Vejo Você mais tarde ?
12 O silêncio ... é um triste consentimento !
A descontração foi geral. O bom humor de Greg contagiou os integrantes da equipe, sentados na lanchonete, perto dali.
Grissom e Sara ficaram de frente um para o outro.
Ela parecia mais leve, ele havia notado.
Os pedidos foram feitos, depois, enquanto aguardavam, atropelavam as conversas.
_Gente vamos fazer o seguinte, um de cada vez, isso está virando uma bagunça, daqui a pouco vamos ser expulsos.
_A Cath está parecendo a nossa mãe!
_Greg !
_Tia, então.
A risada foi geral.
_Onde você quer estar quando fizer cinqüenta anos, Sara ?
_Não sei ... Nunca pensei nisso ... Nick ! — Grissom olhou para ela, era uma conversa pesada, mas resolveu ficar em silêncio e observar.
_Eu quero estar estabilizado, com uma ou duas crianças talvez, viajando por aí com minha família, nas férias da escola.
_Nossa ! Você não disse isso ! Eu te imagino indo na academia no primeiro horário do dia, só pra ver as menininhas .... — Warrick pegou pesado.
_Acho que você está dizendo por você, não acha ?
_E você Gil, está feliz por chegar aos cinqüenta ?
_Sim ... Cath ... Só é preciso fazer alguns ajustes, aí tenho certeza que ficará perfeito !
_Ajustes ? Emocionais ?
Ele não respondeu, Sara ficou olhando para ele, as mãos espalmadas em cima da mesa, a barba por fazer, deixando uma sombra em seu rosto bonito.
A comida chegou e o assunto foi esquecido, depois ele pediu a garçonete para trazer um pedaço de bolo de chocolate para cada um.
_Está faltando umas velinhas ....
Ele sorriu para Greg, gostava daquele garoto, gostava de sua equipe, se sentiu bem ali, mas ainda tinha algo para consertar.
Ao final, eles se despediram, ele ganhou um beijo de Cath, novamente e abraços dos meninos.
Sara ficou em um canto, depois acenou a ele de longe e se encaminhou para ir embora.
Ele se acomodou em seu carro, ia dar a partida quando seu telefone tocou.
_Oi Sara ... Preciso falar com você, podemos ?
Ela suspirou, estava com medo daquela conversa, sabia que ia ceder se estivessem sozinhos.
_Não sei Grissom ... Tenho uma consulta daqui a pouco.
_Não vou me demorar ... Posso passar em seu apartamento ?
Meu Deus !
_Acho melhor nos encontrarmos em outro lugar.
_No meu ? — Ele parecia muito mais ansioso que ela.
Um lugar neutro seria perfeito.
_Perto da clínica tem uma praça, seria ideal.
Ela explicou para ele e se dirigiram até lá.
Sara se sentou em um dos bancos, debaixo de uma árvore muito frondosa.
Ele se sentou ao lado dela, apertando as mãos, parecia bem nervoso.
_Sara ... Eu preciso que acredite em mim ... Não posso ...
O telefone dele tocou interrompendo sua fala.
_Grissom.
Alguém falava do outro lado, ela viu sua expressão mudar e ficar muito sério, depois esfregou a testa.
_Estarei aí em alguns minutos.
Ele se virou para ela muito chateado.
_Acho que nosso assunto vai ter que esperar. Preciso ir. O Jim precisa de ajuda.
_Tudo bem. — Ela sentiu certo alívio depois se levantou.
Ele segurou sua mão com certo receio.
_Não fuja de mim ... Por favor.
Ela apenas assentiu e recebeu um beijo curto em seu rosto. Seu corpo estremeceu quando sentiu a aspereza dos pelos roçando sua face.
_Até mais, Grissom.
O dia pareceu ter voado. Sara foi á sua consulta, o médico a alertou para que aguardasse alguns dias para começar com a nova medicação, pediu para tomar alguns cuidados e ela saiu dali, um tanto apreensiva, Se tivesse que fazer alguma coisa, teria que usar preservativo.
Muito mais tarde, resolveu passar no cabeleireiro, no final daquela semana teria o aniversário de Lindsey.
Á noite quando o turno começou Grissom a procurou, parecia esgotado, talvez não tivesse conseguido dormir.
Ela estava no vestiário, trocando as botas. Ele parou na entrada a encarando.
_Você está bonita ! – Ele apontou para seu cabelo, havia cortado muito pouco, mas estava brilhante bem arrumado.
Ela ignorou o elogio.
_Parece cansado, Grissom !
_O Jim ocupou todo o meu tempo, mal consegui dormir.
Então era isso.
_Vá para casa, as coisas estão bem encaminhadas por aqui.
_Como está indo seu caso ? Vai ter mesmo que viajar ?
_É preciso fazer esta pequena viagem ... temos algumas suspeitas de que o médico de nossa vítima tem algo a ver com isso. Ele tem uma casa de campo há alguns quilômetros daqui, deve ser pelos menos umas quatro horas de viagem.
_Gostaria de ir junto com você !
_Nick vai me acompanhar ... Acho que vamos ter que dormir em algum hotel pelo caminho.
_Você e o Nick ? — Parecia bem surpreso.
_Não é todo mundo que quando tem uma oportunidade, a agarra, sem pensar nas conseqüências.
Uma sobrancelha foi levantada.
_Sabe que não fiz isso !
_Será ?
_Você não confia em mim, não é Sara ?
_Não ...
_É uma pena ... então acho que tudo o que disser de nada irá valer.
_Deveria ter pensado antes ... talvez agora seja tarde demais.
_Até pensaria ... se isso que você diz ... tivesse acontecido. Mas vai ser a minha palavra contra sua desconfiança.
_Quer saber .... Grissom ... eu quero um tempo pra minha cabeça ... acho que sei o que passei esse tempo todo, não gostaria de falar do passado, mas nesse momento ele está pesando ... quero uma pessoa do meu lado que, se acontecer alguma coisa de extraordinário, eu seja a primeira a saber.
_O que você acha que foi extraordinário ? Aquela foto não diz nada.
_E uma mulher falando em encontros ... diz o quê ?
_Uma mulher fala o que ela quiser ... você não a conhece ... deveria ver os dois lados ...
_Mesmo que você não tenha realmente feito nada ...por que não me contou que a conheceu ?
_Para mim não teve a mínima importância ...
_Diferente dela ... não é mesmo ?
_O que você quer fazer, Sara ? Terminar comigo ?
Ela ficou em silêncio ... uma pontada bem na altura de seu estômago a desconfortou.
_O silêncio ... é um triste consentimento. Eu já entendi ... não vou mais importuná-la. Faça uma boa viagem ... e aproveite a oportunidade ... assim como eu aproveitei. Não é isso que pensa ?
Ele saiu a deixando – a atordoada. Queria chorar, queria correr e sumir dali.
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