Velhos Hábitos Não Morrem
2 Capítulo 2 - Farra?

Por mais que Ronald tentasse, ele não conseguia deixar seu ciúme de lado — tudo bem, talvez ele não tentasse com tanto afinco assim. E ciúme é uma palavra muito forte. Ele preferia chamar de zelo. Cuidado. Talvez, um extremo cuidado. Mas um cuidado. O que havia de errado em cuidar de sua esposa? Da esposa que ele tivera tanto trabalho em conseguir? Ninguém disse que seria fácil. Mas ninguém disse que seria tão difícil assim. Mas é claro, no final, valeu a pena.
Um sorriso ainda se espalha em seu rosto, toda vez que lembra do pedido desajeitado de namoro. Do pedido desajeitado de casamento. Das primeiras discussões como um casal, quando descobriam que a parte da reconciliação era a mais satisfatória. Do primeiro sorriso de Hermione quando se tornaram marido e mulher. Lembra também, do dia que recebeu a notícia que seria pai. Depois, de que seria pai de uma menina. E mais tarde, quando recebeu a notícia que seria pai novamente e depois que seria pai de um menino.
A felicidade que ele sente quando recorda estes momentos, é a mesma que sentiu quando os viveu. Rony não tem, aliás, nunca teve, palavras para expressar o quanto ama Hermione. Agora, sua mulher. Depois de anos ainda é difícil de acreditar. Houve uma época em que tudo era tão complicado, confuso e desgastante. Porém, agora ele enxerga, foi tudo preciso e necessário para chegar a felicidade tão almejada. Naquele momento, observando Hermione rir de algo em sua conversa com Luna e Gina, ele se sentia o mesmo sortudo de anos atrás por ter aquela mulher. Ela vestia seu jeans claro, botas pretas, blusa social branca e seu cabelo estava em um coque desarrumado: ainda parecia uma adolescente para ele.
– Paaaaaai! — Foi desperto de seus pensamentos, com as mãos da filha sacudindo em frente a seus olhos. — Hey! Estou tentando falar com o senhor a horas.
A pequena ruiva colocou as mãozinhas na cintura.
– Seu pai é um eterno bobo apaixonado, querida. — Harry comentou, notando em que o amigo estava distraído, já que ele e Neville conversam animadamente e o ruivo não havia aberto a boca até então. — A próxima vez, dê um beliscão nele.
Rose começou a gargalhar, provavelmente pensando na possibilidade de fazer essa travessura com o pai.
– Não ensine maus modos a minha filha, Potter! — Brincou Rony, empurrando o amigo. Antes que Harry pudesse retrucar, Rose voltou a falar:
– Agora pode, por favor, me dar atenção?
Rony assentiu, tentando ao máximo ser sério, e não rir da pose de adulta da filha.
– Hugo não para de encher os meus ouvidos, com reclamações sobre não ter visto o apanhador Vítor Krum. — Disse a menina. — Além do mais, ele ouviu o tio Harry conversando com o tio Jorge, sobre ele ser amigo da mamãe. Pode fazer Hugo calar a boca?
– Rose, não fale assim do seu irmão, é muito feio! — Rony tentou repreendê-la sem muito sucesso. Hermione era bem melhor nisso que ele. — Eu vou conversar com ele, pode deixar.
– Obrigada! — A ruiva sorriu e esticou os braços para o pai pegá-la no colo.
– Não acha que está muito grande pra isso? — Comentou o pai sorrindo.
– Eu ia lhe dar um beijo apenas, mas o senhor deve estar muito grande pra isso...
– Ah é!? — Provocou. — Com licença, senhores. — Fez uma falsa reverência para Neville e Harry, que riram da situação e deu as costas aos amigos, caminhando até onde Hugo estava brincando com Alvo e Lily, sendo ''vigiados'' por Teddy. — Eu vou te fazer cosquinha até você resolver me dar um beijo. Lá vai!
– Não, pai! — Rose ria. — Por favor, papai, chega! — Riu mais ainda e lhe deu um beijo estalado na bochecha.
– Assim está melhor. — Rony riu, beijou a testa da filha e a colocou no chão. Ela se sentou ao lado de Alvo enquanto ele chamava Hugo para conversarem. Não pôde deixar de notar a cara de tédio de Teddy, e apenas imaginava o quanto ele queria estar na tenda que se encontrava um pouco longe dali, de Gui e Fleur.
– Algo de errado, papai? — Perguntou o menino com sua voz suave de criança.
– Você é quem tem que me dizer. — Rony se sentou em uma das poltronas ali perto, e colocou o menino sentado em sua perna.
