Temos pessoas em nossas vidas que não sabem que fazem parte dela. Pessoas essas que vemos todos os dias, mas a rotina repetitiva impede que as enxergamos verdadeiramente.

Indo e vindo do trabalho eu vejo, se é que vejo mesmo, um senhor vendendo laranjas, humilde, frágil, os poucos cabelos brancos que tem fazem contraste com a pele queimada pelo sol. Nunca em todos esses anos eu vi alguém comprar as laranjas desse senhor. O semáforo é demasiado rápido demais para seus reflexos enferrujados pelo tempo. Nem mesmo as condições não sendo favoráveis para sua idade avançada ele sai dali. Embaixo de chuva e de sol, no frio e no calor, feliz em sua simplicidade.

Mas sabem quando algo inesperado quebra sua rotina e seu cérebro parece despertar de um grande transe? Um dia o velho não estava mais lá. Pensei que devia ter só tirado uma folga. Então no dia seguinte ele não apareceu. Nem no outro, nem no próximo. Nunca mais. Espero que apenas tenha encontrado um lugar na sombra de alguma árvore para vender suas laranjas, mais feliz em sua simplicidade.

Notas finais
Eae galera. Espero que tenha ficado no mínimo interessante. Digam aí se gostaram e no que devo melhorar. Valeu.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!