Notas iniciais
Noooovo capítulo... ér... meio... bom, leiam :( A música que eu usei é esse HINO do M83 que me faz chorar rios e eu super aconselho vocês a ouvirem enquanto leem, principalmente o final... Música do capítulo: https://www.youtube.com/watch?v=lAwYodrBr2Q

Antes do fatídico 22 de Novembro, aconteceu o segundo pior dia da minha vida...

29 de outubro de 2013.

Eu costumava escrever um diário, do qual hoje em dia eu teria extrema vergonha de mim mesmo se lesse, eu era tão tolo. Diversos fatores felizmente serviram para fazer eu amadurecer, mas antes disso, eu tinha o diário, e a coisa mais vergonhosa do mundo aconteceu comigo.

Minha mãe leu o diário.

Ela já estava desconfiada de que eu era gay, então em um belo dia em que eu estava fora, Rosana pegou o diário e leu para tirar suas dúvidas, na verdade o diário era um caderno velho do ano passado que eu usava para escrever meus pensamentos, e ali tinham muitos e muitos pensamentos.

Não, eu também não era imbecil de deixar um caderno velho com todos os meus segredos atirado por aí, por isso deduzo que minha mãe teve que revirar o quarto até acha-lo atrás de uma tábua desencaixada das costas do roupeiro.

Para você ter ideia do desespero dela por descobrir a verdade.

Não sei o dia certo que ela leu o diário, mas deve ter sido algum dia pouco antes do dia 29, porque neste dia, ela interceptou meu quarto em busca de respostas que ela já tinha.

— Quero saber a verdade. – ela anunciou em um sussurro, quando passou pela porta.

— Que verdade? – perguntei, sem saber do que se tratava.

— Sobre você. Você e aquele seu amigo.

Ela se referia ao Jonas, um garoto da escola que eu gostava e escrevia no maldito diário.

Neste momento eu sabia que ela sabia.

E depois do que pareceu uma eternidade encarando o teclado do computador eu ergui a cabeça e falei.

— Mãe, eu sou homossexual.

Ela me encarou por tanto tempo quanto eu encarei o teclado.

— Você o quê? – ela perguntou por fim, sem acreditar no que ouvia. – Por quê?

— Eu não sei, eu simplesmente gosto de garotos. – eu não tinha resposta para aquelas perguntas que não fosse óbvia.

Minha mãe chorou, eu chorei por ela estar chorando.

— Por que isso tinha que acontecer aqui? Por que nessa família? Já não tinham desgraças suficientes nessa casa? – ela dizia entre soluços, e eu chorava mais ainda, a rejeição doía em mim como o inferno.

E no dia seguinte ela disse.

— Eu devia ter tomado todos aqueles remédios e morrido de uma vez.

E desse jeito acaba segundo pior dia da minha vida.

O sumiço de Amanda era algo que realmente estava preocupando Vinicius e eu, ela não aparecia no colégio há mais de uma semana, fomos até a casa dela e a mãe dela alegou não saber seu paradeiro.

Mas algo que também nos deixou tão surpresos quanto o desaparecimento de Amanda, foi Cris.

Na semana seguinte à nossa reconciliação, Vinicius e eu decidimos conversar com ele, contra minha vontade. Mas Cris era o melhor amigo de Vinicius e eu tinha que respeitar isso.

Era segunda, e Vinicius chamou Cris para conversar a sós, foi quando eu apareci.

Achei que a conversa fosse particular. – ele soltou. – O que ele tá fazendo aqui também?

Calma, Cris. – Vinicius censurou-o. – Nós temos algo que queremos compartilhar com você.

Cris fez uma expressão impaciente de que continuássemos.

Então Vinicius e eu entrelaçamos nossas mãos e sorrimos para Cris, por mais que aquela parte de mim quisesse colocar um sorriso vitorioso e irônico no meu rosto, repreendi-me mentalmente e apresentei um sorriso bondoso.

Cris olhou-nos intrigado.

O que é isso? – ele indagou, confuso.

Cris, você é, e sempre será meu melhor amigo, e é por isso que você é o primeiro a saber que nós estamos juntos, e bom, o primeiro dos meus amigos a saber que eu sou gay. – Vinicius explicou com naturalidade.

Ele nos encarou perplexo e então fez algo realmente inesperado.

Bom, então eu só tenho a desejar felicidades para o meu melhor amigo. – ele disse sorrindo sinceramente, o que me espantou, acho que nunca tinha visto Cris abrir um sorriso verdadeiro.

Vinicius pareceu muito emocionado e apressou-se a abraçar o amigo, que retribuiu o ato. Pelas costas de Vinicius ele me abriu outro sorriso sincero, e eu devolvi com outro, era um peso tirado de minhas costas Cris finalmente gostar de mim, eu não havia percebido até então o quanto estava com medo de ser rejeitado por ele, querendo ou não ele era uma das pessoas mais importantes de Vinicius, tendo grande influência sobre ele, eu queria que nos déssemos bem, sempre quis.

Nós temos que comemorar! – Cris exclama depois de separar-se de Vinicius. – Um encontro duplo, o que vocês acham?

Ótima ideia! – Vinicius concorda, bagunçando os cabelos loiros do outro. – Quando?

Hoje, ué. – ele responde como se fosse óbvio. – Eu conheço um bar ótimo na Cidade Baixa.

