Vazio
9 Rebatidas
Notas iniciais
— É serio isso, pirralho? — disse Levi, sentado num banco de pernas e braços cruzados.
— Qual o problema? — perguntou Eren enquanto pegava um taco de baseball.
Levi suspirou. De todos os lugares do mundo, o último que ele esperava que Eren fosse escolher era o fliperama. E justamente para jogar baseball nas máquinas de arremesso automático — aquela era a seção favorita de Eren. Se bem que não é de se surpreender, pensou Levi. Afinal de contas, ele é só um pirralho...
O mais estranho foi o homem no balcão os encarando quando eles entraram. Ele estava com uma cara bem intimidadora. Levi provavelmente teria ido lá fazê-lo engolir todo aquele despeito, só não o fez porque Eren sorriu para o balconista e levantou as mãos, como se dissesse “eu vim em paz”. Provavelmente os dois se conheciam, então Levi relevou o ocorrido.
— Você me perguntou se eu queria desestressar, e essa é a melhor forma que eu conheço. — Eren se posicionou e deu a primeira rebatida. Acertou em cheio.
— Não foi isso que eu quis dizer... — murmurou Levi, passando a mão no cabelo.
— Pensei que gostasse de fliperamas. — Eren deu de ombro e se preparou para rebater de novo.
— O que te faz pensar isso?
— Você não tem um X-Box na sua casa?
Levi soltou outro suspiro, mas esse não foi de pesar. Estava mesmo prestando atenção, hein?
— Prefiro jogos de tiro — respondeu Levi, por fim.
— Eu também — disse Eren, animado por ter algo com comum com ele. — Mas, quando estou meio puto, prefiro isso daqui. — Eren deu mais uma rebatida perfeita. — É mais realístico do que apertar botões. Deveria tentar.
Eren posicionou-se de novo para rebater, mas foi impedido por uma mão fria que sobrepôs a sua, segurando o taco.
— Sendo assim, vamos ver como eu me saio — disse Levi, muito perto da nuca de Eren.
O garoto nem tentou dizer alguma coisa — ele sabia que só iria sair uma confusão de palavras —, então apenas entregou o taco a Levi e saiu do seu caminho. Eren começou a perceber que ficar envergonhado era um sentimento quase que comum quando estava na presença de Levi.
— Como é que se usa isso daqui? — perguntou Levi, segurando o taco de diversas formas diferentes.
— Ah, deixa que eu... — Antes que Eren completasse a frase, a máquina já tinha atirado uma bola.
Droga, esqueci-me de reprogramar a máquina!, pensou Eren, em questão de milissegundos. Nesse meio tempo, Levi segurou o taco para o lado contrário, como se o bastão fosse uma faca, e desviou a rota da bola para o lado, fazendo-a bater na grade. Tudo isso em questão de milissegundos. Eren estava boquiaberto.
— É mais fácil do que eu pensava... — comentou Levi, analisando o taco.
— Não... Não é assim que se faz... — sussurrou Eren, ainda surpreso. — E esse bastão ainda é pesado pra porra, como é que você conseguiu fazer isso tão facilmente segurando da forma errada?!
Levi apenas se virou e respondeu na maior tranquilidade, como se fosse óbvio:
— Tendo músculos, é claro.
— Verdade, como eu não pensei nisso antes... — murmurou Eren, apertando a ponte do nariz.
— Isso até que é divertido — disse Levi, “rebatendo” outra bola.
— Eu sei, mas você está fazendo isso errado!
— Eu não ligo.
— Mas eu ligo! — Eren estava indignado com o que Levi estava fazendo com o seu esporte favorito.
Antes que Levi pudesse dizer qualquer coisa, Eren já estava ao seu lado, tirando o taco de sua mão e depois colocando da forma correta.
— É assim que se segura — explicou Eren.
