Velhos Hábitos Não Morrem

3 Capítulo 3 - Bulgária X Brasil.


Notas iniciais
Para a leitura deste capítulo, é estritamente necessária a leitura dos contos da J.K. beijos e boa leitura *-*

Hermione passara a tarde inteira com Harry, seu marido e as crianças — Gina já estava com o pessoal da imprensa — observando a bela paisagem da Patagônia. Ela não se cansava de vislumbrar as montanhas geladas ao longe e nem mesmo o ar gélido a incomodava. Faltando uma hora para o início da partida, Hermione começava a se vestir e a ajudar as crianças. Quando terminava de ajustar seu cachecol bege em frente ao espelho, levou um susto no momento em que o reflexo do marido apareceu ali. De braços cruzados e a cara fechada.
– Você me assustou, Rony! — Massageou o peito e se virou para ele. — Algum problema?
Ela sabia bem qual era o problema.
– Por que não está de verde?
Hermione olhou para as roupas, como se não visse problema algum com elas — e não havia mesmo, não na cabeça dela. A sua pequena vingança surtia efeito e ela queria rir.
– Não estou apresentável? — Perguntou, girando no mesmo lugar. Estava com calça jeans desbotada, botas brancas, camiseta salmão de mangas compridas e um sobretudo bege por cima. Soltara os cabelos definindo os cachos armados que ainda existia.
– Está linda, é claro. — O marido respondeu,mas seu tom de voz não era nenhum pouco doce. — Sei muito bem onde quer chegar, Hermione.
– No mesmo lugar que você. — Respondeu simplesmente. — Nas arquibancadas da área VIP. Agora, é melhor nos apressarmos. Não quero perder a abertura. Ouvi dizer que os Curupiras são engraçadíssimos. — Sorriu vitoriosa, beijando o rosto do marido e partindo dali de mãos dadas com Rose e Hugo.
– Mamãe, por que está tão neutra? — Rose perguntou, como uma verdadeira adulta.
– Quando você crescer, irá entender, meu bem. — Hermione sorriu. Rony se juntou a eles ainda de cara amarrada.
Não demorou muito, para toda a Armada tomar seus devidos lugares na área VIP 2. O estádio estava cheio e Alvo iniciava um discurso para o irmão, sobre todos os feitos do seu grande ídolo, o atacante brasileiro, Gonçalo Flores. Ele era o único da família Potter que estava de verde e James debatia com o irmão sobre os inúmeros feitos de Vítor. Não demorou para Rony entrar na conversa, a favor do sobrinho Alvo.
A multidão se agitou quando os portões se abriram e os mascotes entraram para fazerem seus devidos shows e o box dois ficou em silêncio para apreciar. Primeiramente, as veelas búlgaras, dançando. Hermione girou o pescoço para encarar Rony e bufou, notando sua boca entreaberta e a expressão hipnotizada. Tratou logo de dar-lhe uma bela cotovelada nas costelas. O marido sobressaltou-se e grunhiu um sonoro Ai!. Não estava nem um pouco a fim de regredir a anos atrás, em seu quarto ano escolar. Cruzou os braços e voltou a encarar o show que agora era ocupado, graças a Merlin, pelos curupiras. Eles realmente eram engraçados.
Hermione notou que Gui trocara de lugar com sua filha e que esta, juntamente com Teddy, amarraram a cara. Balançou a cabeça negativamente, com um leve sorriso. Hormônios adolescentes eram uma loucura. Quando os curupiras e as veelas formaram a curiosa pirâmide, Hermione só desejava que esses monstros disfarçados deixassem o local. Provavelmente, já deveria ser meia noite, pois os dois times entraram e decolaram rapidamente, iniciando a partida. Será que demoraria muito para acabar? Quase se repreendeu por pensar nisso, afinal, havia acabado de começar. Mas Hermione nunca fora muito fã de quadribol mesmo...
Luna começou a servir alguns petiscos para eles e Hermione observou quando Rony pegou mais de cinco. Não pôde deixar de rir baixinho.
