Vazio

5 É sempre boa hora para se fazer uma faxina


Notas iniciais
[Aaain, que arrependimento por ter ficado a madrugada toda acordada =_=] Bem, galerinha, tá aí mais um capítulo (pf, acalmem seus corações para não me matarem no final! kkk) E é só isso mesmo, boa leitura! o/

Eren caminhava pelo corredor do Colégio Kyojin com tranquilidade. Aquela era uma das poucas vezes que ele conseguira acordar a tempo de fazer tudo com calma e chegar ao colégio cedo. Talvez seja porque eu não tenha dormido direito, pensava enquanto bocejava.

Estranhamente, aquela foi uma noite de inquietação para Eren. Não foi por causa de pesadelos, ou sonhos bizarros — na verdade, ele sequer sonhou. Por algum motivo, ele passou a noite inteira dormindo e acordando, dormindo e acordando, até que ele se cansou e apenas permaneceu acordado esperando a hora de se arrumar.

Seis e meia da manhã, Eren já estava vestindo a farda. Como as feridas nos cotovelos ainda o incomodavam, ele dobrou ambas as mangas até o final do antebraço. Por algum motivo, aquilo o fez ver flashes de um homem baixinho e ranzinza.

Eren balançou a cabeça, como se fazendo aquilo ele jogaria os pensamentos para longe. Terminado de se arrumar, pegou sua bolsa escolar e uma sacola que sua mãe deixara no seu quarto ontem à noite e desceu para tomar café, surpreso por ainda não ter visto Mikasa por perto. Ou não tão surpreso assim, já que ela foi embora ontem um pouco chateada pela discussão que tiveram...

— Bom dia, Eren! — cumprimentou Crista.

Eren deu um aceno, mas, antes que dissesse alguma coisa, Ymir apressou-se para passar o braço por cima dos ombros de Crista e dar-lhe língua sem que Crista notasse. Eren retribuiu o gesto com um sorriso grosseiro e seguiu em frente. Ele não tinha nada contra as duas; chegava a pensar que elas formavam um bom casal. Mas ­— para a infelicidade de Ymir — Crista nunca oficializou nada. Eram apenas rumores que diziam que ambas estavam juntas, mas nunca foi confirmado.

Mais à frente estavam alguns de seus amigos: Connie, Sasha, Jean e Reiner, sendo que o último o olhava fixamente. Será que tem migalha de pão no meu rosto?

— Bom dia — Eren cumprimentou, como de costume. No momento em que ele terminou de falar, Reiner desviou os olhos para o chão. Ele estava mais estranho e calado do que o normal.

— Eren! Então você tá vivo! — disse Connie, se aproximando e dando dois tapinhas em suas costas.

— Como assim?

— Apanhou tanto que esqueceu? — perguntou Sasha, entre risos.

Eren se sentia levemente deslocado — e incomodado por terem o acusado de apanhar.

— Connie está contando para todo mundo sobre como você apanhou feio daqueles gangsters no fliperama — explicou Jean enquanto analisava a testa e os cotovelos machucados de Eren. — Você até que está melhor do que eu esperava.

— Há-há, muito engraçado — disse Eren a Jean, com sarcasmo. Depois, voltou-se para o amigo quase careca: — Primeiro que você não me viu apanhar, Connie.

— E nem preciso; só de saber que eram seis contra um já fica bem óbvio que você perdeu feio!

Naquele momento, Reiner deu uma pigarreada e murmurou alguma desculpa para sair da conversa. Eren pensou em ir atrás dele para saber se ele estava bem, mas parou assim que lembrou que ele era um dos melhores amigos da sua ex. É, talvez ele só esteja desconfortável.

Eren ignorou aquilo e focou apenas na conversa.

— Para sua informação, Connie, eu sequer cheguei a brigar com aqueles caras — esclareceu Eren, percebendo que a resenha não iria morrer tão cedo se ele não se defendesse.

