Vejo Você mais tarde ?
10 Conflitos internos ... e dissimulações !
Diante daquela mensagem que acabou com seus dias de paz fora do laboratório, Grissom resolveu começar a consertar as coisas.
Respondeu todas as perguntas na medida do possível, se desviando de todas as questões particulares. O que uma revista forense tinha a ver com sua vida pessoal ?
Desconfiou que o interesse na verdade, era somente de Carmem.
Judy o avisou que Carmem havia ligado novamente, e ele resolveu ligar de volta, desta vez.
Estava nervoso, mas precisava tomar uma atitude, o telefone tocava e ela não atendia. No momento em que ia desligar, ouviu uma voz do outro lado, parecia afobada.
_Carmem !
_Boa noite, Carmem. Aqui é Gilbert Grissom.
_Olá Grissom, como vai ?
_Bem e você ?
_Agora muito melhor, estou tentando contato há alguns dias.
Ele decidiu ir direto ao assunto.
_Recebi seu e-mail e estou respondendo as suas perguntas ... tentando responder.
_Isso é bom !
_Gostaria de dizer que alguns questões que você abordou me reservo o direito de não responder.
_Imagino que sejam ... pessoais ?
_Exatamente. Você me enviou uma foto ?
_Sim ... é que preciso de sua aprovação para incluí — la na entrevista.
_Você a editou ? Gerald estava conosco, ele não concordou em aparecer ?
_Na verdade achei que desta maneira seria mais convincente, já que o reitor não foi citado.
_Carmem ... eu ... preciso que me envie esta foto ... completa ... por favor.
_Aconteceu alguma coisa ? Te causei algum problema ? Você me disse que não era casado.
_E não sou ... mas isso não significa ...
_Ah ... — ela tinha realmente gostado dele.
_Aqui você ... solicita agendar um horário e ... estou completamente tomado ... está quase impossível.
Ele não queria sua presença, precisava ser sociável, mas talvez fosse demais para ele. Não sabia lidar com diplomacia, ainda mais se tratando de um terreno tão desconhecido ... emoções pessoais.
Ela entendeu perfeitamente a mensagem, desta vez.
Carmem tinha uma posição privilegiada dentro da editora, tinha muita competência e uma certa arrogância, havia passado por cima de algumas pessoas para chegar naquele patamar.
Humildade não era seu forte, e não estava acostumada a ser tratada tão secamente, tinha gostado dele e sempre conseguia o que queria. Mas ele parecia diferente, até que fazia seu perfil, como desafio. Era um homem inteligente, bonito, e pouco acessível. Numa situação constrangedora como aquela, o correto seria um pedido de desculpas, mas não iria fazê — lo. Era orgulhosa demais para tal atitude.
_Hum ... não tem problema, "Dr. Grissom". Podemos fazer os ajustes por e-mail mesmo. É que gosto de falar com as pessoas olhando em seus olhos. — "E que olhos! ", ela pensou.
_Desta forma acho que está perfeito para mim. Quanto á questão da foto ?
_Ah sim, podemos ajustar para ficar de acordo com seus desejos.
_Não se esqueça de me enviar a original, para meu e-mail, o mais rápido possível, por favor !
Ela deduziu por fim, que tinha lhe causado algum transtorno mesmo.
_Sem problemas.
_Tenha uma boa noite.
_Pra você também.
Ele desligou, seu turno começaria dentro de alguns minutos, com certeza, todos estariam lhe esperando. E havia Sara … tinha tomado uma decisão, para aquele momento.
….......
Sentada, fingindo prestar atenção nas conversas que surgiam entre os meninos, pensava com tristeza que no dia seguinte Grissom faria aniversário. Tinha imaginado algumas coisas para aquele dia e agora estava de mãos atadas. Tinha chorado muito, sozinha, encolhida em seu sofá. Não sabia como agir, e muito menos o que faria quando o encarasse.
Mas tinha que estar ali, obrigatoriamente.
Seus olhos encontraram os dele, e surpreendentemente ele parecia muito calmo, como se nada tivesse acontecido, se ela estivesse enganada e ele estivesse dissimulando, seria digno de concorrer ao prêmio máximo do cinema. Um Oscar !
Até que foi uma surpresa para ela, será que ele estava aliviado ? Será que ela tinha se enganado mesmo com ele ? Ou seria orgulho ?
Teve que concordar consigo mesma que não o conhecia, nem mesmo o mínimo.
O trabalho estava sendo distribuído, ela Greg e Cath em um crime no posto de atendimento para pessoas carentes, no subúrbio de Vegas.
Saiu imediatamente dali, precisava de ar, estava completamente perdida e chateada.
Não pensou que ele pudesse estar tão bem.
Grissom não sabia exatamente o que seria necessário para convencê — la, estava apreensivo, mas não queria que ela percebesse. Ele estava triste mas era uma coisa dele e de mais ninguém. Precisava desesperadamente ser dissimulado.
