Notas iniciais
Espero que apreciem.

Harpa

Era só uma harpa antiga, jogada num canto qualquer, empoeirada e conservada, mas há muito carecia de mãos que soubessem lhe tirar as melodias.

Uma moça olhava para o instrumento com um sorriso melancólico e ao mesmo tempo nostálgico. Talvez ela sonhasse saber tocá-lo, talvez não pudesse mais tocá-lo, ou talvez o instrumento inspirasse esses estados de espírito.

Jogada de lado, a harpa parecia sequer se importar, e a moça a fitava, sensível e reflexiva. Talvez se lembrasse de algo muito bom do passado, talvez pensasse no que aconteceria em seu futuro, ou talvez apenas apreciasse aquela velha harpa diante de si.

A moça, que estivera sentada num antigo sofá, levantara-se devagar, como quem quer ficar mais tempo, mas não pode.

E assim, com certa tristeza, a moça deu uma última olhada no instrumento atrás de si, antes de se dirigir à porta e fechá-la para sempre.