Veni Vidi Vici

19 Better Than That


Notas iniciais
Aqui estou eu atrasando o capítulo de noooovo... Mas é que eu estava com problemas na internet, por isso que não respondi quase nenhum comentário (os quais vou responder hoje um pouco e outros amanhã). Porém, aqui está! MAIS UM desfecho da nossa história. Espero que gostem! E mais uma surpresinha nas Notas Finais :3 Música do capítulo: https://www.youtube.com/watch?v=N80eix30Evk

19 de Julho de 2014.

Gabriel, posso te contar um segredo? – perguntei, ainda inseguro sobre a decisão de conta-lo.

Claro. – ele respondeu, curioso e sorrindo.

Respirei fundo e tentei reunir coragem para contar o maior segredo da minha vida, nunca tinha conseguido contar isso à ninguém, nem mesmo à Eduarda, eu sempre quis, mas era algo muito pessoal, muito enterrado dentro de mim e algo de que eu não me orgulhava nem um pouco.

Uma vez... – comecei vacilante. – Meus pais brigaram feio, na verdade meu pai brigou, minha mãe apenas tremia choramingando que ele parasse, ele gritava coisas horríveis, o quanto ele era infeliz, e perguntava coisas terríveis para ela, por que ela não o satisfazia, coisas nojentas mesmo... – parei mais um instante, me recompondo. – E então ele bateu nela, e eu ouvi tudo do quarto e eu não consegui fazer nada além de chorar e tapar os ouvidos tentando abafar os gritos, eu me senti tão covarde, tão inútil, que naquela noite eu... Eu peguei vários dos remédios da minha mãe e tomei, na intenção de... – era tão difícil colocar isso em palavras. – Na intenção de me matar. – conclui. Gabriel estava boquiaberto. Sorri triste. – Infelizmente, eu acordei no meio da noite e vomitei tudo, mas eu queria que tivesse funcionado.

Ele me examina por um instante e em seguida coloca o braço por volta de mim, claramente sem saber bem o que fazer.

Não fala bobagem. – ele diz por fim. – Se você tivesse morrido eu não teria te conhecido, e provavelmente nem estaria com a Fernanda, você é uma ótima pessoa.

Quando ele falava isso, parecia verdade, e eu queria acreditar, mas pensando bem, naquela época eu ainda não tinha feito praticamente nada de errado. Apenas para a Rafaela. Mas isso não era tão grave, porém, tudo pioraria.

Nos meses seguintes eu achei que podia confiar em Gabriel, achei que poderia contar qualquer coisa pra ele, e assim foi, eu comecei a contar não só minhas coisas, mas coisas que a Fernanda falava para mim, totalmente na confiança de que ele nunca falaria à ela, eu não queria prejudica-la, eu só falava algumas coisas por falar, e nem eram coisas muito graves, eram apenas segredos dela, que ela confiava apenas à mim, e eu fui estúpido o suficiente de não conservá-los.

Gabriel contou a Fernanda na primeira briga séria que tivemos, e por mais que ele tivesse mentido inúmeras vezes para ela que saía comigo, ela não se importou, ela se importou apenas com as minhas traições.

Apenas eu tinha perdido tudo.

Eu não tinha perdido só três melhores amigos, eu também tinha perdido Gabriel.

Minha missão ainda não estava finalizada, Eduarda foi o começo, e por mais que eu quisesse que as coisas entre nós tivessem ficado bem, eu não estava totalmente triste de que tivéssemos seguido caminhos diferentes, estávamos em paz um com o outro, e era isso que importava, eu sabia que eu não podia pedir que as coisas voltassem a ser como eram antes, mas eu queria que elas ficassem corretas, pelo menos agora eu me importava se as coisas estavam certas, eu me importava se as decisões que eu tomava eram certas, eu estava me tornando a pessoa que eu queria ser.

Mas tinha Fernanda ainda.

Por mais que, pelo meu ponto de vista, o que eu fiz para ela tenha sido menos grave, tenho a sensação de que com ela seria mais difícil, porém, foi mais fácil para falar com ela, eu e Vinicius esperamos ela sair da escola, eu praticamente a segui até a saída, já que ela era minha colega.

— Ei, Fernanda, espere. – eu chamei, ela parou mas não se virou para mim. Vinicius me deu um sorriso encorajador e eu sorri de volta, encontrando força nele.

Caminhei até ela, ficando em sua frente.

— O que foi? – ela pergunta, sem emoção.

— Eu só acho que deveríamos esclarecer as coisas, pessoalmente.

Ela me estuda meticulosamente antes de fazer a próxima pergunta.

— O que você quer me dizer que eu já não possa imaginar? – ela diz, com um ar triste. – Que você sente muito, que você não devia ter contado os segredos que eu confiei só em você para o meu namorado? Eu já sei disso, não precisa repetir.

Ela não dizia isso com raiva, apenas tristeza mesmo.

— Eu sei, eu não espero que as coisas voltem a ser como eram antes, eu só quero que você me perdoe e possamos seguir em frente, e quero que saiba que nada que eu fiz foi procurando o seu mal, eu nunca quis nada disso. – digo com toda a sinceridade do mundo, olhando em seus olhos.

