não houve resposta.
– Pode abrir, deve estar aberta – disse a menina.
Realmente estava. Entraram em silêncio. Ele ouviu um barulho na cozinha. Viu a mulher, de costas, cortando tomates.
–Mama! – a menina chamou.
Ela não ouviu.
– Dá licença?! – ele arriscou uma tentativa.
Ela continuou sem ouvir. Ele olhou o vapor, olhou as mãos dela. O vapor. As mães dela.
Vai se queimar, pensou.
Foi o tempo de bater os cílios.
– Ai! – ela gritou.
E resmungou um monte de nomes, virando-se para pegar o gelo. Foi aí que viu os dois parados na porta.
– Minha filha! – exclamou, assustada. E esse era um susto tão grande, que ela já esquecia a dor da queimadura. – O que aconteceu?
– Caí do balanço, mama! – disse em um tom alto. – Tá me ouvindo?
E a mãe, que mais adivinhara que ouvira:
– Caiu? Mas como?
– Caindo, ora. Voei muito alto, caí. Ouviu?
Ela, que não ouvira nada:
– Ah, não pode minha filha, não pode. Você precisa se comportar!
– Preciso – respondeu a menina com obediência.
Ele olhou a mãe. Olhou a filha. A mãe. A filha.
Falta o pai, pensou.
– Cadê o seu pai? – perguntou para menina.
Mas foi a mãe que ouviu.
– Já vem – respondeu ela.
Ele também achou que o pai devia vir. Mas pensou:
Não, não vem.
Não disse nada. Sentou a menina na cadeira.
– Já vou – decidiu.
– Fica – pediu a menina, espetando-lhe os olhos.
Sentiu-se mole. Mole à boca, a perna. Mas fez-se firme.
– Preciso ir.
– Espera comigo o meu papa. Ele não vem? – perguntou com os olhos levemente marejados.
– Preciso ir – não quis responder.
– Então vai – disse, decepcionada.
Deu de ombros, virou as costas. A mãe não entendeu, achou aquilo muito feio.
– Mas, o que é isso, minha filha?!
A filha calou-se. Ele se despediu. Saiu. E deu com o vento no rosto. Tentou atravessar a distância até sua casa, mas a ventania o empurrou para trás. A menina olhava da janela. Esperava. Os olhos cravados nas costas dele. Mas ele resistiu, resistiu. E chegou a sua casa.
Trancou todas as portas, as janelas. Apagou todas as luzes. Ficou no escuro, fazendo força para não pensar. Mas a imagem de tudo o acompanhava, como num filme. Só que ele se recusava a ver, recusava a escutar.
Colocou música no rádio. Deitou na cama. Ficou assim, os olhos abertos no escuro, o escuro aberto em sua mente. A música entorpecendo o corpo. Dormiu.
E teve um sonho.
Andava por ruas estritas seguindo um som que vinha de muito longe, mas que ele era capaz de ouvir com muita força, lá dentro, bem dentro da sua mente. Era uma música. As notas agudas, afiadas, doíam-lhe os ouvidos. A música crescia, crescia e tomava uma dimensão que não tinha mais tamanho em sua cabeça. Se não fosse um sonho, já estaria completamente louco. Mas era um sonho, e, por isso, sobrevivia. Entrava nas ruas cada vez mais estreitas, dava nos becos, voltava.
E corria, corria.
De repente, o silêncio. Parou. Olhou para o fundo de um beco. Ouviu novamente a música. Olhou o beco. Ouviu a música. O beco. A música.
Acordou, tremendo de frio. A janela estava aberta, escancarada pelo vento. As cortinas voavam, os móveis bambos, o seu corpo em desequilíbrio. A ventania invadira a sua casa, levantara os seus cabelos. O frio era muito, mas tremia mesmo era de medo, pois a ventania aumentava e aumentava. Segurou-se na cama, nas estantes, na mesa, nos armários, nas paredes, mas a ventania praticamente o empurrava para fora da casa.
É melhor sair. Lá fora está mais calmo, pensou, enquanto segurava-se e resistia.
Ouviu o pensamento, mas o considerou uma coisa impossível. Olhou para fora, viu as árvores quase voando, os telhados latejando. Achou que dessa vez fazia muito bem não acreditar. Agarrou-se à porta. Mas a porta se abriu ao vento. O vento o expulsou para fora. Saiu.
Ao cair no chão, reconheceu o impossível: todas as coisas pousavam, calmas, sobre a terra. Só ele e apenas ele desequilibrava o seu corpo. Todas as outras formas pousavam, tranquilas.
Desesperou-se. Se não estava sonhando, estava enlouquecendo. Com certeza enlouquecia, pois teve a nítida impressão de que ventava forte dentro de sua cabeça e que esses ventos todos que corriam soavam como música.
Lutou para se levantar. Firmou-se em cima das pernas. Não tinha forças para nada. Foi andando lento até a casa da frente. Não chegou a tocar a campainha. A menina, mais rápida, abriu a porta.
