Venéfica - Série Híbridos
1 Prólogo
Notas iniciais
Séc XVII – Grã- Bretanha
Fogo demoníaco.
Foi a segunda coisa que veio á mente do jovem Viscont Servrey quando houve a explosão, primeiro achou que fosse mais uma das tentativas falhas de Bold em por fogo em pequenos recipientes, baseando-se no mito do fogo grego, mas quando aspirou o odor forte de enxofre e cadáver sentindo-os queimar em seu pulmão, chegou á conclusão de que algo muito ruim estava acontecendo.
A terceira coisa em que pensou foi em seu irmão, seu mestre, seu pai.
Merlim.
Quando viu, já estava correndo pelos corredores do castelo com sua espada empunhada, sentindo o mármore gelado sob seus pés, algumas portas já estavam abertas, algumas se abrindo revelando seus companheiros espantados, fumaça dominava brandamente o corredor, fazendo com que seu nariz e pulmões ardessem á medida que respirava.
Estava para descer quando pode ouvir o barulho de espada contra espada e gritos guturais, se fossem quem fossem, estavam subindo, não haviam achado Merlim.
Voltou o caminho correndo e foi até a biblioteca, trancando a porta atrás de si, não lhe deu tempo para uma boa respirada, mas com uma breve inspiração, o cheiro predominante ali ainda era o mofo, aliviando seus pulmões por um tempo.Correu até uma das paredes lotadas de livros e procurou rápido com os olhos pelo título “Bíblia”, puxou o livro sutilmente fazendo com que houvesse um breve estalo, então parte da parede cheia de estantes começou á se mover, levantando poeira do chão e fazendo um grande e arrastado barulho.
Ande logo.
Os gritos estavam mais próximos e a fumaça adentrava pela brecha da porta, Viscont achava que seu coração pularia pela boca á fora a qualquer instante, tudo lhe indicava perigo, morte, e o medo o dominava aos poucos aquecendo e formigando suas entranhas.
Foi puxado para dentro antes que pudesse ter alguma reação, caiu atrapalhado no chão mas logo levantou-se, observando Merlim fechar a porta á distância com as mãos, e quando a mesma se encontrava fechada, começou a conjurar um feitiço, selando a parede, como se nunca houvesse antes uma porta ali.
O homem enfim se virou, vestia uma camisa de linho branca que ficavam apertadas em seus ombros largos e fortes, os cabelos brancos estavam presos em um rabo de cavalo e sua barba espetada.
“Mestre.” Respirou Viscont, fazendo-lhe uma breve reverência.
“Pegue estes pergaminhos em minha mesa, coloque-os naquela bolsa e saia pela janela, há um cavalo lá em baixo lhe esperando, fuja para o mais longe que puder, caso seja pego, queime os pergaminhos.Faça-o agora.” Ditou Merlim.
“Mas Mestre, preciso salvar meus irmãos, não os desertarei!”
“Eu vou tentar salvá-los, mas pelo o que eu já havia visto, não haverá sobreviventes, escolhi você para levar meu legado...”
“Como assim? O senhor havia previsto isso?”
“Sim, e não havia nada que podia fazer para mudar.Coloquei feitiços por todo o castelo, nas portas, nas armas, em tudo, mas os demônios estão fortes demais. Agora faça o que mandei.Vá!”
Viscont em sinal de frustração passou a mão por seus cabelos ruivos e olhou para Merlim que o observava cautelosamente.
“Por que eu?”
“Por que não você?” ergueu uma sobrancelha.
“Eu serei o Legado, serei o último, o único, ficarei sozinho, não haverá ninguém pra me ensinar...” houve um estrondo, eles haviam achado a biblioteca.O rapaz abriu a boca para protestar mas a expressão de seu Mestre era violentamente inequívoca.
“Viscont, vá!E não procure ninguém, não contem á ninguém o que é, ou o acharão e te matarão.Confie apenas em você.” ordenou Merlim pela última vez.
O jovem inclinou a cabeça em lacônico assentimento recolhendo os pergaminhos e alguns livros que estavam sob a mesa, vestiu uma jaqueta e foi até a janela, olhou para sala pela última vez, as paredes de pedra, a mesa rústica, num canto perto de uma estante a espada Excalibur, e finalmente para seu Mestre, o mesmo com uma espada empunhada, fazendo com que a porta se abrisse novamente.
Até logo meu velho.
Pensou Viscont quando pulou da janela, conjurou uma levitação para que aterrissasse bem no chão, amarrou as bolsas no cavalo e montou-lhe dando partida.
Enquanto se afastava rápido com o cavalo, atrás dele rugia um inferno, ressoando com os berros e gritos de homens, mulheres, crianças, e algazarras monstruosas, tudo contra o incessante trovão dos tambores de guerra.
Não pare.
Dizia a si mesmo.
Não volte.
Mas falhou, parou o cavalo para dar a si mesmo um momento de tortura, virou-se olhando o castelo em chamas, o cheiro de enxofre e cadáver havia aumentado, com os olhos ardendo e o coração esfolado, virou o cavalo na direção oposta ao castelo , e não deixando de notar que outro cavaleiro, muito á frente, corria.Perguntou-se se era um dos seus, mas todos estavam mortos aquela altura, seria apenas um perdido que retornou o caminho ao ver aquela cena de extermínio.
Confie apenas em você.
A voz de Merlim ecoou em sua mente.
Silenciosamente assentiu e deu rédea no cavalo, correndo para longe dali como se não houvesse amanhã.
Fale com o autor