– A fofoqueira da Rose já abriu a boca, né?
– Ela é sua irmã e está preocupada. — Rony contornou a situação. — Você queria muito conhecer o apanhador búlgaro, filho?
– É que ele é muito famoso e como a mamãe é amiga dele, eu pensei que eu ia ser o primeiro a ver ele! — Choramingou. — Eu não torço pra Bulgária, mas ele é famoso, papai! Um dos melhores do século!
– Sim, eu sei. — Rony sentiu um gosto amargo na boca mas precisava ser imparcial, por seu filho. — Eu prometo que ano que vem, você irá conhecê-lo. Falarei com sua mãe, tudo bem?
Hugo sorriu e seus olhos brilharam.
– Com direito a foto e autogafo?
– Autógrafo. Sim. — Rony soltou uma risada. O pequeno ruivo com os cabelos armados da mãe, abraçou o pai rapidamente e saiu saltitando até os primos, provavelmente para contar-lhes a nova novidade. Ele passou a observar os filhos e sobrinhos e se deixou ficar nostálgico outra vez. Só percebeu que Hermione se sentara no braço de sua poltrona, quando a mesma passou os braços por seus ombros, formando um x em seu pescoço.
– Está tudo bem, meu amor?
Rony assentiu, incerto.
– Só estava pensando em como Fred adoraria estar aqui. — Suspirou, seus olhos já estavam cheios. — E em como Remo e Tonks gostariam de ver o filho deles crescer.
Hermione buscou as mãos do marido as segurando fortemente, em mensão de passar conforto.
– Eles adorariam estar aqui, tanto quanto odiariam te ver assim. — Era incrível como ela sempre sabia o que dizer. — Eu sei que dói, Ron, eu realmente sei. E sei que é árduo acordar todos os dias e ter de lidar com todas as perdas. Mas, sabe, precisamos tentar. Veja só. — Gesticulou com a cabeça para todos ali. — Nossos sobrinhos, filhos, amigos, tão felizes. Ah! Falando em felicidade. — Rony seguiu seu olhar até a entrada da tenda de Harry e viu Jorge, Angelina e as crianças chegando. O ruivo sorriu inconscientemente, a voz da esposa trazia novos ares para ele.
– Eu te amo demais, Hermione. — . Ela depositou um selinho demorado no marido ao ouvir essas palavras. Naquele momento, parecia existir só os dois no ambiente. Sorriram entre o início de beijo que se formara.
– Acho melhor eu convencer Harry, a deixar Teddy ir ver Victoire. Pobre menino! — Ela sorriu ao se levantar.
***
– Esses doces estão tão gostosos, que nem parece que foi minha mãe quem fez! — James ria.
– Nunca ouvi tantas verdades em minha vida. — Rony riu acompanhando o sobrinho.
– AI! — Ambos urraram juntos, quando Gina bateu com O Profeta Diário em suas cabeças.
– Isso é a real diversão. — Zombou Jorge, rindo. Todos estavam sentados à mesa posta do lado de fora da tenda — com todos os feitiços de proteção necessárias é claro, porque mais poderoso que um bruxo das trevas qualquer, era um bando de ''fãs'' determinados — apreciando a noite fria do inverno da Patagônia. Haviam acabado de jantar e entre uma dose e outra de uísque de fogo, alimentavam a conversa.
– Vocês falam isso, mas sentem minha falta quando estava fora, cobrindo a Copa. — Resmungou a ruiva.
– Todos nós sentimentos, meu bem. — Bajulou Harry e Gina sorriu beijando o marido. Uma onda de ''haaaaam'' foi ouvida no ambiente inteiro.
– Harry, você não tem vergonha! — Riu Neville acompanhado de sua esposa Hannah. Todos riram e antes que pudessem engatar em outro assunto, Gui, que chegara a pouco tempo na tenda, se manifestou.
– Mas onde estão Percy e Carlinhos?
– Estavam aqui mais cedo mas disseram que não poderiam ficar. — Gina respondeu.
– Acho que o que você deveria se preocupar, caro irmão. — Começou Jorge, em tom brincalhão. — É com o paradeiro de sua filha e Teddy. Apenas acho...
– Merlin! — Gui resmungou e se levantou, enquanto Fleur ria. — Com licença, pessoal. A mesa irrompeu em risadas outra vez.
– Bem, pessoal, acho que já está ficando tarde. — Comentou Hermione, se levantando. — Sei disso, porque faz dez minutos que Hugo não vem me pedir alguma coisa. Deve ter dormido lá dentro.