Ela me analisa por um segundo, talvez pensando no que falar e então finalmente diz.

— Ele tinha pena de você. – só isso.

— O que? – pergunto, confuso.

— Gabriel, ele só saía com você por pena.

Aquilo me atinge como um soco, por mais que eu já soubesse disso na minha cabeça, era horrível ter a confirmação.

Logo depois que Gabriel e eu brigamos ele simplesmente me excluiu de tudo.

— Sabe, eu sabia quando vocês saiam as vezes. – ela continuou, e eu sabia disso, em todos os meses que eu saí com ele, teve vezes que ela sabia. – E eu não gostava, mas mesmo assim eu tentava não me importar, por ti. Porque eu sabia que você gostava dele e isso te deixava feliz, então eu não queria me meter, porque eu pensava primeiro em ti do que em mim mesmo, mas o que eu ganhei com isso? Só traição. Você nunca pensou em mim, mentindo, contando meus segredos pra ele por meses, e ele nem sequer gostava de você, ele só tinha medo que você tentasse fazer aquilo de novo.

Percebi com um choque que com “aquilo” ela queria dizer “se suicidar” e fiquei sem chão ao descobrir que Gabriel tinha contado a coisa que eu mais confiei nele para ela.

Percebendo meu choque, Fernanda acrescentou.

— Sim, ele me contou, não agora, mas há um bom tempo. – ela explica, paciente. – Que você tinha contado isso pra ele, e nossa, pra ele você falou isso, e não pra mim, que era a sua melhor amiga. Ele me mostrava prints teus fazendo drama porque não saía com ele, tudo escondido de mim.

As revelações passam por mim cada vez mais como um choque. Fernanda sabia de quase tudo muito tempo antes, Gabriel me traiu muito antes do que eu tinha achado.

— E... E você sabia de tudo isso? Sabia que ele não era meu amigo de verdade e nunca pensou em me contar? – eu pergunto abaixando a voz, uma súbita raiva crescendo dentro de mim.

— Eu estava pensando no que era melhor pra você, você estava sempre triste e com o Gabriel você ficava menos triste, eu não queria estragar isso. – ela se justifica.

— Mentindo para mim? – agora eu grito, algumas pessoas que ainda não foram para suas casas.

Fernanda parece muito incomodada mas eu não me importo.

— Você podia ter evitado tudo isso! – eu exclamo, Vinicius, bem afastado, começa a se aproximar, preocupado. – Você podia ter evitado tudo isso apenas contando a verdade para mim! Eu já passei por mais merdas na vida que tu vai passar praticamente a vida toda e você acha que eu não ia aguentar saber que um garoto era um tremendo falso comigo?

Fernanda não tinha resposta, ela abaixava a cabeça.

— Não, e o pior é que ele você perdoou, porque você não passa de uma vadia que não consegue ficar sem um macho! – a ira dentro de mim parecia incontrolável. – Você não tem direito de me julgar! Você não nem um pouco melhor do que eu! – e então memórias começam a passar pela minha cabeça. – Meu Deus! Você viu eu praticamente chorar por causa das coisas que ele começava a fazer para mim e você nunca foi capaz de me falar a verdade, você preferiu me dar esperanças de que ele se afastar não era nada, você protegeu ele e as mentiras dele até o final! Eu retiro todo pedido de desculpas e perdão que eu te falei, porque você não tem um pingo de moral para me perdoar, você é tão ruim quanto eu!

Fernanda permanece calada, os olhos começando a se encher de lágrimas, os meus também, mas de raiva. Vinicius chega por trás dela.

— Acho que devemos ir. – ele diz para mim. Fernanda não esboça reação de que vá falar alguma coisa.

— Você me dá nojo. – eu digo ao passar por ela.

Não era o que eu esperava. Achei que eu era o errado da história, e eu era, mas Fernanda também era, ela não podia me julgar quando seus erros foram tão graves quanto os meus.

— O que aconteceu? – Vinicius pergunta, tentando acompanhar meus passos apressados.

— Agora não, Vinicius. – respondo ríspido e me arrependo, mas a raiva ainda corre em minhas veias, eu fui idiota por tanto tempo, por tantas pessoas, quero me isolar, quero meu quarto. Depois de reclamar tantas vezes, quero ficar sozinho.

Notas finais
Enfim pessoal, está aí, o desfecho um tanto inesperado entre Ele e a Fernanda, neste capítulos vemos que não há apenas vilões e nem heróis, apenas pontos de vista diferentes, espero mesmo que tenham gostado eeee... A surpresa é que eu finalmente postei aquele "spin off" que eu tinha falado e mostrado a capa, é uma carta do personagem principal para o Richard e é bem curtinho, mas eu queria bastante que vocês lessem lá e comentassem, provavelmente eu postarei outras cartas lá no mesmo estilo, então... Corram lá (não vou botar link aqui porque não sei se pode, então, dêem uma olhadinha no meu perfil para pegar o link, o nome é Dead In The Water.) Espero que não haja mais imprevistos, e nos vejamos no dia 24 com o anti-penúltimo capítulo da fic :(