Velha Infância - Berita
9 Capítulo 08
Quando acordou, Clarita percebe que já era tarde. Apesar de não trabalhar hoje, ela tem um compromisso.
– Mili! – ela chama a amiga.
– Bom dia, dorminhoca – fala Milena, entrando no quarto. – Dormiu bem?
– Tão bem que esqueci de ir ao Orfanato – responde.
– Não se preocupe, já liguei pra lá e falei com a diretora.
– Ela concordou?
– Sim, você pega a Bia para dar um passeio ás 15:00 horas, depois que vocês saírem o Mosca e eu vamos ao Orfanato e preparamos a festa com as crianças.
– Certo – diz Clarita. – Vou me arrumar e irei para o Orfanato.
– Não vai almoçar? – questiona Mili.
– Almoço na rua.
– Está tudo bem, Clarita?
– Sim – responde Clarita, e entrou no banheiro.
(...)
– Boa tarde, família! – disse Júnior, entrando animado em casa.
– Que família? Só estou eu e a empregada em casa – disse Beto, que estava deitado no sofá.
– E sua mãe?
– Deve estar no Orfanato.
– Ela não vai vir almoçar? – questionou.
– Não sei, pai.
– E você?
– Eu o quê?
– Já almoçou?
– Não, estava aqui...
– Pensando – completou Júnior.
– Como sabe?
– O que você mais tem feito desde quando chegamos ao Brasil, foi ficar pensando.
– Hum – resmungou Beto, virando-se de lado para seu pai não ver a expressão de seu rosto.
– Eu tenho a curiosidade de saber em quem você está pensando.
Beto riu.
– O senhor não vai querer saber.
– A única coisa que sei que não é na Érica.
Beto olha para Júnior e diz:
– Apenas estou pensando em algumas coisas que aconteceram desde quando cheguei ao Brasil, só isso.
– Está bem – diz Júnior. – O que acha de irmos almoçar? Estou com fome, ficar em várias reuniões no Café me deu fome.
Beto riu do jeito do pai, e eles caminharam abraçados até a sala de jantar.
(...)
– Estou indo para o Orfanato! – anunciou Clarita, se dirigindo a porta de saída do apartamento.
– Daqui a pouco Mili e eu vamos pra lá – fala Mosca.
– Ok, obrigada pela a ajuda de vocês.
– Não é nada, iremos nos divertir – disse Mili.
Clarita assentiu e em seguida saiu do apartamento.
No Orfanato Raio de Luz
– O que você quer ganhar de aniversário, Bia? – pergunta Ana.
– Nada – responde a jovem, que está completando 17 anos de vida.
– O que você queria que a Bia falasse, Ana? – questiona Cris.
– Cala a boca, pirralha! – gritou Bia.
– Eu não sou mais pirralha, Bia! – exclamou Cris. – Tenho quase a sua idade.
– Mais continua com cérebro de criança, do que adianta?
– Falou a adulta.
– Sim, ano que vem faço 18 anos e saio desse Orfanato já você...
– Pare com isso meninas! – disse Vivi.
– Olá! – elas ouvem alguém dizer, da porta de entrada do Orfanato.
– Clarita! – Bia corre abraçar a irmã. – Pensei que tinha se esquecido de mim.
– Até parece – Clarita revira os olhos, fazendo as outras meninas rirem.
– Cadê meu presente? – pergunta Bia.
Clarita riu.
– Você que irá escolher!
– Sério, mana?
– Sim, nós vamos ao shopping e você vai escolher seu presente de aniversário – explica Clarita.
– A Carol deixou?
– Claro, sou sua irmã e você merece um dia especial!
– Te amo, Clarita!
– Eu também te amo, pirralha.
As meninas riram.
– Opa, não mais – Clarita corrigiu, e elas se abraçam.
(...)
– A Clarita acabou de mandar uma mensagem, avisando que já saiu do Orfanato com a Bia – disse Mili.
– Agora podemos ir – fala Mosca.
Assim, eles vão até o Orfanato Raio de Luz para preparar uma festa surpresa para Bia.
(...)
– Esse filme é muito engraçado – fala Bia, ainda rindo. – Minha barriga está doendo de tanto rir.
– Que bom que gostou, eu nunca tinha assistido esse filme antes.
– E agora, o que vamos fazer? – pergunta Bia.
– O que você quer fazer agora?
– Comprar meu presente!
– Ok, mais você sabe que...
– Não se preocupe, não será um presente caro, apenas quero que seja um presente inesquecível.
– Então, vamos procurar o seu presente inesquecível!
(...)
