Vazio
29 Suspensão - PARTE 2
— Eren, Armin, vocês vêm com a gente para a cantina? — perguntou Marco, já na porta da sala.
— Nós vamos ficar aqui mais um pouco, nos encontramos lá — respondeu Armin, sentado numa cadeira ao lado de Eren.
Marco deu de ombros e seguiu com os outros meninos. Assim que foram deixados à sós, com apenas alguns poucos colegas espalhados pela sala, Armin virou-se para Eren e o fuzilou com o olhar. Eren engoliu em seco; era esperado que Armin desse uma bronca nele sempre que agisse de forma irresponsável.
— Tenho a impressão de que, na primeira vez que me contou a história de como vocês se conheceram, você omitiu alguns detalhes — acusou Armin, cruzando os braços.
— Não é que eu tenha omitido, é que... — Eren passou a mão pela nuca, sem saber como se explicar.
Armin deu um longo suspiro e inclinou-se para mais perto do amigo, para que pudesse falar mais baixo.
— Por que, exatamente, você está com essas marcas no pulso?
— Algemas — foi a única coisa que Eren conseguiu dizer. Estava com as bochechas cruelmente coradas, o que fez com que a imaginação de Armin corresse solta.
— Você foi preso...? — era o primeiro palpite de Armin. Ou melhor, o mais leve dos palpites que tinha.
— Hm... — Eren recordou-se de quando Levi o prendeu na cabeceira da cama. — Defina “preso”.
— Eren! — chiou Armin.
— Está bem, está bem... — Eren respirou fundo. Já tinha contado que dormira com Levi, então não seria um choque tão grande quando Armin escutasse a história... Ou assim Eren desejava. — Levi-san me prendeu... com... algemas...
— Não me diga que é um tipo de fetiche. — Armin cerrou os olhos quando imaginou possíveis cenas quase absurdas que poderiam ter acontecido.
— Não! — Eren apressou-se em responder. — Quero dizer, não sei, mas...
— Eren — Armin fechou os olhos e massageou as têmporas —, por que não me conta de uma vez o que aconteceu?
Não tinha jeito. Agora que já começara a contar a história, teria de terminar. Até porque o senso de curiosidade de Armin era muito aguçado; ele não esqueceria tão facilmente aquela história até que soubesse de tudo. O grande medo de Eren era que Armin também não esquecesse a história mesmo depois de saber a verdade.
— Eu ia terminar com ele.
— E aí ele te prendeu?! — Armin arregalou os olhos, abismado.
— Não! Quero dizer, sim, mas... — Eren balançou a cabeça. — Deixa eu terminar a história.
— Certo. — Armin ainda estava com a testa franzida.
— Eu estava preocupado com minha mãe, e não queria mentir mais para ela para sair de casa e ver outro cara — Eren falou tudo de uma vez, para que Armin não o interrompesse. Como viu que o amigo permaneceu em silêncio, tratou de continuar, agora com mais calma. — E também tinha aquela história dele de não querer nada sério... Enfim, era muito para arriscar numa coisa tão incerta.
Armin assentiu com a cabeça, mostrando que compreendia tudo que Eren falava.
— Mas ainda gostava dele? — perguntou Armin, com uma expressão séria.
Eren abriu a boca para falar, mas nenhuma resposta saiu de sua garganta. A verdade era que nem ele sabia direito o que era aquele sentimento. Desde a primeira vez que se viram — ou melhor, que se esbarraram —, Levi o deixara sem reação, tanto que recebeu um chute e uma pisada no rosto e mesmo assim não pôde fazer nada.
— Armin, eu... — Eren lutava para encontrar as palavras certas, que simplesmente não vinham. — Eu não faço a mínima ideia — disse por fim. — Nunca acreditei nessa porcaria de “amor à primeira vista”, e também não acredito que o que sinto agora seja amor propriamente dito, mas... — Eren fez uma pausa para respirar. — Mas eu me sinto tão completo quando ele está por perto...
A expressão de Armin suavizou um pouco. Eren podia estar realmente encantado por aquele homem ou podia estar só deslumbrado por essa nova possibilidade de amor que encontrou, e Armin ainda não sabia ao certo qual dos dois era a resposta certa. Desceu a vista para os pulsos de Eren repousados no colo, completamente cobertos pelo casaco.
