Notas iniciais
Criei esse texto durante uma tempestade que levou embora as telhas das casas dos meus vizinhos, exceto a minha (por milagre). Espero que apreciem.

Era um piano velho, numa sala velha, numa velha casa. Um piano que há muito tempo não era usado, não era desfrutado, não era tocado.

Os raios de sol penetravam a pequena sala onde o velho piano jazia, mas eram raios tão soturnos quanto a pálida luz do luar que a penetrava durante a madrugada.

As paredes descascadas contrastavam com a madeira velha do velho piano, da velha cadeira, do velho chão, das velhas janelas abertas. Era uma sala arejada. Era uma sala obliterada*, onde só havia um piano obliterado e até luzes obliteradas.

E aquele piano clamava por dedos hábeis que pressionassem suas chaves, que lhe arrancassem as melodias velhas e esquecidas.

E o velho piano permanecia assim; imóvel, inutilizado. A casa abandonada ao tempo, envelhecendo cada dia mais; triste, solitária.

Notas finais
*Obliterar: nesse contexto significa esquecer. Obrigada por ler.