— Aham, tá bom — disse Jean, devolvendo o sarcasmo. — E o que foi isso na sua testa e cotovelos? Vai me dizer que foi atropelado por uma bicicleta?

Na verdade, fui eu quem atropelou... um nanico enfezado, pensou e sorriu consigo mesmo.

— Que medo, ele está rindo sozinho... — murmurou Connie.

— Esse bastardo só pode ser masoquista, não é possível... — lamentou Jean.

Ei, o que diabos vocês... — Eren começou a reclamar com os amigos quando Sasha o interrompeu.

— Oh, a sua esposa chegou — ela comentou enquanto apontava para o início do corredor.

Eren virou-se automaticamente procurando por Annie, mas quem estava lá era Mikasa.

— Bom dia, Mikasa! — gritou Jean, que foi ignorado como sempre. Connie e Sasha começaram a fazer piadinhas sobre friendzone enquanto Eren olhava Mikasa se aproximar.

Ah, claro que não é Annie... Por algum motivo, aquilo o fez sentir um pouco solitário. Mas o seu “estado reflexivo” não durou muito; Mikasa andava a um passo absurdo, e ele sabia que ela iria reclamar com ele — por “algum” motivo.

— Eren! Pensei que você ia chegar atrasado! — disse quando chegou mais perto, com um semblante tranquilo... e ainda ignorando Jean.

— Pois é, eu também! — respondeu Eren, dando seu sorriso travesso.

Mikasa sorriu de volta para o amigo. Nossa, eu pensei que ela ainda estava chateada pela nossa briga de ontem... pelo visto, ela também concorda que não foi nada. Mas bastou Mikasa chegar mais perto e ver o que Eren trazia na sacola em sua mão para que ela franzisse o cenho e mudasse de direção drasticamente, indo para a sala. Todos a encararam com surpresa à exceção de Eren, que deu um longo suspiro.

— O que foi que deu nela...? — Jean foi o primeiro a manifestar a sua surpresa.

— Ela ignorar o Jean é coisa diária... Mas Eren? — brincou Connie.

Eren apenas passou a mão pelo rosto. Parece que esse vai ser um dia bem difícil...

O barulho do sino do intervalo foi acompanhado de uma pequena batidinha na nuca de Eren. Ao olhar para o chão, viu uma bolinha de papel ainda quicando. Não precisava pensar muito para saber quem a tinha jogado: Jean. Dito e feito; ao olhar para trás, Eren deparou-se com um Jean espreguiçado na cadeira bem satisfeito com o seu tiro certeiro. Atrás dele estavam Armin, Marco e Connie. Para completar o grupinho de sempre só faltavam Mikasa e Sasha, mas... Bem...

— Será que dava para ser mais criativo? — retrucou Eren já pegando a bolinha de papel do chão e a atirando em Jean, que ria.

— O que foi, Eren? Tristinho porque Mikasa finalmente parou de puxar o seu saco? — provocou Jean.

— Acho que você não pode falar muita coisa, já que daria tudo para estar no lugar dele — murmurou Connie, mais para zoar Jean do que para defender Eren.

Enquanto os outros meninos faziam uma baderna sobre “quem Mikasa presta atenção”, Armin foi sorrateiramente até Eren e sentou-se na cadeira ao seu lado.

— Incrível como você está tão aéreo quanto ontem — disse Armin no seu tom de voz reconfortante. Eren deu um sorriso singelo ao amigo.

— Pois é... — suspirou. — Acho que eu tenho o dom de enlouquecer as mulheres... mas não de um jeito bom.

Ambos os amigos riram, até que os pulmões cederam e um silêncio foi estabelecido entre os dois. Armin mais uma vez tentou quebrar o gelo:

— Ela deu essa surtada por causa do incidente com os brutamontes do fliperama?

— Quem dera fosse só isso — Eren revirou os olhos.

Armin franziu o cenho. O que mais poderia ter acontecido para que ela se chateasse?

— Então... é uma briga de verdade mesmo? — Armin arriscou um palpite.