— Mesmo depois de ele ter te machucado dessa forma?
— A intenção dele não foi me machucar — afirmou convicto, lembrando-se das palavras de carinho sussurradas em sua orelha. — Foi... um acidente.
— Eren, você ia terminar com ele e ele te prendeu num par de algemas. — Armin arqueou as sobrancelhas, começando a se preocupar de novo.
— Não foi bem assim.
— E como foi, então?
— Eu fui até a casa dele, ele quis saber por que eu estava acabando com tudo, eu me enrolei na hora de explicar... — Eren deu de ombros. — Aí a gente começou a se pegar.
Armin ficou boquiaberto. Colocando os fatos dessa maneira, ele teve a impressão de que Eren estava sequer tentando terminar.
— E onde entram as algemas?
— Ah, isso foi um pouquinho depois — disse Eren, dando um pequeno sorriso ao lembrar-se da cena. — Ele me algemou à cama e depois...
— Acho que já entendi — disse Armin, levantando uma mão em sinal de rendição.
— Pois é. — Eren deu um sorriso de satisfação e deu de ombros. — Aí depois ele me pediu em namoro, oficialmente, e explicou por que não tinha o feito antes.
— Por quê?
— Trabalho — disse Eren com pesar.
— O que isso tem a ver? — murmurou Armin, pondo a mão na testa.
— Aparentemente, ele não é “só um policial”. — Eren usou o indicador e o dedo do meio para expressar as aspas. — Ele é algo como um detetive, um agente, sei lá. — Deu de ombros. — Enfim, ele disse que tinha medo que algum dos caras que ele persegue me encontrasse, porque aí a coisa ficava feia.
Armin sentiu um arrepio descer pela coluna.
— E você aceitou mesmo assim?
— Claro que sim! — Eren respondeu com um sorriso brilhante estampado no rosto. — Acho que eu não queria terminar com ele, no final das contas.
— Ah, não diga...! — murmurou irônico, com uma mão cobrindo o rosto.
Parabéns, Gunther — anunciou Levi assim quer entrou na sala, chamando a atenção de todos. — Você vai com Eld para... Bem, para onde quer que seja.
— Isso! —Gunther comemorou baixinho.
— Então você vai ficar, Heichou? — quis saber Petra.
— Felizmente, não.
— Smith-san deu mais alguma informação? — perguntou Eld.
— Longe disso — resmungou Levi, revirando os olhos. — Ele, na verdade, me suspendeu por cinco dias.
— Cinco?! — todos falaram em uníssono, indignados.
— No que ele está pensando? —Eld pensou alto, só percebendo depois que o que disse havia sido rude e já se preparava para uma reclamação de Levi.
— Em foder a minha vida, basicamente — respondeu Levi. Petra, Gunther e Oluo seguraram o riso. — Nem preciso dizer que você tomará conta do caso, não é, Eld?
— É, eu já esperava por isso — disse Eld, sorrindo.
— Acho que essa é a primeira vez que vejo você brigar com o Diretor, Heichou — comentou Gunther.
— Não, teve aquela vez ano retrasado — lembrou-se Petra.
— Verdade... — confirmou Oluo. — Passaram-se o quê? Um ano e meio?
— Se te deixa feliz, um ano e meio é um bom recorde — disse Eld, dando dois tapinhas no ombro de Levi, que deu um sorriso torto.
— Nossa, quem seria eu sem o apoio de vocês... — disse Levi, revirando os olhos... mas ainda assim, no canto dos lábios, um sorriso podia ser notado. — Eld, eu sei que isso é uma porcaria, mas conto com você para continuar a operação.
— Não se preocupe, Heichou, dará tudo certo.
— Eu vou levar esses documentos para terminar de checá-los com casa — explicou Levi, voltando para sua mesa e já guardando alguns dos papéis. — Caso haja mais, mande-me por fax que eu resolvo tudo e mando-lhe de volta.
— Certo... — Eld assentiu, franzindo o cenho.
— E se, por acaso, algo de estranho acontecer, não pense duas vezes antes de me consultar.
