Notas iniciais
Olha quem resolveu dar o ar da graça por aqui! hahaha Espero que me perdoem pela demora, mas eu sou aquele tipo de pessoa totalmente à mercê da inspiração. Quero dedicar esse capítulo para todos que continuam acompanhando a fic e não desistiram dela mesmo com a demora. Espero que continuem aqui me apoiando! Boa leitura!

Adam chegou ao Django desejando que ainda pudesse assistir à apresentação de Elise, mas assim que adentrou o local, teve sua empolgação arrancada rudemente por uma Katherine nada simpática.

— Se está tão empolgado assim para ver a pata loira, devo avisar que o showzinho mixuruca dela já acabou. — Ela disse sentando-se em uma das cadeiras altas do bar e voltando seus olhos para o barman. — Uma dose de vodka.

— Nossa, já vi que está de mau-humor... — Adam comentou sentando-se ao lado da morena. — Um uísque para mim.

— Mau-humor, meu bem? Eu estou a ponto de comer alguém vivo. — O homem entregou o copo com a vodka para ela, que virou o líquido imediatamente em sua garganta.

Adam faria uma brincadeira com o que a morena falou, mas decidiu não brincar com a sorte. Katherine parecia para lá de chateada e por mais que ela fosse temperamental, ele precisava dela por perto. Pelo menos por enquanto.

— Sabia que você fica extremamente sexy com raiva? — Ele disse acariciando o braço da latina.

Ela revirou os olhos, pedindo mais uma dose e olhando para o outro lado.

— O plano é me ignorar?

— Não, Adam. O plano é largar de ser trouxa.

Virou rapidamente a outra dose de vodka e levantou-se, saindo do local sem deixar chances para que o moreno pudesse enrolá-la.

— Eu, hein? Essas mulheres são completamente loucas.

— E você é completamente estúpido, não é mesmo?

Uma voz conhecida soou atrás dele. O homem sorriu ao ouvir o timbre aveludado de Elise e virou-se lentamente para fitá-la. Ele ergueu o copo de uísque em direção a loira que se aproximou mais um pouco.

— O que essas pessoas são para você? — Ela questionou.

— O mesmo que no futuro serão para você.

A mulher não entendeu o que ele quis dizer e ficou com uma expressão confusa no rosto. Ele sorriu torto, tomando um grande gole de sua bebida e em seguida dizendo:

— Uma fonte de lucro.

Elise arregalou os olhos ao ouvir o que ela julgou ser a mais inescrupulosa e sem sentido declaração de Adam. Tudo bem que ele fosse um cretino sem caráter, mas compará-la a ele tinha sido um grande despeite. Afinal, na história de sua vida, ela nunca esteve suficientemente no comando nem para falar alguma coisa, quanto mais para usar as pessoas.

Quando a loira estava pronta para começar uma discussão fervorosa com o moreno, Constance a interrompeu:

— Elise! Aí está você! Eu estava a sua procura, querida. Precisamos conversar.

Ela encarou a dona do cabaré por alguns segundos e assentiu, voltando o olhar para o homem a sua frente.

— Não pense que esquecerei dessa afronta.

— Estou ansioso para conhecer seus argumentos de defesa, senhorita.

Elise respirou fundo e virou as costas para Adam, que deu uma risada baixa ao vê-la se afastar. Constance partiu logo em seguida olhando reprovadoramente para o homem. Ele a cumprimentou com um aceno irônico e continuou a beber seu uísque.

{...}

— Sobre o que aconteceu no bar entre Adam e eu, quero que saiba que...

— Querida, eu realmente não me importo com o que aconteceu. Só quero que tenha cuidado com o Adam. Se ele mexe tanto assim com você, pode facilmente te transformar em uma nova Katherine.

— O quê? Claro que não! Ele não mexe comigo. Ele apenas me aborrece com aquele jeito arrogante dele. Me dá nos nervos a maneira que ele trata as pessoas.

Constance podia ver na forma com que Elise se expressava que, de alguma forma, aquele sentimento não era apenas indignação. Ela estava começando a se sentir atraída pela áurea misteriosa e perigosa que envolvia o moreno.

— Ok! Eu não vim até aqui para falar de Adam. — A mais velha falou, indicando com a mão que a loira sentasse. — Tenho um presente para você.

— Um presente?

— Sim. Um presente em comemoração à sua belíssima primeira apresentação.

— Oh, Constance, não precisava.