Eren olhou para o amigo, para a camisa de linho branco dentro da sacola e depois desviou para nenhum lugar em especial. Armin, que era muito detalhista, percebeu a olhada rápida, mas significativa, de Eren para a sacola.

— Presente de desculpas para Annie? — Armin arriscou outro palpite.

Eren deu uma risada sarcástica e negou com a cabeça, ainda sem olhar para Armin.

— Eu não faria algo tão sem sentido...

Armin já estava se irritando com o quão vago Eren estava sendo. Eren sempre foi tão aberto com ele... Esses rodeios estavam tirando-lhe a paciência!

— Eren, diga-me logo o qu-

— Isso na sacola é uma camisa — Eren o cortou. — Uma camisa de linho branco.

Eren olhava fixamente para o quadro negro à sua frente, com a mente vagando em pensamentos. Não, aquilo não era do feitio dele. Mas Armin sabia mais do que ninguém que até mesmo aquele menino pavio-curto tinha seus momentos de reflexão. Sem falar que não era muito comum Mikasa brigar com Eren.

Armin estava se mordendo de curiosidade, mas decidiu calar-se; quando a hora chegasse, ele sabia que o amigo iria até ele contar o que aconteceu. Depois de alguns segundos naquele silêncio, Eren apenas se levantou e foi até os meninos. Armin deu um longo suspiro e o seguiu.

O dia seguiu normal, a não ser pelo fato de que, estranhamente, Eren não quis sair da sala... nem mesmo na hora do almoço.

Ok, vamos ver esse endereço...

Eren estava na estação de metrô próxima ao seu colégio, parado na frente de um mapa da cidade que também mostrava todas as linhas de metrô. Para a sorte de Eren, o colégio ficava próximo do centro da cidade, então aquela estação não seria muito longe do endereço que Levi o deu, não importa aonde fosse.

Lendo o bilhete pela décima vez, Eren finalmente achou a rua do endereço — que, por sinal, era um pouco difícil de achar, já que era uma rua pequena. O lugar ficava do lado oposto ao da sua casa, numa zona desconhecida pelo garoto. Eren ficou imaginando se aquele seria o endereço de um “esconderijo Yakuza” ou da casa de Levi... E, caso fosse a segunda opção, ele imaginou como seria a casa de um gangster de verdade.

Mas acabou descartando todos esses pensamentos. Não é possível que aquele nanico seja alguém tão importante... Antes que começasse a pensar mais besteiras, Eren pegou o metrô da Linha 3 e sentou-se no primeiro lugar vago.

A viagem não demorou muito. Assim que Eren saiu da estação, percebeu que aquele lado da cidade era mais movimentado do que pensava; tinham pessoas andando para todas as direções possíveis na calçada, mesmo que não fossem muitas. Em volta, Eren notou que aquela área era mais comercial do que residencial. Ok, vamos descartar a possibilidade de encontrar uma casa... Parando para pensar melhor, aquilo fazia até mais sentido: aquele era um típico homem que morava sozinho, e não faria sentido que ele morasse em uma casa sozinho.

Eren andava com cuidado para não se esbarrar com as pessoas apressadas enquanto admirava os letreiros e outdoors eletrônicos. Aquela área parecia fazer parte de uma cidade completamente diferente. E o mais surpreendente é que ainda eram quatro horas da tarde, não era horário de pico.

Ele quase se esqueceu do porquê de estar ali, até que uma loja de roupas o fez lembrar-se da camisa de linho. Eren olhou em volta e procurou pelos pontos de referência que tinha marcado mentalmente quando olhou no mapa do metrô. Não demorou muito para que Eren conseguisse achar a ruazinha que dava num beco sem saída entre dois botecos. Chegando até o final dele, podia-se ver uma grande avenida através de uma grade que a separava do beco em questão. No canto direito, que era apenas uma parede de tijolos, estava alojada uma caçamba de lixo azul-escura.