Apesar do pouco que entendia do esporte, dava para perceber que Flores era realmente tão habilidoso quando o sobrinho dissera. O marido e os filhos vibraram quando o time brasileiro recuperara a goles. Minutos depois, sua família e Alvo se levantaram e gritaram com o gol do Brasil. Seu sobrinho mais novo quase caiu e Rony, agilmente, o puxou pelas vestes. James ria sem parar e ela pensou que se Gina estivesse presente, daria uma bela bronca no filho.
Harry agitava os braços e vibrava com cada balaço bem batido pelos búlgaros. Hermione apertou o braço do marido gentilmente quando percebia que este trincava os dentes de frustração quando isso ocorria. Acabou não conseguindo segurar um bocejo. Já deveria fazer quase uma hora de partida e o pomo ainda não fora visto. Um gol da Bulgária e a maioria da cabine vibrou. Hermione sorriu imaginando a felicidade de Vítor. Rony cruzou os braços e bufou. Longos minutos depois, o que pareceu anos para ela, uma série de gols brasileiros foram feitos e Rony e seus filhos não se aguentavam de felicidade. Por mais que Rose também parecesse entediada, comemorava em todo gol brasileiro.
A multidão fez um barulho ensurdecedor e Hermione demorou para perceber que o pomo havia sido visto. Uma onda de ''uuuuuuuuuuh'' ecoou sobre o estádio inteiro quando Vítor por pouco, não agarrou o borrão dourado. Hermione pensou em como o amigo devia estar se sentindo, em seu último jogo antes de se aposentar, e ainda na partida final da Copa Mundial de Quadribol. Queria poder falar com ele mas a tempos que se contentava apenas com as cartas. E que Merlin a perdoe, mas quando Rony acidentalmente a via lendo uma das cartas do búlgaro, ela sentia vontade de estuporá-lo ali mesmo. Mais uma hora se passou e ela sentia que a cada minuto, parecia menos interessada no que ocorria no campo. Der repente, sentiu os lábios do marido pressionarem sua bochecha e se virou para ele, com um leve sorriso nos lábios.
– Para que isso, Rony? — Sentiu seu rosto esquentar, pensando em quantas pessoas poderiam ter visto isso. Odiava demonstrações de afeto em público.
– Não posso demonstrar o quanto amo a minha esposa? — Ele respondeu, com um encantador sorriso de lado. Hermione o olhou desconfiada e ele abraçou seus ombros. Ela voltou sua atenção ao campo onde não havia nenhum jogador no ar.
– O que aconteceu? — Perguntou, olhando de um lado para o outro.
– Krum foi ferido. — Respondeu Jorge, esticando o pescoço para ver se enxergava algo mais lá embaixo.
– Como!? — Hermione olhou para o cunhado mas foi o sobrinho James quem respondeu. — Ele está bem?
– Foi atingindo na cabeça com o taco do...Santos, eu acho.
– Espero que ele esteja bem. — Respondeu Harry.
– Céus! — Exclamou, visivelmente preocupada. Rony, subitamente, emburrara, cruzando os braços — consequentemente os afastando da esposa.
Minutos depois, como se atendesse as preces de Hermione, Vítor sinalizou que estava bem e a partida reiniciou. Nem cinco minutos se passara, e Vítor e o apanhador brasileiro que Hermione não recordava o nome, disputavam o pomo. A cabine inteira ficou tensa, olhos vidrados, e até mesmo ela ficou interessada. Hermione observou todos se levantarem e se levantou também. Harry começou a gritar e a voz do seu marido também se fez ouvir.
– VAI, PORRA!
– Ronald!
– Desculpe, querida. — Ele soltou rapidamente, parecendo nem tê-la ouvido direito.
– Foi mal, Vick, foi mal! — Hermione ouviu a voz de Teddy lamentando o soco acidental que atingira a namorada.
Hermione sorria e aplaudia animadamente no momento em que Vítor alcançara o pomo, dando vitória a Bulgária. Rony colocou um sorriso estranho no rosto, aplaudindo pela mais pura educação. Os aplausos verdadeiros e carregados de espírito esportivo, eram de Alvo, Rose e Hugo.
Não queria pensar no tedioso discurso de Rony quando voltassem para a tenda.