Levi virou a cabeça para o lado, para declarar que ele realmente não se importava, e acabou roçando a ponta de seu nariz na bochecha de Eren. O garoto praticamente deu um pulo para trás, com o coração batendo a mais de mil. Com aquela cena, Levi tinha ganhado o dia. Somente para compensar o garoto pela “explicação”, Levi tentou rebater sério dessa vez.
Ele não vai conseguir, pensou Eren, enquanto se acalmava. Os reflexos dele são bons, mas não tem como ele acertar de primeira...
Só que não foi o que aconteceu. Levi deu uma bela tacada; a bola quase bate no cano da máquina, tamanha a sua boa mira. Sim, seu orgulho como trunfo tinha sido massacrado. Eren já deveria estar acostumado a se surpreender com as façanhas de Levi, mas essa não era exatamente a coisa mais fácil a se fazer. Já Levi, virou satisfeito para olhar para Eren com superioridade e perguntar “Então, é assim que se faz?”. No geral, Eren ficaria irritado com a provocação, mas por ser Levi...
— Pirralho, venha aqui.
— Eu tenho nome, sabia? — resmungou Eren. Levi levantou uma sobrancelha, em desdém. O garoto apenas suspirou. — Eren.
— Eren...?
— Eren Jäeger.
— Jäeger, venha aqui.
O garoto revirou os olhos.
— Não me trate como um cachorro... — murmurou, mas foi até ele.
— Segure o bastão — Levi estendeu o taco para Eren, que o pegou de mal grado.
— Taco — ele o corrigiu.
— Não interessa.
Eren revirou os olhos, mas segurou o taco e se posicionou para rebater.
— Não. — A voz de Levi era quase um sussurro, rouca e grave. E muito próxima também.
Levi tirou o taco das mãos de Eren delicadamente e inverteu a posição, assim como ele tinha feito da primeira vez. O garoto ficou sem saber o que fazer com aquilo. Levi percebeu a confusão do garoto e foi até ele por trás. Ele segurou o taco por cima da mão de Eren, que era muito mais quente que a sua. Devido a sua proximidade, Levi pôde perceber todos os músculos das costas de Eren se contraírem, e aquilo o agradou muito. E ainda tinha aquele cheiro... Diferente das outras pessoas, Eren não fedia a perfume barato; ele apenas tinha um cheiro natural muito agradável.
— Tente fazer assim — Levi explicou, movimentando o braço para demonstrar como desviar a bola, o que fez com que seu quadril ficasse colado com o de Eren.
— E-entendi... — A voz de Eren era quase um gemido, o que exigiu mais do autocontrole de Levi do que o normal.
— Se entendeu, então faça — disse se afastando. Se ele ficasse ali por mais um segundo, não sabia como o seu corpo iria reagir.
Só que ele não era o único afetado; o corpo de Eren parecia ser feito de gelatina e palitos de dente. Lá no fundo de sua cabeça, uma parte do seu subconsciente o chamava de lixo por estar todo afetadinho por um homem, mas Eren não conseguia escutá-lo. A única coisa que ele podia escutar era aquela parte de sua consciência que implorava para tocar Levi mais uma vez.
Para tirá-lo de seus pensamentos, a máquina atirou mais uma bola, que passou despercebida por Eren. Até que ela acertou em cheio a sua barriga, fazendo-o contrair-se no chão.
— Por favor, diga-me que não estava tentando sério — disse Levi, segurando-se para não rir.
— Eu vou te mostrar o que é ser sério... — Eren se levantou no mesmo segundo, segurando o taco com a mão direita da forma que Levi o tinha mostrado.
O homem apenas sentou-se no banco com as pernas cruzadas, admirando a vista de um pirralho de 16 anos mostrando-lhe “o que é ser sério”. Mas, como Levi esperava, o reflexo de Eren não eram tão bons quanto o seu, e a bola o acertou em cheio na costela direita. Levi teve que cobrir a boca com a mão para esconder o sorriso.
— Eu sei que você está rindo! — gritou Eren, com as bochechas coradas.
— Claro que estou, você é uma porcaria nisso — disse Levi, deixando mais um sorriso escapar.
