Velha Infância - Berita
12 Capítulo 11
Notas iniciais
– Por que não me esperou? – ela ouve Beto perguntar, enquanto a abraça pela cintura.
– Tá maluco Beto? Me solta.
– Não fique nervosa – disse ele, se distanciando dela.
– Eu tenho que trabalhar, não posso ficar como sua segurança enquanto você dá suas entrevistas.
– Está perdoada – responde Beto. – Vou falar com o meu pai, depois a gente conversa.
– Ela tem que trabalhar – fala Francis.
– Alguém falou com você, cara? – diz Beto. – Até depois, pequena.
– Pequena? – repetiu Francis.
Clarita pega o tablet e começa a atender alguns clientes depois quando voltou ao balcão, Mili pergunta:
– Que aproximação é essa com o Beto?
– Nós voltamos a ser os mesmos amigos de antes.
– Só amigos?
– Claro, ele tem namorada.
– Hum – resmungou. – E você já esqueceu que antes de ele ir embora do Brasil, você o beijou se declarando para ele? – questiona Mili.
– Garçonete! – um cliente chama Clarita.
– Tenho que ir – sussurrou ela para a amiga.
Mili bufou ao ver a amiga se distanciar.
– Só não quero que você sofra – sussurrou para si mesmo.
(...)
– Não adianta, papai – fala Beto. – Parece que a mamãe nunca entenderá meu lado.
– Você tem que ter paciência com ela.
– É tão difícil ela entender que eu nunca vou esquecer de onde vim?
– De um tempo pra ela.
– Seis anos não foi o suficiente?
– Beto, não vamos discutir por causa disso. Acho melhor você ir conversar com sua mãe, com calma e explique para ela a situação.
– Ela nunca vai entender, sempre ela é certa da história – reclama o rapaz. – Por que é tão difícil de ela entender que eu tenho amigos de classe social diferente da minha? Por que ela é contra eu me aproxime deles? Eles são melhores do que aquela gentinha que ela vai tomar o chá da tarde.
Júnior segura o riso.
– Eu não tenho nada a ver com isso – diz o empresário. – Trate isso com ela, pode ser?
Beto o encara.
– O senhor podia me dar uma forcinha, não é?
– Tenha coragem e enfrente a fera – fala Júnior dando alguns tapas na costa de Beto.
– Pai!
– Boa sorte, Beto. Agora me deixe trabalhar.
Beto bufou e saiu da sala, contra a sua vontade.
(...)
– Finalmente acabou mais um dia de trabalho – comemora Clarita.
– Verdade – Mili concordou.
– Clarita! – Francis a chamou.
Ao ouvi-lo, Clarita revira os olhos.
– Eu mereço – murmurou.
– O que vai fazer hoje a noite? – pergunta o barista.
– Dormir e você?
– Estava pensando em nós sairmos juntos.
– Desculpa cara, mas ela já tem compromisso – todos ouvem uma voz familiar dizer.
– Beto? – todos disseram, ao verem ali.
– Boa noite pra todos – ele diz, olhando para Clarita e sorriu.
– Então, você irá sair com o filho do chefe? – questiona Francis.
– Eu o quê? – pergunta Clarita desviando o olhar de Beto para Francis.
– Nada – Francis olha para o chão. – Sei que de qualquer maneira você irá com ele – e ele sai dali.
– Mosca, finalmente! – disse Mili ao vê-lo se aproximar. – Vamos pra casa? Estou cansada.
– Espera eu conversar com o Beto... – Mosca começa a dizer.
– Vamos de uma vez, Mosca! – Mili e o puxa e deixa Beto e Clarita sozinhos.
– Posso saber que compromisso eu tenho, e nem sabia? – pergunta Clarita.
– O compromisso de voltar pra casa com o seu melhor amigo.
– Compromisso? – ela segura o riso.
– A verdade é que eu não via a hora de te ver de novo – disse ele.
Clarita fica séria durante um tempo.
– Vamos entrar no carro? – Beto pergunta.
Ela não interfere, mas quando está dentro do carro, diz:
– Só acho que a Érica não vai gostar nadinha quando souber que você está dando carona para sua velha amiga de infância.
– Estou pouco me importando com o que a Érica pensa – Beto diz e acelerou o carro.
(...)
– Eu sinto muito pelo o que está acontecendo com a sua mãe, Beto. – Clarita disse, quando desceu do carro.
– Não sinta – fala Beto. – Ninguém tem culpa de ela ser uma cabeça dura que só vê as pessoas conforme a classe social delas.
– Isso é muito ruim...
– Pois é – resmungou Beto.
– Agora precisa entrar pra dentro, amanhã tenho que levantar cedo para trabalhar.
– É mesmo. Então nos vemos por ai – fala Beto se distanciando da melhor amiga. – E não esqueça de me convidar para o casamento.
– Que casamento?
– O seu com o Francis – falou, entre risos.
– Idiota! – ela também começa a rir.
– É só uma brincadeira, até porque você só se casaria com ele por baixo do meu cadáver.
– Ah é assim? – questiona Clarita. – Digo o mesmo sobre você e Érica – brincou ela.
– Que baixinha ciumenta eu fui arranjar como melhor amiga.
– Cala a boca, idiota! – Clarita começa a dar tapas em Beto.
– Está nervosinha – provocou.
– Beto! – gritou ela, não conseguindo parar de rir.
Algum tempo depois, eles param de rir e ficam se encarando. Beto se aproxima de Clarita.
– Está na hora de eu ir, Beto – disse ela, se distanciando. – Boa noite! – e saiu deixando Beto, pensativo.
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