— Não é meu, boba. — Ela caminhou até a mesa de seu escritório e recolheu a caixinha que o Duque William lhe dera anteriormente. — Aqui. É um presente de um admirador secreto.

Elise franziu o cenho ao ouvir a frase da senhora, e pôs-se a pensar quem ele poderia ser. Descartou de cara qualquer possibilidade de que Adam fosse o remetente, visto que em sua concepção ele não passava de um canalha sem nenhum tostão no bolso.

— Nossa... — A garota falou ao abrir a caixinha e admirar o brilho do par de brincos. — São lindos.

Seus olhos estavam surpresos com o que via. Ela nunca tinha contemplado tamanha beleza e luxo destinados a ela. Estava maravilhada com o presente que ganhou.

— Vamos experimentá-los? — Constance perguntou, percebendo o deslumbre da loira.

A mais nova assentiu silenciosamente e começou a colocar as pequenas pérolas em suas orelhas. Em seguida olhou-se no espelho e sorriu.

— Combinaram perfeitamente com você...

— Por que eu tenho um admirador secreto, Constance?

— Você é linda, talentosa e arrasou hoje na sua primeira noite. Não acha que são motivos suficientes para ganhar um admirador?

— Não sei. Aprendi que na vida tudo nos é dado com alguma intenção oculta. Qual seria a dele?

— Talvez ele só queira te presentear, Elise. Deixe de ser paranoica por alguns segundos e aproveite o presente.

A loira ficou pensativa, fitando seu reflexo no espelho. Sabia que de alguma forma aquilo tudo estava mexendo com ela. Os benefícios que sua beleza estava lhe proporcionando começavam a mostrar que talvez as coisas pudessem ser mais fáceis. Porém aquela ideia a levava a pensar como Adam. A achar que está tudo bem manipular as pessoas com armas não letais, mas que causavam ilusões quase fatais.

{...}

Adam estava inquieto. Não conseguia dormir. Virava para um lado, para o outro e o sono nada de chegar. Sua cabeça estava a mil com uma única lembrança: Elise. Há alguns dias ela já vinha perturbando seus sonhos, mas agora ela estava lhe causando insônia. Ele não conseguia parar de pensar o quão saboroso sua boca carmim poderia ser.

Resolveu então levantar-se para uma caminhada solitária pelo Django. Era madrugada e a maioria dos clientes já tinham ido embora, os poucos que ainda estavam ali, escondiam-se nos quartos de suas cortesãs, usufruindo do prazer passageiro que elas os davam.

O moreno desceu as escadas silenciosamente, caminhando até a cozinha do estabelecimento. A insônia às vezes deixava-o com fome e um copo de leite com açúcar talvez acalmasse seus ânimos.

Ele só não esperava que outra ilustre moradora do local estivesse com o mesmo problema que ele e que tivesse tido a mesma brilhante ideia de ir para a cozinha sozinha de madrugada. Adam sorriu ao reconhecer a silhueta bem definida de Elise por entre as sombras do ambiente. Aproximou-se devagar para não assustá-la.

— Sem sono? — Mesmo com o tom terno que ele usou, a loira ainda saltou de susto ao ouvir sua voz soar atrás de si.

— Oh, meu Deus! Virou assombração agora? — Ela disse colocando a mão no lado esquerdo do peito.

— Desculpe-me, não era minha intenção assustá-la.

— Não importa. Já estava de saída mesmo.

Elise torceu o nariz para o moreno e, segurando sua xícara de leite quente, começou a andar para retirar-se do cômodo.

Quando passou ao lado de Adam, foi impedida por ele de continuar seu trajeto.

— Com licença?

— Você ainda não rebateu minha acusação...

— Decidi que não valia a pena discutir sobre isso com você.

— Foi isso ou você percebeu que tudo o que eu falei é realmente verdade?

A loira encarou o homem com raiva, sentindo seu sangue pulsar por suas veias. Queria discutir com ele, mostrar que ele estava errado, mas, no fundo, sabia que era exatamente aquilo que estava acontecendo. Ela estava aos poucos ficando deslumbrada com o poder que exercia sob as pessoas.

Em um misto de sentimentos incertos e no calor do momento, a garota deixou de lado todos os seus conceitos e teorias sobre Adam e o puxou para mais perto, selando seus lábios em um beijo cheio de fúria.

Notas finais
E aí? O que esperam do próximo capítulo?