– Mili, você vai precisar de minha ajuda ainda? – perguntou Mosca, depois de ter ajudado a trazer as caixas que Mili precisava.
– O que você vai fazer?
– Se encontrar com um amigo.
– Amigo?
– Sim.
– Que amigo?
– O Beto.
– Vai se encontrar com o Beto pra quê?
– Credo Mili! Nos conhecemos desde quando moravamos nesse orfanato. Vamos conversar como bons amigos.
– Estou de olho! – disse ela.
Mosca riu, se aproximou dela e a beijou.
– Adoro ver você assim, preocupada com o que eu faço.
– Isso se chama ciúmes – disse Maria, e todos riram.
– Eu tenho que cuidar do que é meu, não é? – fala Mili, abraçando Mosca.
(...)
– Tem certeza, Bia?
– Claro, Clarita.
– Mais é seu aniversário!
– Esses colares são para... – Bia encara os colares para continuar dizendo. -Não importa onde estivermos, iremos sempre lembrar-se uma da outra – Bia olha para Clarita. – Minhas chances de ser adotadas são mínimas, mas independente disso, eu quero ter alguma coisa que me faça lembrar de você, quando você não pode estar perto de mim.
Clarita fecha os olhos, segurando as lágrimas.
– Nunca imaginei ouvir essas palavras de você – diz Clarita. – Sempre foi nervosinha e... – Clarita não consegue continuar, pois Bia a abraça.
– Você é minha única família. Nossos pais não estão conosco, somos só você e eu – fala Bia. – Eu sinto sua falta no Orfanato, Clarita – Bia começa a chorar. – Posso ter 17 anos agora, mas eu sinto falta de quando éramos pequenas e brincavamos juntas, você além de minha irmã sempre foi minha melhor amiga, eu sinto falta disso.
Clarita deixa uma lágrima descer pelo seu rosto, em seguida sussurrou no ouvido da irmã:
– Eu também sinto falta disso, mas pense assim: ano que vem você terá 18 anos e irá morar comigo e com a Mili.
– Falta mais um ano pra isso, vai demorar – resmungou a irmã mais nova de Clarita.
– Aproveite esse último ano, porque você pode até reclamar mais depois, sentirá falta do Orfanato. Disso pode ter certeza!
Bia deu um pequeno sorriso.
– Está bem, vou tentar pensar coisas boas para esse último ano no Orfanato.
– Isso aí, maninha!
– Com uma condição – disse Bia.
– Qual?
– Se você aceitar o colar.
– Ok. Agora temos um colar pra lembrarmos uma da outra.
Algumas minutos depois, elas saíram da loja.
– Vamos voltar pro Orfanato? – perguntou Bia.
– Antes, vamos comprar um refrigerante? Estou com fome e não almocei.
– Então, por que não almoçamos? – Bia sugeriu.
– Não, apenas um refrigerante já está bom.
– Depois não quero ouvir barriga de ninguém roncando perto de mim.
– Pode deixar! – fala Clarita e elas vão até o centro de alimentação.
(...)
– [...] e é isso – Mosca ouviu Beto dizer.
Mosca não sabia o que dizer depois de ter ouvido Beto contar o que aconteceu entre Clarita e ele.
– O que você acha que deu na Clarita?- questiona Beto.
– Isso eu não sei explicar, mas por que você não pergunta pra ela?
– Não quero mais falar com ela.
– Mais falar sobre ela, você gosta.
Beto revira os olhos.
– Falando em Clarita, daqui a pouco será a festa de aniversário da irmã dela no Orfanato – diz Mosca.
– É a Bia que está de aniversário?
– Sim.
– Minha mãe tinha comentado por telefone sobre um aniversário no Orfanato, porém não tinha dito de quem era.
– Você quer ir?
– Eu?
– A Bia te conhece e aliás, você pode conversar com a Clarita.
– E se a Clarita me expulsar de lá?
– Ela não faria nada para estragar a festa da irmã.
Beto não responde nada, apenas ficou pensativo.
(...)
– Nossa já está tarde, vamos voltar para o Orfanato antes que diretora nunca mais deixe eu sair – fala Bia.
– Vamos.
Minutos depois, elas já estavam no Orfanato Raio de Luz.
– Obrigada pelo passeio ao shopping – agradece Bia. – Apesar de shopping não ser meu lugar preferido, foi legal.
– Vamos entrar, eu preciso falar com a diretora.
Logo que abriu a porta, Bia vê várias pessoas gritarem:
– Surpresa!
– Feliz aniversário, Bia! – disse Clarita, abraçando a irmã. – O que o Beto faz aqui? – questionou ao vê-lo um pouco atrás de Bia.
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