Ele era inocente, e ela não tinha lhe dado uma chance.
Se cada vez que surgisse um problema entre eles e, isso fosse acontecer, então seria melhor que não ficassem mais juntos. Ele viveria a sua vida de sempre e ela que seguisse seu caminho, com quem quer que fosse.
Doía pensar daquela forma, não queria vê — la com ninguém que não fosse ele, mas tinha que entender que nenhum relacionamento sobreviveria sem confiança.
Já não era mais tão jovem e sofrer com desilusões amorosas não deveriam fazer parte de sua vida naquele momento.
Era um raciocínio muito lógico. Razão no lugar da emoção.
Então como explicar a emoção conflitante que sentiu quando ela passou por ele no corredor, cheirando a lavanda, os cabelos molhados, e a blusa que ele adorava.
Balançou a cabeça e se sentiu verdadeiramente perdido.
Pensar era uma coisa muito diferente de agir, se lembrou de uma frase que lera há um tempo atrás.
"A razão sempre tem razão, desde que ela não conheça a emoção.
A primeira é uma velha rabugenta que o torna cético e independente.
A segunda é uma jovem maluca que desconhece a paz, mas que lhe faz viver intensamente !"
_Sara ...
Ela se virou com o coração aos trancos.
_Oi ..
_Você está bem ? — ele não sabia porque a chamara e muito menos o que estava dizendo ...
_O que você acha ? Quanto a você ... não é necessário nem perguntar ... se nota que não poderia estar melhor ! — uma sombra enorme escureceu seus olhos.
Ele enrugou a testa, surpreso. Não imaginou que a decisão de sua "falsa" aparência a tivesse afetado tanto.
Mero engano, ele não conhecia um décimo sobre o universo feminino.
_Não estou tão bem quanto pareço ... — foi apenas um sussurro e ela já havia desaparecido pelo corredor afora, sem ouvi — lo.
Ela se foi, atravessou as portas de saída e se acomodou em seu carro, sem vontade nenhuma de fazer qualquer movimento, apenas chorar mais uma vez em silêncio. Após intermináveis minutos, deu a partida no carro e saiu devagar, enxugando os olhos com as costas das mãos.
Cena acompanhada por dois olhos azuis, agora verdadeiramente infelizes.
Voltou para dentro, Ecklie o chamava quase aos berros, seu turno havia terminado e aquela voz irritante quase o fez ir embora dali, pelo menos era seu direito.
_Qual é o seu problema, Ecklie ?
_Estou chamando há horas, por acaso não ouviu ?
Ele olhou para o relógio propositalmente.
_Não ... o que você quer ?
_Por acaso recebeu um e-mail de alguma revista forense, para uma entrevista ?
_Sim ... e o que tem isso ?
_Eles querem agendar um horário com você, e disse que não está disponível ?
_Exatamente ... não estou disponível. — Carmem era uma raposa, e não aceitava um não como resposta. Isso era ridículo. Não iria ceder. Gostava menos dela cada vez mais.
_Acontece que é o nome do laboratório que está em jogo ... e isso seria bom para a imagem do xerife e também do prefeito !
_O que quer que eu faça ? Até onde eu sei ... sou eu quem devo decidir o que fazer ... não preciso de ninguém para me dizer isso.
_Grissom ... ainda existem pessoas acima de você ... tem que aceitar de uma vez por todas ... você é o supervisor do seu turno, não do laboratório ...
_Oh .... obrigado por me lembrar. Quer saber sobre minhas perguntas, Ecklie, eu disponibilizo para você. Se bem que vai precisar de mim, pra responder, por exemplo, o nome do meu pai, onde estudei e o que gosto de fazer para relaxar … e algumas coisas mais. E então ? Você sabe ? Ou o laboratório ?
Carmem havia se esquecido de avisar ao Ecklie que a entrevista era sobre uma personalidade e não sobre um órgão sustentado pelo governo.
_Ela me disse que o era bom para a imagem do laboratório !
_Disse ? E o que tem a minha vida pessoal a ver com isso ? Ela deveria ter lhe explicado melhor, quando resolveu apelar para você ao receber um não ! A sessão da revista é sobre “personalidades” !
_Ela não me disse isso.
_Pois é … mas eu acho que você acabou de me livrar de uma dor de cabeça !
_Por que ?
_Não gosto de exposição ! Sou um sujeito esquisito e apolítico. Foi você mesmo quem disse !
_Então não vai dar atenção a isso ?
_Mas é uma decisão minha, agora ? Mudou de ideia ?
Ecklie suspirou e foi para sua sala, derrotado.
Grissom se sentou em sua mesa e abriu seu e-mail.
Abriu um sorriso quando viu a foto na íntegra se abrir em sua tela. Tratou logo de encaminhar para uma certa morena desconfiada, que tinha lhe tirado um pedaço de seu coração.
Ainda precisava esclarecer algumas coisas … quem sabe acabar com aquela briga seria seu presente de aniversário !
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