Vazio
1 Prólogo - O Vazio
Notas iniciais
Se não curte, nem se dê o trabalho de ler :P, a última coisa que eu preciso é de um comentário desnecessário.
Ademais, espero que gostem!
Boa leitura~
— Sinto muito, Annie... Mas não dá mais — Eren sussurrou, quase não conseguindo proferir as palavras.
A garota loira à sua frente mal se movia, completamente estática com a notícia. Certamente, não esperava que Eren fosse terminar com ela, não logo depois de terem uma sequência de noites tão... “intensas”.
— Por favor, diga-me que eu estou entendendo errado... — a sua voz, embalada com as lágrimas que desciam aos poucos, fizeram com que Annie parecesse mais frágil do que ela geralmente demonstra ser. Eren ficou sem ação. — Você não está...
— Sim — Eren a interrompeu, não aguentando mais ouvir a voz morna de Annie, a qual ela usava propositalmente quando queria mexer com ele. Mas Eren não planejava ceder. — Eu estou terminando com você.
Annie o encarou por mais alguns segundos, completamente catatônica. Eren já estava se preparando para fazer mais um discurso clássico de término de namoro, mas foi interrompido por uma risada leve e feminina que, para a sua surpresa, vinha de Annie.
Meu Deus, ela enlouqueceu?, pensou Eren enquanto recuava dois passos para trás.
— Você só pode estar de sacanagem comigo — disse Annie depois que recuperou o fôlego.
Eren ficou em dúvida se falava alguma coisa ou não, e acabou optando por calar-se. Annie, percebendo o seu silêncio, prosseguiu com a voz já de volta no tom usual, frio e distante:
— Então, quer dizer que depois de passar quase um mês comigo, de passar a última semana inteira arrumando um jeito de dormir comigo, você simplesmente termina sem mais nem menos? — Annie esperava que Eren começasse a lançar desculpas, mas não; ele permaneceu calado. Isso a irritou mais que tudo. — Eu não ficaria surpresa se fosse Connie, mas realmente não esperava que você também fosse do tipo que apenas se diverte com as pessoas — disse com desprezo.
Eren continuou calado. A verdade é que, lá no fundo, ele se sentia terrivelmente culpado e envergonhado pelo que estava fazendo, e não conseguia sequer abrir a boca para desculpar-se. Ele sempre fora o tipo de pessoa que considera muito aqueles que estão à sua volta, e entendia plenamente que estava magoando Annie de uma forma bem cruel.
Annie não suportou mais o silêncio do garoto e avançou alguns passos ligeiros em sua direção. Eren arqueou as sobrancelhas em surpresa, mas não se moveu. E então, a uma distância de um braço, Annie concentrou toda a sua força em seu braço direito e deu-lhe um tapa certeiro no rosto, fazendo-o cambalear para o lado. Como esperado, Annie tem uma força bruta surpreendente.
— Ao menos me diga por quê! — Annie gritou, e as lágrimas voltaram a descer.
Eren cobriu o lugar do tapa com a mão — sua pele estava quente — e a encarou com pesar. Ele não sabia o que dizer. Annie o fuzilou com os olhos, preparando-se para acertá-lo mais uma vez com um murro, mas parou ao ouvir o suspiro de Eren.
— Talvez eu apenas não esteja pronto — disse por fim.
Annie o encarou surpresa pela segunda vez no dia.
— Como assim?
— É que... — Eren passou a mão pela nuca, coisa que só fazia quando estava bastante envergonhado, e Annie sabia disso. — Eu sei que você me ama. Que me ama muito...
— Mas você não me ama tanto assim? — Annie o interrompeu, ultrajada.
— Não, não é isso! — disse apressado, tentando corrigir-se. — É só que eu acho que... Esse não é o melhor momento para você começar um relacionamento tão sério comigo. — Eren estava mais nervoso do que o normal, penando se aquelas eram de fato as melhores palavras a serem usadas. — Espero que você entenda.
Mas Annie não estava entendendo nada. Ela estava entre perguntar o porquê disso tudo, por que essa não era a melhor hora, ou deixar isso para lá. Nós já terminamos mesmo, pensava. Decidiu que simplesmente não ia mais se importar com esse garoto estúpido pelo qual tinha realmente se apegado.
Annie enxugou as lágrimas e respirou fundo. Sua compostura, suas emoções, suas lágrimas... Estava tudo sob controle. Por enquanto. Os dois passaram mais um tempo se encarando, num diálogo mudo, e aquilo bastou para que acertassem tudo que precisavam.
— Anniiiiie! — pôde-se ouvir Sasha gritar. — O que você acha de a gente passar no... — Assim que Sasha virou a esquina do prédio escolar e chegou aos fundos do Colégio Kyoujin, onde Eren e Annie estavam, ela percebeu o clima estranho. — Está tudo bem entre vocês? — ela arriscou perguntar.
Eren abriu a boca para responder, mas rapidamente a fechou. Sasha era uma amiga consideravelmente próxima de Annie, e pensou que talvez fosse melhor deixar a própria Annie se pronunciar. Já Annie, tinha ouvido as vozes do resto do grupo se aproximando, e logo considerou que aquela conversa tinha que acabar o mais rápido possível.
— Não se preocupe, Sasha... — Annie deu um último olhar frio a Eren, que apenas engoliu em seco, e depois seguiu em direção à quadra poliesportiva que ficava ao lado do prédio do colégio. — Nós já terminamos.
Sasha ficou na dúvida se aquilo era bom ou ruim, mas decidiu seguir a amiga. Deu um rápido aceno com a cabeça à Eren e foi-se.
Naquele momento, o ar parecia ter ficado mais frio. Refrescante, mas frio. Eren deitou-se no chão terroso — nunca se importou muito em sujar-se — e repousou o antebraço sobre os olhos. Ele não estava triste, não muito. O que ele mais sentia naquele momento era arrependimento, e um pouco de raiva de si mesmo.
Eren se importava muito com seus amigos, e sempre fez de tudo para ser bom para todos. Em especial Annie, já que nesses últimos meses ela tinha se mostrado uma pessoa mais admirável do que o usual: forte, inteligente e, lá no fundo, muito sensível. Ele realmente pensou que a amava da mesma forma que ela o amava, mas não foi o que aconteceu.
Depois da primeira semana de namoro, na qual tudo parece mais maravilhoso, ele começou a sentir um pequeno vazio. E esse vazio foi aumentando, à medida que os dias passavam. Jean sugeriu que, talvez, isso tudo fosse falta de sexo. Eren nunca foi muito ativo sexualmente, e isso nunca o incomodou, mas como há sempre a primeira vez para tudo...
Só que não era isso. Annie não fazia nada de errado — muito pelo contrário —, mas mesmo assim o vazio não diminuía. Foi então que Eren decidiu terminar. Não importa o quanto os dois se gostassem, aquele vazio significava que algo não estava certo ali... Que algo não estava ali. Armin concordou com Eren, “é muito melhor vocês terminarem agora do que quando Annie já esteja completamente apaixonada”.
Eren cerrou os dois punhos. O que eu estou fazendo de errado?, perguntava-se. O que falta? Essa não é a primeira vez que isso acontecia com ele. Depois que ele fez 15 anos, todos os relacionamentos acabavam da mesma forma: com um imenso vazio no seu peito, não importava o quanto a outra pessoa o amasse. Mas, se não é amor... Então o que é?
O que pode preencher esse vazio...?
Notas finais
Caso tenha algum comentário ou critica, sinta-se livre para fazê-lo!
Até o próximo capítulo ;3
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