Somente por causa daquele sorriso, Eren se contentou em apenas dar-lhe um olhar enfezado ao invés de um murro. Levi percebeu que, no final das contas, aquela era, sim, uma boa forma de desestressar. Ele só não sabia dizer se era por causa do baseball ou por causa do garoto.
— Prepare-se, a próxima bola eu vou desviar para a sua cara! — retrucou Eren.
— Vou estar esperando. — Levi revirou os olhos.
A próxima bola acertou Eren no tórax. A outra, no lado esquerdo do quadril. E depois, bem no meio do plexo. Levi se divertia apenas por ver aquele garoto resmungando xingamentos enquanto apanhava da máquina.
Já Eren estava com o seu orgulho ferido; ele era tão bom rebatedor, por que não conseguia desviar uma simples bola? Aquilo era inaceitável. Pelo seu orgulho como trunfo do time de baseball do Colégio Kyojin, Eren precisava desviar pelo menos uma bola. Ele colocou tudo o que tinha nessa última “tacada”: sua concentração, sua força, seu foco e sua esperança de esfregar na cara de Levi que ele conseguia rebater.
De raspão, Eren conseguiu encostar o taco na bola e desviar o curso para o lado de seu pé esquerdo. Não chegava nem perto do que Levi tinha feito, mas ainda assim estava orgulhoso por não ser um fracasso total. Eren se virou para gabar-se da sua desviada com um sorriso, mas logo desanimou quando viu Levi atendendo o celular.
— Erwin, pensei ter dito que estava com dor de cabeça... Mas... O quê?... — Levi não estava parecendo nem um pouco feliz com a notícia, seja ela qual fosse. — Eu mandei eles não fazerem nada... Ah, ótimo... Bem, alguém tem que limpar a merda deles, não é?... Certo... — Levi deu um olhar meio ressentido para Eren, que sentiu um aperto no peito. —... Dê-me mais 20 minutos. — E então desligou o celular.
— Problemas no trabalho? — Eren perguntou, mas já sabia a resposta.
— Pode-se dizer que sim. — Levi deu um suspiro e levantou-se do banco. — Bem, foi uma tarde agradável.
Falando dessa forma, até parece meu pai, pensou Eren.
— Então... Você já está indo? — Eren desviou o olhar e passou a mão na nuca.
Ah, não faça isso, pirralho, lamentou Levi. Não me faça querer ficar...
Levi não aguentaria encará-lo por mais tempo; simplesmente virou-se para a saída — para não ver a reação de Eren — e seguiu em frente.
— Eu não tenho opção, já que...
Ele foi interrompido por uma mão em seu braço, segurando-o com força. Levi correu os olhos da mão, pelo braço, até chegar ao rosto de Eren. Seus olhos tinham uma súplica escondida, um desejo que transbordava. O lugar onde Eren apertava formigava, e não por causa da força; era o corpo de Levi respondendo ao toque do garoto. Ele não podia mais ignorar aquela vontade incontrolável de tocar Eren.
Não vá, era tudo o que Eren pensava naquele momento. Ele não ligava para o quão ridículo deveria parecer segurando o braço de Levi, Eren só não queria que ele partisse. Não agora, que o vazio tinha finalmente sido esquecido. Mas o que podia fazer? Levi tinha que ir para o trabalho, resolver não sabia o quê. Tenho que pensar em algo, forçou-se a pensar, mesmo sabendo que não funcionava muito bem sobre pressão. Tenho que dar um jeito de mantê-lo por mais tempo...
— Minha camisa — disse Eren, por fim. Levi piscou os olhos algumas vezes, parecendo confuso. — Eu não poderei te ver amanhã, então... Podemos passar na sua casa para pegá-la? — Em parte, Eren estava surpreso com a ousadia, mas, em parte também, estava satisfeito.
Levi olhou para Eren, depois para a mão dele em seu braço, depois para Eren de novo. O garoto entendeu o recado e tirou a mão rapidamente, levando-a para sua nuca. Levi deu uma checada em seu relógio de pulso e suspirou.
