Já não corro mais que o vento
E não enxergo mais do que meus olhos podem ver
Já não sinto o açúcar dos chocolates
E as folhas do outono caindo, são algo que eu posso crer

As borboletas nunca mais alçaram voo em minhas entranhas
E os abraços jaziam mais frios do que o inverno
O contato deve ser evitado, pois hoje
Dedico meus sentimentos unicamente as folhas do meu caderno

A primavera chega todos os anos e eu queria lhe dar algo belo
E não encontro mais flores tão exuberantes
Todas elas são cinzas, sem brilho
Nunca mais protagonistas, eternamente figurantes

Quando chega o verão
Lembro de quando eu andava com os pés descalços
Sem destino, mas, não perdido
Hoje quero me achar em meio a tantas memórias
Quero me achar em meio a tantos estilhaços

Notas finais
"Estilhaços" representa pra mim aquele sentimento nostálgico que acredito que todos chegam a ter um dia, sabe? Aquele que você tem saudade de uma época que não nunca mais vai voltar, como quando era criança e a maior preocupação era sair correndo do colégio para chegar em casa antes de Dragon Ball começar. Quando o assustador era ver um filme de terror e ter medo do monstro lhe atacar enquanto dormia. "Estilhaços" não fala só sobre a infância, mas, também, sobre a angústia do crescer. A angústia de que tudo já foi melhor um dia. A angústia que o tempo passa e não podemos fazer nada quanto a isso.