– Seu extinto de mãe é admirável, Mione. — Comentou Luna. Seu marido, Rolf Scamander, pareceu achar o comentário da esposa tão adorável, a ponto de beijar-lhe a face. Hermione sorriu da doçura da amiga e Rony se levantou seguindo-a para a entrada da tenda.
– Por falar nisso, como vão os gêmeos, Luna? — Rony ouviu Angelina perguntar e todos engatarem em uma nova conversa.
Assim que entraram na barraca, as suspeitas de Hermione se fizeram valer, quando ele viu Hugo roncando baixinho no sofá, ao lado de uma Lily encolhida aos pés do primo. Sentados no tapete perto do sofá, Rose mostrava, animada, um livro de capa dura e relativamente grande, para Alvo. Este, parecia entediado mas certamente não queria decepcionar a prima.
– Vamos, Rose, temos que ir. — A voz de Hermione se fez ouvir. Rony mexeu levemente no filho mas este parecia não querer acordar. Acabou por tomá-lo nos braços, com cuidado, para não acordar Lily.
– Aaaaah mãe! — Reclamou Rose. — Estou mostrando Hogwarts — Uma História, para Alvo! Lembre-se que daqui a....- A menina parou por alguns instantes e contou nos dedos. — ...três anos estaremos lá. Olha essa capa maravilhosa! O mundo tem que ver isso!
Rony percebeu que a esposa não pôde deixar de sorrir e seus olhos brilhavam.
– O mundo já viu, filha. — Disse, pegando a mão da filha e beijando o topo da cabeça de Alvo. — Agora está tarde, você precisa dormir. E você também, Alvo.
– Obrigada tia Mione, obrigada mesmoooo! — Ele a abraçou pela cintura e ela riu. Rose fechou a cara.
– Tudo bem, Alvo, a próxima vez mostrarei a Hugo, que tem mais cérebro que você.
– O que conversamos hoje, mocinha? — Rony disse, não muito alto, para não acordar o filho em seus braços.
– Que eu não poderia agir com Hugo assim. Não disse nada sobre Alvo.
– Hahaha. — Rony mandou língua para a filha. — Esperta como sua mãe.
Rose sorriu. Antes de saírem da tenda, James passou pela entrada como um furacão.
– Acreditam que mesmo eu sendo o mais velho, minha mãe mandou eu dormir? — Bufou.
– Acredito, James, acredito. — Rony disse, rindo.
– Eu me compadeço por você, meu bem. — Hermione beijou o rosto do sobrinho, rindo, e todos saíram para o leve vento gelada que corria lá fora. Após as devidas despedidas, seguiram até a própria tenda e Rony colocou Hugo cuidadosamente na cama. Rose, depois de muito reclamar, levou a coberta até o queixo e se recusou a falar com os pais.
Rony colocou seu pijama e se deitou com os braços atrás da cabeça, ainda um pouco nostálgico. Hermione puxou a cortina que separava o quarto do resto do espaço e se deitou ao lado dele, usando a varinha para apagar todas as luzes. O ruivo tratou de puxar sua mulher para junto dele e quando se aconchegou mais na cama, com o queixo apoiado no topo da cabeça dela, não pôde deixar de sorrir.
– Sabe, Mione. — Começou. — Eu conversei com Hugo hoje e andei pensando...
– Sim? — Encorajou o marido, com a voz já grogue devido ao sono.
– Ano que vem, quando Hugo estiver maiorzinho, você poderia agendar um encontro dele com Krum...
– Co...- Hermione bocejou. — Como?
Mesmo com sono, seu tom de voz era surpreso.
– Não acho certo envolver nossos filhos nisso. É injustiça com eles.
Rony foi pego de surpresa quando Hermione o enlaçou pelo pescoço e beijou-lhe com vontade. Suas mãos já passavam para dentro da blusa de flanela da esposa e as mãos dela bagunçavam seus cabelos que aos poucos, ficavam ralos.
– Uau...- Depois do que pareceram horas, ela se separou dele. Ele riu pelo nariz. — O que eu fiz para merecer isso tudo?
– Você falou como o homem maduro que eu sempre soube que era.
As mãos dela desenharam o contorno dos lábios de Rony e mesmo através da escuridão, de alguma maneira, ele ainda conseguia enxergar seus olhos. Inconscientemente, suas mãos levantavam a bainha da blusa dela e ele aproximou seus rostos outra vez. Se sentia tão orgulhoso quando surpreendia Hermione e não a decepcionava...
Ela passou as mãos em seu rosto, delicadamente, sentindo o início de barba que apontava no queixo do ruivo e ambos sorriram um para o outro antes de Rony juntar seus lábios com ternura. Aparentemente, a noite seria mais longa que o planejado.
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