Ele entrou, em silêncio. Ela também não disse nada. A mãe estava na cozinha, de costas, batendo uma massa. Ele olhou a mãe, olhou a menina. Não pensou nada, o que sentiu foi culpa.
Não entendeu. Não sabia do que se culpava. No entanto, também não tinha como se desculpar por isso, de não saber. Culpou-se mais ainda.
A menina, de costas, observava a mãe. Ele olhou a menina. A mãe. Não pensou. Teve um sentimento.
– Ainda há tempo? – perguntou, e na mesma hora teve um estranhamento: não conseguia entender o que perguntara.
Ela se virou para ele e apertou os olhos. Ele olhou, fundo, no olhar da menina e viu, em suas pupilas, alguma coisa. Não pôde evitar um susto. A pergunta saíra de sua boca como um mistério para ele mesmo. Mas para menina não. Parecia que para ela não havia mistério. Porém, se sabia de alguma coisa, preferia não dizer. Economizava-se toda. Quando resolveu falar, apenas retrucou:
– O que você acha?
Ora, ele simplesmente não achava. Não queria saber. Queria se esticar na cadeira. Pensar coisas com mais terra, mais árvores, menos vento. Queria bocejar. Porém, e não compreendia por que, tinha que tomar uma atitude. Logo ele, que não se metia na vida de ninguém, que ficava quieto no seu canto. Mas aquela menina lhe perfurava os olhos cheios de uma acusação muda, tirando-o de sua tranquilidade, de seu repouso, como se insistisse em lembrar alguma coisa que ele estava esquecendo-se de fazer.
– Mas o que você quer que eu faça? Eu, logo eu? Diga!
Mas ela não disse. Olhou-o com o rosto triste. Ele olhou a sua tristeza. Olhou a porta. A tristeza. Abriu a boca, mole, mole. Não pôde dizer mais nada. Saiu.
Viu então o escuro, as ruas, os becos. Como estavam diferentes as cores. E as luzes, fracas, nos postes. Olhou para sua casa. Para a rua. Para a casa. Virou-se, rápido, de costas para ela.
Eu já volto, eu já volto!Pensou.
Mas logo percebeu a diferença: pensara mais um desejo do que um pensamento.
Seguiu adiante. Atravessou as ruas cheias de becos no escuro. Em sua mente, uma música. Dentro da música, o silêncio. Queria correr, correr. Mas o seu caminhar resistia, lento.
Prometeu a si mesmo que, assim que voltasse para casa, se esticaria em sua cadeira. Achou que aquilo tudo estava indo longe demais. E ele, indo tão longe, temia perder-se.
Na verdade, já se considerava perdido. Olhava as ruas sem direção, andava sem sentido, ia e voltava. Entrava nas ruas e dava nos becos. E os becos em que dava, era cada vez mais fundos e estreitos.
De repente, tropeçou numa lata de lixo. A lata caiu. Ouviu passos.
É por aqui, pensou.
Olhou o beco. O seu lado mais escuro.
Foi se aproximando, se aproximando. Entrou. Num arrepio, teve certeza: É aqui.
Olhou em volta. Silêncio. Esperou. Nada. Ninguém.
A música foi crescendo em sua cabeça.
Sentiu que as mãos esquentavam.
Esperou. Esperou. Nada.
Esperou mais um pouco. Nada.
E, de repente, uma voz:
– Ei!
Quase deu um pulo, de tanto susto. Mas controlou-se.
Não respondeu, preferia não ter ouvido. Fez-se de surdo.
E a voz, para que ele não deixasse de ouvir:
– Ei, você!
– Eu? – disse quase num sussurro.
– É... Você... Por favor... Aqui... Aqui...
Hesitou. Mas deu o primeiro passo, outro. Foi na direção da voz, esperando qualquer coisa: um mendigo, um bêbado, um ladrão, até mesmo um assassino. Um arrepio vagou-lhe a alma. Não podia mais voltar.
Manteve uma distância.
– Quem é você – quis saber.
Não teve resposta. Ouviu a respiração pesada do homem.
Está me preparando uma emboscada, pensou.
Num impulso, pegou uma pedra no chão e jogou com toda a força na direção da voz.
– Ai! – ouviu.
– Eu estou armado! – foi avisando, e se escondeu atrás de uma lata de lixo.
– Pelo amor de Deus, não atira, não atira, que eu já estou ferido – pediu, em desespero.
– Então sai daí, com as mãos na cabeça. Anda, vamos saindo! – falou em um tom grosseiro.
– Não posso me levantar sozinho, acho que quebrei a perna! – disse a voz em uma mistura de pânico e medo.
– Então se arraste! – disse, implacável.
O homem obedeceu, gemendo de dor. Ele viu as mãos aparecendo, a cabeça. As mãos. A cabeça.
Vai gritar, pensou.
Nem teve tempo de tapar os ouvidos.
– Aiii! Eu não posso, não posso, dói muito. Por favor, não me faça mal. Não tenho dinheiro, não tenho nada. Sou um pobre coitado, tenha dó de mim, tenha dó!
Ele teve.