— Tudo bem — disse por fim. Eren deu um sorriso radiante. — Mas terá de ser rápido — complementou.
— Não tem problema. — Eren sequer se preocupava em esconder a felicidade. Levi revirou os olhos e deixou mais um sorriso escapar. Foram muitos sorrisos para um dia só.
Assim que terminaram de pagar o balconista sinistro — que ainda olhava para Levi como se ele fosse algum tipo de aberração —, Eren partiu como um raio para onde Levi tinha estacionado a moto, enquanto o homem seguiu atrás andando na maior tranquilidade, com as mãos no bolso.
— Levi-san, anda logo! — disse Eren, já colocando o capacete.
— Tsc, para que tanta pressa? — disse enquanto montava na moto e dava a partida.
— Você não falou que estaria no trabalho em 20 minutos? — respondeu Eren, montando na garupa.
Levi se surpreendeu com o quão atencioso aquele garoto era. Nada mal, pensava. Mas logo sua cabeça foi preenchida com a sensação das pernas de Eren evolvendo-lhe, e nada mais importava.
— Hm... Levi-san? — A voz de Eren estava daquela forma de novo, quase que como um gemido. Um arrepio desceu pela coluna de Levi.
— Sim? — Ele se esforçou para dizer com o tom de voz controlado.
— É que você acelera muito, e eu meio que não estou acostumado a andar de moto...
— E daí? — Levi não queria soar grosseiro; era só a sua forma de agir, mas aquilo intimidou Eren mesmo assim.
— E-então... — Eren procurava um buraco para enfiar a cara. — Será que eu poderia... Segurar em você...?
Levi ficou imóvel. Eren começou a suar frio, pensando se aquilo foi realmente indevido ou repulsivo para ele. O garoto estava prestes a retirar o que disse, falando que era apenas uma brincadeira, mas foi então que Levi moveu-se para frente, segurando nas duas manoplas da moto.
— Se isso te faz se sentir mais seguro...
Eren passou alguns segundos apenas admirando a nuca do homem à sua frente, não acreditando que aquele momento era real. Lentamente, Eren envolveu Levi com seus braços, de uma forma mais íntima que o necessário. O corpo dele podia ser pequeno, mas era duro como ferro; na posição em que estava, o garoto podia sentir cada músculo das costas de Levi contrair-se ao seu toque, e aquela sensação era maravilhosa.
Levi podia sentir o coração acelerado de Eren nas suas costas, assim como o seu calor e o seu cheiro... Ele não podia negar, aquele garoto tinha uma essência muito boa. E o seu toque... Ah, Levi segurava firme nas manoplas para poder conter a vontade de beijá-lo ali mesmo. Espera... Beijá-lo? Levi estava abismado com o andar de seus pensamentos, até que chegou a uma conclusão: Sim... beijá-lo. O que tem de errado nisso?
Girando o acelerador, Levi deixou que o motor da moto gritasse tudo o que ele queria gritar naquele momento.
— Uau, sua casa é sempre impecável assim? — perguntou Eren, admirado mais uma vez pela arrumação. O garoto entrou na frente de Levi e caminhou diretamente para o sofá, deixando suas coisas em cima da mesinha da sala. — Nem mesmo o sofá tem um grão de po...
Ele foi interrompido por Levi, que o empurrou para o sofá e o segurou na nuca pelos cabelos. Puxando de leve, ele fez Eren inclinar a cabeça para trás e separar os lábios, o suficiente para que fossem completamente dominados. Levi começou beijando de forma meio agressiva devido à urgência, pois não estava mais aguentando se controlar. Mas assim que sentiu os lábios de Eren movendo-se junto com os seus, correspondendo num ritmo intenso, ele o beijou com mais ternura.