O endereço dava num prédio não muito alto de 6 andares decorado com azulejos cor-de-gelo e cinza claro. Mesmo sendo um prédio simples e “monótono”, ele tinha seu charme. Bem adequado para um Yakuza, pensou Eren. Ele estava prestes a deixar a sacola na portaria, bem como Levi tinha instruído, quando ele percebeu: Mas, espera... Ele está com a minha camisa também!

Determinado, Eren apertou o botão do interfone externo que o colocava em linha com o porteiro.

Boa tarde — disse uma voz que aparentava ser o de um homem de meia-idade bem entediado.

— Boa tarde... — Subitamente, Eren voltou a sentir aquele nervosismo que logo o fez lembrar-se de um certo par de olhos enfezados. — E-eu vim para ver Levi-san, do apartamento 601.

Houve uma pequena pausa.

Você está falando do Rivaille-san? — o homem parecia surpreso.

Eren não tinha como saber se era esse tal de “Rivaille-san”, então apenas torceu para que o endereço que Levi tinha lhe entregado estivesse correto.

— S-sim, ele mesmo.

Eren pode ouvir um suspiro do outro lado da linha. Parece que eu não sou o único que acho que Levi-san é um pé no saco.

— Quem gostaria?

Eren. Eren Jäeger.

Um momento, por favor.

Depois de alguns minutos, o porteiro abriu o portão para Eren. Assim que entrou, fez um rápido cumprimento para o porteiro dentro de uma pequena cabine isolada no canto direito e seguiu para dentro do lobby. Bastou Eren apertar o botão do elevador que um suor frio começou a descesse pela sua nuca. Puts, o que há de errado comigo?!

A cada andar que o elevador subia, a ansiedade ia crescendo dentro de Eren. E, lá no fundo, uma vozinha sussurrava “Levi me deixou subir!”. Como tudo naquele prédio, o corredor do 6° andar também era vazio e monocromático. Eren parou na frente da porta do 601 e, por alguma razão, hesitou em tocar a campainha. Jäeger, pare de agir como um idiota!, gritou consigo mesmo e apertou a campainha. Durante os três minutos subsequentes de silêncio, Eren ficou estático na frente da porta, tão parado que mal respirava.

Tsc, justo agora... — Eren pôde ouvir Levi resmungando do outro lado.

Não demorou muito para que Levi abrisse a porta. Assim que Eren o viu, esticou a mão com a sacola de prontidão, impedindo Levi de fazer qualquer cumprimento. Assim é até melhor, pensou Levi. Poupava-lhe tempo com uma cortesia desnecessária, já que era só um pirralho.

Eren agiu tão no automático que só depois que entregou a sacola para Levi percebeu como o pequeno homem estava vestido: calça cinza de moletom dobrada até os joelhos; camisa branca de malha com algumas manchas de água e outras coisas não identificáveis; máscara de gripe; lenço amarrado na cabeça; descalço. Eren não pode evitar sorrir.

Levi retirou a máscara de gripe com uma mão e, com a outra, pegou a sacola da mão de Eren. Por poucos segundos, a pele dos dedos de ambos se tocaram. Eren sentiu um arrepio descer da sua espinha até o seu abdômen, o que fez o seu rosto ser pintado de escarlate. Levi, com seu olhar detalhista, percebeu a reação do garoto e quase não conseguiu controlar a vontade de tocá-lo mais uma vez. Isso já está ficando ridículo, pensou irritado.

— Desculpe, garoto, mas... — Levi começou a falar, mas parou assim que abriu a sacola e viu a camisa.

Ele estava chocado. E isso deixou Eren ainda mais nervoso.

— Alguma coisa errada? — Eren praticamente vomitou as palavras.

Levi continuou olhando fixamente para a sacola.

— P-por favor, diga alguma coisa... — a voz de Eren era quase um sussurro.

Ei, garoto — o tom de voz de Levi ficou consideravelmente mais sério, o que fez Eren, por instinto, endireitar a sua coluna na posição mais ereta possível. — Foi sua mãe que lavou a camisa?