— Heichou... — Eld o chamou, mas ele não ouviu; estava focado demais em arrumar a mesa.
— Pode me ligar a qualquer hora...
— Heichou — Eld o chamou mais alto, o que finalmente capturou sua atenção —, por que está tão nervoso?
Levi deu um longo suspiro e pegou tudo que julgava necessário, e foi até Eld.
— Talvez — Levi proferia as palavras cuidadosamente, sem olhar diretamente nos olhos de Eld — as coisas fiquem mais complicadas a partir de agora.
— Complicadas como?
Levi balançou a cabeça. Eld deu um suspiro profundo; já estava acostumado a ser deixado no escuro por Levi.
— Sabe que eu não posso falar — lamentou Levi, baixinho. — Isso iria comprometer tanto a mim quanto a vocês.
— Eu entendo.
Todos permaneceram em silêncio. Levi olhou nos olhos de cada um, numa despedida muda. Sabia que algo estava muito estranha naquela história, mas não podia fazer absolutamente nada, apenas seguir ao comando de Erwin. Como sempre, depositara toda a sua fé e confiança nele, a única pessoa que conquistara seu respeito não pela força bruta, mas pela perspicácia e notório espírito de liderança.
— Não façam nada desnecessário até que eu volte — instruiu Levi.
— Isso eu já não posso garantir — brincou Gunther, suavizando o clima.
Todos sorriram e, assim, Levi sentiu-se um pouco mais confortável para deixar a equipe. A única coisa que não podia deixar era o sentimento de que algo de ruim estava para acontecer. Instantaneamente, a imagem de Eren se formou em sua cabeça, e teve vontade de ir ver o garoto imediatamente. Será que ele está ocupado?, perguntou-se Levi, chegando as horas em seu relógio de pulso. Mas ele não fazia a mínima ideia de que horas começavam ou acabavam as aulas de Eren, então teve de arriscar...
— Agora que está tudo esclarecido, vamos comer? — Eren levantou-se da cadeira e espreguiçou-se. — Acho que seria capaz de comer dois sanduíches de uma vez só...
— Eren, espera. — Armin puxou a barra da camisa de Eren, fazendo-o olhar para baixo e deparar-se com um Armin profundamente preocupado. — Sei que, para você, isso tudo pode estar sendo uma maravilha, mas... — Armin mordeu o lábio inferior, sem saber o que dizer para Eren. — Tenha cuidado, certo?
Eren abriu um sorriso reconfortante e bagunçou o cabelo de Armin, num gesto íntimo de carinho e pirraça.
— Não se preocupe, loirinho, eu sei me cuidar!
— Esse é o meu medo — confessou Armin, libertando-se da mão de Eren.
— Ande logo, ou vão acabar todos os pães da cantina! — Eren o apressava.
— Isso só seria possível se nós tivéssemos outros quatro de você aqui — brincou Armin, já levantado e pronto para ir.
Eren riu e seguiu para o corredor, acompanhado de Armin.
— Sabe, Arimn?
— O que foi?
— Estou muito feliz que tenha me escutado — confessou Eren, dando um sorriso tímido. Aquilo pegou Armin de jeito. — Também fico feliz por ter você como amigo.
— Eren, eu...
— Ah, só um instante! — exclamou Eren, assim que sentiu o celular no bolso vibrar. — Acho que é uma mensagem...
— De quem? — perguntou Armin, mas temia já saber a resposta.
Bastou olhar para Eren, completamente extasiado olhando para o celular, que sua suspeita foi confirmada.
— É Levi-san — disse Eren, com a voz morna. — Está perguntando se eu estou livre.
— Bem, diga a ele que está no colégio agora — murmurou Armin, revirando os olhos.
Porém, Eren nem o escutou; estava completamente preso num dilema mental se daria uma fugidinha no horário do almoço ou se tentava manter a linha para não ser impedido de jogar no Torneio de Primavera. Ou melhor, não notou nem Armin nem Connie, que se aproximava com os outros amigos.
— Eren! — gritou Connie. — Nós compramos seu pão!
— Toouuchdown! — gritou Sasha, posicionando para jogar o sanduíche embalado um saco plástico para Eren.
— Sasha, espera! — gritou Armin, sabendo que aquela ideia não ia prestar.
