Venha Ver o Pôr do Sol
1 One Shot
Notas iniciais
Fic baseada no conto de Lygia Fagundes Telles, de mesmo nome. Espero que gostem! :D
-Cheguei a pensar em não vir.Gerard deu os ombros e continuou cantarolando sua música.-E então? — Frank quebra o incômodo canto, irritado — você me fez vir aqui para ficar cantando?Gerard levanta os olhos, indo parar nos de Frank. Dá um sorriso irônico.-Não, Frank. Venha, me siga, eu vou te mostrar uma coisa.Ele sai, sendo siguido por Frank. Os dois andam um pouco, até que param na frente de um portãozinho branco. Gerard o abre com muita facilidade e entra. Tudo o que conseguem ver é mato.-Que lugar é esse? — Frank indaga.-É um cemitério muito antigo.-E precisava ser aqui, nesse fim de mundo, para apenas conversármos?-Aqui, Frank, têm o mais belo pôs do sol que você já viu.-Você já conhecia esse lugar?-Venho aqui faz muito tempo. Nunca te contei, mas eu tinha uma prima, minha melhor amiga quando eu era criança. Morreu de doença, e foi enterrada aqui. Esse cimitério agora está esquecido e abandonado, mas eu nunca vou me esquecer.Frank nada responde, apenas continua caminhando ao lado de seu parceiro. Depois de uns minutos caminhando, ele fala, voz ofegante:-Olha , Gerard, eu sei que isso deve significar muito pra você, mas eu não posso passar o fim de tarde inteiro aqui, eu tenho que ir para casa. Você sabe, eu tenho Jamia agora...-Jamia... — repete Gerard com o olhar alterado-Gerard não fique assim. O que tivémos a algum tempo atrás foi lindo, mas você sabe que não poderíamos continuar. Teríamos que seguir nossa vidas como...como pessoas normais...Gerard nada responde, apenas continua caminhando, mas ganha fúria. Logo que param na frente de um alcapão, ele se acalma.-Aqui, Frank, é onde foi enterrada minha priminha. Kay era seu nome... Eu gostaria que você apenas desse uma olhada, depois veremos o pôr do sol e você pode ir para casa...-Tudo bem, mas rápido. Hoje de noite vou viajar com minha esposa...Gerard, seguro do que estava fazendo, tira uma escada de trás de uma pequena moita. Abre o alcapão e coloca a escada. Entra, sendo seguido por Frank.Acende uma vela que tinha no bolso. Era um lugar muito seco, cheio de terra. Havia algumas rosas, já murchas pelo tempo. Num canto, havia um retrato e umas incrições. Frank resolve ir dar uma olhada.-Kay Tudman — lê em voz alta — Você estará para sempre em nossos corações. Falecida em 1887. O que? 1887? Gerard há algo errado aqui. Gerard?Gerard havia saído do alcapão e levado a escada com ele. A vela estava abandonada em um canto, e logo apagou. Estava muito escuro, Frank não via nada. Sabia que a porta de saída era no teto, muito longe do chão, e seria impossivel chegar até lá sem uma escada. Começou a gritar.-Gerard!!! Gerard pare com essa brincadeira! Não tem graça! Me tire daqui nesse instante! Gerard? Gerard!Fora do buraco, um Gerard calmo.-Jamia...- disse ele rindo- Frank, se eu não posso te ter, ninguem terá! NINGUÉM!-Gerard, pelo amor de Deus! Eu não posso sair, me tire daqui! Por favor!-Adeus, Frank. Quem sabe você não encontra a Kay?Gerard começa a caminhar. Admira por um instante o sol, que está se pondo. Abre o portãozinho branco e sai.Anda alguns minutos em meio aquele mato todo. Já está escuro, resolve voltar para casa. Tudo em pleno silêncio. Quando desce a ladeira, avista crianças brincando de roda.FIM!!!----------------------------------------------//-----------------------------------------------------;*
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