Os lábios de Eren eram quentes e úmidos, além de serem maravilhosos para morder — o que Levi fez questão de testar. A cada toque, a cada gesto, Eren gemia e se contorcia mais. Sua voz era suplicante, seus suspiros eram um pedido por mais e todas as fibras de seu corpo gritavam por prazer. Inconscientemente, os braços de Eren envolveram o pescoço de Levi, forçando-o a aproximar o seu corpo do dele. Eren sentiu em seus lábios um sorriso se formar.
— Então é assim que quer jogar? — A voz de Levi estava rouca, bêbada de desejo. Eren sentia como se sua pele fosse queimar nos lugares onde ele o tocava.
De forma quase agressiva, Levi jogou o corpo de Eren para o lado, forçando-o a deitar no sofá. Com o joelho direito, fez com que as pernas de Eren se separassem, dando espaço para que ele colocasse a sua perna colada na virilha do garoto.
— Ah... Levi...! — Eren suplicava entre gemidos.
Levi admirou um pouco a vista: o garoto estava com o cabelo num estado caótico; sua boca estava tão rosada quanto o resto do seu rosto; sua camisa estava um pouco levantada, permitindo uma visão privilegiada do final de seu abdômen. Levi olhou para Eren com olhos felinos, e aquilo fez o garoto se contorcer ainda mais.
Ele então se inclinou e voltou a beijá-lo com urgência, e foi correspondido. Foi então que Levi começou a mover a sua perna direita pela virilha de Eren, e o garoto não conseguiu mais conter os gemidos num tom baixo. Levi se apoiou com o cotovelo esquerdo e, com a mão direita, segurou o quadril de Eren, sincronizando suas investidas com os movimentos do garoto.
Assim que Eren pegou o ritmo, Levi deu um forte aperto no cós da calça de Eren e passeou com a mão pelo corpo do menino, até chegar na parte descoberta de sua barriga. Assim que suas peles se encontraram, o corpo de Eren teve espasmos de prazer. O toque de Levi era muito intenso, muito gostoso, para que ele ficasse parado. Percebendo que Eren estava quase perdendo o controle, Levi abandonou seus lábios e começou a traçar uma trilha de beijos e mordidas pelo maxilar de Eren.
— Levi... não... — Eren tentava falar, mas a vontade de gemer era mais forte.
Ele está me negando?
— A culpa é sua... — sussurrava Levi, enquanto mordia o lóbulo de sua orelha esquerda.
— Não... Não...! — Os gemidos de Eren ficavam mais frequentes a medida que Levi ia subindo a mão, em direção a seu peito.
— O que foi, não gosta? — Ele o provocava, passando a mão pelo seu mamilo já duro. — Deveria ter pensado nisso antes de me provocar tanto... — Com o dedão e o indicador, Levi apertou com força o mamilo sensível de Eren, fazendo-o arquear as costas num misto de dor e prazer.
— Não pare! — Eren conseguiu dizer, gritando por cima de seus gemidos.
Era como se o sangue de Levi fosse pura gasolina, e aquelas palavras foram a faísca necessária para acendê-lo. Não aguentando mais, Levi apoiou a cabeça no sofá, ao lado do pescoço de Eren, e com as duas mãos segurou seu quadril para que permanecesse imóvel enquanto Levi se movimentava, provocando uma ereção no garoto. Tão rápido assim?, pensou Levi, satisfeito. Ele se aproveitou do estado sensível do órgão sexual de Eren para fazer movimentos ainda mais bruscos, ainda mais violentos, ainda mais excitantes.
Eren já não gemia mais; ele gritava súplicas e arfava, exigindo com o corpo que Levi o tocasse lá, mas tudo o que ele fazia era provocá-lo deliciosamente com o quadril. Eren segurava as costas de Levi com força, tentando livrar seu quadril das mãos de Levi, mas ele era muito mais forte que o garoto. Levi se deliciava com o desespero de Eren, arfando e gemendo baixinho em seu ouvido, fazendo-o enlouquecer ainda mais.
— Levi... por favor...! — Eren implorava, sua voz era quase um choro.