Somente quando Armin gritou que Eren levantou a vista do celular. Só que já era tarde demais; o sanduíche já havia sido lançado na direção de Eren que, como estava com as mãos ocupadas digitando uma resposta para Levi, não pôde pular e pegar o pão a tempo. Era como se visse tudo em câmera lenta: o pão voando sobre sua cabeça, o riso cedendo espaço para o pânico nas expressões dos amigos e, por fim, um barulho de “paf” vindo de suas costas.
Quando se atreveu a olhar para trás, sentiu o sangue ser drenado de seu rosto. Parado atrás de Eren estava o professor Vanns, de matemática. O professor que Eren mais detestava — e, convenhamos, o ódio era mútuo. Ele estava com os óculos mal encaixados no rosto, com alguns respingos de molho em sua bochecha direita. O saco plástico ficou preso na dobra do óculos, e o sanduíche havia caído bem em seus sapatos. Prestando um pouco de atenção, podia-se notar que os punhos cerrados de Vanns tremiam um pouco, os nós dos dedos ficando cada vez mais esbranquiçados.
— Jäeger! — gritou Vanns, fazendo todos nos corredores encolherem-se.
Que maravilha, murmurou Eren mentalmente, irônico.
O pirralho está demorando, pensou Levi, checando o celular mais uma vez. Deu um suspiro e o guardou no bolso, pronto para dar a partida na moto e deixar o estacionamento da agência. Tentava convencer-se de que era tudo neura de sua cabeça, que não tinha como algo ter acontecido a Eren — e não tinha mesmo. Queria muito ir até a casa dele, mas sabia que, se o fizesse, Eren ficaria puto da vida; provavelmente, não queria que a mãe soubesse de sua existência. O que Levi compreendeu plenamente — se fosse com ele, faria o mesmo.
Mas Eren não era o único que o preocupava; ainda havia aquela péssima sensação de que algo de ruim aconteceria com sua equipe. Claro que Eld não lideraria uma operação de invasão ou qualquer coisa do tipo. E, mesmo se o fizesse por necessidade, sabia que ele o contataria no mesmo segundo. E também tinha que lidar com Zackley e Erwin... De fato, tinha muita coisa o preocupando naquele momento.
Fazia uma lista mental das coisas que tinham que ser feitas, e tentava de alguma forma encaixar uma visita aos chefes da Yakuza no meio dessa bagunça. Querendo ou não, não podia ficar muito tempo sem dar nenhum relatório sobre os movimentos da AIS para Dot Pixis, o líder de toda a região de Shiganshina. Temia que ele duvidasse de sua lealdade de novo e o forçasse a fazer o mesmo ritual de seis anos atrás...
Levi balançou a cabeça. Só a lembrança lhe causava arrepios. Não queria passar por nada como aquilo nunca mais. Eu preciso protegê-los, dizia Levi para si mesmo, repetindo como um mantra.
Não deixarei ninguém morrer.
— Têm ideia do que fizeram?! — grunhiu Keith Shadis, diretor do colégio Kyojin.
Todos os presentes abaixaram a cabeça, em arrependimento, à exceção de Vanns-sensei, que sorria triunfante.
No final das contas, ele acabou mandando apenas Eren, Connie e Sasha para a sala do diretor, pois tinham sido os únicos que escutara participar daquela “brincadeira antiquada e infantil”, como ele mesmo havia classificado para Keith.
— Acham que aqui é um parque de diversão?! — gritou de novo, fazendo todos suarem frio. Ficando nervoso com o silêncio, Keith bateu uma mão na mesa. — Por acaso tiveram a língua cortada fora?!
— N-não, senhor! — responderam os três, em uníssono.
— Então respondam: o que diabos estavam pensando quando começaram essa brincadeira estúpida?!
— Em dar o pão para o nosso amigo, senhor! — Connie respondeu de imediato.
Keith ficou de pé e cruzou os braços pelas costas.
— E isso lá é jeito de se entregar uma porcaria de pão?!
— Não, senhor! — respondeu Connie, fechando os olhos.
Keith o segurou pelos dois lados da cabeça e o ergueu três dedos do chão.
