Vazio e Vitrola

1 Único - Vazio e Vitrola


Notas iniciais
Situação ocorrida entre o primeiro mangá e o :re

Vazio.

Era como se definia ultimamente. Era tudo vazio. Mesmo os diversos adornos de seu pomposo quarto não lhe significavam mais nada, era um quarto vazio. Mesmo os pratos gourmets trazidos à si de hora em hora lhe eram vazios, pois não tinha fome. Sua vida, cheia de luxo, de mimos, do que quisesse, era vazia. Apenas seu coração era repleto; repleto da dor que tamanho vazio causava. Saudades.

“Não vejo mais você faz tanto tempo
Que vontade que eu sinto
De olhar em seus olhos, ganhar seus abraços
É verdade, eu não minto”

Vitrola.

Um velho aparelho reprodutor de som, talvez a única coisa viva dentro daquele aposento melancólico, arranhava um disco estrangeiro, o som saia em eco pelo cone de cobre moldado em flor. O dia inteiro, a mesma música tocava acompanhada da agulha arrancando-lhe o som e da manivela que era girada para dar movimento ao disco – afinal tratava-se de uma antiguidade. O cantor parecia narrar a dor de seu ouvinte.

E nesse desespero em que me vejo
Já cheguei a tal ponto
De me trocar diversas vezes por você
Só pra ver se te encontro”

O vazio e a vitrola.

Seus únicos companheiros naquele estado eram aquela sensação e aquele aparelho. Nenhum servente, nenhum parente, nem um pássaro que se atrevia a bicar os vitrais da janela escondida nos veludos de uma grossa cortina. E seus pensamentos se perdiam em devaneios, entrelaçando os versos e memórias daquele quem o levou a tal estado.

Você bem que podia perdoar
E só mais uma vez me aceitar
Prometo agora vou fazer por onde nunca mais perdê-la”

Kaneki-kun”

Entre soluços e gemidos, aquele nome se destacava na voz torturada. Era tudo novo para ele; aquele vazio, o som de seus lamentos, a vontade de viver pelo alguém que lhe tirou esta mesma vontade: o dono daquele nome repetido centenas de vezes aos lençóis. Seu coração batia por alguém cuja ausência quase provocava sua definitiva parada. Ah, o que faria? Como viveria?

Aquela música tão antiga – nem tanto quanto o aparelho que a tocava – parecia ter sido composta para contar sua história.

Agora, que faço eu da vida sem você?
Você não me ensinou a te esquecer
Você só me ensinou a te querer
E te querendo eu vou tentando te encontrar
Vou me perdendo
Buscando em outros braços seus abraços
Perdido no vazio de outros passos
Do abismo em que você se retirou
E me atirou e me deixou aqui sozinho

A história do gourmet que estava a provar o mais agridoce dos sabores: o amor.

Notas finais
Não sei escrever songfics, é
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!