Notas iniciais
Olha só quem voltou o/ Bom, babies, não tenho muito o que explicar. Eu estava totalmente sem tempo para entrar aqui. Espero que entendam. Esse capítulo é dedicado ao talentosíssimo Huning, que me proporcionou uma alegria imensa ao dar à nova versão sua primeira recomendação - belíssima diga-se de passagem. Adorei! Muito obrigada pelas palavras e espero que goste do capítulo! Boa leitura!

Constance chegou ao camarim de suas dançarinas em tempo recorde. Ansiava por obter uma declaração de Elise. Algo que indicasse que aquela apresentação não seria a única que a loira faria para o cabaré, mas sim, a primeira de muitas que proporcionariam bons lucros para ambas as partes.

Em seu encalço outro interessado na história. Adam andava esperançoso ao lado da mais velha, igualmente ansioso para saber uma posição da cobiçada dançarina.

Ao adentrarem o cômodo que era usado para produção das garotas, a dona do Django encontrou um clima descontraído e jovial. Todas as suas dançarinas estavam ao redor de Elise, parabenizando-a e afirmando que a loira era realmente boa naquilo.

— Eu gostaria de saber o que a Constance achou do seu desempenho. — Demetria comentou, sem notar a presença da patroa no recinto.

— Não seja por isso. — A voz inconfundível da francesa ecoou atrás das garotas que se viraram prontamente para fitá-la.

Os olhos de Elise correram automaticamente para Adam, que ostentava um sorriso torto nos lábios, indicando o quanto estava apreciando toda aquela situação. Em seguida, suas esmeraldas focalizaram Constance, em tempo de ver e ouvir o elogio gratificante da mulher:

— Eu achei que a senhorita perdeu muito tempo fora daqueles holofotes!

As dançarinas ali presentes bateram palmas com a declaração da dona do cabaré e Elise sentiu seu rosto enrubescer.

— Eu sempre gostei de dançar. — Ela pontuou.

— Disso eu já sabia. — Adam fez questão de se pronunciar, relembrando da conversa que tiveram dias atrás. — Só não imaginava que o fazia tão bem.

Ela torceu o rosto para a declaração do homem, resumindo-se a acenar positivamente em agradecimento. Katherine que observava a cena de longe, achou por bem interromper com alguma crítica negativa, antes que todos ali construíssem um pedestal para a novata.

— Qual a de vocês? Ela apenas decorou uma coreografia e executou posteriormente. Isso não a faz especial. Muito menos a melhor dançarina do Django.

Constance pensou por alguns segundos antes de responder à afronta da latina. Ela certamente era uma das suas melhores dançarinas, sem falar que era cobiçada por vários ricaços, mas nunca aceitara a proposta de deitar-se com eles. Iludindo-os e ganhando os mais diversos e valiosos agrados.

— Mas é claro que não. — A mulher foi sucinta em sua resposta. — Veja, querida Kath, ninguém aqui está colocando isso em discursão. Nós estamos apenas vislumbrando uma nova contribuição, bastante significativa.

Katherine revirou os olhos. Sentia que Elise era uma ameaça para ela em todos os sentidos. Temia por perder a atenção de Adam e o prestígio de Constance para a loira que ela julgava sem sal.

— E então, Elise? O que você achou de se apresentar? — A mais velha desviou cuidadosamente os olhos da latina arredia e fitou seu mais novo investimento com um olhar encorajador.

A moça sabia exatamente o que sentiu: poder. Sentiu-se pela primeira vez durante muito tempo, comandando a situação. Tendo o domínio do olhar de todos os homens ali, mantendo-os atentos à ela.

— Eu não sei o que sentir. Só queria ajudar na apresentação, já que a Demetria havia se machucado.

— Ah, faça-me o favor... — Katherine soltou e em seguida suspirou fundo.

Constance encarou a morena com um olhar desaprovador, fazendo-a calar. Em seguida, se pronunciou mais uma vez direcionada à Elise, sentindo crescer dentro de si o desejo por uma resposta positiva da loira.

— Pois bem. Eu preciso que você me diga qual o seu desejo, querida. Creio que todos concordamos que seria um sucesso entre os frequentadores do Django.

Um longo silêncio se instalou no local. Todos fitavam Elise, curiosos e esperançosos por sua decisão. Adam conseguia ser o mais ansioso de todos, até mesmo que a dona do cabaré. Ele não conseguia desviar de seus pensamentos a ideia deliciosa de vê-la dançar várias e várias vezes.