— Então, por que o fizeram mesmo assim?! — O tom de Keith era macabro, e Connie estava certo de que iria morrer ali mesmo.
Até que o barulho de uma mordida fez com que Keith se distraísse e soltasse Connie, que caiu no chão e tombou para trás. Quando olhou para o lado, viu que Sasha mastigava nervosamente uma batata assada enrolada num papel laminado. Keith estava abismado.
— Ei, você... — Keith chamou Sasha, que olhava para os lados como se não fosse com ela. — É com você mesma que eu estou falando. O que pensa que está fazendo?
Sasha engoliu a batata que estava mastigando e apressou-se em limpar os restos de batata que tinham no rosto.
— Eu estou comendo a batata recheada da cantina, senhor.
— Não, isso não faz sentido nenhum — murmurou Keith, ainda incrédulo. — Por que está comendo isso agora?
— Porque batatas recheadas são mais gostosas de comer enquanto quentes, senhor.
— Não, eu ainda não entendo...
— Está dizendo mesmo que não sabe por que seres humanos comem batatas?
Todos — inclusive Keith — arregalaram os olhos e ficaram completamente sem ação. Sasha estalou a língua e, com muito pesar, partiu a batata recheada ao meio, tomando cuidado para não deixar o precioso recheio cair no chão, e ofereceu a Keith.
— Aqui, pode ficar com a metade.
— A... metade? — Keith não sabia se pegava ou não. Na verdade, não sabia o que fazer com essa garota louca que tentava dar um sorriso forçado.
Mas a decisão a ser tomada foi bem óbvia.
Assim que Levi terminou de organizar os documentos em um dos quartos separados para coisas do trabalho em seu apartamento, pode ouvir o celular tocar. Estendeu a mão o mais rápido que pode para pegar o aparelho em cima da mesa, imaginando se seria Eld ou Erwin com notícias, mas quando checou o número viu não era nenhum dos dois.
— Eren? — disse, alarmado.
O garoto do outro lado da linha demorou a responder.
— Levi-san, você está bem? — perguntou, preocupado pelo tom de voz dele.
Levi suspirou e passou uma mão pelos cabelos, tentando acalmar-se. Nada aconteceu com ele, lembrava-se.
— Não, não é nada — tentou sossegá-lo. — Estou apenas tenso com umas coisas do trabalho.
— Ah, liguei em má hora? — disse Eren, constrangido. Levi praticamente podia imaginar Eren corando e passando a mão pela nuca, e a imagem o fez sorrir. — É que você me mandou uma mensagem perguntando se eu estava livre, aí achei que...
— Não se preocupe, não estou trabalhando agora.
— Ah, que alívio...
— E você, não devia estar em aula?
— Se sabia disso, por que me mandou uma mensagem?
— Só lembrei-me disso depois — mentiu. Pôde ouvir um suspiro do outro lado.
— Minhas aulas só acabam quatro horas.
— Ainda não deu nem meio-dia — informou Levi, checando em seu relógio de pulso.
— Eu sei, por isso te liguei. — Eren parecia meio chateado. — Agora estou livre.
Levi franziu o cenho.
— Foi liberado mais cedo?
— É... Pode-se dizer que sim...
— Você foi suspenso — disse com as sobrancelhas arqueadas —, não foi?
— Olha, a culpa não foi minha — murmurou Eren.
Não pôde evitar sorrir, imaginando-o de braços cruzados e com o a expressão de irritado.
— Onde você está agora?
— Estava indo para o Hanne’s...
— Hã?
— Aquele fliperama que eu te levei uma vez.
— Você gosta mesmo daquele lugar.
— Fazer o quê, é bom para relaxar um pouco...
— Quer que eu vá aí?
Alguns segundos de silêncio.
— Você pode vir? Tipo, agora? — Eren parecia magicamente mais animado, o que tirou mais um sorriso de Levi.
— Trate de me esperar aí, parado, sem arranjar nenhuma briga, ok?
— Isso depende da boa vontade dos idiotas daqui — murmurou.
— Vou aceitar isso como um “ok”.
Eren deu uma risada leve do outro lado da linha, o que acalmou o coração de Levi.
— Levi-san?
— O que foi?
— Vem logo para cá.
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