— N-não... — Eren sabia que seu rosto estava ridículo de tão vermelho, então o cobriu uma mão. — Fui eu...

Eren não pôde ver, mas Levi — numa rara exceção — arregalou momentaneamente os olhos. Como o homem estava completamente mudo, Eren começou a se justificar.

— Eu deveria ter deixado isso com minha mãe, não é? — disse Eren, envergonhado, ainda cobrindo o rosto. Depois de um suspiro, Eren abaixou a mão e a deixou colada a seu corpo, sem ainda olhar para Levi. — Descobri ontem que meu pai tem muitas camisas de linho, então saber como lavar não foi um problema... — Eren não aguentou mais e deixou que a sua mão fosse automaticamente à sua nuca. — Mas como ela estava toda suja e ia dar trabalho, minha mãe pediu que eu a lavasse... Ela só a colocou para secar e depois passou ferro. — Eren arriscou uma espiada na reação de Levi: ele ainda estava em estado de choque. — O-olha, se eu estraguei a camisa ou algo do tipo, eu pago outra!

— Foi você mesmo? — perguntou Levi, ignorando toda a baboseira que Eren balbuciava nervosamente.

— Eu já disse, desculpa! — disse Eren, desviando o olhar de novo.

Levi tirou a camisa da sacola e a examinou. O tecido estava macio e sem fiapos. A camisa tinha sido cuidadosamente dobrada, então não estava amassada. E o mais importante: não havia nem sinal da mancha de sujeira. E aquele cheiro... Não era o cheiro que Levi estava acostumado — não era o seu cheiro —, mas ainda assim era bom. Muito bom. No geral, Levi poderia facilmente dizer que a camisa foi tão bem lavada quanto ele mesmo o faria.

Nada mal... — sussurrou Levi.

— O-o quê? — perguntou Eren, achando que tinha escutado errado.

Levi colocou delicadamente a camisa dentro da sacola e puxou Eren para dentro do seu apartamento. O garoto ficou sem reação; apenas recuperou seu estado de consciência quando escutou o barulho da porta se fechar atrás dele.

O-o que está fazendo?! — indagou o garoto, com o rosto rubro.

— Prove. — Levi estava decidido a ver se aquele pirralho era realmente tão bom na limpeza quanto parecia ser. Eren fez uma expressão confusa, o que fez Levi revirar os olhos. — Prove que foi você quem lavou a camisa.

Eren ficou alguns segundos só encarando aquela figura baixinha, piscando os olhos. E lá estava o homem mais aleatório do mundo, agindo novamente.

— Você... quer que eu lave a camisa de novo? — perguntou Eren, ainda confuso.

Hm... isso não faz sentido, constatou Levi para si mesmo. Talvez eu deva testá-lo de uma forma diferente.

— Lave o meu piso.

Naquele momento, a consciência de Eren desistiu de tentar entender a situação.

— E o que o piso tem a ver com a camisa?

— Quem consegue lavar uma camisa de linho branco certamente consegue lavar um piso — explicou Levi, como se aquilo fosse a coisa mais óbvia do mundo.

Ah, claro, faz sentido. Não, espera... Não faz não! No que diabos eu estou pensando?! A cabeça de Eren estava tão confusa que ele simplesmente seguiu o exemplo de sua consciência e desistiu de pensar com lógica.

— Onde estão o balde e o esfregão? — disse Eren, apertando a ponte do nariz.

Os olhos de Levi faiscaram, e ele não demorou a entregar-lhe um balde com água limpa, dois panos — um era para amarrar na cabeça — e um frasco de saponáceo cremoso. Eren olhou para o chão e se perguntou se era realmente necessário tudo isso, já que estava mais branco do que os seus próprios dentes.

