Velha Infância - Berita
2 Capítulo 01
Notas iniciais
Seis Anos Depois
Brasil
– Abra essa porta, Mosca! – exclamou Clarita, que estava segurando uma das caixas de sua mudança.
– Calma, eu estou segurando uma caixa pesada – disse ele.
– Eu também! – disseram Clarita e Mili.
Mosca abre a porta do apartamento que Mili e Clarita irão morar. Em seguida, ele coloca a caixa em um canto do apartamento que até então, estava vazio.
– Só pra saber, vocês colocaram pedra nessas caixas? – pergunta Mosca.
– São as nossas coisas, Mosca! – diz Mili.
– Mais vocês têm bastante coisa para serem órfãs, sabiam?
– Pare de reclamar e nos ajude a pegar as nossas coisas que estão lá em baixo – disse Clarita, e os três saíram do apartamento.
Estados Unidos
– Está bem – dizia Júnior, ao homem que estava conversando com ele, ao telefone. – Iremos o mais rápido possível – e finalizou a ligação.
– Qual é a novidade, pai? – pergunta Beto, que estava deitado no sofá da sala e também mexendo no celular.
– Seu avô acaba de falecer, Beto – disse Júnior. – Teremos que voltar para o Brasil – anunciou.
– Como é que é? – questiona o jovem.
Brasil
Depois de pegarem várias caixas pesadas Clarita, Mili e Mosca estavam organizando o apartamento onde as garotas irão morar juntas.
– É uma pena que a Bia não pode sair do orfanato como nós – resmungou Clarita.
– Nós já temos dezoito anos, ela ainda tem dezesseis – Mili falou.
– Tente não pensar nisso – disse Mosca. – Agora que saímos do orfanato, devemos pensar em organizar o apartamento, pois amanhã já começamos a trabalhar.
– Verdade. Estou animada em ser independente! – exclamou Mili.
– Sabe de nada inocente – sussurrou Clarita.
– O que disse? – Mili questiona.
– Nada, não – e Clarita entra no quarto dela, com sua mala.
Estados Unidos
– Iremos pegar o primeiro vôo para o Brasil – avisa Carol.
– E a Érica? – Beto questiona.
– Liga pra ela depois, filho – disse Júnior. – Agora vá arrumar suas malas.
Beto bufou e foi em direção ao seu quarto. É uma pena que o avô José Ricardo falecera, mais era preciso ir sem mesmo se despedir de sua namorada?
No dia seguinte
Ao abrir os olhos, Beto percebe que já estava em solo brasileiro.
– Como é bom estar de volta – sussurrou ele, olhando pela a janela do avião.
– Beto, vamos? – Carol disse, quando o avião aterrissou.
– Não tenho outra escolha.
No Café Boutique
Depois de atender um cliente, Clarita foi falar com Mili que estava no caixa do café.
– Reparou que aquele Francis não para de me olhar? – pergunta a loira.
– Depois você se importa com isso, Clarita.
– Tá mais...
– Está sabendo da novidade?
– Qual Mili?
– O senhor José Ricardo faleceu, não é?
– Sim. Isso não é novidade, afinal, ao invés de nos dar folga, nos fizeram trabalhar bem na morte do velho.
– Sabe por quê?
– Porque são pessoas chatas, sem noção que...
– O filho do seu José Ricardo virá dos Estados Unidos pra cá e estão falando que ele será o novo dono do Café Boutique – contou Mili.
(...)
O doutor José Ricardo Almeida Campos já tinha sido enterrado quando Júnior foi com sua família até a mansão onde seu pai morava. Afinal, o advogado lerá o testamento da família.
– Por que vão ler o testamento agora? O homem mal morreu! – disse Beto.
– Cale-se Beto – ordenou Júnior. – Foi um pedido de meu pai, respeite.
– Ok – disse o rapaz, e ficou em silêncio.
(...)
Logo após de atender um casal, Clarita foi falar com Mili novamente.
– Isso está me irritando.
– O que?
– Esse Francis – sussurrou. – Se ele quiser uma foto, eu darei. Mais isso de ficar me olhando, está me irritando.
– O que é bonito, tem que ser admirado – disse Mili. – Fica a dica! – e piscou para a amiga.
Clarita sorriu.
(...)
– Agora que o senhor Júnior chegou com sua família, irei ler o testamento que o doutor José Ricardo fez antes de falecer.
Beto olha em sua volta. Seu pai estava com os olhos inchados de tanto chorar, sua mãe estava séria. Já a sua tia-avó estava tão triste com a morte do irmão que de longe percebia que tudo não passava de encenação.
Beto a odeia. Ela também não vai com a cara dele, afinal ele era um órfão. Carmen até hoje não aceita que o seu querido sobrinho Júnior adotara um garoto desprezado pelos pais, para ser seu filho.
Como se adivinhasse os pensamentos de Beto, Carmen o olha. Ele faz uma careta pra ela. Pode ter dezoito anos agora, mais o jeito de tratar a dona Carmen Aparecida Almeida Campos nunca mudará.
O jovem volta a prestar atenção nas palavras do advogado. As palavras que poderiam mudar sua vida.
– As propriedades que tenho em outros estados do país, e também a casa no litoral, deixo para minha estimada irmã Carmen Aparecida Almeida Campos – anunciou o advogado.
Carmen sorri triunfante, depois pergunta:
– E o Café Boutique? Meu amado irmão deixou quantos por cento das ações?
– Nenhuma, senhora – responde o homem.
Foi a vez de Bento sorrir.
– Mais como? – gritou a mulher, levantando-se.
– Foi ordem do senhor José Ricardo, não posso fazer nada sobre isso – diz o advogado.
– Mais é uma lastima!
– Sinto muito, dona Carmen. Agora senta-se para eu continuar lendo o testando do senhor José Ricardo.
Carmen sentou-se novamente. E o advogado continuou:
– 10% do dinheiro da herança serão para Valentina, que sempre esteve comigo.
– Pra Valentina? – questiona Carmen.
– Daria pra calar a boca uma vez na vida? – gritou Júnior. – Ninguém aqui quer ver suas ceninhas dramáticas.
– Isso é maneira de tratar sua tia, Júnior? – Carmen finge chorar. – Depois de amá-lo, cuidá-lo é isso que recebo como agradecimento?
– Eu mereço – resmungou Júnior, passando a mão sobre o rosto.
– Dona Carmen, se a senhora continuar desse jeito terei que mandar os seguranças tira-la daqui.
O silêncio voltou para a sala da casa dos Almeida Campos.
– Para meu filho, José Ricardo Almeida Campos Júnior deixo 70% das ações do Café Boutique e 30% para meu neto, Alberto Almeida Campos. Para meu neto também deixo a mansão a qual eu morava até então. Já o orfanato Raio de Luz que antes tinha como diretora minha namorada Cíntia Werner, passará a ser administrada por minha nora Carolina Correia da Silva Almeida Campos – ao ouvir as palavras do advogado, Beto olha para os pais e questiona:
– Então, ficaremos definitivamente no Brasil?
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