Aproximou-se, devagar. Certificou-se de que o homem estava desarmado, de que estava mesmo ferido.
Então, sentindo as mãos queimando, se aproximou mais um pouco.
– Fique tranquilo, não vou machucar o senhor, tá bem?
– Tá – respondeu, tremendo.
– Mas como foi isso? – perguntou.
– Fui assaltado – respondeu.
Ele colou as mãos quentes sobre a perna quebrada.
– E eram muitos? – quis saber.
– Não, um só. Mas eu não pude fazer nada.
– Ele estava armado?
– O senhor não viu?
– Não posso ver, meu filho, sou cego. Não viu que sou cego?
– Não – e ele, só então reparou os olhos brancos.
– Pois é, sou, e como estava sozinho, não pude faze nada. O desgraçado me roubou, me bateu, acho até que ia me matar, mas ouviu um barulho e saiu correndo. Devia ser o senhor chegando...
– Devia... – murmurou.
– É, eu também ouvi os passos. Tive medo que fosse outro ladrão. Mas escutei bem e achei que não era. E, graças a Deus, não era mesmo. Era o senhor – disse sorrindo.
– É... Eu – murmurou novamente.
Então, é isso, pensou.
Os olhos ardendo, as mãos quentes e vermelhas sobre a perna daquele homem. Não, não se espantava mais. Só tinha certezas.
– O senhor tem filhos? – perguntou.
– Uma menina! – respondeu o homem, num sorriso iluminado e branco.
Ele também sorriu. Mas como quem sorri para as coisas reveladas. Olhou aquele homem. Os seus olhos projetados para dentro. Olhou para si. Reconheceu-se no escuro.
– Se eu tivesse sido mais rápido... Só um pouquinho mais rápido... Quem... Quem sabe esse ladrão nem tinha chegado perto do senhor...
– É, quem sabe.
– Perdão, perdão! – pediu desesperado.
– Que é isso, meu filho?! – perguntou sem entender.
– O senhor podia ter morrido! – disse ainda em desespero.
– Mas não acabei de dizer que o desgraçado fugiu por sua causa? Na certa estava desarmado mesmo... Queria me matar era de pancada... Eu tenho é que agradecer, meu filho. Muito obrigado. Ouviu?
– Ouvi – respondeu, em lágrimas.
Só então lembrou: as mãos.
– E a perna, ainda dói muito?
– Ué... Não é que está doendo menos...? – respondeu espantado.
– Dá para se levantar?
– Podemos tentar, meu filho, podemos tentar.
Ele apoiou o homem com o seu corpo, o seu corpo apoiou-se na terra. Não ventava mais sob seus pés.
– Faço questão de levar o senhor em casa – disse.
O homem sorriu, agradecido. Não falou nada. Ele também calou-se. Foram lentos e doídos pelas ruas estreitas. Aos poucos, ele foi reconhecendo o caminho certo. As ruas já não lhe eram tão estranhas. O escuro já não impedia tanto a sua visão. E até mesmo o homem cego tranquilizava-se ao sentir o calor maior da claridade. Ele aguçou os ouvidos. Ouviu o tempo. Gostou de saber que as horas não estavam mais para ventanias e que, em sua cabeça, o que tocava era outra música.
– Estamos quase chegando – anunciou.
– Esqueci-me de dizer onde eu moro. Perto da raça, do lado daquela árvore grande, sabe?
– Sei.
Chegaram. Na porta, de olhos grandes e espetados, a mãe e a menina. Não disseram nada. A mãe correu e o ajudou a levar o marido para dentro. A menina os acompanhou, com um sorriso largo nos lábios, um brilho branco no rosto.
Deitaram o homem no sofá. Ele olhou os três juntos. Olhou a preocupação. O alívio. E a felicidade. Achou que, sim, agora estava tudo bem, tudo certo. Podia ir, então.
– Já vou.
A menina correu para seus braços.
– Fica – sussurrou em seu ouvido.
– Não posso – havia se emocionado um pouco, mas disfarçou.
– Não pode? – Ela estranhou, mas logo deu um suspiro, conformada. Beijou-o no rosto e foi para a cozinha. Ele se despediu d pai, da mãe. E se encaminhou para a porta. Mas, no meio do caminho, voltou. A perna mole, também mole o coração: queria ver mais uma vez a menina.
Na cozinha, encontrou-a mastigando.
– O que você está comendo?
– Broa de milho – respondeu, sorrindo.
Ele olhou a menina. Olhou a broa de milho. Amenina. A broa.
– Me dá um pedaço? – pediu.
Ela concordou com a cabeça.
E pegou a faca.
Ele se sentou, estirado, na cadeira.
A menina colocou na mesa a broa, também o café.
– Come – disse, ainda com o sorriso.
Ele olhou o café. Olhou a broa. O café e a broa.
Pensou um desígnio.
E comeu.
Notas finais
Ah, eu não coloquei nome nos personagens, mas eu fiz isso de propósito e-e Não sei o motivo, só sei que eu não quis colocar nome neles '-'
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