Bem, eu já aceitei entrar nessa baboseira mesmo... Eren pegou um dos panos e amarrou com vontade na cabeça. Levi ficou apenas o observando, admirando como um pirralho demonstrava tanta energia para fazer a limpeza. Para Eren, aquilo não passava de uma atividade comum; seus pais não podiam bancar uma faxineira, então todo o trabalho de limpeza ficava nos ombros de sua mãe. E como Eren desde pequeno sempre procurou ser prestativo, ele se acostumou a ajudar a mãe com alguma das tarefas domésticas.

Como a sala de Levi não era muito grande, Eren não demorou muito para acabar. E, para a surpresa de Levi, Eren tinha feito mais um belo trabalho.

— As janelas — disse Levi, inconformado.

— Mas... — Eren ia protestar, só que não foi capaz de dizer mais nenhuma palavra depois de ser pego pelo olhar fuzilante de Levi.

Com um pouco de resistência, Eren moveu-se para limpar as janelas. Outro trabalho impecável. Depois disso, ele foi posto para limpar as prateleiras, o que foi feito com mais facilidade do que como Levi o faria — já que Eren, de fato, as alcançava. Logo em seguida, aspirar o sofá. Depois, trocar a fronha das almofadas. Tudo foi feito com perfeição.

— E então... qual o próximo trabalho insano...? — perguntou Eren, quase sem fôlego, já que estava fazendo tudo em tempo recorde.

Levi apenas o encarou e então, bem de leve — de levinho mesmo —, ele deu um sorriso de canto. Eren ficou olhando como se fosse algo incrível. Levi andou até Eren e, com cuidado, retirou o pano que estava amarrado em sua testa.

— Parabéns, garoto, você conseguiu — disse enquanto andava em direção à cozinha.

Oh, lá vai ele falando coisas sem sentido de novo...

— Consegui o quê? — perguntou Eren, já mal-humorado.

Levi fez uma pausa na entrada da cozinha, separada da sala apenas por um balcão com três banquinhos redondos de madeira escura, e virou o rosto para poder encará-lo com o sorrisinho quase inexistente.

— Surpreender a mim — respondeu e entrou na cozinha.

Eren ficou parado no mesmo lugar que estava, apenas acompanhando por cima do balcão a cabeça de Levi se dirigir a uma geladeira. O que... O que acabou de acontecer?, Eren se perguntava, não entendendo toda a agitação que sentia.

Ei, pirralho — a voz de Levi fez Eren sair de seu stand-by —, quantos anos você tem?

— Hm... Eu tenho 16.

Assim que respondeu, Eren pôde escutar o barulho de alguma coisa caindo no chão.

Meu Deus, você é um pirralho mesmo...

— Tsc, daqui a pouco eu faço 17... — murmurou Eren. — Você fala como se fosse muito mais velho — arriscou uma provocação para ver se ele dizia a sua idade.

Levi apareceu na entrada da cozinha segurando uma latinha de cerveja, sem o lenço na cabeça, com a calça moletom desdobrada e uma camisa preta no lugar da branca.

— Sou velho o suficiente para beber, caso queria saber — disse Levi, demonstrando que tinha entendido as intenções de Eren.

Disso eu já sabia..., queixou-se o garoto na sua cabeça.

Levi passou reto por Eren e foi direto para a porta do apartamento, passando antes pela estante onde guardava as chaves de casa. Eren ficou meio desnorteado — aparentemente, Levi era muito bom em deixá-lo assim.

— Vai sair? — perguntou Eren, já se preparando para pegar a sua bolsa e ir embora também.

— Acalme-se, pirralho. — A resposta de Levi fez Eren parar tudo que estava fazendo e olhar para ele. — Eu só não estou acostumado a receber pirralhos na minha casa. Vou até o boteco comprar algo que você possa beber.

— O boteco não é exatamente o melhor lugar para isso — retrucou Eren.

— Apenas cale-se e faça o que eu digo. — De alguma forma, Eren já tinha se acostumado com aquela sua forma rude de falar. — Fique só aqui na sala até que eu volte. Nada de explorar.