— Só mais um pouco... — respondeu Levi, igualmente excitado.
Até que o celular de Levi toca. No mesmo instante, Levi parou de fazer tudo que estava fazendo e olhou para o relógio na parede da sala.
— Merda! — Quase que num pulo, Levi saiu de cima de Eren e foi até a cozinha, onde tirou o celular do bolso e o atendeu. — Já estou a caminho... Sim, eu sei, mas houve um problema...
Eren apenas cobriu o rosto com as duas mãos e tentava se acalmar — ou melhor, acalmar o seu amigo lá embaixo. A voz de Levi parecia cada vez mais distante, para a sua felicidade. Naquele instante, até o cheiro do alvejante no chão era excitante para Eren, só porque era de Levi. Ele tentava pensar em gatinhos, em senhoras idosas e até mesmo em filmes de terror para tentar voltar ao estado normal, mas era difícil... Seu corpo precisava liberar aquela excitação.
Eu consigo fazer isso, dizia Eren para si. É só uma ereção, você consegue controlá-la. Aos poucos, seu ritmo cardíaco foi diminuindo e a sua mente foi clareando. Passados mais cinco minutos, sua respiração já estava estável e o seu amiguinho já tinha ido dormir de novo — mesmo que de mau-humor. A única coisa que Eren não conseguiu normalizar foi a cor do seu rosto, como sempre. Assim que achou que estava bem o suficiente, Eren descobriu o rosto e se deparou com duas pernas paradas ao seu lado. Levantando a vista, ele se deparou com um par de olhos cerrados e um sorriso torto muito sensual. Eren quase achou que a sua ereção voltaria.
— Se o pirralho não se importa, eu tenho trabalho a fazer — disse Levi, entretido com a forma como Eren o olhava ainda com desejo.
Eren passou a mão pelos cabelos e sentou em posição ereta, jogando as duas pernas para fora do sofá, cercando Levi.
— Será que dá para parar de me chamar de pirralho? — disse Eren, levantando as mãos para segurar as coxas de Levi.
Ele notou o movimento ousado de Eren, e achou interessante a iniciativa. Mas Eren precisava de muitos anos de prática para chegar ao seu nível. Antes que as mãos do garoto o tocassem, Levi agarrou o cabelo no topo da cabeça de Eren e o empurrou para trás. Tendo encostado o menino no sofá, Levi usou o seu joelho direito para separar de novo as pernas de Eren, mas dessa vez não foi para excitá-lo, e sim para prensar o “amiguinho” de Eren e o fazer gemer — mas de dor.
— Por hoje é só, Jäeger. — sussurrou no ouvido de Eren e depositou um beijo entre a sua orelha e o seu maxilar.
Eren arfou como resposta e isso bastou para Levi soltá-lo. Eren apertou uma perna com a outra e cobriu a virilha com as duas mãos. Levi apenas admirou a cena. Mas logo se lembrou de que estava terrivelmente atrasado, então foi até a cozinha e pegou a sacola de papel onde tinha posto a camisa.
— Infelizmente, eu não tenho tempo para brincar com você hoje — disse enquanto voltava para a sala. Infelizmente...?, questionava-se Eren, com um raio de esperança.
— Não tem problema, eu entendo... — ele lamentou.
Levi foi direto para a porta da sala e a abriu. Eren entendeu o que aquilo significava e, com um suspiro, levantou e foi até ele. Levi estendeu a Eren uma sacola, mas o garoto não a queria. Ele torcia para que Levi tivesse se esquecido da camisa, assim ele teria uma desculpa para vir de novo.
— Ah, obrigado... — murmurou enquanto pegava a sacola, nem um pouco feliz por estar indo embora. Levi achou aquilo lindo.
— É sempre um prazer — respondeu Levi, com um sorriso sorrateiro nos lábios.