Perfeito, né amor? – ele olha para mim e eu estremeço, Vinicius nunca tinha me chamado assim, e eu acabo gostando, amando.

Perfeito. – repito, mas não como uma confirmação, e sim como uma palavra que define Vinicius.

* * *

Vinicius estava extremamente lindo em uma camisa social azul-marinho, calça bege e um tênis all star. Ele ficava lindo com qualquer coisa, o cabelo liso estava penteado para trás, o que era diferente, mas o deixava com ar de ser um pouco mais velho, o que era atraente. Já eu usava qualquer roupa que ia para a escola, uma camisa branca com estampa de um DJ com cabeça de leão (isso mesmo), Calça preta e tênis branco, Cris se parecia mais com Vinicuus, e Julia comigo, já que vestia um short com meia calça rasgada, blusa com caveiras e maquiagem leve, eu ainda continuava sendo o mais comum dos quatro.

Então, quando vai apresentar o namorado pra mamãe? – Cris perguntou à Vinicius enquanto comíamos hambúrgueres e batata frita.

Qualquer dia a gente marca um almoço lá em casa. – Vinicius respondeu imediatamente, como se já tivesse pensado na hipótese, que me assustava, seria a primeira vez que eu conhecia a mãe de um namorado meu, e isso me aterrorizava, e se ela não gostasse de mim, e se ela me odiasse e achasse que eu não era bom o bastante para seu menino de ouro.

E você? – Julia perguntou para mim.

Eu o que? – perguntei confuso.

Pretende apresentar o Vinicius para seus pais? – ela esclareceu sorrindo, os outros acharam graça.

Eu devia ter esperado por isso, mas não.

— Tudo ao seu tempo. – respondi no melhor tom que eu pude de indiferença, acrescentando um sorriso no final. Percebi Vinicius ao meu lado talvez decepcionado com minha resposta, mas ele não sabia como era a minha família, eu até queria contar para ele, mas depois de certos eventos, era difícil confiar em alguém.

Bom, vocês já conhecem os pais um do outro? – perguntei à Julia e Cris, rapidamente puxando assunto.

Ah, sim. – ela respondeu sorridente, fitando o namorado. – Nossos pais saíram para jantar junto com a gente e se conheceram. O que na verdade rendeu momentos muito engraçados.

Cris confirmou com uma risada e a noite se resumiu em diversas histórias engraçadas dos pais de Cris e de Julia no tal jantar, outras histórias engraçadas que Vinicius contava, eu era o único sem boas histórias, as únicas boas histórias que eu tinha eram com Fernanda, Eduarda e Richard, e agora todos eles não eram mais meus amigos, e era doloroso relembrar as boas lembranças.

Saímos do bar por volta da meia noite, e Julia se preparava para chamar um táxi, Cris e Vinicius tinham ido no banheiro.

Olha, eu acho que logo ali na esquina é um ponto de táxi. – ela apontou, indicando uma plaquinha que estava bem longe. – Vou até ali ver se tem alguém, e já volto, espera os meninos aqui.

Achei que estava tarde demais para ela ir sozinha até lá, apesar de ter bastante gente ainda nos bares e restaurantes em volta, mas não falei nada.

Julia estava na metade do caminho quando Cris voltou.

Parece que os hambúrgueres não fizeram muito bem ao Vini. – ele sorriu do meu lado. – Cadê a Julia?

Ali. – aponto para a garota já na metade do caminho. – Ela foi ver se tem táxis naquele ponto.

Cris parece pensar o mesmo que eu e não se importa.

Estou feliz que finalmente nos acertamos. – ele diz de repente.

Eu também, sério mesmo, estava com medo de ser... sei lá, rejeitado... – desabafo sorrindo também. — ...De novo.

Bom, é mais fácil gostar de você quando não está tentando tomar meu lugar. – ele brinca e nesse momento nossa conversa civilizada é destruída.

Vemos três caras interceptarem Julia ao longe e de início não temos reação, mas logo começamos a correr a toda em sua direção gritando seu nome, e então um barulho ensurdecedor.

Um tiro.

Julia cai contra o chão e os bandidos, assustados com o que eles mesmos fizeram fogem, Cris e eu corremos como se estivéssemos em uma maratona em seu socorro.

Julia, Julia! – Cris clama por ela quando chega em seu corpo, deitado no chão. – Julia! Acorda, não me deixa! Não!

Apavorado, e já com várias pessoas amontoando-se em volta, eu verifico seu pulso.

Não há pulsação.

Julia se foi.

Os gritos de negação de Cris cortam o silêncio e meu coração, fazendo com que eu também vá as lágrimas, não há muito sangue espalhado no chão, foi um tiro fatal no peito.

Ajoelho-me no chão do lado de Cris, o corpo da namorada jaz em seu colo, e eu o abraço desajeitadamente o mais forte que consigo, não imagino a dor que ele está sentindo nesse momento, ele continua a gritar “não” repetidas vezes enquanto me abraça, com a cabeça de Julia apoiada em suas pernas.

Meus olhos transbordam de lágrimas, e com a visão embaçada, vejo Vinicius abrir espaço na pequena multidão e nos encarar perplexo, tudo depois disso se tornou em um confuso e extenso borrão, do qual eu preferia não lembrar.

Notas finais
Espero que tenham curtido, não me matem ainda... hahahha Comentemm o que acharam. Beijooos e até dia primeiro com o 16º capítulo :3