— Eu quero! — A voz da loira foi como música para os ouvidos da francesa. Um sorriso se alargou em seu rosto delicado, porém, ela manteve a postura serena de sempre.

As dançarinas comemoraram a nova aquisição, parabenizando Elise, que não parava de sorrir e sentir-se ainda mais confiante. Katherine se retirou da sala, lançando um olhar quase que mortal para Adam, que não se importou tanto.

Constance se virou sutilmente e caminhou em direção ao moreno, observando sua feição empolgada. Ele era um aliado bastante útil, mas a loira não confiava inteiramente no garanhão. Era sempre bom ter um pé atrás quando se tratava do vigarista.

— Não pense que isso está me passando despercebido, honey. — Ao aproximar-se o suficiente, ela sussurrou, repousando uma de suas mãos no peitoral dele e dando duas tapinhas leves no lugar: — Eu estou de olho em você.

[...]

Elise caminhava em direção ao seu quarto. Aquele dia tinha sido positivamente agitado. Ela não fazia ideia de que aquele seria o dia em que pisaria pela primeira vez no palco do cabaré e encantaria a todos com seus movimentos de dança.

O sorriso em seus lábios tinha um gosto quase esquecido de satisfação. Ela estava se sentindo bem, poderosa e incrivelmente aceita. Temia que seu julgamento fosse precipitado e que em seguida tudo se voltasse contra ela, mas tinha calculado bem os riscos que viriam na mala dessa ousada nova fase.

Um deles costumava tirá-la do sério e fazia questão de se manter vivo em seu pensamento. Bem vivo. Criando asas para fora da sua cabeça.

— Senhorita Rivers? — Adam chamou, em um tom falsamente cortês, a loira que andava pelo corredor vazio.

Ela se espantou com a voz grave do homem ecoando pelo ambiente e virou-se rapidamente para fitá-lo, trazendo consigo um olhar surpreso e irritado ao mesmo tempo.

— Por Deus! Você me assustou.

Sua fala era instável, pendendo para o nervosismo que sempre se alastrava por seu corpo na presença dele.

— Oh, desculpe-me por isso. Não era a minha intenção. — A voz do homem soava carregada de sarcasmo e ironia, independentemente dessa ser sua intenção ou não.

— Se me der licença, eu estava indo para o meu quarto.

Ela voltou a caminhar, mas percebeu que o moreno lhe acompanhara. Ele estava decidido a provocá-la naquela noite e sua missão não fracassaria sem ao menos uma tentativa.

— Eu queria dizer que você fez uma belíssima apresentação.

— Obrigada, mas creio que o seu elogio é dispensável. Não se ofenda.

Eles andavam pelo corredor. Elise fingindo querer chegar logo ao seu quarto e Adam adaptando seu jogo de sedução a personalidade forte da sua cobiçada.

— Pois eu me ofendo! Estou aqui com a mais nobre intenção e você já me recebe com sete pedras nas mãos.

— Quatro... — Elise sussurrou, revirando os olhos. — Então me diga, qual seria essa sua nobre intenção?

Ela virou-se para ele, parando subitamente no meio do caminho. Suas mãos ficaram repousadas em sua cintura, encarando fixamente o moreno incrivelmente cheiroso em sua frente. Era nítido que não existia nada de nobre nas intenções do rapaz, mas essa aura de mistério e perigo parecia ser um imã para Elise.

Adam sorriu torto, prevendo o que estava prestes a acontecer. Os olhos da loira pareciam querer ver a alma do jovem. Ato que beirava o impossível, já que ele era perfeitamente dissimulado e suspeitava que dentro de si não houvesse nada que o tornasse minimamente digno de compaixão.

Porém seu sangue pulsava forte por suas veias e artérias, enchendo-o de vida e o impulsionando para satisfazer os desejos de seu corpo.

Em um ato rápido, ele quebrou a pequena distância entre os dois e as mãos delicadas que Elise tinha sob sua cintura, deram lugar as mãos fortes de Adam, que a pressionaram contra si, fazendo-a arfar. O simples contato pele a pele, parecia denunciar todo o tesão reprimido entre os dois.

Ela não conseguia mover um músculo para se afastar. Por mais que seu cérebro ordenasse, suas pernas não se mexiam, cedendo à vontade inconsciente de permanecer ali, nos braços que a envolviam. Então, sem perder mais tempo, Adam selou seus lábios nos lábios rosados e doces daquela que tinha habitado seus sonhos mais pecaminosos desde o dia em que cruzara seu caminho.

Notas finais
Sinto cheiro de safadeza se aproximando, kkkkk Beijos!