Os olhos de Eren brilharam. Ele não se conteve e puxou Levi para um último beijo, lento e carinhoso, como se a boca de Levi fosse partir caso ele não fosse cuidadoso. A língua de Eren acariciava a de Levi assim como a sua mão acariciava o rosto daquele homem baixinho, ranzinza e sexy. Muito sexy.
Levi retribuiu puxando-o pela nuca e intensificando o beijo. Afinal de contas, tudo com Levi era intenso. Eren arfou e decidiu que, daquela vez, ele não iria perder. Com ousadia, Eren beijou o lábio inferior de Levi e o chupou forte, tirando um gemido do homem. Eren estava orgulhoso do feito. Levi, claro, não deixaria aquilo barato; ele partiu para o pescoço de Eren e o chupou da mesma forma que ele tinha feito com o seu lábio, incessantes vezes. Eren voltou a gemer, e aquilo estava excitando Levi de novo. A voz de Eren era a sua perdição.
— Pelo amor de Deus, garoto... — Levi suspirou no ouvido de Eren. — Pare de me provocar. Eu preciso trabalhar.
Eren estava pouco de fodendo para o trabalho de Levi; ele o queria ali, naquele instante. Mas Levi o empurrou para longe, impedindo-o de continuar. Ambos ficaram se encarando por alguns segundos, sem saber como se despedir — a verdade era que nenhum dos dois queria se despedir.
— Então... — Eren começou, encarando o chão e passando a mão na nuca. — Obrigado pela camisa e... tudo mais...
Levi se divertiu com a forma como Eren se envergonhava de tudo. Na verdade, talvez fosse essa a parte que Levi mais gostava.
— Como eu disse, é sempre um prazer.
Eren fez um cumprimento formal inclinando o corpo e partiu para o elevador. Assim que entrou e se viu no espelho, teve que se segurar para não gritar e voltar para matar Levi: ele tinha deixado duas marcas vermelhas em seu pescoço. E agora?!, Eren se controlava para não entrar em pânico. Como eu explico isso para minha mãe?!
Para a sorte de Eren, sua mãe estava ocupada cozinhando o jantar quando ele chegou. Claro que ela deu uma pequena bronca nele por estar voltando muito tarde ultimamente, mas nada que a tenha feito sair da frente do fogão.
Assim que Eren entrou no quarto, a primeira coisa que fez foi deitar na cama e fechar os olhos. Era como se ele ainda sentisse formigar os lugares que Levi o tocou, numa doce tortura. Foi então que ele sentiu um aperto no peito; talvez, ele nunca mais fosse ver Levi. Afinal de contas, ele não tinha seu número, ou email, ou um motivo para vê-lo outra vez.
Eren sentia uma agonia tomar conta de seu peito. Era pior do que o vazio que ele geralmente sentia; aquele era o vazio deixado por Levi. Ele, que apenas eu uma tarde, o fez esquecer tudo: seus problemas com Annie e Mikasa, sua frustração, sua raiva, seus preconceitos... tudo.
A única coisa que restou foi a camisa branca que Levi lavou. Que Levi lavou... Talvez, ela tenha o mesmo cheiro. Eren não pensou duas vezes; buscou a camisa na sacola e a cheirou. Hm, sim... Era aquele mesmo cheiro único que Levi tinha, uma mistura de limpeza com perfume masculino. Em meio ao prazer, Eren percebeu que seus olhos lacrimejavam. Eu quero vê-lo, pensava Eren, quase que em um lamento. Quero vê-lo agora...
Foi então que ele percebeu que algo tinha caído da camisa. Assim que seus olhos localizaram o objeto, seu coração falhou: era um pequeno pedaço de papel com um número escrito. Eren pegou o papel do chão, quase sem acreditar. Olhando mais de perto, tinha uma frase escrita logo abaixo do número: “Pirralhos não deveriam ser tão ousados...”. Eren sorriu para o pedaço de papel. Aquilo era tão a cara de Levi... Mas o que o surpreendeu foi o que estava escrito no verso do papel.
“Da próxima vez, vou te mostrar como rebater como um adulto”.
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