Aquela última parte soou como uma ameaça, mas também como um trocadilho, já que é algo que geralmente é dito a crianças. Eren optou por interpretar da segunda forma; Levi devia ser apenas ruim em fazer trocadilhos. O garoto abriu um sorriso de orelha a orelha, já que o próprio Levi estava indo comprar uma “recompensa” pelo seu trabalho duro.

— Pode deixar, eu espero! — disse Eren, ainda com seu sorriso.

Levi arregalou os olhos e tratou de desviar o rosto. O que você está fazendo?, perguntava-se mentalmente. O que você está fazendo comigo, garoto...? Ele não esperou nem mais um segundo, simplesmente abriu a porta e saiu. Eren estranhou que Levi tenha saído sem dizer nada, nem um “Itekimasu”. Mas, bem, era o Levi. Se ele tentasse desvendar todas as suas manias estranhas, não faria mais nada da vida.

Eren estava morto, e precisava despojar-se em algum lugar. Sua primeira opção foi o sofá, mas ele tinha dado tão duro para limpá-lo que ficou com dó de sentar nele, já que estava suado. Depois considerou ir até a cozinha, já que lá provavelmente teria uma cadeira, mas também descartou essa ideia. Levi tinha sido bem claro quando o mandou ficar apenas na sala. Sem opções, Eren acabou deitando no chão mesmo.

Depois de passar alguns minutos encarando o teto sem pensar em nada, a sua consciência deu sinal de vida e manifestou-se: Eren Jäeger, o que diabos você está fazendo limpando a casa de um estranho? É, aquele parecia ser um questionamento muito válido. Mas Eren não estava nem aí; a satisfação de ter sido elogiado pelo seu bom trabalho já tinha sido um bom motivo — Eren adorava quando era bem recompensado pelas coisas que faz.

Já que estava sozinho, Eren aproveitou aquele momento para analisar a casa de Levi como um todo. Ele já sabia que ela era muito limpa, e impecavelmente organizada — o que era surpreendente para um cara que vive sozinho —, mas ficou surpreso ao perceber que a casa não era tão “fria” quanto ele julgava que seria. Claro que não chegava nem perto de uma casa de família, mas até Levi guardava alguns porta-retratos e enfeites bonitos demais para terem sido comprados por ele mesmo.

O piso, as paredes e o teto eram todos brancos, claro, mas o resto da decoração era até... colorida. O sofá de 4 lugares tinha uma cor que transitava entre o castanho e o laranja, e as almofadas tinham uma cor creme que contrastava muito bem com o sofá. Os móveis e as estantes — cheias de livros — eram quase todos da mesma madeira escura, o que levou Eren a acreditar que tinham sido comprados todos juntos por encomenda. A televisão também não era nada mal; uma LED de 42 polegadas conectada num DVD Blu-Ray e num X-Box — quem diria? —, além de parecer ter um projetor do lado do DVD, mas Eren não sabia dizer ao certo.

Ele estava tão distraído admirando o lugar que tomou um susto quando escutou batidas na porta, e deu um pulinho para trás. Nesse pulinho, acabou se batendo no sofá, arrastando-o um pouco. Eren permaneceu imóvel. Depois que alguns segundos, as batidas voltaram com mais intensidade. O coração de Eren começou a bater acelerado; com certeza não era Levi, já que ele tinha levado as chaves. Eren estava prestes a anunciar que estava indo abrir a porta quando uma voz feminina extremamente autoritária gritou do outro lado da porta:

Rivaille, é a polícia! Sabemos que está ai, então faça o favor de abrir a porta imediatamente!

Eren sentiu seu sangue congelar.

Notas finais
HEHUEHUEHUEHUE, GENTE QUE DÓ DO EREN xD Caso tenham alguma crítica (seja boa ou ruim), é só deixar um comentário que eu vejo depois. Caso não tenha crítica nenhuma, deixa um comentário msm assim q isso me anima pra caramba xD Bjinho, até o próximo cap :3